Caminhões – Réplicas ajudam a superar trauma

caminhao de madeira

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Após ser obrigado a se afastar do trabalho de montador de móveis por uma hérnia de disco e encontrar a mãe morta dentro de seu quarto, o aposentado Valdecir Gonzaga dos Anjos, 61 anos, recorreu a uma paixão de infância para conseguir superar os traumas e a depressão. Utilizando materiais recicláveis e madeira, ele constrói réplicas de caminhões, carros antigos, ônibus e até aviões. Detalhista, os modelos são contemplados com bancos, painel, estepe, bateria, motor, câmbio e, em alguns casos, até bonecos para pilotar os “possantes”. “Quando eu era pequeno, ficava esperando o caminhoneiro que passava na rua com abóboras, para eu dar uma volta. Para mim era um sonho andar de caminhão. Minha mãe contava que quando o caminhoneiro não passava, eu chegava a ficar doente”, relata o aposentado.

Desde 2002 produzindo as peças, Valdecir chega a passar quatro horas por dia trabalhando no hobby. A finalização pode levar anos, como foi o caso de uma réplica do ônibus da dupla Milionário & José Rico, que levou um ano e meio, segundo ele. “Eu não vendo meus carros. Faço para ocupar a cabeça mesmo. Só vendi uma ou outra peça em momento de aperto financeiro, mas me arrependi”, admite. Os modelos são fotografados e muitos deles já chegaram a ser expostos nos salões da Fidam (Feira Industrial de Americana). Os próximos “voos” serão na Câmara de Americana, onde pretende realizar uma exposição, e para os pacientes do CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) do bairro Mathiensen, local onde o aposentado faz tratamento e aproveita para passar o conhecimento para os colegas. “Quando peguei as madeiras pela primeira vez, parecia que eu já sabia o que fazer. Agora, o pessoal do CRAS sugeriu que eu desse umas ‘aulinhas’ para ensinar a fazer rodinha. Claro que eu topei. Quando cheguei aqui, ninguém queria ensinar profissão para ninguém”, lembrou.

Xodó

A mais nova paixão do aposentado são os carros feitos a partir de material reciclável. Mais fáceis e rápidos de fazer, Valdecir tem deixado a criatividade fluir usando tubos de pasta de dente, tampas de garrafas, caixas de leite e jornal para moldar as réplicas. Apesar da novidade, o aposentado não esconde a sua paixão pela madeira. “O último carro que eu fiz foi o Lincoln”, referindo-se ao modelo Continental Mark III, usado na produção do filme “Carro, a máquina do diabo”, rodado na década de 70. “Eu fiz toda a adaptação para lanterna e a pintura. É o que eu amo fazer”, diz.

Fonte: O Liberal




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