Setcergs aguarda vigência das regras para motorista

Caminhões à noite - Lei do Descanso




Os transportadores gaúchos esperam que a revisão da lei do motorista, em exame no Congresso Nacional, possa entrar em vigor neste ano. O projeto de lei alterando a regra foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira passada, mas exigirá nova apreciação do Senado. A lei está em vigor desde 2012. Os deputados mudaram o texto original e querem jornada de oito horas mais quatro extras. Dirigentes do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado (Setcergs) opinaram, nesta quinta-feira, que a redução do tempo de descanso e maior jornada amenizarão a queda de produtividade do setor e a ociosidade de caminhões.

Estima-se que a carência de profissionais para conduzir veículos de carga seja de 106 mil em todo o País, considerando a adequação à lei. As empresas cogitam colocar mais de um motorista para dirigir no mesmo caminhão. A pressão para mudar a lei é feita pela área de autônomos e setor rural. No Estado, segundo o presidente do Setcergs, Sérgio Gonçalves Neto, há cerca de 10 mil postos a serem preenchidas. Ele diz que a falta de profissionais e a menor qualificação da mão de obra leva transportadores a manter veículos nas sedes e limitar a frota rodando.

Neto ressaltou que o segmento não é contrário à lei, mas reforçou que as condições estabelecidas de jornada e parada obrigatória estão inviabilizando operação. A legislação hoje limita a jornada a dez horas diárias — oito normais e duas horas extras. “O Brasil tem dimensões continentais. Não somos contra a lei, mas a favor da flexibilização para dar mais segurança e garantir qualificação de motoristas”, explicou Neto, ao apresentar os números e programação da 16ª feira e Congresso de Transporte e Logística (Transposul), prevista para ocorrer de 15 a 17 deste mês no Centro de Eventos da Fiergs.

O coordenador do evento e vice-presidente de Logística do Setcergs, Leandro Bortoncello, lembra que em 2013 foram comercializados 479 caminhões, mas, neste ano, o mercado refez as metas de vendas. Para o congresso, são mais de 1,5 mil inscritos. Serão abordados temas como conjuntura econômica, segurança e sucessão nas empresas. Também ocorre a Intercomex, focado no comércio exterior e logística. A queda na atividade industrial e o ambiente mais adverso não devem atrapalhar a Transposul. “Mesmo com dificuldades, vamos superar o momento. O evento é muito importante para o setor”, avaliou Bortoncello.

Fonte: Jornal do Comércio Texto de Patrícia Comunello




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