Paixão pelas estradas move família de motorista de Mogi das Cruzes




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Hoje ele leva uma vida mais tranquila, dirigindo o caminhão de coleta seletiva em Mogi das Cruzes e se orgulha ao ver os filhos pequenos queimando o combustível pela mesma paixão que ele e a esposa nutrem pela estrada.

A vida em constante movimento é o que move Cláudio de Almeida Rodrigues e a família. Ele é motorista há 20 anos e diz que tudo o que conseguiu conquistar foi por meio dos quilômetros rodados pelas estradas do País. O amor por caminhões começou na infância e ficou ainda mais evidente quando precisou escolher a profissão.

Cláudio vistoria caminhão da empresa onde trabalha, em Mogi
Cláudio vistoria caminhão da empresa onde trabalha, em Mogi

O pai – que trabalhava como caminhoneiro – mesmo sem saber, foi quem o ajudou a engatar a primeira marcha do sonho. “Quando eu tinha 6 anos, ia com meu pai para o serviço e isso foi despertando o meu interesse: eu subia nos caminhões, mexia no volante e me sentia dirigindo um daqueles. Quando a gente é criança as coisas ganham outra dimensão e eu já pensava em ser motorista”, recorda.

Atualmente, Cláudio trabalha como motorista de coleta seletiva
Atualmente, Cláudio trabalha como motorista de coleta seletiva

Logo depois que tirou a sua primeira habilitação, Cláudio começou a buscar oportunidades de emprego, mas ouviu muito “não” pelo caminho. “As empresas exigiam experiência, mas como eu estava começando, não tinha. Eu precisava de alguém que acreditasse em mim. Então, procurei por serviços onde poderia ficar próximo dos caminhões. Eu trabalhei em uma empresa de entregas e ficava ali do lado daquelas ‘máquinas’. Eu ia junto durante algumas entregas, dirigia um pouquinho e pegava o caminhão de um e de outro e assim a coisa começou.”

No final da década de 1990, a música Estrada da Vida, dos sertanejos Milionário e José Rico, era sucesso nas rádios do país.

Até hoje Cláudio diz que os versos da música “Nesta longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar. Na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar” são o hino da sua vida. Nesta época, ele chegou a encarar uma viagem de 15 dias até a divisa da Bahia com o Piauí.

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Helen trabalha como motorista de ônibus de viagem

“Quando eu consegui ter o meu primeiro caminhão, eu me entreguei. A estrada te dá uma sensação de poder. De ser grande, mesmo sendo pequeno e vendo a grandiosidade do mundo. Sempre é uma novidade a cada estrada, a cada lugar. Eu gostava de viver essas experiências.”

Novos caminhos

A frase é dita por Cláudio no passado porque, quando conheceu Helen Patrícia de Araújo, ele resolveu “estacionar” o seu caminhão para construir uma vida ao lado dela.

O caminhão também ajudou na conquista, já que o padrasto de Helen também era motorista e a jovem, na época com 17 anos, sonhava em ser motorista.

Durante o casamento, Helen abastecia a vontade de também pegar a estrada e, com o apoio do marido, hoje ela é motorista de ônibus de uma empresa de turismo em Salesópolis.

“Ela ficou um tempo em casa, mas eu percebi que não queria essa vida e hoje ela se descobriu na profissão! Sempre me acompanhava e me perguntava algumas coisas. Eu alimentava esse desejo dela e logo ela tirou a habilitação. Hoje ela dirige melhor do que eu, é muito atenciosa”, confessa aos risos o marido que ainda diz não sentir ciúmes da mulher que trabalha em um universo quase exclusivo dos homens. “O pessoal admira. Já vi muitas pessoas mandando beijos e tchau para ela”, acrescenta.

Cláudio coleciona miniaturas de caminhão, sua paixão desde a infância
Cláudio coleciona miniaturas de caminhão, sua paixão desde a infância

Maria Clara, de 8 anos e Matheus, de 6, já vivem o universo dos pais. Na casa da família, uma coleção de miniaturas de caminhões fica exposta logo na sala. “O Matheus, se está passando um caminhão na rua ele diz: Nossa pai, que cheiro gostoso esse da fumaça do caminhão, não é?”.

Cláudio e Helen não tiveram uma viagem de lua de mel depois do casamento. O plano é realizar esta viagem, obviamente, em um caminhão.

“Hoje como eu trabalho para uma empresa, trabalho com o caminhão de lá. Quando nossos filhos estiverem maiores, o sonho é rodar o Brasil inteirinho com o nosso caminhão que, se Deus quiser, vamos conseguir comprar. Hoje a minha alegria maior é ver tudo o que eu conquistei por conta dessa profissão”, finaliza.

Fonte: G1

 




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