Economia fraca derruba vendas de caminhões

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As montadoras de caminhões consideraram o início do ano passado fraco, mas as vendas dos primeiros meses de 2015 não apenas estão sendo muito piores como também mostram os volumes mais baixos desde a crise de 2008/2009. Entre janeiro e fevereiro, apenas 12,8 mil caminhões foram licenciados no país, no pior primeiro bimestre em seis anos.

O mercado voltou a níveis próximos de 2009, quando, em igual período, emplacou 12,7 mil caminhões em meio à fase mais crítica da crise internacional, que provocou congelamento da liquidez no sistema financeiro.

Os motivos que explicam a derrocada da demanda por caminhões vão da fraca atividade econômica ¬ em especial, o declínio da atividade industrial ¬, ao atraso na colheita da safra de soja, passando pela quebra da confiança das empresas nos rumos da economia. Soma¬se à conjuntura macroeconômica negativa o encarecimento das taxas, junto com condições menos flexíveis, dos financiamentos a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como resultado do corte nos subsídios do Tesouro Nacional anunciado entre as primeiras medidas do novo ciclo de aperto fiscal.

Balanço divulgado ontem pela Fenabrave, a entidade que representa as concessionárias de veículos, revelou queda de 39% das vendas desse segmento na comparação do primeiro bimestre deste ano com igual período de 2014, quando as montadoras apontaram “paralisia” do mercado de veículos comerciais em virtude do atraso na regulamentação, seguido por burocracia, da linha do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) que financia com juros subsidiados cerca de 80% das vendas de caminhões no país.

Na virada do ano, os juros do banco de fomento no financiamento a caminhões e ônibus no âmbito do PSI subiram de 6% para 9,5% ou 10%, a depender do tamanho da empresa. A linha passou a financiar entre 50% e 70% do valor total do veículo, e não mais 100% como anteriormente. O prazo de pagamento caiu de 120 para 72 meses.

Diante de uma economia que, ao menos até dezembro, não traz perspectiva de crescimento e das condições de financiamento menos favoráveis, a tendência das transportadoras é adiar investimentos em frotas. “Tenho a impressão de que o espírito animal do empresário brasileiro continuará adormecido até que essas políticas de (ajuste econômico) comecem a dar resultados. A dúvida é saber quando isso vai acontecer”, diz Roberto Cortes, presidente na América Latina da MAN, montadora dos caminhões da marca Volkswagen.

Segundo o executivo, além do corte nas encomendas do setor privado, o orçamento mais enxuto ¬ dentro do esforço da equipe econômica para cumprir a meta fiscal ¬ leva também a menores compras de veículos comerciais pelo governo, que teve forte participação na reação da indústria de caminhões em 2013.

Para alinhar a produção à essa realidade, a MAN deu no fim do mês passado dez dias de férias coletivas na fábrica de Resende, no sul do Rio de Janeiro. Em alguns setores do parque industrial, a parada será de 20 dias, diz Cortes.

Desde o ano passado, todas as montadoras de veículos pesados vêm adotando medidas para reduzir o ritmo das linhas e o excesso de mão de obra nas fábrica, o que inclui afastar temporariamente operários com a suspensão dos contratos de trabalho ¬ ferramenta conhecida como “lay-off”.

Aos obstáculos, Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, acrescentou ontem que os clientes do setor de transporte de cargas estão pressionados pelo aumento no preço do diesel e a baixa atividade industrial, com impacto negativo sobre a demanda por seus serviços. “As empresas vivem uma situação em que, de um lado, falta carga e, de outro, o custo sobe”, afirmou.

Apesar do mau início de ano, a direção da Volvo apontou na semana passada uma luz no fim do túnel ao relatar melhora das encomendas após o Carnaval. Segundo o diretor de caminhões da montadora, Bernardo Fedalto, o mercado parou porque as empresas estavam aguardando alternativas do BNDES para a parcela do financiamento não coberta pelo PSI. A resolução só veio no dia 9 de fevereiro, quando o banco de fomento anunciou que vai complementar a cobertura do PSI, mas cobrando juros a valores de mercado.

Fonte: Valor Econômico Texto de Eduardo Laguna




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