Programa pretende acelerar a pesagem de veículos

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Nem só de rodovias mal conservadas é feito o gargalo rodoviário brasileiro. As condições de fiscalização também são responsáveis pela lentidão do transporte de carga nas estradas. O controle de peso, fundamental para a segurança e conservação das rodovias, é lento e pouco eficiente. Estima-se que a frota nacional de carga fique parada 800 horas por ano nos postos de pesagem. Em 2012, foram cerca de 10,8 milhões de veículos fiscalizados no país quanto ao peso e foram feitas 528 mil autuações. Até julho de 2013, haviam sido aproximadamente 6 milhões de verificações e 359 mil notificações.

Para acelerar o processo, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) vem implementando o Plano Nacional de Pesagem. Em sua primeira etapa, foram instaladas 73 novas balanças: 42 fixas, com operação 24 horas por dia, e 31 móveis, que operam 8 horas diárias. Outros 94 postos fixos e 67 móveis estão previstos para a segunda etapa do plano, mas a licitação foi suspensa pela Controladoria Geral da União.

Para Bruno Batista, diretor-executivo da Confederação Nacional dos Transportes, a implementação rápida do plano é importante para dar mais eficiência às rodovias e aliviar o gasto nas estradas federais. “Se isso é feito com eficiência, o escoamento da produção fica mais rápido e sobram mais recursos para obras de manutenção e expansão da malha”, diz.

Batista, no entanto, considera que o esforço ainda é insuficiente para atender à demanda do país. “Em 2013, havia apenas 117 balanças em operação para mais de 60 mil quilômetros de rodovias federais, e sem controle de desvios”, lamenta. “E pelo ritmo histórico de execução do orçamento, infelizmente, não estamos otimistas.”

O DNIT avalia que a primeira etapa do Plano Nacional de Pesagem foi positiva, apesar das falhas apontadas na operação pelas auditorias da CGU e do Tribunal de Contas da União. Segundo o departamento, foram justamente os prós e contras da primeira fase que permitiram desenvolver um novo conceito de fiscalização de peso, o Piaf (Postos Integrados Automatizados de Fiscalização). “O Brasil será o primeiro país a adotar o conceito de automatização e de monitoramento e operação através de Centros de Controle Operacionais para os processos de fiscalização do excesso de peso”, informa o DNIT.

O sistema permitirá fiscalizar veículos em movimento, na velocidade de operação definida para o segmento a ser fiscalizado – ônibus ou caminhão. Com isso, 93% da frota de veículos de carga e ônibus, que hoje trafegam dentro do limite de peso permitido, não precisarão reduzir a velocidade para ser fiscalizados. Somente veículos com sobrepeso serão dirigidos ao pátio de fiscalização. A expectativa do DNIT é fiscalizar 100% da frota circulante nos corredores onde o novo modelo será implantado, permitindo concentrar esforços nos veículos que de fato apresentam algum tipo de problema.

Com o Piaf, também será possível aumentar a velocidade dos veículos nas balanças de pesagem, de 5 Km/h para 12 Km/h, o que facilitará o processo. “É difícil manter uma velocidade tão baixa de forma constante nas pesagens”, diz Rogério Cunha, presidente da Associação do Transporte Rodoviário do Brasil.

Fonte: Valor Econômico Texto de Carlos Vasconcellos




Um comentário em “Programa pretende acelerar a pesagem de veículos

  • 12/05/2014 em 21:23
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    Este problema existe por culpa exclusiva de empresas e governo. Bastaria ao governo, multar empresas que carregarem excesso em caminhões. Mas multas elevadíssimas, não importando se caminhão é de autônomo, ou, empresa. Pois os culpados pelos excessos em ambos os casos é sempre o embarcador (transportadoras e logísticas). Coisa como 100 mil por tonelada.. Com certeza acabaria o excesso. Mas tem um porem, no agronegócio, o pessoal do grão, nem liga para sobrepeso. Colocam muito acima do permitido, mas ninguem olha nada. Sendo que a qualidade de nossas rodovias, não suportam tal fato. Má qualidade de material usado, adensamento feito nas coxas, asfaltamento igual e, toda sorte de maquilagem de construção de estradas é usada por empreiteiras( diga-se, sempre as mesmas), de amigos dos amigos políticos governantes.

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