CARRETEIRO BANDIDO – Volkswagen Constellation 6×2




Julio era bom caminhoneiro.
Ficou conhecido por Julião.
Deixou de ser homem ordeiro
para virar ladrão de caminhão.

Já tinha sido preso
mas foi solto por advogado.
A justiça teve leve peso.
Para o crime incentivado.

No começo agindo sozinho
depois fazendo parte de quadrilha.
Julião perdeu-se pelo caminho.
Razão de sua vida, a filha.

Pela esposa foi abandonado.
Ela não suportou aquela vida.
A qualquer momento, assassinado.
Temia essa notícia ser ouvida.

Roubava em postos no começo
caminhões ali estacionados.
Repassava por baixo preço.
Dinheiro nunca havia faltado.

Quando entrou na quadrilha depois,
pegavam carreteiros na rodovia.
Era Julião, um amigo e mais dois.
A criminalidade prevalecia.

Deixavam as vítimas amarradas
no meio de algum matagal.
Quando enfim eram encontradas
estavam longe aquelas pessoas do mau.

Mandava quase todo o dinheiro
para a ex-mulher e a filha amada.
Assaltando algum caminhoneiro
de tocaia em alguma estrada.

Sabia que era homem ordinário
e o que fazia era muito errado.
A ex-mulher temia ouvir no noticiário
seu nome e que fora assassinado.

Ela gostava dele
mas não podia aceitar.
Não ficaria com ele
enquanto não parasse de roubar.

Julião era bem esperto.
Fez amizade com policiais.
Parte do fruto do roubo era certo
pagava para deixá-lo em paz.

Começou a roubar caminhões
e para devolvê-los, pedia resgate.
Chefe da gangue comandava as ações.
Mais fácil que de criança tirar chocolate.

Para Julião tudo ia bem.
Faltava resolver situação familiar.
Queria ficar ao lado da família também.
Com a filha sua alegria compartilhar.

Mas o que Julião não sabe
que o poder desperta inveja.
Um dos bandidos não se cabe
e o posto de Julião almeja.

Ao mesmo tempo, polícia federal
contra ele fechava o cerco.
Aquele grupo criminoso do mau
Das contas seria feito acerto.

O criminoso Batista
queria matar o Julião.
Assumir seu lugar, primeiro da lista.
Controlaria a organização.

Planejou de fazer isso
durante o roubo de caminhão.
Com os outros não queria enguiço.
Pareceria acidente da profissão.

Antes do próximo roubo, uma festa
onde muita gente foi convidada.
A maioria era desonesta.
Alguns policiais e toda a bandidada.

Bianca, a filha de Julião
estava lá a seu pedido.
Escutou de Batista a confissão
em conversa com outro bandido.

Disse que estava tudo planejado
e ele assumiria o lugar de Julião.
O próximo caminhão a ser roubado
do motorista haveria reação.

Aconteceria um tiroteio
e ele aproveitaria a ocasião.
Se misturaria com os outros no meio.
Sem desconfiar, daria um fim em Julião.

Bianca escondida, ficou quieta
e assim que teve oportunidade
contaria a seu pai de forma direta
o que ouvira dos bandidos na verdade.

Julião abraçou Bianca
e agradeceu o que ela fez.
Era menina correta e franca.
Isso, ele resolveria de uma vez.

Quando Batista comentou
de um caminhão com carga valiosa.
O bando todo concordou.
Seria empreitada vitoriosa.

Julião estava sério
e como chefe dos bandidos,
fez um ar de mistério
e concordou com os falsos amigos.

Planejaram bem o assalto
e partiram para execução.
Posicionaram-se a beira do asfalto,
esperaram a passagem do caminhão.

Era uma carreta baú
levava carregamento
para o Rio Grande do Sul.
Milhões em medicamento.

Quando pararam a carreta
Não sabiam que custaria caro.
A situação ficou bem preta.
O motorista fez um disparo.

O tiro atingiu Julião
que caiu ferido no peito.
Foi um corre-corre, confusão.
O plano de Batista saiu direito.

Com o líder fora de ação,
Batista ordens foi dando.
Dali fariam a evasão.
Bateu em retirada o bando.

Antes de também fugir
Batista achando o plano perfeito.
Para ter certeza e se garantir
Atirou em Julião no seu peito.

Quando tentaram fugir
viatura da polícia federal.
A ação conseguiu impedir.
Prendeu aquele grupo do mau.

Levados á penitenciária
amargariam anos de reclusão.
Castigo para gente ordinária.
Mas o que aconteceu a Julião?

Batista, homem ignorante e tolo
foi condenado após julgamento.
Levava consigo um consolo:
De Julião, faziam o sepultamento.

Enquanto era embarcado
para ser transferido á prisão.
Batista olhou e ficou paralisado.
Acenando para ele, o Julião.

Antes de contar para os demais
dizer aos outros o que ele viu,
Batista voltou-se para trás.
Teve um enfarte e caiu.

Seus companheiros já no camburão
olhavam incrédulos o ocorrido.
Nunca saberiam que fora Julião
que entregara o grupo bandido.

Julião contratou um advogado
e conversou com o promotor.
Dos crimes queria ser perdoado.
Para isso seria da gangue o delator.

Entregou o grupo criminoso
do qual era chefe e mentor.
Foi pela filha, bem mais valioso,
que tinha procurado o promotor.

Combinaram como seria
daquela quadrilha temível a prisão.
Julião também participaria.
La estaria para não chamar atenção.

Usando colete especial.
Caso fosse por disparo atingido,
Não sofreria nada de mal.
Sabia que por Batista seria traído.

Por isso quando foi alvejado
pelo disparo do motorista.
A bala não tinha passado.
Nem sofrera com tiro de Batista.

Agora que tinha segunda chance
voltaria a ser homem honesto.
A felicidade ainda a seu alcance.
Foi pela filha que tivera este gesto.

O dinheiro acumulado pela quadrilha
pela justiça foi todo confiscado.
Até o dinheiro depositado para sua filha
acabou sendo tomado.

A ex-mulher de Julião
aceitou-o de volta.
Ele tomou corajosa decisão
que em sua vida fez reviravolta.

Em nome dela fez financiamento
e comprou um caminhão usado.
Rodaria pelo negro pavimento,
a bordo de Volkswagen trucado.

Um Constellation com carreta
já com alguns anos de uso.
Certificado da revisão na gaveta.
Andaria sem cometer abuso.

A vida seria mais dura
mas ganha de maneira honesta.
O trabalho todas as feridas cura.
Viu que ser desonesto não presta.

Dez anos depois desses acontecimentos
Julião é hoje um homem realizado.
Com a mulher fez seu casamento.
Tem ela e a filha a seu lado.

A casa e o caminhão, financiados
Mas trabalhando, consegue pagar.
Senhor Julio, homem digno e honrado
no domingo, vai á missa para rezar.

Roberto Dias Alvares




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