Entrevista com o Marcos Valadares Leite, o caminhoneiro brasileiro no Estados Unidos

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O brasileiro Marcos trabalha com caminhão nos Estados Unidos há 12 anos, e dirige um Peterbilt 587, modelo 2013, Motor Cummins 450HP e cambio Eaton Fuller 13, para a empresa Daybreak Express Inc., que atua no transporte de carga em baú, refrigeradas e materiais perigosos. Natural de Santos-SP, decidiu seguir para os Estados Unidos por influência do amigo William, que lhe falava sobre as oportunidades de trabalho com caminhões.

No início da carreira, trabalhou como manobrista em um restaurante, em New Jersey. Com ajuda de outro amigo, o Dinho, conseguiu o primeiro emprego. “Foi duro, difícil conseguir o primeiro emprego. Mas com a ajuda do Dinho, consegui a primeira oportunidade”, disse.

Para pegar experiência na estrada, em um país novo, com outra língua e cultura, Marcos viajava com amigos brasileiros nos dias de folga. Quando o amigo Dinho tirou férias, Marcos pegou o caminhão por uma semana para trabalhar em seu lugar, e assim teve a primeira oportunidade para trabalhar com carretas nos Estados Unidos. Depois não parou mais.

Perguntado sobre as principais diferenças para o Brasil, Marcos citou a infraestrutura rodoviária, com estradas boas, pátios para parada e postos de combustível de qualidade. “O descanso, o conforto são bons, os bons postos oferecem o mínimo de condições para se ter um bom banho (privado) e um bom local de estacionar. Segurança é quase que total. Nunca tive problemas”, relata. “Paro nos postos e nas áreas de descanso tranquilamente.  Alguns postos tem sala de televisão para os motoristas. Os banhos são privados e tempo ilimitado no chuveiro”. As rodovias também são boas, mesmo as que não são pedagiadas, com pista simples, tem asfalto de qualidade em toda a extensão: “Os EUA, em um todo, as [rodovias] interestaduais, tem o mesmo padrão, indiferente de estados mais pobres, ou mais ricos”.

Quanto à alimentação, Marcos diz sentir falta do arroz com feijão, já que a alimentação dos Estadunidenses é baseada em fast-food, que além de ser pobre em nutrientes pode causar problemas como obesidade, pressão alta e outros. “A comida americana é muito baseada no fast-food, isso é péssimo, falta o arroz e feijão”, finaliza.

Casado, Marcos diz passar de 7 a 14 dias fora de casa, viajando entre Califórnia, Kentucky, Virginia e Carolina do Norte, e também afirma não sentir falta do Brasil: “Saudades do Brasil não tenho, acostumei com a vida aqui”.

Perguntado sobre o modelos que escolheria, se fosse comprar um caminhão, Marcos citou dois modelos, um americano e outro brasileiro, ambos Volvo. Eles são o Volvo VN780 e FH 540, pelo conforto que propiciam.

Sendo comum nos Estados Unidos, as nevascas são um problema, que sempre causam fechamento de rodovias, principalmente nesta época do ano, que neva muito, com maior intensidade no norte do país. Um dos acontecimentos que mais marcou a história na boleia de Marcos ocorreu justamente durante uma nevasca, em Virgínia: “Peguei uma neve forte na Virginia e ninguém pode seguir viagem. Ficamos parado por quase 24 horas”, finalizou.

Quanto ao uso de drogas ao volante, Marcos disse que não é um problema comum como no Brasil, já que “as leis são rígidas e tem que ser cumpridas. Existe a lei que regulamente as horas de serviço. São 11 horas de volante e 10 horas de descanso obrigatório.  Se não cumprir a lei, a multa pode variar entre 100 a 1000 dólares” disse.

Para pode trabalhar nos Estados Unidos, são necessários carteira de motorista emitida nos EUA e ser legal no país: Ser Estadunidense nato ou naturalizado, ser um residente permanente (green card) ou ter permissão de trabalho.  Em geral não há discriminação para estrangeiros, que, tendo os documentos em dia, são contratados igual os estadunidenses. Algumas empresas também pedem o curso “Mopp” dos Estados Unidos, o Hazmat Endorsement, e experiência, mas outras não pedem nada. Na empresa em que trabalha, Marcos diz que sempre é feito investimentos nos motoristas, com treinamentos, cursos e etc. ” Na empresa, todos os meses fazemos um curso online de direção defensiva. Fazendo esse curso e não tomando multa, você ganha um incremento de 2 centavos a milha. Sempre tento evitar confusão no trânsito, se alguém provocar eu não respondo”, completa.

No transito, a diferença para o Brasil é evidente. A violência e desrespeito quase não existem, já que as leis são rígidas e muito bem cumpridas. “Se compararmos com o Brasil, essa violência quase é nula. Aqui a policia pune com rigor todos, sem choro. Acidentes existem, acho que o fator humano ainda prevalece, e no inverno, chegando neve e gelo, as coisas pioram”. Outro ponto é a eficiência da polícia, que é séria e honesta, sem lugar para propinas, como no Brasil. “A polícia cumpre seu papel. Não tem essa de “molhar” a mão. Eles fazem inspeção de rotina nos caminhões. Algumas vezes param aleatoriamente 1 ou 2 caminhões e checam tudo”.

O tempo fora de casa, problemas com cargas e demora para descarregar são os principais fatores que impedem que se melhore na profissão na terra do Tio Sam. Para a compra de caminhões, novos ou usados, a burocracia é pequena, e os preços, se comparados ao Brasil, são baixos. Para se ter um exemplo, um imponente Volvo VNL64T670, leito, com motor Cummins de 475 cavalos, ano e modelo 2010, custa 62 mil dólares, algo em torno de 150 mil reais. Já um Volvo FH 460 2010, fabricado no Brasil, custa, na média, 260 mil reais.volvo-fh-440-6x2-vs-Volvo-VNL-64t670-6x4

Marcos também é dono do Vlog18Rodas no Youtube ( http://www.youtube.com/vlog18rodas ), onde mostra o seu dia-a-dia na estrada. A ideia do Vlog surgiu para mostrar a rotina para os familiares, mas acabou crescendo e se tornou um canal diário, onde cada vídeo é visto por mais de 5 mil pessoas, porém, há vídeos com mais de 400 mil visualizações, como o vídeo a seguir, que mostra um VN770 de um colega.

Os temas preferidos dos espectadores são os que envolvem as conversas de estrada e alguns sufocos que Marcos enfrenta no dia-a-dia.

O Blog do Caminhoneiro pediu para Marcos dar dicas para quem quer iniciar na profissão, e também para quem quer seguir para os Estados Unidos, para trabalhar com caminhões. Ele falou o seguinte:

“Não abusem, conheçam seu limite. Não tentem andar junto com os antigos, eles andarão mais rápido. Lembre-se que qualquer erro, pode custar a vida. Lembre que aqui [Estados Unidos} a lei é cumprida de verdade. Direção agressiva ou outros erros podem custar a sua licença”, finalizou.




16 comentários em “Entrevista com o Marcos Valadares Leite, o caminhoneiro brasileiro no Estados Unidos

  • 20/11/2016 em 14:01
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    Como fazer para mim escrever?

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  • 04/04/2014 em 09:10
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    ¿Hola meu irmaó camionheiro bom dia eu sou Francisco Ribeiro filho sou filho de um excamionheiro q a afalecido no estádo de minas gerais br 116 meu grande héroe pai era da cidade de Aurora Ceará brazil so q hoje eli mora con Dios q pena en a morte do meu pai foi muito triste meu pai eli estaba de ida pra o nordeste ir en uma curva vinha otra escania ir bateu en meu grande héroe pai foi um acidente fatal eli morreu na hora a escania q meu pai trabalhava era carga seca más na hora da batinda ja comeso a pega fogo meu grande héroe pai moreu carbonizado ir preso nas ferrage so sombro 250 grama de sinza do corpo

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  • 30/03/2014 em 20:59
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    SUPER BACANA …..AGRADEÇO A DEUS POR EXISTIREM PESSOAS ASSIM COMO NOSSO AMIGO MARCOS…..QUE NOS RETRATA A LIDA NO TAPETE PRETO AMERICANO…..TINHAMOS 1000 PERGUNTAS , MAS ELE ADVINHA E ACABA FAZENDO MATERIAS RESPONDENDO NOSSOS SONHOS E DUVIDAS….EU SOU GRAÇAS A DEUS CARRETEIRO DESDE 1989 AMO CAMINHAO E A PROFISSA……E AMO ADMIRO E GOSTO MUITISSIMO DE CAMINHOES USA , PRINCIPALMENTE OS KENWORTH,S……………POIS BEM , DESDE JA GRATO PELA ATENÇAO…..UM MUITO OBRIGADO POR NOS PROPORCIONAR A VIDA A REALIDADE DA LIDA NO TRECHO USA…….AMAMOS DE CORAÇAO ESSE SEGUIMENTO…….TRANSPORTE…..FIKEM TODOS COM DEUS FELICIDADES E BOA NOITE A TODA FAMILIA. ABRAÇOS.

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  • 30/01/2014 em 00:56
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    Muito boa a entrevista !! Sucesso para voces !!!

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  • 29/01/2014 em 21:34
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    Parabéns Marcos você é uma verdadeira lenda mesmo
    Eu estou indo para os E.U.A. até o ano que vem 2015 graças á DEUS
    Muito Sucesso meu amigo, PARABÉNS !!!!!!!
    Um grande Abraço !!!!!

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  • 29/01/2014 em 14:50
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    Ao divulgar seu trabalho, Marcos nos mostra o abismo existente entre nossa realidade e a norte-americana, deixa-nos uma referência que devemos seguir, portanto seu trabalho extrapola a função de motorista e entra nas importantes funções de informar, instruir,direcionar,etc. o que faz com muita competência.
    parabéns pelo trabalho.

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  • 29/01/2014 em 13:47
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    Há um erro no começo da entrevista. O 587 é de 2012 e não 2013 como foi colocado

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  • 29/01/2014 em 13:18
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    eu sou claudir tenho 25 moro em penapolis interior de sp e sou fã do marcos é show … um cara mo responsa ja troquei ideia com ele pelo you tube no canal dele e muitas coisas aprendi com ele hoje esto embusca de uma grande oportunidade de emprego como motorista apezar que no brasil a oportunidade é ruim mais esto aki lutando e esto começando a fazer o mopp e emquanto eu estiver na terra vo lutar para ter meu proprio caminhao.

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    • 29/01/2014 em 13:50
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      Claudir, tem um canal no Youtube que é de um penapolense que é caminhoneiro no Japão. Vou deixar o link do canal do Dario Bessho no youtube abaixo, pois ele eh de Penapolis-SP e mora no Japão
      http://www.youtube.com/user/dariobessho

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      • 29/01/2014 em 14:27
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        Penápolis-sp cidade da minha mãe, ela vai gostar de saber que tem um penapolense nas estradas Japonesa

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