Mercedes-Benz vê risco de extinção do setor automotivo no Brasil




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Mea culpa. É o que a Mercedes-Benz está abertamente confessando em sua previsão nada otimista do setor automotivo e da economia brasileira atualmente. A montadora alemã – através de seu presidente Philipp Schiemer – vê que o atual modelo vigente no país pode, a longo prazo, levar à extinção da indústria local, mesmo reconhecendo o potencial do país.

A montadora percebeu que o modelo de negócio imposto pelo governo anterior, notadamente protecionista, fechou o mercado brasileiro, alimentando-o com incentivos. A ideia de intervir no setor privado foi válida quando estourou a crise econômica mundial, onde o Brasil se saiu muito bem, graças às comodities e a um certo equilíbrio das finanças públicas.

Mas o remédio de promover incentivos para que o mercado automotivo e outros setores da economia ficassem em alta foi prolongado demais, pois o governo acreditava que o modelo funcionaria em longo prazo, mas esqueceu-se de que uma hora a conta ficaria no vermelho. Com forte alta até 2011, o mercado automotivo era um reflexo de boom brasileiro.

O setor de caminhões, onde a Mercedes-Benz disputava diretamente com a Volkswagen, as vendas chegaram a 170.000 unidades em 2011 e o Brasil era o maior mercado do mundo para a fabricante germânica sediada no ABC paulista. Só a Mercedes respondia por 40.000 por ano naquela época. Hoje, o segmento está com 50.000 unidades.

Por conta disso, a Mercedes-Benz teve que reduzir a produção e o quadro, de 14 mil para 9,5 mil já com as recentes 1,4 mil demissões. O ato de dispensar toda a fábrica sem uma previsão de retorno dos empregados chamou a atenção do mercado. Afinal, nenhuma montadora fez isso em tempos recentes.

Para a Mercedes, oferecer R$ 100 mil para quem saísse, ficou mais barato que entrar numa briga, conforme ilustra Schiemer. A medida é um acordo e, para o executivo, acordos são bons. Mas, o chefe alemão espera que haja um acordo melhor com o novo governo.

Mea culpa

A Mercedes-Benz reconhece que também bebeu da mesma fonte de incentivos que está agora criticando. A montadora diz que só percebeu muito tempo depois que o negócio iria prejudicar o mercado como um todo, quando a crise deixou de ser momentânea e se transformou em longa e duradoura.

O Brasil está em um regime fechado, protecionista, na visão do executivo. O governo baixou juros sem fundamento e deu isenções tributárias para muitos setores. Os consumidores já tinham comprado geladeiras, TVs planas e automóveis, mas ficaram endividados. O crescimento só viria de investimentos em infraestrutura e aumento de produtividade, o que não aconteceu.

Para Schiemer, o governo deveria ter deixado o setor privado caminhar livremente sem incentivos, mas continuou a alimentar a atual gestão de negócio, que agora indica um cenário obscuro para o futuro, com a possível extinção do setor automotivo no país e igualmente de outros setores da indústria.

Hoje, o mundo está mais global. Ele dá o exemplo da Alemanha, que consegue exportar muito mesmo com o euro em alta, já que seus produtos possuem tecnologia de ponta e as empresas podem comprar peças e componentes de qualquer país.

No Brasil, importar insumos ficou mais difícil e caro. A burocracia e o dólar ajudam a dificultar a situação. A volatilidade da moeda americana também é apontada como um prejuízo para investimentos futuros. Não há como aplicar dinheiro no Brasil sem que haja confiança e garantia de estabilidade nos próximos anos.

O mesmo é em relação ao investidor no mercado de caminhões. As empresas não compram se não estiverem seguras do retorno adiante, mesmo com dinheiro em caixa. Dessa forma, o setor de caminhões reflete a atual situação econômica do país.

No caso das montadoras, sem importar componentes mais baratos, fica difícil ampliar as exportações. A saída? Um ajuste fiscal para começar e a reforma da previdência, que ajudarão a dar credibilidade ao país e trazer de volta a confiança do investidor.

Assim, é possível reduzir a inflação e as taxas de juros. Atualmente, ninguém vai comprar ônibus e caminhões com 14% de juros. Para a Mercedes-Benz, se o cenário não mudar, as consequências serão drásticas, pois nenhuma indústria conseguirá manter-se no Brasil.

A grande questão é se o Brasil quer seguir o caminho da Venezuela ou da modernidade. O país tem um enorme potencial, já demonstrado pelo crescimento expressivo no período pós-crise mundial. Schiemer diz que já existem conversas com o novo governo, que parece mais inclinado a resolver problemas do que a defender uma ideologia, como o anterior, bastante conservador.

Fonte: Revista Veja




3 comentários em “Mercedes-Benz vê risco de extinção do setor automotivo no Brasil

  • 14/09/2016 em 08:59
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    Boa, vamos importar tudo e pagar com dinheiro invisível? Quem vai ter dinheiro pra comprar se não produzirmos nada aqui? A Mercedes foi incompetente e tem mais é que falir mesmo no Brasil. Ninguém viu a DAF, ou a MAN, ou a Volvo e muito menos a Scania chorando por conta de incentivos.

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  • 13/09/2016 em 21:44
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    Essas montadras tem que fechar td mesmo tem que voltar.o. F. N. M o. Scanieta onze triste ai vcs vão ver o que é bom tem voltar 40 anos atraz voltar tempo antigo. Ai some td que é motorista só vai ter motorista feito nas coxa kkkkkkkkk

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