VW Amarok ganha aguardada versão automática




Neste mês de abril a picape Amarok, da Volkswagen, completa dois anos de vendas no Brasil. E quem acompanha a trajetória dela vai se lembrar do entusiasmo dos jornalistas ao falar do conforto e da quantidade de equipamentos, nas primeiras avaliações. Por conta disso, antes mesmo da chegada da Amarok às lojas, muitos davam como certo o seu sucesso por aqui. Dois anos se passaram e a Amarok ainda segue como na estreia, no fim da fila. Fechou 2011 atrás das rivais, com um total de 10.227 unidades vendidas, segundo a Fenabrave, que reúne os distribuidores de veículos nacionais; e nos primeiros dois meses de 2012, viu apenas a Nissan Frontier no retrovisor.

Um dos argumentos usados pela VW para tentar explicar esse fraco desempenho, é o de que sua picape era oferecida apenas em versão única de acabamento, a topo de linha Highline, a diesel, e com câmbio manual. Isso restringia a Amarok a apenas metade do mercado de picapes médias, deixando a de fora dos segmentos de câmbio automático e flex. Com o início das vendas da versão automática, nos próximos dias, a VW tenta desatolar sua picape nas concessionárias. “Queremos dobrar o volume de vendas, alcançando 20 mil unidades da Amarok em 2012”, entusiasma-se Marcelo Olival, gerente executivo de Comerciais Leves da VW do Brasil. Mas a tarefa não será fácil, levando-se em conta que sua arquirrival Toyota Hilux passou por uma leve reestilização recentemente e a veterana Chevrolet S10 acaba de ganhar uma nova geração.

A missão pode ser complicada, mas não é impossível. E a Amarok tem atributos para isso. Além do câmbio automático de oito marchas, item encontrado em jipões de luxo como o BMW X5, o Audi Q7 ou o Porsche Cayenne, a nova versão traz novidades no motor e na suspensão. O bloco é o mesmo quatro cilindros, turbo, 2.0 litros, a diesel, da Amarok manual, mas teve de ser recalibrado para atender às normas de emissões para veículos a diesel L6, do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). Com a adequação, a VW recomenda abastecer a picape com o novo diesel S-50 (50 partes de enxofre por milhão), menos poluente e disponibilizado nos postos de combustível do País desde janeiro.

A mexida também deixou o motor biturbo mais potente. Passou de 163 cavalos para 180 cv graças à atualização do sistema de gerenciamento do motor e à adoção de novos turbocompressores. A regra também vale para a Amarok manual. Porém, neste caso, o torque segue com 40,8 kgfm, ao contrário da automática, que foi para 42,8 kgfm (a 1.750 rpm). O turbodiesel, que não terá opção automática, pelo menos por enquanto, continua com 122 cv. Ainda segundo a VW, equipada com alavanca de oito marchas, a picape atinge 179 km/h de velocidade máxima e chega aos 100 km/h em 10,9 segundos. Com mais força sob o capô, a capacidade de reboque também cresceu e foi para 2.860 kg. Na suspensão, o conjunto ganha feixe de molas de dois estágios para proporcionar ainda mais conforto atrás.

Na aparência, a Amarok automática é idêntica à manual. Durante a prévia para a imprensa especializada, testamos a novidade em trechos de asfalto e terra na região de Atibaia, no interior paulista. No percurso pavimentado, o comportamento da picape, que já era agradável – a gente até esquece que está guiando um veículo de trabalho, por conta do bom isolamento acústico -, ficou ainda melhor com a presença da alavanca de oito marchas. As trocas são, praticamente, imperceptíveis na posição D (drive), já que não há interrupção na tração. O sistema, desenvolvido em parceria com a também alemã ZF, também permite mudanças sequenciais, e modo esportivo (S), em que os engates são feitos em rotações mais altas.

A VW garante que a nova caixa consome menos combustível que a versão manual. Faz médias de 11,8 km/l e 12,2 km/l de diesel na cidade e na estrada, respectivamente, com autonomia total de cerca de 1.000 km. A última marcha também contribui para isso, já que funciona como overdrive. E para atingir um desempenho econômico satisfatório, o cérebro eletrônico da nova transmissão precisa, digamos, queimar os neurônios. “Seja em acelerações ou retomadas, há milhares de parâmetros, cálculos e combinações levados em conta. Mas, pode ter certeza, que todos priorizam a economia de combustível, sem perda da performance”, explica Holger Westendorf, chefe de Projetos Técnicos da VW, sem entrar em muitos detalhes. Ainda segundo ele, a nova transmissão da Amarok faz parte de uma família que tem como um dos parentes, a caixa que equipa o luxuoso sedã A8, da Audi.

Longe do asfalto, a Amarok foi raçuda sem perder a classe. Fora as boas chacoalhadas, situação inevitável quando se encara a subida da Pedra Grande, a picape mostrou comportamento compatível a alguns SUVs de luxo, como o Land Rover Discovery. E para que isso ocorra, a eletrônica também é fundamental aqui. A tração nas quatro rodas (4Motion) está presente em tempo integral, sendo que a primeira marcha faz o papel de reduzida em velocidades abaixo dos 10 km/h. Mas é bom ficar atento, pois alguns itens como Assistente de Partida em Subida (HSA), que impede que o veículo desça ao soltar o pedal do freio, Controle Automático de Descida (HDC) e Programa Eletrônico de Estabilidade (ESP) são itens opcionais. O ESP, por exemplo, custa R$ 1.500. Já o Bloqueio Eletrônico do Diferencial (ELD) vem de série.

A transmissão de oito velocidades é exclusividade da versão topo de linha Highline, cabine dupla, e tem preço sugerido de R$ 135.990. Ela vem da Argentina, assim como a manual, e além do ESP, conta com mais dois opcionais: navegador GPS com tela no painel (R$ 2.500) e rodas de liga leve de 19″ (R$ 1.900). A linha 2012 do utilitário também passa a vir com travamento com chave da tampa da caçamba, “a pedido dos clientes”, segundo Marcelo Olival. Outra novidade é a inclusão de duas novas versões, totalizando nove na gama. A Amarok S é a nova versão de entrada e vem com motor de 122 cv, nas configurações cabine simples ou dupla, e tração 4×2 ou 4×4, selecionável, com reduzida. A Amarok SE, antes disponível apenas para frotistas, passa a ser oferecida para consumidores individuais e com motor de 180 cv. E, aproveitando o lançamento, a montadora, em parceria com a divisão de seguros, também promove uma cobertura diferenciada. A apólice de 12 meses sai por R$ 4 mil e a de 24 meses, R$ 7,5 mil. A garantia da picape é de 3 anos, sendo que a primeira revisão é feita a cada seis meses ou 10 mil km. Os preços sugeridos do serviço são de R$ 395,41 (1ª revisão), R$ 395,41 (2ª) R$ 941,85 (3ª), R$ 606,52 (4ª), R$ 548,41 (5ª) e R$ 941,85 (6ª). Em geral, são verificados e substituídos itens como filtros, lubrificante do motor e pastilhas dos freios. Resumindo, a opção automática ressalta a característica de carro de passeio presente na Amarok desde o seu lançamento, em 2010. É a picape certa para quem não quer sujar o sapato com barro.

Fonte: Auto Esporte




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