Mais de 90% dos caminhões trafegam com excesso de peso em SC, diz PRF

Scnaia G380




Um levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Santa Catarina calcula que apenas 10% dos caminhões que trafegam com excesso de peso pagam multa no estado. Segundo o Código Brasileiro de Trânsito, a multa é proporcional ao excesso de peso do veículo, e o motorista e o dono da carga devem ser autuados.

A PRF estadual analisou mais de 216 mil notas fiscais de oito empresas transportadoras. Cerca de 91% apontaram excesso de peso. Se as infrações tivessem sido flagradas, seriam arrecadados R$ 437 milhões em multas.

Em reportagem especial (clique aqui para ver o vídeo), o programa Estúdio Santa Catarina acompanhou um operação blitz no posto rodoviário da BR-101, em Palhoça, na Grande Florianópolis. A balança no chão da rodovia revela o Peso Bruto Total (PBT) do caminhão. O limite depende da capacidade do veículo.

Em minutos, o pátio da Polícia lotou. Um dos caminhões foi flagrado com seis mil quilos acima da capacidade de carga e foi autuado. Outro motorista, que não quis se identificar, explica a razão da sobrecarga. “Eles [empresas que contratam o transporte] ganham por tonelada. Dependendo o que vai carregar compensa [pagar multa] pra eles”, afirma.

Multas

​A PRF divulgou uma relação de empresas catarinenses mais autuadas. A Setep soma mais de 31 multas no valor de R$ 64.267,17. A Sul Catarinense foi punida 20 vezes no valor de R$ 30.090,22. A Saibrita deveria arcar com R$ 33.090,59, equivalente a 19 multas.

A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional informou que está em negociação com as empresas. A Setep e a Sul Catarinense foram procuradas pela reportagem, mas preferiram não comentar o assunto. A Saibrita disse que o frete é terceirizado e que está recorrendo das multas.

Irregularidades e fraudes

O Ministério Público Federal (MPF) apura as irregularidades em um inquérito civil. A procuradora Daniele Escobar confirmou que o excesso de peso é recorrente e viola direitos dos cidadãos. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) foram gastos R$ 55 milhões em reparos nas rodovias federais do estado em 2014.

Flagrado pela reportagem dispensando carga no acostamento, com volume considerado removido para a checagem na balança, um motorista negou a ação. “Deve ter voado com o vento”, ironizou. Depois mudou de ideia e afirmou ter entregue a carga para outro caminhoneiro.

Balanças

Em Santa Catarina, são apenas seis balanças para fiscalizar 2,5 mil quilômetros de rodovias federais. Uma fica na BR-282, em Maravilha, outra na BR-116, em Três Corregos. Há ainda quatro na BR-101, em Palhoça, Garuva, Itapema e Araranguá. Apenas nas balanças da BR-101 o motorista é obrigado a parar.

Entidades que fazem transporte falam dos problemas no excesso de carga

Entidades que representam as empresas que fazem o transporte de cargas se posicionaram nesta segunda-feira (14) sobre o constante excesso de peso dos caminhões que trafegam nas rodovias catarinenses.

Para a Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Santa Catarina (Fetranscesc), o problema está na imposição do excesso de carga na hora do frete. “A Federação não só recomenda como se coloca contra o excesso praticado por alguns transportadores. Há um envolvimento também, alguns casos, do embarcador”, declarou.

A irregularidade é frequente e prejudica as rodovias. “Quando há uma média de excesso de peso, cerca de 10%, você chega a reduzir a vida útil desse pavimento em até 50%, ou seja, em vez de durar 10 anos, vai durar 5 anos”, afirmou Hélio Geoltsman, engenheiro e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Os caminhoneiros também correm riscos ao trafegar com quilos a mais que o permitido. “Se tu pega uma tranqueira, vai frear como na corrida, né? Ou alguém atravessa na frente, não segura o caminhão de jeito nenhum, né? Por isso, que dá a maioria dos acidentes aí”, disse um motorista que preferiu não se identificar.

Segundo reportagem da RBS TV, a punição para o excesso de peso é considerada tão amena que a maioria das multas nem é paga. E o que pode ser feito para mudar essa realidade? Os sindicatos fazem campanha de conscientização contra o excesso, mas também não parece ser suficiente.

Conforme o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Região de Florianópolis (Sindicargas), Júlio César Hesse, falta muito para que o problema seja resolvido. As balanças são raras em Santa Catarina e, em muitos pontos do estado, o excesso de peso é comum. Um exemplo é o que ocorre no trajeto ao aeroporto da capital, que passa por obras de ampliação. As transportadoras saem de Biguaçu carregando os materiais e no caminho não existe fiscalização.

Fonte: RBS TV




2 comentários em “Mais de 90% dos caminhões trafegam com excesso de peso em SC, diz PRF

  • 20/07/2014 em 20:09
    Permalink

    o excesso de peso tem que punir os treiz quem carrega ,o remetente e o destinatario

    Resposta
  • 16/07/2014 em 11:31
    Permalink

    O governo reclama porque está deixando de arrecadar. Mas isto não seria a solução, porque multar qualquer um com poderes para tal, poderá fazer. Vejo que além de medidas de caráter educativo, cada vez que um caminhão está com excesso de peso, chegaria no próximo pedágio e seria obrigado a providenciar outro caminhão para carregar o excesso. Isto seria uma medida mais para complicar a vida já complicada de caminhoneiros e transportadoras. O correto seria andar com o peso permitido, mas para todos e não deveria existir “peixada” para quem quer que seja.

    Resposta

Deixe sua opinião sobre o assunto!