Grupo que acompanhava votação da nova “Lei do Descanso” na Câmara é flagrado recebendo dinheiro

Falsos caminhoneiros




Na noite da terça-feira, 29/04, às 22h, logo após o fim da sessão que aprovou mudanças na chamada lei dos caminhoneiros, um grupo de 30 pessoas foi flagrado recebendo dinheiro nos corredores do 10° andar do Anexo IV da Câmara dos Deputados. Minutos antes, parte daqueles mesmos personagens ocupou as galerias da Casa para aplaudir cada um dos parlamentares que apoiou o texto sobre a ampliação da jornada de trabalho para os motoristas. A cena do pagamento foi documentada em vídeos e fotos pela equipe do jornal, que acabou hostilizada por servidores com crachás da Câmara, responsáveis pela distribuição de notas de R$ 50 e de R$ 20 para a claque.

O repasse do dinheiro começou na chapelaria do Congresso, de onde o grupo se dirigiu ao gabinete do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), de número 920, no 9º andar do Anexo IV da Câmara. Marquezelli presidiu a comissão especial que analisou o projeto na Casa. Ele também foi o escolhido para fazer a defesa da proposta antes da votação no plenário, momento em que foi bastante aplaudido pela claque, conforme registro em vídeo disponível no portal da Câmara. Várias das pessoas vistas na galeria da Casa chegaram a entrar no gabinete de Marquezelli, que estava aberto.

No escritório do petebista, o grupo foi orientado por funcionários a subir para o 10° andar. Lá, foram recebidos por pessoas com crachás da Câmara. Uma fila acabou formada em frente aos funcionários, que dispunham de uma lista de nomes, calculadora e um pequeno bolo de dinheiro em notas de R$ 50 e de R$ 20. Não foi possível determinar o montante recebido por cada um nem a origem dos recursos.

Após ser interrompida pela filmagem, a distribuição continuou no estacionamento em frente ao Anexo IV. Um dos integrantes da claque chegou a ameaçar a reportagem. “Quer perder seu celular?”, perguntou o homem, em meio a uma série de palavrões. 

Deputado confirma que pagou dinheiro a grupo que acompanhava votação

MarquezelliUm dia depois de alegar desconhecimento em relação ao pagamento em dinheiro vivo de uma claque para aplaudir deputados favoráveis à nova lei dos caminhoneiros, aprovada terça-feira na Câmara, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) assegurou que as notas de R$ 50 e R$ 20 foram repassadas pelo Sindicato dos Cegonheiros de Minas Gerais. “Qual o problema disso? O dinheiro é dele. Ele oferece a quem quiser. Quem pagou foi o presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Minas Gerais. Ele se chama Carlos (Roesel). Ele estava no meu gabinete”, afirmou.

O parlamentar declarou que o dinheiro distribuído na chapelaria do Congresso Nacional e depois na frente do seu gabinete seria destinado ao pagamento do lanche do grupo que ocupou as galerias do plenário. “Era para tomar um lanche. Um grupo pequeno. Não acho nada disso estranho. No mundo inteiro é assim. Quem tem dinheiro faz o que quer com ele. Estranho é vocês insistirem numa reportagem ridícula como esta. Acho que vocês não têm o que fazer”, disse Marquezelli, que é ouvidor da Câmara.

A pedido do próprio deputado, entramos em contato com um servidor do gabinete dele para detalhar o que ocorreu na noite de terça-feira. O funcionário contradisse Marquezelli ao responder que os recursos não tinham sido repassados pelo Sindicato de Cegonheiros de Minas Gerais. “Tenho certeza de que não foi o sindicato que pagou”, disse. O mesmo funcionário informou que outro sindicalista havia assumido ter pagado o grupo de pessoas, no entanto, o servidor não havia entrado em contato conosco. Momentos antes, o assessor afirmou que não sabia quem tinha dado o dinheiro e negou que as duas funcionárias da Câmara que aparecem no vídeo fazendo o pagamento trabalhassem com o deputado.

Duas investigações serão pedidas

A distribuição de dinheiro vivo nos corredores da Câmara dos Deputados a pessoas que se fizeram passar por caminhoneiros para pressionar a aprovação de um projeto de lei será alvo de dois pedidos de investigação. Integrante do Ministério Público do Trabalho, o procurador Paulo Douglas Almeida de Moraes informa que vai, por meio do Fórum Nacional em Defesa da Lei n° 12.619, representar formalmente a Câmara dos Deputados, para que averigue eventual quebra de decoro parlamentar, e a Procuradoria-Geral da República, que poderá apurar a prática de improbidade administrativa.

Formado por juízes e procuradores do Trabalho, além de entidades sindicais de empregados do setor de transportes, o fórum tem o objetivo de implementar a Lei n° 12.619 — também conhecida como lei do descanso —, que o projeto aprovado pela Câmara na última terça-feira, com o uso dos manifestantes pagos, pretende modificar. Caso o texto passe pelo Senado e se transforme em lei, Moraes promete questionar a constitucionalidade da norma no Supremo Tribunal Federal. Ele cita o aumento de mortes nas rodovias e de gastos públicos com as vítimas como consequências inevitáveis da proposta.

Fonte: Correio Braziliense Texto de Andre Shalders e João Valadares




8 comentários em “Grupo que acompanhava votação da nova “Lei do Descanso” na Câmara é flagrado recebendo dinheiro

  • 18/05/2014 em 15:51
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    To dentro, quero uma lei que tabele o frete brazuca, pois essa estoria de parar pra descansar em postos por 11 horas a gente não vai ter dinheiro nem pras ‘garotas de penca’ que estarão a nossa disposição…

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  • 15/05/2014 em 23:57
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    parem de reclamar.. o BRASIL CRESCE COM ESSES BOLINHOS DE DINHEIRO PRA CÁ… BOLINHOS DE DINHEIRO PRA LÁ.. E TOME REBITE, PQ ESSA LEI TEM QUE CAIR!!
    Motorista brasileiro é HERÓI!!! É SUPER-HOMEM!! TEM SUPER-PODERES!! tem mais é que levar chicotada!! levar chibatada!!
    que se danem!!! 90 horas na veia!! só servem pra isso mesmo!
    Dá-lhe propina!! o Brasil avança!!

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  • 13/05/2014 em 10:22
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    Parem com essa bobagem de horas de serviço trabalho de camioneiro ha 20 anos nunca tomei rebite e nem cheirei cocaina mas não gosto de ficar parado em patio de posto esperando a hora passar, prefiro trabalhar e descansar na minha casa, e ficando 20 ou 30 dias fora de casa acha que quero ficar em patio de posto, esses sindicalistas estão de brincadeira só querem dinheiro mesmo não ajudão ninguem.

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  • 13/05/2014 em 08:39
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    Aparecido. Minha opinião é a seguinte. estes motoristas flagrados com extensas horas ao volante, optaram por tal fato. Dentro de um caminhão, o comandante sou eu, sendo assim paro para descansar a hora que desejar. Acredito que os que se submetem a tais absurdo, fazem de sã consciência. Ninguem esta apontando uma amra para sua cabeça, a não ser ele mesmo. Veja o seguinte, se for um profissional bom mesmo, se recusa a tal jornada estafante. Emprego existe aos montes para o bom profissional. Mesmo para os mais velhos. E se fosse eu, denunciava a empresa no Min, Trabalho, acionava a empresa trabalhando. Garantindo meus direitos.
    De fato gostaria de saber a idade de cada um destes motoristas flagrados nesta situação. Não creio que motoristas acima dos 45 anos executem estas façanhas hoje em dia. Até pode acontecer, mas acredito que sejam novos no setor ( menos de 05 anos de profissão),ou, são apenas babacas que não respeitam seus próprios limites e a vida alheia. Nem deveriam estar rodando hj em nossas estradas. Toda parede tem um tijolo podre.

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  • 12/05/2014 em 21:13
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    Fique esperando esta verificação. Mais fácil vai ser encontrar fiscal de seu tacógrafo… kkkkk

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  • 12/05/2014 em 21:10
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    Esse deputado em uma entrevista a TV Câmara diz ser caminhoneiro é muito fácil. Seria interessante o MPT e o MT verificassem as empresas deste deputado.

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  • 12/05/2014 em 15:37
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    Neste país tudo tem esquema de corruptos e corrompidos. Vejam a lei é boa, assim como esta para os regidos pela CLT. Porem para autônomos, discordo que seja uma lei benéfica, pois restringe muito o trabalho e os ganhos. Já que a referida lei dos descanso, fala somente em horários, multas, etc. Não regulando o valor do fretamento Pois não faz parte da mesma, este fator. Mas ao equiparar autônomos e Celetistas, esqueceram que as vantagens trabalhistas dadas a uns, não atinge a outros.
    Este Sr Marquezelli representa de fato as empresas e, com ajuda destes grupos e alguns baderneiros vendidos ( a maioria nem trabalha como motorista), forçam as mudanças. Beneficiando-se apenas os políticos financiados por empresas e sindicalistas mamadores nas tetas do trabalho alheio.
    Quanto a leis, por que não demonstram o mesmo empenho de fiscalizar e cobrar
    sobre a lei das horas paradas (carga e descarga, após 4 horas paradas)..POLÍTICOS NO BRASIL SÃO UMA VERGONHA.

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