Um caminhão, um caminhoneiro e um frete que não compensa

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Um caminhão, um caminhoneiro e um frete que não compensa. Para resumir, isso é o que muitos estradeiros tem passado na estrada hoje. Devido à baixa oferta de fretes devido à crise, e a grande oferta de caminhões, as “leis do mercado” baixaram o valor do frete e estão submetendo os caminhoneiros à condições muito difíceis.

Na última semana, conversamos com Fábio Junqueira, o Fabião, de Hortolândia-SP, que, em postagem no Facebook, disse que não vai tirar o caminhão de casa até o final do período das chuvas, em Abril. Na postagem feita em 31 de Janeiro, o Scania Comandante informa:

BOM DOMINGO A TODOS, AOS AMIGOS QUE PERGUNTARAM QUANDO IREI VIAJAR , SOMENTE DEPOIS DO PERÍODO DAS CHUVAS DEPOIS DO MÊS DE ABRIL , ATUALMENTE ESTRADAS ESBURACADAS ,FRETE BARATO , ÓLEO DIESEL CARO ,SEM VALORIZAÇÃO E RESPEITO COM A CLASSE DOS ESTRADEIROS, NÃO CARREGO FRETE BARATO E NÃO FAÇO GRAÇA PARA NENHUMA EMPRESA QUE NÃO VALORIZE O CAMINHONEIRO , PREFIRO DEIXAR O SCANIA COMANDANTE PARADO DEBAIXO DA COBERTURA GUARDADO.

Por causa do baixo retorno dos fretes, principalmente do frete de retorno, que muitas vezes não paga os custos de pedágio e diesel, estradas esburacadas e o período das chuvas, Fabião decidiu parar seu caminhão até que as coisas melhorem. Fábio é dono de um Scania P360 8×2, mas não tem o caminhão como única fonte de renda, por isso ao ficar parado, ainda tem como se manter. Essa não é a realidade da maioria dos caminhoneiros, mesmo que muitos deles apoiem a atitude de Fábio no Facebook. Foram centenas de mensagens de apoio à decisão de Fábio, além de compartilhamentos e curtidas.

scania comandante (2)“Estou deixando o caminhão parado devido a baixos valores de frete, período de chuva, as estradas completamente esburacadas. Uma coisa inadmissível é o valor do frete de retorno. Hoje com risco de acidentes devido às estradas em péssimo estado, economia parada, alto custo de manutenção e óleo diesel, prefiro ficar parado”.

Fábio está na estrada de 1986, quando viajava com amigos caminhoneiros a cada dois anos. Em 1994 chegou a ter um Ford Cargo com um empregado. Em 2014 ele comprou o Scania Comandante, como é chamado o P360, e faz cerca de uma viagem por mês, em rotas como São Paulo-Belém, e também viaja à Rio Branco no Acre e Porto Velho em Rondônia. Fábio é ex-policial das Forças Especiais, chegou a trabalhar fora do país, trabalhou também treinando tropas de Operações Especiais no Brasil e no exterior. Hoje, além de caminhoneiro, atua como Instrutor de Tiro credenciado pelo Exército Brasileiro.

scania comandante (3)A página Scania Comandante, onde Fábio posta sobre o caminhão e as viagens que faz, e onde foi postado o texto sobre ficar parado, tem cerca de 58 mil curtidas. A repercussão gerada pela postagem foi grande, e Fábio achou excelente. Ele diz que o caminhoneiro precisa acordar, se unir como classe, e ter sindicatos que o representem como classe. Diz também que os caminhoneiro precisam de um líder para começar um movimento político, para começar a defender os caminhoneiro. “Veja quantos caminhoneiro existem no Brasil […], imagine os caminhoneiro elegendo um senador, deputado federal ou estadual, que arregaçasse as mangas a favor da classe”, completa.

Como tem outra fonte de renda, não dependendo exclusivamente do caminhão, Fábio diz poder deixar o pesado um ano parado se for preciso, mas mostra revolta com as péssimas condições dos caminhoneiros: “Para mudar não adianta fazer greve de trancar pista, precisamos nos unir e dar o troco nas urnas, eleger um ou mais políticos que entrem para defender a classe, não existe outra maneira, simplesmente a classe está largada por falta de união. Eu mesmo já passei por situações onde tentaram me humilhar em portarias de firmas e repartições públicas. Isso não aceito e não admito. Já vi caminhoneiros sendo humilhados e tomei as dores, fui pra cima. Não precisa ser com violência, e sim com firmeza das palavras.”.

As palavras do Scania Comandante ecoaram com força no Facebook, e mostram que os caminhoneiro estão extremamente descontentes e vem sofrendo com o dia-a-dia na estrada. Essa realidade de muitos caminhões para poucos fretes repercute não só no bolso do caminhoneiro, como na sua própria segurança, visto que até mesmo as manutenções que os veículos precisam acabam sendo deixadas e lado.

Viver na estrada e da estrada exige que o caminhoneiro se desdobre, pois além de ter um caminhão para manter, pagando um dos combustíveis mais caros do mundo, andando por estradas péssimas ou com valores de pedágio estratosféricos, precisam manter a casa e sua família, que mesmo estando longe, precisam de cuidado e atenção.

E você caminhoneiro? Como tem se virado nessa época de crise? Se pudesse, também deixaria o caminhão parado? Qual seria uma solução viável?

Blog do Caminhoneiro




22 comentários em “Um caminhão, um caminhoneiro e um frete que não compensa

  • 02/09/2017 em 15:21
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    É na crise que aparece a oportunidade. A crise é o filtro natural dos bons e ruins. É como se fosse um mecanismo de seleção natural da vida, assim como ocorre na vida selvagem onde os animais mais fracos morrem ou deixam o alimento para os outros e a vida se equilibra de novo. Sabedorias à parte, assim como não podemos nos autodestruir, também não podemos fugir à luta, até porque o cérebro só pensa se estimulado e a dificuldade existe é para isso, para que descubramos novas idéias, obtendo o retorno possível na fase de vida, assim como faz o rio, aonde a água contorna a pedra e segue o caminho para o mar.

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  • 11/03/2017 em 00:33
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    Somos dois eu faz dois anos que estou parado ganha bem p/ poder se menter e ainda sobrar p/ investir ou vira sucata prefeiro ter o bem conservado do que destruido eu prefiro velo assim e cada um faz o que bem indender

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