Teste – Mercedes-Benz Atron 1635S – Um bicudo entre cavalos

mercedes-atron 1635




Com a tendência, a partir dos anos 2000, por caminhões com cabines avançadas (ditas cara chatas), praticamente todas as fabricantes no país deixaram de lado seus representantes com cabine bicuda. No entanto, a Mercedes-Benz, convicta de que ainda não era o momento de matar o seu produto, não descontinuou sua linha tradicional de caminhões com cabines bicudas que hoje conta com representantes na categoria de veículos médios, com o Atron 1319 4×2, semipesado com o 2324 6×2 e o cavalo mecânico 1635 4×2, foco desta reportagem.

O modelo produzido numa única configuração de tração 4×2 é indicado para o transporte de areia, sucata, contêiner e tanque, por exemplo. Por ser equipado com o eixo traseiro MB HL7 com redutor nos cubos de roda é mais apropriado para as operações severas.

Outra vantagem do modelo é sair preparado de fábrica para receber o 3º eixo. Apesar de a Mercedes-Benz não oferecer essa opção de série, ela dispõe do manual de implementação em seu site, pois cerca de 20% das vendas desse modelo recebem adaptações do 3º eixo. Na sua configuração original, o caminhão tem PBTC para 41,5 t e CMT de 50 t, que o credencia como uma solução robusta para puxar semirreboques de até três eixos.

O computador de bordo é digital e possui ótima grafia e leitura
O computador de bordo é digital e possui ótima grafia e leitura

O modelo vem equipado com um trem de força robusto e confiável. O motor de 12 litros é produzido pela Mercedes-Benz, e para atender a norma de redução de emissão de poluente P7 (Euro 5) utiliza a tecnologia SCR, em que há a necessidade do uso do Arla 32. Essa tecnologia foi denominada pela Mercedes BlueTec 5.

O propulsor OM 457-LA está montado num bloco de 6 cilindros, vertical em linha, com 4 válvulas por cilindro e cabeçotes individuais, que desenvolve potência de 345 cv a 1.900 rpm e torque de 147,9 mkgf a 1.100 rpm. Trata-se de um motor que utiliza o sistema bomba-tubo-bico, e consiste em uma unidade injetora por cilindro, interligada ao bico injetor através de uma pequena tubulação de alta pressão. A potência de frenagem do freio motor Top Brake, exclusivo da Mercedes, é de 345 cv. De acordo com a engenharia da marca da estrela, o Atron 1635 S dispensa o uso de retardador, pois o sistema de freios em conjunto com o Top Brake atendem aos requisitos da aplicação.

O câmbio é manual, de 16 marchas, produzido pela ZF, versão 16S1650 que, em conjunto com o eixo traseiro, oferece toda a robustez exigida nas atividades em que o Atron 1635 costuma atuar. Essa combinação mais a redução de 3,71 do eixo proporcionam boa sincronia e rendimento.

Solução simples, mas correta

Quando se fala em caminhões com cabines bicudas, logo se imagina aqueles habitáculos amplos e espaçosos, como comumente são os modelos estadunidenses. Apesar de o Atron 1635 S não partilhar de igual tamanho, graças à sua cabine semiavançada, ele dispõe de conforto e espaço, e o motor localizado à frente da cabine, transmite a sensação de segurança ao motorista, sendo um dos motivos de esse modelo ser tão bem quisto no mercado. O preço também é bastante convidativo, tanto é que 60% de suas vendas são direcionadas aos autônomos.

O conforto prevalece a bordo desse trator, porque seu capô extenso permite que o eixo fique posicionado atrás do motorista, se traduzindo em vantagens na hora de ingressar na cabine por causa do espaço de abertura da porta e do veículo estar mais próximo ao solo. A versão cabine-leito é de série, ampliando a qualidade de vida a bordo, ainda mais porque a cama possui um colchão com espuma firme, e o tecido bem-acabado agrada ao toque.

Na estação de trabalho, o motorista conta com o piso plano, o que facilita transitar de uma área a outra. O Atron também traz de série vidro e retrovisores elétricos, assim como a escotilha com aberturas laterais. O painel de instrumentos dispensa a sofisticação. Detém os itens usuais para cumprir as tarefas rotineiras.

Para se ter uma ideia, entre a categoria de 330 cv e 410 cv, o Atron 1635 S é o segundo mais vendido no segmento, de acordo com dados de emplacamento. Razão de os executivos da Mercedes-Benz deixarem bem claro que não existe a intenção de tirá-lo de linha, tampouco os outros modelos da família, incluindo os de cabine bicuda.

O desenvolto

Nas ruas, o comportamento do Atron é bom. Com o PBTC de 40,5 t na balança da Ecovias, o caminhão se mostrou tão forte que parecia não estar quase com a capacidade máxima de carga.

Na descida da serra pela Rodovia Anchieta, logo no início do trecho de maior declive, o experiente instrutor da Mercedes-Benz, João Moita, decidiu ir a 40 km/h porque não havia tráfego intenso de veículos. A rotação nessa velocidade era de 2 100 rpm com o Top Brake acionado em 100% do trecho. No restante da descida foi possível manter a velocidade entre 35 km/h e 40 km/l, entre 2.000 e 2.100 rpm, sempre na 5ª marcha simples.

Ao nível do mar, a velocidade foi de cruzeiro em 100% do trecho, 80 km/h, com rotação a 1 250 rpm, utilizando 15ª e 16ª simples, variando conforme fazia ultrapassagens – e eram nesses momentos que o Atron mostrava toda a força do seu propulsor.

Na subida da serra pela Rodovia dos Imigrantes, também sem tráfego intenso de caminhões, foi possível manter, do começo até quase a interligação com a rodovia Anchieta, a velocidade de 35 km/h, em 10ª marcha com rotação variando entre 1.400 e 1.500 rpm. Já na interligação, naturalmente, ao caminhão foi pedida mais velocidade, e, rapidamente, a pisada do acelerador alcançou 80 km/h a uma rotação de 1.200 rpm.

O Atron 1635 S, mesmo em sua única configuração 4×2, é um caminhão que agrega produtividade, graças a sua capacidade de carga, tornando-o boa opção para o transporte com implemento de 12,6 m. Apesar da cabine espartana, o conforto ao motorista se faz presente, com o piso plano e alguns itens de conforto. A modernidade também é um predicado, graças ao desenho exterior, que acompanha os traços das outras famílias da estrela, além de favorecer a aerodinâmica. O preço, em torno de R$ 270 mil, também é outro bom argumento de compra.

A escotilha é de série

Os concorrentes não são bicudos

Iveco Stralis 450S33T 4×2
Com motor Iveco FPT Cursor 9, esse modelo desenvolve potência de 330 cv e torque de 132,6 mkgf. E assim como o seu competidor, possui uma caixa de 16 velocidades, esta, porém, produzida pela ZF. Essa versão ainda pode ser equipada com a transmissão automatizada ZS ASTronic também de série. Esse Stralis entre os concorrentes é um dos mais robustos do mercado, pois possui PBTC de 46 t e CMT de 60 t. A cabine se destoa de seu concorrente da marca da estrela, sobretudo no quesito espaço, mais limitado, que, por ser cabine avançada, tem um túnel do motor mais elevado. Mas conta com bom acabamento e nichos espalhados por todo o habitáculo.

Ford Cargo 1933 4×2
O cavalo mecânico da Ford que pode ser um modelo para disputar com o representante da Mercedes é o Ford Cargo 1933. É uma opção mais barata e que incorpora alguns componentes que, assim como o Mercedes, são tradicionais no mercado, como o motor Cummins ISL 8.9 de 6 cilindros, que desenvolve 334 cv a 2 100 rpm e 132,6 mkgf de torque e trabalha em conjunto com a transmissão Eaton, a FTS-16112 L, mecânica de 13 velocidades. A transmissão sincronizada facilita o trabalho do motorista. No que se refere ao conforto, o veículo é dotado de cabine leito cara chata e por isso o espaço é mais limitado em relação ao Atron. A CMT (Capacidade Máxima de Tração) desse modelo também é inferior, de 45 150 kg.

Fonte: Revista Transporte Mundial Texto de  Andrea Ramos e Fotos de Omar Matsumoto




Um comentário em “Teste – Mercedes-Benz Atron 1635S – Um bicudo entre cavalos

  • 03/09/2016 em 13:41
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    Já pensou essa cabine do 1635 num bitruck traçado ou bitruck simples ia ficar o máximo de bom

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