As ciladas do transporte de cargas




O ano de 2012 promete ser de muitos desafios para o setor de transporte de cargas e logística no Brasil. A necessidade da renovação da frota de caminhões com nova tecnologia, a defasagem do frete cobrado no País, a falta de mão de obra qualificada e as más condições das estradas nacionais são algumas das principais questões a serem debatidas no segmento. É o que diz Flávio Benatti, presidente da NTC &Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística).

Uma questão que está em evidência é a normatização Proconve P7, que torna obrigatório o uso do aditivo arla-32, o que encarece os veículos novos entre 5% e 10%, e está diretamente relacionada com a renovação da frota de caminhões. “Alterar o perfil da frota de caminhões levará algum tempo. A velocidade dessa transformação depende de alguns fatores, como a produção de novos veículos e a capacidade do transportador investir na renovação da frota”, diz Benatti. De acordo com ele, é fundamental criar uma política voltada para o assunto. “Para obter melhores resultados, defendemos a implantação de uma política nacional de renovação e sucateamento da frota de caminhões. O objetivo é tirar de circulação os veículos mais antigos que poluem mais, comprometem a mobilidade urbana e estão mais suscetíveis a acidentes de trânsito”, completa o executivo.

Defasagem do frete

No início do ano, uma pesquisa realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos da NTC&Logística) mostrou que o valor do frete cobrado no País está defasado em 11,95%. “Desde 2007, a NTC&Logística tem alertado sobre os problemas econômicos que podem ocorrer às empresas que praticam fretes abaixo de seus custos. Várias companhias continuam deixando de lado itens tarifários que são onerosos, como o GRIS e o frete-valor. Em todo negócio, qualquer defasagem tarifária coloca em risco investimentos e o crescimento da própria empresa. No médio prazo, com os prejuízos acumulando, haverá comprometimento das operações, colocando em risco as atividades do negócio”, alerta Benatti.

Restrição na Marginal Tietê

A restrição da circulação de caminhões na Marginal Tietê e em outras vias de São Paulo (SP) está gerando grande polêmica entre os transportadores de carga e outros profissionais do setor. Para o presidente da NTC, a medida adotada na capital paulista não é eficaz.

“A restrição da circulação de caminhões na Marginal Tietê é uma medida que não resolve o problema. Os fatos mostram que apenas transfere o congestionamento para outros horários. A falta de mobilidade urbana nos grandes centros é resultado da falta de planejamento dos nossos administradores públicos. E o setor produtivo, que gera o desenvolvimento econômico, acaba sendo prejudicado”, afirma Benatti.

Rodovias

Uma pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte), divulgada em outubro de 2011, apontou que 12,6% da malha rodoviária nacional são considerados ótimos; 30%, bons; 30,5%, regulares; 18,1%, ruins; e 8,8% estão em péssimas condições. “As estradas brasileiras continuam com muitos problemas e muito ainda precisa ser feito”, comenta Benatti. Para ele, as estradas da região sudeste são as que apresentam as melhores condições.

Escassez de mão de obra

Quando se fala no futuro do setor de transporte de cargas, uma das maiores preocupações é com a falta de mão de obra, principalmente de motoristas. Para Flávio Benatti, uma questão fundamental para resolver isso é atrair o interesse dos jovens para a atividade.

“A falta de motoristas profissionais pode limitar o crescimento das empresas. Para qualificar o trabalhador contamos com o Sest / Senat, que desenvolve treinamentos para a qualificação de motoristas e de profissionais de outras áreas das empresas de transporte. Agora, o maior desafio é atrair o interesse dos jovens para esta profissão”, conta o executivo.

Infraestrutura portuária

Para Benatti, uma das melhorias observadas no Brasil foi a logística dos portos nacionais, que hoje operam com mais rapidez e produtividade. “A infraestrutura portuária melhorou muito após a lei 8.630, que criou condições para a privatização das operações portuárias. Do berço de atração ao navio às operações ganharam produtividade. As operações que eram feitas em dois ou três dias, hoje são realizadas de quatro a seis horas. Mas as operações da safra de grãos e os gargalos na logística são graves. Não existe um bom planejamento na produção. Falta silagem na origem e no destino, nos portos, que causam congestionamentos. Nos demais produtos os planejamentos logísticos estão atendendo a demanda”, diz ele.

Legislação

Outro problema apontado por Benatti é a falta de segurança jurídica no setor. Para ele, os órgãos ligados aos sindicatos devem brigar por uma legislação que ofereça maior segurança às empresas, trabalhadores, profissionais e aos próprios usuários dos transportes.

“Estamos construindo uma maior organização e formalidade no setor, cujo processo teve inicio em 2007, com a Lei 11.442, que disciplina a atividade comercial no TRC. Desta vez caminhamos para a regulamentação da profissão de motoristas, cujo projeto de lei, com substitutivo sobre o tema, tramita na Câmara dos Deputados. A expectativa é que os deputados federais votem o substitutivo no primeiro semestre deste ano. Neste texto de consenso estão envolvidas alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e no Código de Trânsito Brasileiro, para tratar de temas polêmicos como jornada de trabalho e tempo de direção dos motoristas profissionais do transporte rodoviário brasileiro”, conta Benatti.

Fonte: Webtranspo




2 comentários em “As ciladas do transporte de cargas

  • 23/05/2012 em 19:09
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    Tenho ainda uma sugestão a dar aos interessados em sucatear os antigos caminhões. Comecem pelos autônomos a troca de veículos por novos, totalmente financiada 100% pelo BNDS,em 120 meses, mas retirem todos impostos embutidos no preço do caminhão,fazendo assim o tal pró-caminhoneiro se tornar uma realidade. É um bem de produção tão necessário que, cobrar estes impostos é penalizar o autônomo a trabalhar só para cobrir prestações e taxas bancárias. Por que para o empresariado, sempre conseguem o jeitinho brasileiro de financiar com juros de pai para filho.Que tal pedir de volta a Bolivia o dinheiro doado e a outros países que receberam doações de bilhões. Temos aqui mesmo no Brasil uma necessidade de se criar empregos, alavancar o nível social do trabalhador.Afinal o PT hoje no governo, quer ou não quer mudar para melhor a vida de quem realmente produz… putz! só deputados e senadores produzem e mais alguns achegados politiqueiros.

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  • 23/05/2012 em 18:50
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    Flávio Benatti diz:”Para obter melhores resultados, defendemos a implantação de uma política nacional de renovação e sucateamento da frota de caminhões. O objetivo é tirar de circulação os veículos mais antigos que poluem mais, comprometem a mobilidade urbana e estão mais suscetíveis a acidentes de trânsito”, completa o executivo.

    Bem acho muito justa a intenção e proposta, mas como sucatear os caminhões e tirar de circulação sem dar oportunidade JUSTA de reposição dos mesmo para os autônomos. Pois com toda certeza o sucateamento se dará nas costas dos hoje coitados autônomos. Estes mesmo que muitas vezes trocam anos de indenizações e obrigações trabalhistas, por um veículo meia boca, já rodado a exaustão das empresas, as quais o Sr. Benatti representa. Lembrem-se, cerca de 850 mil veículos hoje rodam nas mãos de autônomos, quase todos com mais de 15 anos de uso. O que querem mesmo os empresários é terminar com o autônomo, criando uma nova leva de motoristas empregados robotizados, criando assim um cartel.De uma maneira geral o autônomo é um incomodo necessário hoje para empresas, mas para futuro virão a ser desnecessários. Pois hoje fomentam a abertura de novas empresas concorrentes, trabalhando ora para um, ora para outro. Em lugar do BNDS financiar empresas a juros mixórdia, deveria financiar com maior facilidade a troca dos ditos sucatas.Mas aumentando o numero de autônomos, diminui a arrecadação de encargos trabalhistas, então…..sucata sem reposição, proibição e pronto para o lado mais fraco e desunido da corrente produtiva. Falar da elevação dos valores para na contratação de autônomos para transporte de cargas; ah! isto ninguem fala, somente falam de custos, quando baixa a lucratividade dos tubarões. Todos que começaram explorando o autônomo e hoje são grandes empresas. Não vou nem falar das multinacionais do transporte rodoviário de carga que, estão a tomar conta do mercado e massacrar o autônomo com fretes baixissimos, que mal pagam custos. Brigam entre eles empresários e sucateiam o ganha pão do mais fraco……………………ABSURDA A PROPOSTA SEM DAR CONDIÇÕES REAIS DE REPOSIÇÃO AO AUTÔNOMO, CONDIÇÕES DIGNAS DE PAGAMENTO E SUSTENTO FAMILIAR. Não escravidão como na atualidade para ganhar pouco sem ter vida social.

    FALA AI DNA. DILMAAAAAAAAAAAAAAAA….

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