Marcopolo cobra de ministro meta fiscal de 1,9%

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O vice-presidente de assuntos institucionais da Marcopolo, maior fabricante de carrocerias de ônibus do país, José Antônio Martins, participa da reunião entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um grupo de 21 grandes empresários com a expectativa de que o governo reafirme o compromisso com o superávit primário de, no mínimo, 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014.

De acordo com ele, a garantia de que as metas de redução de gastos serão cumpridas será decisiva para evitar o rebaixamento da classificação de risco da dívida soberana do país. “A meta [de superávit] está abaixo dos 2,3% a 2,4% que se queria, mas já é algo significativo”, afirmou o empresário.

Martins disse que a pauta do encontro não foi antecipada aos convidados, mas ele também espera que Mantega deixe claro que o governo persegue a recuperação econômica “com a cabeça voltada para o investimento e não para o consumo”.

Quanto à decisão do Banco Central de promover uma alta progressiva da taxa Selic ao longo dos últimos meses, ele comentou que a medida é consequência da elevação da inflação. “A inflação tem que ficar dentro da meta”, disse.

Para o empresário, um caminho para reduzir a necessidade de aperto monetário no controle da alta dos preços seria o aumento do superávit da balança comercial brasileira e a consequente queda “significativa” do déficit em transações correntes do país, que em 2103 chegou a US$ 81,4 bilhões.

Além de vice-presidente da Marcopolo, Martins é presidente da Fabus, associação que reúne os fabricantes de ônibus do Brasil, e do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre).

O presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, também havia confirmado participação no encontro com Mantega.

Ontem, o presidente da associação de montadoras de automóveis, a Anfavea, Luiz Moan, afirmou que a entidade pediu ao governo que estimule a modalidade de leasing como forma de empréstimo para a compra de novos automóveis no país. A demanda foi levada para Mantega em reunião ocorrida à tarde.

O leasing, que chegou a responder por 47% de todo o financiamento de veículos novos em 2006, ano passado teve fatia menor do que 3% no crédito.

Segundo Moan, Mantega “gostou da proposta” e agora deve levá-la aos bancos. A Anfavea tem expectativa de que a modalidade creditícia comece a chegar ao consumidor em até três meses.

“Ainda temos algumas restrições para aumentar a venda de veículos em função da seletividade do crédito. Pensamos que agora seria a hora de reintroduzir o leasing como forma de financiamento”, disse Moan.

O pedido da associação aconteceu em função de acórdão publicado pelo Superior Tribunal de Justiça, no começo do ano, que resolveu com qual município ficava a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) das transações feitas por meio de leasing.

Fonte: Valor Econômico




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