O Brasil sobre rodas clama por melhoras

greve dos caminhoneiros




Esta semana o Brasil viu mais um protesto ganhar cada vez mais força. Parece que a onda de 2013 está voltando. Desta vez se inicia com os caminhoneiros quem clamam por melhorias. Com o preço do diesel nas alturas, pedágios abusivos e o valor do frete lá embaixo, motoristas de caminhão se veem roubados e às vezes pagando para trabalhar.

O protesto ganhou força ao longo da semana e afetou 10 estados. Mas é na região Sul do País onde a situação é mais intensa. O frete não tem reajuste há alguns anos e, com o passar do tempo, o lucro dos caminhoneiros vem sendo corroído com os aumentos dos custos de rodagem.

O acordo para inglês ver

Na noite de quarta-feira, o governo federal anunciou que havia feito acordo com a classe. O pacote de medidas apresentado pelo ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), sob a chancela da presidente Dilma Rousseff, é muito parecido com o mesmo apresentado em 2012, ano que houve a última paralisação da classe. Entre as medidas estão a promessa de não haver reajuste de combustível pelos próximos seis meses, um valor menor de pedágio para o veículo que estiver trafegando sem carga e a suspensão, por um ano, dos pagamentos de empréstimos feitos pelo BNDES a motoristas para a aquisição de caminhões (proposta válida para duas linhas de crédito -Finame eProCaminhoneiro). E a mais importante seria a sanção integral da chamada Lei dos Caminhoneiros, que prevê uma série de benefícios para a classe. Porém, os protestos seguem, principalmente na região Sul.

Segundo alguns líderes do movimento em entrevista à Folha de São Paulo, as medidas pouco resolvem a real crise no setor. “Não houve acordo algum com o governo, o que houve foi algo vergonhoso. Anunciaram que foi feito acordo para espalhar na imprensa. Nós aqui continuamos parados. Não temos condições nem de pagar o IPVA, vamos permanecer parados pelo tempo que for preciso”, disse Odi Antônio Zani, líder do movimento de paralisação em Palmeira das Missões (RS) à Folha. Também em entrevista à Folha, Idair Parizotto (secretário-geral do Sinditac – Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga) afirma que eles não querem carência, querem moratória dos financiamentos. Ivar Luiz Schmidt, um dos representantes do Comando Nacional dos Transportes, desabafou em sua página em uma rede social que o governo foi “sacana” ao informar do acordo na noite de quarta-feira antes mesmo que a reunião com a categoria tivesse terminado. Tudo para dar tempo de sair no Jornal Nacional, da Rede Globo. Isso mesmo sem haver acordo firmado.

Nossos heróis

A paralisação dos caminhoneiros gera muitos transtornos, desabastecimento e prejuízos grandiosos não somente à população diretamente, mas também à nossa economia. A greve tem repercutido internacionalmente. Foi assunto até para a rede britânica BBC, que chama atenção para os prejuízos econômicos com a escoamento da produção nacional para importação . Os prejuízos e transtornos são reais, porém nossos caminhoneiros têm todo direito de reivindicar seus direitos. Eles literalmente transportam o Brasil de norte a sul enfrentando rodovias em péssimo estado de conservação, pagando fretes abusivos, vivendo na ausência e saudade da família, sofrendo com o fantasma do roubo de cargas enquanto a Polícia Rodoviária Federal literalmente dorme de madrugada, entre tantas outras coisas que passam despercebidas a nossos olhos de uma realidade que parece estar tão longe do nosso dia a dia.

A classe dos caminhoneiros merece respeito, admiração e todo apoio que a população em geral puder dar. Eles são nossos verdadeiros heróis (sobre rodas) e não um jogador de futebol ou outro esportista qualquer como a mídia adora noticiar. Aliás, alguns veículos de comunicação têm jogado os caminhoneiros contra a população em geral, apontando o movimento deles como algo hostil e inválido. Felizmente o brasileiro já tem maturidade suficiente para distinguir quem é o verdadeiro vilão desta história toda. Força e boa sorte a todos os nossos queridos caminhoneiros de todo o Brasil.

Fonte: Diário da Manhã




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