Caminhoneiro usa faixa para pedir emprego em Porto Alegre




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Uma cena incomum chama atenção de motoristas e pedestres que passam pela sinaleira da Avenida Farrapos, esquina com a Rua Cairú, desde terça-feira desta semana. Desempregado há 11 meses, Delcimar Santos da Silva, 35 anos, encontrou uma maneira diferente de procurar um trabalho. Após dez entrevistas, mais de 150 currículos enviados e vários “nãos”, ele decidiu ir às ruas com uma faixa que manifesta o seu interesse em uma vaga de emprego.

— Eu nunca disse não para o trabalho, sempre fiz tudo o que me pediam — conta, enquanto segura a faixa na esquina, com a ajuda de seu filho Gabriel da Silva, 13 anos.

Moradores do Bairro Vera Cruz, em Guaíba, ele e o filho ficam do meio-dia às 15h na Avenida Farrapos. Depois, seguem para a esquina da Rua Ramiro Barcelos, onde permanecem até às 17h. As buzinadas e os gritos de “Boa sorte!” servem de estímulo para a dupla. Na faixa, Delcimar deixa bem claro: não quer nem comida nem dinheiro, precisa de um emprego. Ele é um dos 196 mil desempregados da Região Metropolitana, segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

— A propaganda é a alma do negócio, né? Comecei meio tímido, mas já recebi alguns WhatsApps pedindo para eu enviar meu currículo — comenta, entusiasmado.

Corte de gastos

A ideia de parar em frente ao sinal vermelho em uma das avenidas mais movimentadas da Capital surgiu como última alternativa. Mês passado, apareceu uma oportunidade de emprego, em Canoas. Estava garantido, conforme o dono do local havia dito a Delcimar naquela época. Durante duas semanas, o desempregado correu atrás da papelada necessária e pagou uma dívida que tinha para que seu nome saísse do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), para evitar qualquer problema. Quando chegou para trabalhar, ouviu que “outra pessoa já estava ocupando a vaga”.

A faixa foi criada por Delcimar e doada pelos donos de uma empresa de comunicação visual, seu último emprego e local onde trabalhou por 15 anos. O único motivo da demissão foi o corte de gastos.

— Eu saí de lá sem brigas. Quando surge a oportunidade de um “bico”, eles me chamam para o serviço, mas não é sempre que tem, né? — relata.

Motivo de orgulho para o filho

Delcimar já trabalhou como adesivista, auxiliar de serviços gerais, motorista. Dirigiu van, caminhonete, kombi e caminhão. No entanto, nem todas as experiências que ele possui estão registradas na carteira de trabalho. Outro motivo, além da crise econômica e política, pelo qual algumas empresas não o contratam.

— Sou motorista nas categorias AD (moto, carro, caminhão, van, ônibus). Tenho experiência como motorista de caminhão, por exemplo, por conta dos lugares que já trabalhei, mas nunca fui contratado nessa função. Não está comprovado isso em carteira — explica, e logo completa dizendo que só não dirige ônibus porque não tem o curso de capacitação necessário.

Para o filho Gabriel, a atitude de Delcimar é motivo de orgulho. O menino ajuda o pai no turno contrário das aulas e faz isso com gosto. Ele comenta que a faixa ficou grande e fica difícil para o pai segurar sozinho.

— Meus colegas da escola dizem que é vergonhoso, mas eu não ligo para o que eles dizem. O meu pai está buscando um emprego sem fazer nada de errado — diz sem qualquer dúvida de que a atitude de Delcimar é nobre.

Para contribuir com a renda da esposa Márcia de Lima, 38 anos, que trabalha como diarista, Delcimar faz um alguns trabalhos temporários. Pinta um muro quando pedem, vende adesivos em feiras de carro, mas nada que lhe garanta uma renda fixa. De trabalho, ele não tem medo:

— Eu não estou escolhendo serviço! Tenho disponibilidade para trabalhar em Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, onde for. Todos os dias da semana, sábado, domingos, qualquer horário — conta, ao ser interrompido pelo filho, que acrescenta: — e feriados também.

O desemprego em dados

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Sul atingiu 530 mil desempregados entre abril e junho, 180 mil a mais em relação ao mesmo período de 2015.

A taxa de desemprego no RS, no 2ª trimestre, chegou a 8,7%.

Segundo a FEE, a pesquisa do mês de junho apontou 196 mil pessoas estão desempregadas na Região Metropolitana, 28 mil a mais em relação ao mesmo período de 2015.

A taxa de desemprego na Região Metropolitana, no mês de junho, é de 10,3%.

Fonte: Zero Hora




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