Sobre a “importação” de motoristas da Colômbia

Caminhoes na rodovia - Scania




Empresas do setor de transportes no Paraná estão indo até a Colômbia para buscar novos caminhoneiros. Uma iniciativa do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Paraná (Setcepar) seleciona e dá treinamento para os profissionais. O principal motivo para buscar profissionais fora do país é a falta de mão de obra no Brasil. Dados da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC&Logística) apontam que o país tem um déficit de cem mil profissionais. No estado, há espaço para 5 mil caminhoneiros.

“Historicamente, no passado, o filho do motorista seguia a profissão do pai. Atualmente, o pai incentiva o filho a ter outra profissão”, diz Gilberto Cantú, presidente do Setcepar que afirmou que a ideia de importar profissionais começou após a visita de um professor da Colômbia, que veio ao Brasil para dar aulas em um dos cursos promovidos pelo sindicato. “Foi identificado que lá havia uma mão de obra disponível. Ele começou a contatar essas pessoas e a gente montou esse programa para oferecer essas vagas para os nossos associados”. Além de cursos de formação, o sindicato prepara toda a documentação necessária para que eles tenham condições de trabalho.

Atualmente, o programa prepara os trabalhadores estrangeiros para atuarem nas empresas filiadas ao sindicato. Marcos Batisttella é dono de uma dessas empresas. No caso dele, embora atue na Argentina, Chile e Uruguai, esta é a primeira vez que contrata estrangeiros para o quadro funcional. “Uma das dificuldades foi o crescimento do mercado e essa lei da carga horária de trabalho. Para fazer a mesma produção que antes, precisa ter dois motoristas por caminhão”. Ele já conta com quatro colombianos na equipe e mais três devem ser contratados nos próximos dias. “Estou satisfeito com eles. Esses primeiros têm boa qualidade. Têm um nível de conhecimento cultural bom. O problema maior é a língua, de conversar com o pessoal, mas aos poucos vai entrando o portunhol e vai embora”, diz.

Gilberto Cantú também vai contratar mais dois motoristas que devem se formar nesta sexta-feira (14). Segundo ele, o sindicato já recebeu mais de 200 currículos de colombianos interessados em trabalhar no Brasil.

Falta de profissionais

O problema da falta de profissionais no setor não está no salário. Ao contrário, conforme o presidente do Presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Ponta Grossa e Campos Gerais (Sinditac), Neori Leobet, um caminhoneiro pode tirar até R$ 5 mil por mês. “O bom caminhoneiro, hoje, escolhe a empresa em que quer trabalhar e faz preço do salário dele. Não existe um profissional hoje trabalhando por menos de R$ 3 mil por mês”, afirma.

O presidente do Setcepar acredita que fatores como a distância da família, as más condições de segurança das estradas, os roubos e outros riscos da profissão têm afastado novos profissionais.  Além disso, a nova lei que obriga motoristas a trabalharem por oito horas diárias, com direito a intervalo de uma hora ajudou a aumentar a defasagem no setor.

O crescimento no setor também exige que novos profissionais sejam formados, mas isso leva tempo. O Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) iniciaram um projeto em parceria com o governo federal para a formação de 50 mil novos caminhoneiros. Porém, para conseguir a habilitação da categoria “C” (caminhões de pequeno porte), é preciso possuir a carteira na categoria “B” (carros) por um ano, antes da mudança de categoria e dois anos para mudar para as categorias “D” e “E” (ônibus e caminhões de grande porte, respectivamente).

“Isso tinha que ter acontecido há cinco anos. Acho que a solução imediata para as empresas é a contratação de estrangeiros”, diz Neori Leobet. Ele acredita que nos próximos anos, o mercado terá ainda mais vagas disponíveis, devido ao próprio crescimento do setor e também da lei da jornada de trabalho.

Fonte: RPC TV




30 comentários em “Sobre a “importação” de motoristas da Colômbia

  • 14/05/2014 em 17:29
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    O que falta é o seguinte:

    – salário descente;
    – regulamentação da profissão (jornada de trabalho e hora extra);
    – segurança nas estradas;
    – centros de descanso com adequações para humanos (saneamento básico e segurança);
    – policiais orientadores e protetores (hoje só multam e roubam os caminhoneiros)
    – e falta principalmente vergonha na cara dirigentes da ANTT e sindicatos.

    Na minha opinião importar caminhoneiro da Colômbia é desculpa para pagar menos ao caminhoneiro Brasileiro.

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  • 30/03/2014 em 20:59
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    Agora quando a rede globo chamar caminhoneiros de drogados novamente sem conhecer a realidade sofrida da estrada vai ficar mais facil para eles pois acusar caminhoneiros colombianos de drogados ninguem vai se importar; se e que me entendem.

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  • 30/03/2014 em 14:06
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    O melhor é o seguinte chegam sem o curso MOPP, mas rapidamente conseguem o tal certificado. Sendo que muitos brasileiros para revalidar, tem que esperar muitas vzs meses , pois alegam que as turmas não estão formadas. Sendo assim proibitivo ministrar o curso para apenas meia duzia. Alem de muitas vzs não se encontrar tal curso obrigatório em todas as cidades. Afinal se obrigatório deveria existir em todas os CFCs do país em tempo integral..

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  • 26/03/2014 em 20:19
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    primeiro lugar a onde paga 5.000 por mes isso e quase imposivel eu acho que nao ta foltando tanto motorista assim e sim o bom salario que nao tem eu tenho 62 anos e estou em perfeito estado de saude nao consequi emprego na baixada santista e tenho varios curso entrequei 32 corriculos dos bons e nome surper limpoe tao limpo que sempre fiz dta no container alegaram onde eu moro em monquaqua e a idade que era 56 anos eles querem chamarar atençao ou e casa de caboclo para trazer gente de fora para pagar menos que nos brasileiros sr minitro do trabalho e minitro do transporte fica de olho nesses empresarios espertos eles so querem ganhar sempre mas mas tem dinheiro para gastar com caminhoes 0k e o motorista vive na pura miseria e passa a vida na cabine longe dos seus queridos vamos ficar de olho neles edison werner silveira um abraços a todos irmao do volantee suas familia

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  • 18/03/2014 em 11:11
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    Tudo e todos fazem paralisações reemvemdicando melhoras, a classe motorista não. Se fizesse o Brasil parava, sabemos muito bem que o Brasil anda sobre rodas temos a força na mão e não sabemos usadas.

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