Montadoras vão expor panorama da atividade a Temer

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A indústria automobilística prepara um raio X da sua atividade para fazer uma detalhada exposição ao presidente Michel Temer. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, garante que desta vez os dirigentes das montadoras não vão pedir redução de impostos. “Vamos mostrar nosso setor ao presidente da República, comprovar seu efeito multiplicador e pedir uma política industrial de longo prazo”, diz.

A data da reunião não está ainda marcada. Embora Megale já tenha tido alguns encontros com Temer antes do impeachment da ex¬presidente Dilma Rousseff, agora, como chefe de Estado definitivamente, Temer será abordado com riqueza de detalhes a respeito das agruras que há meses envolvem o setor e as perspectivas de retomada. “Será um encontro setorial”, afirma Megale.

Apesar de as regras claras para montar sua estratégia de longo prazo sejam a prioridade da Anfavea na conversa com Temer, a entidade não deixará, no entanto, de aproveitar a oportunidade para abordar também questões práticas mais imediatas.

É o caso das queixas diante dos persistentes gargalos na infraestrutura e o excesso de burocracia que, segundo Megale, dificultam, sobretudo, as necessidades aduaneiras.

Conforta Megale o fato de o governo Temer ter preservado a equipe técnica, com a qual as montadoras já mantêm diálogo. Segundo ele, trata¬se de uma relação que habitualmente leva dois anos para amadurecer.

Deve, ainda, fazer parte da conversa o esforço do setor para a aprovação de linhas de financiamento, por bancos públicos, para socorrer as empresas de autopeças endividadas.

A maior expectativa da Anfavea é encontrar no contato com o chefe da nação elementos para sustentar os planos futuros. Mesmo porque para o presente não há muito o que fazer, a não ser esperar que a nova gestão na equipe econômica faça o Produto Interno Bruto (PIB) voltar a crescer e devolva confiança ao consumidor.

O ritmo de produção nas montadoras no acumulado deste ano ficou 18,5% menor do que no mesmo período do ano passado. O principal motivo do resultado negativo é o excesso de dependência de um mercado interno que recuou 22,8% na mesma comparação do período de 2015.

Em setembro, os estoques ficaram praticamente inalterados, com 212 mil veículos parados nos pátios das fábricas e das concessionárias. Um volume suficiente para 40 dias de vendas. A ociosidade nas fábricas de carros, segundo o presidente da Anfavea, está em 52%.

Apesar do cenário negativo, os fabricantes de veículos preveem momentos melhores antes de o ano acabar. No caso dos automóveis, o setor baseia¬se na sazonalidade, já que tradicionalmente a demanda se concentra nas últimas semanas do ano. No caso dos caminhões, apesar de não haver muitos indicadores positivos, o diretor da Mercedes-Benz, Luiz Carlos Moraes, diz que “pelo menos o telefone começa a tocar”, com chamados dos clientes. “A situação parou de piorar”, diz.

Fonte: Valor Econômico




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