Em RO, mercadorias que deveriam ir para o AC podem ser perdidas

caminhoes.estacionados




Os caminhoneiros que transportam cargas para Rio Branco, no Acre, sofrem as consequências do fechamento da BR-364, interditada em Rondônia, por causa da cheia histórica do Rio Madeira, que atingiu a cota de 19,08 metros, na quinta-feira (13), segundo a Agência Nacional de Águas (ANA).

Em pátios de postos de combustíveis às margens da rodovia, já no perímetro urbano de Porto Velho, muitas carretas estão estacionadas há mais de uma semana, segundo os caminhoneiros. José Carlos Paraná, de 40 anos, é um deles. “Estou com o baú câmara fria parado há quase 10 dias aqui, carregado de verduras de todos os tipos. Não temos o que fazer. O jeito é ter paciência até poder fazer a travessia pela balsa de Abunã”, disse José. Não há outro acesso terrestre que ligue o Acre aos outros estados brasileiros.

Verduras transportadas em caminhão câmara fria estão comprometidas
Verduras transportadas em caminhão câmara fria estão comprometidas

O bloqueio da balsa já foi feito e desfeito algumas vezes, por medida de segurança devido à oscilação da água sobre pista, desde o início da cheia, há mais de um mês. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) chegou a construir um novo atracadouro, pois o antigo está alagado e foi desativado por não ter condições de operar.

Um dos caminhoneiros chegou a perder o controle do veículo e tombou fora da pista, mesmo depois da elevação feita pelo Dnit. A Defesa Civil se prepara para evacuar Abunã, distrito de Porto Velho distante cerca de 220 quilômetros da capital, e que possui cerca de mil habitantes. A administração do e a Defesa Civil afirmam que já foi solicitada a remoção imediata de 250 famílias que moram em áreas afetadas pela enchente.

Alguns caminhoneiros dizem que, se pudessem, doariam parte dos produtos perecíveis para as vítimas da enchente. “Tem produto que se não for consumido nos próximos dias estará perdido, impróprio pra consumo. Boa parte das cargas que já deveriam estar no Acre está comprometida”, disse o caminhoneiro João Dutra. Já no caminhão de José Luiz Trovão, de 36 anos, centenas de ovos de páscoa também correm o risco de não chegar a capital acreana.

Além dos prejuízos, os caminhoneiros também reclamam da rotina. “É difícil, porque já passamos muito tempo na estrada, longe da família, sem muita estrutura. Em Rondônia é a primeira vez que fico parado assim tantos dias, mas já enfrentei dificuldades em Santa Catarina, na enchente que aconteceu há uns dois anos lá no Sul”, disse o caminhoneiro Luiz Carlos Bicalio, de 60 anos de idade e 39 de profissão. Os trabalhadores dizem que se organizam como podem para preparar as refeições e tentar manter a higiene nas dependências do posto.

O caminhoneiro Flávio Bacalhoto, de 39 anos, disse que transporta adubo para ser descarregado no Porto de Porto Velho, e que também enfrenta dificuldades. “É comum a gente ficar parado um tempo aqui. Pegamos uma senha quando chegamos a Candeias do Jamari, e depois ficamos aqui esperando autorização para descer até o porto. Estou aqui desde o último sábado, quase uma semana já”, reclama Bacalhoto.

No Acre, o abastecimento de produtos de primeira necessidade está sendo feito com a ajuda de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Os acreanos reclamam, principalmente, da alta nos preços de produtos como ovos, batata, tomate, massas e congelados em geral. O quilo do tomate, por exemplo, pode custar até R$6,30. O racionamento de combustível no Acre também preocupa a população.

Fonte: Rede Amazônica




Deixe sua opinião sobre o assunto!