Pais Heróis – A difícil tarefa de conciliar a profissão e educar os filhos

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Ser caminhoneiro é exercer uma profissão que exige sacrifícios diários. Além da rotina desgastante, o caminhoneiro, geralmente, passa muito tempo longe da família e filhos em viagens solitárias e de alto risco.

Muitas vezes, quando lembramos do profissional da boleia, nos esquecemos de que por trás do motorista existe um pai de família que possui vida pessoal e, na maior parte das vezes, abre mão da convivência com esposa e filhos pelas exigências da profissão.

Especialistas são unânimes ao dizer que a figura do pai na vida de uma criança é importante para ajudar na formação de sua personalidade. O guru da psicanálise, Sigmund Freud, também já dizia: “Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de se sentir protegido por um pai.”

Portanto, a figura do pai é fundamental para o crescimento e desenvolvimento de um indivíduo. Mas como os caminhoneiros conseguem cumprir esse papel tão importante estando longe de casa?

No mês em que se comemora o Dia dos Pais, ouvimos alguns motoristas que falaram sobre família e revelaram como participam da educação dos filhos, mesmo estando longe do lar.

Jurandir da Silva, motorista há 20 anos, possui três filhos. Segundo ele, dois deles nasceram quando ele estava em viagem. “É triste saber que não presenciei esse momento tão importante. Ser pai é uma benção, mas também é uma grande responsabilidade. Hoje, meus filhos são adolescentes, e sei que é uma fase complicada. Por isso, quando estou em casa, procuro saber tudo sobre a vida deles, conversar abertamente e ouvir suas dificuldades”, explica Jurandir.

José Martins de Souza, há dez anos na estrada, também é pai de dois meninos com idades entre oito e cinco anos. Ele também se angustia por não poder participar o tempo todo da educação dos filhos.

“Muitos pais, para compensar a ausência, cobrem os filhos de presentes ou realizam os desejos materiais de suas crianças. Mas, dessa forma, os pais desenvolvem valores errados nos filhos, que passam a valorizar somente aquilo que o dinheiro pode comprar. Eu sempre telefono para eles quando estou em viagem para saber se precisam conversar ou se necessitam de algum conselho. Quando estou em casa, programo atividades junto com eles, como futebol, passeios em parques etc.”, comenta José Martins.

Qualidade x quantidade

O fato é que os segundo os especialistas não é a quantidade de tempo com os filhos que conta, mas sim a qualidade. Um pai ou uma mãe podem ficar o tempo todo com suas crianças, mas o que vai fazer a diferença na educação é a forma como utilizam essa convivência.

Uma simples brincadeira por 15 minutos, uma leitura de história na hora de dormir ou um desenho ou pintura feitos em conjunto podem valer mais do que dias inteiros sem sequer uma interação ao lado dos pequenos.

“Quando estou em casa, eu mesmo coloco as crianças na cama. Também ajudo na lição escolar e tento mostrar para eles, desde pequenos, que fico longe de casa para garantir seu sustento, mas que isso não significa abandono ou falta de carinho. Quando estou presente, demonstro minha preocupação, elogio quando é preciso e também cobro responsabilidades sem receio de magoá-los. Ser pai é impor limites. É muito difícil encontrar um equilíbrio, porque não sabemos exatamente o quanto nossa ausência pode prejudicar a formação da criança, mas quando não estou na estrada, sou todo dos meus filhos”, garante Francisco Bastista, motorista há oito anos e pai de um casal com sete e nove anos.

Companheiro de viagem

Sem dúvida, pequenas atitudes enchem as crianças de alegria e fazem com que elas se sintam seguras em relação à figura do pai. “É muito importante que os filhos se sintam amados. E para criar laços mais fortes com eles não é preciso ficar o tempo todo em casa. Meus filhos sabem que podem contar comigo sempre que precisarem. Uma palavra amiga em um momento de dificuldade ou um incentivo diante de um desafio são importantes. Para garantir esse relacionamento, estou sempre telefonando para casa. Procuro demonstrar que me preocupo com o que eles sentem e fazem”, revela Luiz Bastos da Silva, há cinco anos na estrada e pai de dois filhos adolescentes.

Para compensar a ausência de casa, Paulo Godino Pacheco, caminhoneiro há 11 anos, sempre que possível, leva seu filho de dez anos nas viagens. “Geralmente, em percursos mais curtos e menos arriscados, costumo levá-lo comigo. Assim, ele pode conhecer de perto a minha rotina e entender por que o pai fica tanto tempo longe. Além disso, é um momento nosso, que fortalece nossos vínculos”, descreve.

O fato é que a vida na estrada é bastante dura. Viver na boleia e, ao mesmo tempo, ter de educar os filhos é uma tarefa para heróis de verdade. Nossos parabéns a todos os pais heróis, que, mesmo distantes, se desdobram para manter sempre forte os laços de amor com seus filhos.

Fonte: Editora Na Boleia Texto de Madalena Almeida




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