Projetos de fábricas de caminhões chineses no Rio Grande do Sul estão em compasso de espera

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Dois projetos para construir montadoras de caminhões chineses engataram marcha lenta no Estado. Enquanto o plano da Yunlihong para Camaquã travou nas indefinições, o da Foton Aumark em Guaíba tenta acelerar, mas depende de uma negociação com o governo estadual que vai exigir muito tempo.

O projeto mais atrasado é o previsto para Camaquã. Há dois anos que representantes da Yunlihong prometem se instalar no município da região Centro-Sul, mas não concretizam as intenções. Encarregado das negociações pelo município, o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Claiton Luiz Gonçalves Duarte, diz que duas áreas foram doadas à empresa. Uma de 22 hectares e outra de cem hectares, próximas à cidade e da rodovia Porto Alegre-Pelotas (BR-116).

— Estamos aguardando o projeto dos chineses — informa Duarte.

O plano é incerto. Na última versão, a Yunlihong produziria chassi de micro-ônibus, na área de 22 hectares, e montaria caminhões na sede maior, com capacidade para 5 mil unidades por ano. No entanto, a empresa já acenou com a possibilidade de optar por tratores, ônibus ou implementos agrícolas, o que gera incertezas.

A Yunlihong até já instalou um escritório em Camaquã, mas a diretoria não se manifesta. Um engenheiro viria ao município na próxima semana, para encaminhar a construção da montadora. As hesitações da Yunlihong são monitoradas por industriais gaúchos. O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, percebe que o empreendimento estacionou. Se a Yunlihong for adiante na fabricação de máquinas agrícolas, Bier diz que haverá duas reações entre os empresários do setor. Caso use componentes brasileiros, não assustará. O sentimento será inverso, porém, se vender produtos feitos na China.

— Assusta se trouxer componentes de lá — observa o dirigente.

Outro fato que aumenta as dúvidas sobre o projeto de Camaquã é a disposição do governo estadual de participar da Foton Aumark, de Guaíba, como sócio menor e transitório, via Badesul, a agência de fomento vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI). Optando pela Foton, o Estado sinaliza que está cauteloso em relação à Yunlihong. Para o presidente do Simers, o governo poderia repensar o apoio à Foton. Observa que deveria fortalecer as indústrias gaúchas, até para que não tenham de migrar para outros Estados.

— Se vai dar incentivos para as que vêm de fora, que dê para as daqui — afirma Bier.

Até seis meses para decidir sobre parceria

O governo estadual e a chinesa Foton Aumark seguem negociando parceria para produzir caminhões em Guaíba. A possibilidade é de que o Piratini se torne sócio minoritário e temporário por meio do Badesul, agência de fomento vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI).

— Está tudo andando conforme o figurino — resume o secretário da SDPI, Mauro Knijnik.

O Badesul se inspira no modelo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (BNDESPar), que tem fatias de diversas empresas em carteira, como forma de estimular a indústria nacional. Knijnik informa que o formato, se aprovado, será similar ao de Santa Catarina, onde o governo se associou à montadora BMW.

— Não estamos inventando nada, apenas copiando de outros Estados — observa o secretário.

O presidente do Badesul, Marcelo Lopes, prevê que a análise levará de cinco a seis meses. Por lei, o Banco Central determina uma participação máxima de 25% no capital da empresa. O percentual gaúcho será fixado a partir da perspectiva de rentabilidade do negócio. A sociedade seria transitória — a média é de 10 anos.

— Estamos examinando com todo o rigor técnico — antecipa Lopes.

Diretor de relações institucionais da Foton no Brasil, Luiz Carlos Paraguassu destaca que a empresa só aguarda a última licença ambiental para iniciar a construção da montadora, em Guaíba. A contar do início das obras, ficaria pronta em 16 meses. Os primeiros caminhões estariam à venda em 2016. Paraguassu diz que as conversações com o governo estão encaminhadas. Sobre a participação do Rio Grande do Sul como sócio, comenta:

— Não é nada demais, nem de menos, que outros Estados oferecem. É um procedimento mundial.

Como estão os projetos

Yunlihong

  • Onde: a prefeitura de Camaquã cedeu área de 22 hectares no distrito industrial e outra de cem hectares às margens da rodovia Camaquã-Porto Alegre (BR-116)
  • Quando: protocolo de intenções com o governo foi assinado em 17/4/2012, mas não há previsão para erguer a unidade
  • Investimento: estimado em R$ 230 milhões
  • O que falta: um sinal concreto da empresa de que realmente vai investir no RS
  • Produção: a área de 22 hectares abrigaria fábrica de chassi de micro-ônibus. Os outros cem hectares seriam para montadora de caminhões ou uma linha de tratores e máquinas agrícolas
  • Empregos: 455 vagas

Foton Aumark

  • Onde: 150 hectares de parte da antiga área reservada à Ford, em Guaíba
  • Quando: empreendimento foi anunciado no Piratini em 13/8/2013
  • Investimento: R$ 250 milhões
  • O que falta: licença ambiental para começar a construção da montadora, que ficaria pronta em 16 meses a partir do início das obras. Em seis meses, o governo define se aceita se tornar sócio da unidade
  • Produção: capacidade para fabricar 20 mil caminhões por ano, de leves (duas toneladas) a extrapesados (45 toneladas). Começa com 5 mil unidades do tipo leve
  • Empregos: 400 na Foton, mais 1,5 mil em sistemistas (fornecedoras de peças)

Fonte: Jornal Zero Hora




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