Produção das montadoras é a menor em nove anos

linha de montagem Scania




Com o consumo nacional de veículos retrocedendo a níveis de oito anos atrás e os estoques nas alturas, as montadoras reduziram a produção ao menor volume em quase uma década, o que provocou corte superior a 14% do efetivo das fábricas e uma parcela ainda maior de operários afastados da produção por conta de férias, licenças remuneradas ou a suspensão temporária de contratos de trabalho, o chamado “lay- off”.

Balanço divulgado ontem pela Anfavea, a entidade que representa o setor, mostra que o resultado dessa conjuntura foi uma queda de 18,5% no número de carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus que saíram das linhas de montagem no primeiro semestre. Os 1,28 milhão de veículos produzidos entre janeiro e junho correspondem, entre períodos equivalentes, ao menor resultado desde 2006, quando essa indústria fabricou 1,2 milhão de unidades na primeira metade do ano.

Só no mês passado, houve, ainda na comparação anual, baixa de 14,8% na atividade das fábricas, que montaram 184 mil veículos. Foi o pior junho em onze anos.

Entre os segmentos da indústria automobilística, a situação das montadoras de caminhões é a mais dramática. A produção no setor caiu no semestre ao patamar mais baixo em doze anos. Para meses de junho, as linhas de caminhões – com as 5,3 mil unidades do mês passado – não registravam volume tão fraco desde 1999.

A quebra da confiança de empresas e consumidores no desempenho da economia ainda é apontada pela Anfavea como o principal motivo por trás da deterioração no mercado automotivo. À ausência de boas perspectivas somam-se a seletividade dos bancos na liberação de crédito, a fraca atividade econômica e a retirada de incentivos fiscais que sustentaram o crescimento da demanda por automóveis e veículos de carga nos últimos anos.

Segundo a Anfavea, o total de veículos encalhados em pátios de montadoras e concessionárias terminou junho em número suficiente para 47 dias de venda. É menos do que os 51 dias registrados há um mês, mas ainda bem acima da meta de 30 dias perseguida pela indústria.

Por isso, Luiz Moan, presidente da associação das montadoras, adiantou ontem que o ciclo de ajuste dos estoques deve perdurar por mais dois meses, numa indicação de que as paradas de produção vão continuar. “Até agosto, esta será a política adotada em nossas empresas”, afirmou o executivo, que só vislumbra uma retomada firme do mercado a partir do segundo trimestre do ano que vem.

As previsões da entidade, revistas pela segunda vez no mês passado, apontam para queda de 17,8% da produção em 2015, o que manteria o volume no menor patamar em nove anos. Neste mês, a produção da indústria automobilística seguirá reduzida, por conta de férias em montadoras como Fiat, Ford, Honda, Hyundai, Nissan, Mercedes-Benz e Scania.

Junto com novos períodos de férias coletivas e folgas a operários, cresce o número de metalúrgicos afastados da produção em esquema de “lay-off”. Só no parque industrial da Volkswagen em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, quase 2,4 mil operários entraram ontem em “lay-off” devido ao fim do terceiro turno de produção. Na MAN, que monta caminhões no sul do Estado do Rio de Janeiro e onde o segundo turno foi desativado, outros 600 tiveram contratos suspensos há duas semanas.

A Anfavea já calcula em 36,9 mil o total de empregados afastados da produção em virtude de férias, licença remunerada ou “lay-off”. O número equivale a 27% da força de trabalho. “Isso demonstra o esforço das empresas em manter o nível de emprego”, disse Moan.

Mesmo assim, mais 1,27 mil postos de trabalho foram eliminados por montadoras de veículos e tratores agrícolas no mês passado, elevando para 22,7 mil – ou 14,2% do quadro anteriormente ocupado nessa indústria – o total de demitidos desde novembro de 2013, quando o setor automotivo iniciou o atual ciclo de ajuste de mão de obra.

Fonte: Valor Econômico Texto de Eduardo Laguna




Deixe sua opinião sobre o assunto!