Veja cuidados para conduzir veículos em neblina e geadas




Quem vive o dia a dia das estradas conhece bem os perigos trazidos pelos meses de outono e inverno. Os fenômenos característicos do período como neblina, geada, nevoeiro, ou mesmo neve, são fatores que exigem cautela para evitar acidentes, principalmente quando se está a bordo de um veículo de grande porte.

Como a maioria das rodovias brasileiras são bidirecionais – de mão dupla – a proximidade entre os veículos gera riscos ainda maiores quando as intempéries dos meses frios reduzem a visibilidade ou trazem dificuldades para controlar o caminhão. Por isso, vale ficar atento a algumas precauções quando parece que o asfalto virou sabão ou que a rodovia passa por dentro das nuvens. Veja o que dizem os especialistas:

Neblina e nevoeiro

A probabilidade de colisões nessas condições é altíssima, principalmente em vias de mão dupla, segundo o engenheiro Mauri Panitz, perito em segurança no trânsito. “Se as pessoas tivessem bom senso, não viajariam jamais em dia de neblina. Mas acontece que os contratos e as pressões econômicas, além da ignorância das pessoas, fazem com que elas circulem e sofram acidentes”, diz.

Ele também alerta para os perigos do excesso de peso das carretas. “Com excesso de peso, um veiculo deste porte é quase incontrolável. Segundo estudo do Ministério dos Transportes, 77% da frota nacional de caminhões circula com excesso, uma das principais causas dos acidentes, pois o sistema de freio não responde, não é projetado para isso”, completa.

O que fazer?

Apesar de a principal recomendação em casos de forte neblina ou nevoeiro seja mesmo não dirigir, algumas medidas podem ser tomadas para que os riscos diminuam. De acordo com Júlio César Zingalli, instrutor de direção defensiva do Centronor, um centro de treinamento específico para veículos de carga, localizado em Vacaria (RS), “todos os fenômenos climáticos exigem uma maior capacidade visual do condutor, mas, essencialmente, que ele diminua a velocidade”. O ideal, segundo ele, é diminuir o ritmo até metade da velocidade máxima.

Para uma melhor visibilidade, Zingalli recomenda o uso de faróis baixos ou faróis de neblina, nunca faróis altos “que prejudicam o próprio motorista e os outros veículos”. Preocupar-se com os demais é fundamental em casos de baixa visibilidade na rodovia. “É preciso redobrar as atenções quanto ao trajeto por onde andamos com o veículo, respeitando estritamente as margens da pista”, completa.

O coordenador de Treinamento da Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte (Fabet), Elygerson Alves Alvarez, alerta para o mau uso da sinalização. “Isso pode confundir outros condutores. Caso a neblina esteja muito intensa, é necessário diminuir a velocidade e só ligar o pisca-alerta com o caminhão parado”, explica. Usar esse sinal em movimento pode fazer com que outros motoristas pensem que o veículo está parado.

Geada, gelo ou neve na pista

Embora não seja predominante em muitas regiões do Brasil, o gelo, a geada ou mesmo a neve podem ser responsáveis por graves acidentes com caminhões. As ocorrências são possíveis nos dias mais frios do inverno, principalmente à noite e ao amanhecer, quando as temperaturas são mais baixas.

O que fazer?

O engenheiro Mauri Panitz alerta para esses casos: “é um fenômeno que se discute muito pouco, os caminhoneiros e os outros motoristas não têm conhecimento, nem experiência de trafegar numa rodovia que tenha gelo e desconhecem a ocorrência disso. O nosso gelo é quase imperceptível, a pista fica úmida e a baixa temperatura transforma aquele filme d’água em um filme de gelo, reduzindo a aderência do pneu com o asfalto, com o coeficiente de atrito baixando para próximo de zero”. O instrutor de direção defensiva, Júlio César Zingalli, segue a mesma linha: “frear em cima do gelo não vai segurar nunca. Sempre, nesses casos, a primeira medida é reduzir a velocidade”.

O frio prejudica o caminhão?

A manutenção do veículo exige ainda mais cuidados sob baixas temperaturas, conforme Alvarez. “As borrachas e mangueiras do motor precisam ser verificadas regularmente devido ao fato de, nesta estação do ano, o ar ficar mais seco, o que provoca o ressecamento e até o rompimento precoce”, conta.

Fonte: Expresso MT




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