Participação da mulher avança 95% no mercado de trabalho

Luciana Marcia Pioto




Nos últimos dez anos, elas aumentaram em 95% sua participação no mercado de trabalho formal em Ribeirão Preto e Sertãozinho. Já entre os homens esse aumento foi de 64%. Luciana Marcia Pioto, que mora em Pitangueiras, engrossa esse avanço feminino: trocou o salão de beleza, onde trabalhava, para trabalhar no comando de máquinas agrícolas.

Mas, além de avanços, os dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o Dia Internacional das Mulheres também deve ser de reflexão, pois elas ainda possuem um longo caminho a percorrer.

A desigualdade salarial em relação aos homens é o maior obstáculo. Em média, no mercado formal de Ribeirão, as mulheres ganham R$ 1,6 mil por mês contra um salário médio R$ 1,9 mil dos homens, diferença de 16%. Na vizinha Sertãozinho, o abismo é maior ainda, de R$ 1,4 mil para R$ 2,2 mil, 35% de diferença.

“Ainda há um longo caminho a percorrer no mercado de trabalho”, diz a economista Natália Batista, professora da Faculdade de Economia (FEA-RP/USP).

Segundo ela, as mulheres já entram no mercado com salários menores em relação aos homens, mesmo tendo uma média de escolaridade um ano maior. Entre as justificativas está a gravidez, da licença maternidade.

Luciana deixou o salão de beleza para dirigir tratores

Luciana Claudia Pioto é um exemplo da força feminina no mercado de trabalho. Ela trabalha em um setor dominado pelos homens em Sertãozinho, o rural, em que eles são 63% da força de trabalho. Luciana deixou os salões de beleza – era depiladora e design de sobrancelhas – para dirigir tratores na usina Santa Elisa, do grupo Biosev, em Sertãozinho.

“Quando comecei, há dois anos, só havia homens no meu setor. De lá pra cá, o número de mulheres subiu bem. Se a gente se dá ao respeito, consegue ser respeitada”, diz.

“Mesmo com medo e insegurança, nunca demonstrei isso e consegui conquistar meu espaço e crescer na empresa”.

Hoje, além de tratores, Luciana também opera colheitadeiras, sem contar as outras jornadas de mãe e dona de casa. “Sou separada e desempenho os papéis de mãe e pai. Nunca sofri preconceito direto por causa disso, mas sei que tem pessoas que não aprovam. Mas para mim, minha carreira profissional e minha filha estão sempre acima de qualquer coisa.”

‘Diferença ainda é grande’

O crescimento ainda maior da participação das mulheres no mercado de trabalho e a diminuição das desigualdades sociais e nos setores econômicos é uma questão de tempo, segundo o economista Fred Guimarães, da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão (Acirp).

“A diferença ainda é enorme porque existe um atraso grande nessa entrada das mulheres no mercado. Mas essas diferenças serão revertidas com o passar dos anos”, diz o economista.

Ainda segundo ele, conforme as mulheres se qualificam, elas conseguem ainda superar os homens. “Em algumas funções, elas se saem melhor inclusive. A sensibilidade e cuidado são pontos positivos.”

Mas o mercado precisa se abrir mias. Em Ribeirão, elas são maioria em somente dois dos oito setores econômicos locais: serviços e administração.

Fonte: Jornal A Cidade




Deixe sua opinião sobre o assunto!