Comil Ônibus paralisa operação em Erechim

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A montadora Comil Ônibus decidiu interromper as atividades da sua unidade localizada em Erechim a partir de ontem. A companhia informou que todos os funcionários, até a quinta-feira, estarão em licença remunerada em toda a sua jornada de trabalho. Enquanto isso, a empresa estará negociando com o sindicato o desligamento de parte de seu quadro de empregados.
A Comil Ônibus já tinha paralisado o turno da noite, no começo de agosto, e havia reduzido o expediente diurno para meio período. Em nota, o grupo explica que “inicia um processo de reestruturação da empresa e de seu quadro de pessoal, necessário para adequar-se à atual situação do mercado interno. Tal medida é resultado da grave crise que o Brasil está enfrentando, com grande impacto no mercado de ônibus”.

Segundo a empresa, pouco mais de mil funcionários atuam na fábrica de Erechim, porém o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Fábio Adamczuk, afirma que são cerca de 1,8 mil trabalhadores. O dirigente comenta que não foi mencionado o número de demissões, mas o sindicato discutirá essa questão com a companhia. Adamczuk recorda que a Comil firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, assumindo compromisso de abster-se de realizar despedidas coletivas sem antes negociar com as entidades que representam os trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos revela que uma das medidas que devem ser tomadas pelo grupo é parar a fabricação de ônibus urbanos, focando a produção de veículos que rodam distâncias maiores. Adamczuk admite que a crise econômica impactou o mercado de ônibus, entretanto considera que más escolhas de gestão também atrapalharam a companhia. O dirigente considera que se provou equivocado o investimento da empresa em uma planta no interior de São Paulo. Em fevereiro deste ano, a Comil encerrou as atividades de sua fábrica em Lorena (SP). Em nota, a empresa creditou a decisão à crise sem precedentes do mercado brasileiro de ônibus. As operações da empresa no município paulista funcionaram por pouco mais de dois anos. A inauguração foi em dezembro de 2013 e, na época, se falava em um investimento de R$ 110 milhões e da geração de 500 empregos diretos e outros 1 mil indiretos. Porém, desde aquela ocasião, o cenário tem piorado.

A Comil ressalta que, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus), a produção brasileira de ônibus recuou mais de 60% nos últimos três anos. A produção, que era de 32 mil unidades, neste ano não deverá alcançar a marca de 13 mil. Não se observava uma produção tão baixa desde 1994, há mais de 20 anos. Outros fatores estão impactando de forma relevante as atividades neste segmento: forte inflação de matéria-prima, somente o aço teve um aumento de 35% em 2016; restrição de linhas de crédito para os clientes; a valorização do real frente ao dólar neste ano, impactando diretamente na competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo.

A empresa enfatiza que, somados a esta conjuntura econômica, há os veículos do programa “Crack é Possível Vencer” (iniciativa de combate às drogas que fará uso do micro Piá, produzido pela Comil), equipados com alta tecnologia, que já foram entregues, mas o governo federal ainda discute o pagamento. Adamczuk destaca que o valor envolvido nesse negócio é de aproximadamente R$ 44 milhões.

Fonte: Jornal do Comércio




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