COLUNA MOBILIDADE EM FOCO – CARA CHATA TEM OS OUTROS. A GENTE TEM UMA NOVA LINHA DE CABINA AVANÇADA

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“Linha Mercedes-Benz Cabina Avançada. A Nova Cara do Brasil”.

Novos caminhões Mercedes-Benz com cabina avançada. Uma linha de Semipesados e Pesados (1418 R, 1718 K, 1718 A, 1720, 1720 K, 1723 e 1723 S) que oferece mais rentabilidade operacional à sua frota. São veículos onde você vai encontrar maior capacidade e volume de carga, facilidade de manutenção, segurança, desempenho, potência, conforto para o motorista e o design arrojado da cabina basculável. O toque de inovação em todos os modelos da linha fica por conta dos conceitos “Long Life” – maior durabilidade do trem de força – e “Heavy Duty” – reforço nos equipamentos de maior desgaste. Comparada com a concorrência, a nova linha Mercedes-Benz tem uma performance superior, por exemplo:

Potência até 29% maior; torque até 12% maior; velocidade até 16% maior; consumo de combustível até 5,6% menor; capacidade de subida até 20% maior; volume de carga até 11% maior; capacidade de carga mais carroçaria até 8% maior; relação potência/peso até 16% maior. Tudo isso com garantia de 1 ano ou 50 mil km para o veículo, 1 ano ou 100 mil km para os agregados, além da maior rede de concessionários de veículos comerciais do País. Modernize sua frota: Nova Linha Mercedes-Benz de Semipesados e Pesados com cabina avançada. É lucro certo. Mercedes-Benz Veículos Comerciais.

Nos dois parágrafos acima temos texto de propaganda dos caminhões com cabina avançada (cara chata) da Mercedes-Benz do Brasil. A publicidade foi veiculada em várias revistas na primeira metade de 1998. A propaganda contém exageros de redação em benefício da montadora que em nome do bom senso deveriam ter sido vetados por alguém com poder para tanto na hierarquia da Mercedes. O que não foi feito. Potência até 29% maior comparado a quem? Com os Volkswagen 16-210 e 16-200 é que não e tampouco com o Ford Cargo C-1622. Será que a comparação seria então com o Volkswagen 13-130 ou com o Cargo 1514, ambos dos anos 80? Ou então com os Mercedes-Benz L-1113, 1313, 1513 e 2013?

Só pode. Se pegarmos os 200 cv de potência máxima dos 1720 e subtrairmos 29% chegamos a potência de 142 cv, justamente a potência dos motores OM-352 dos Mercedes supracitados no final do parágrafo acima, desde que turboalimentados. Ou então com potência máxima medida em testes pela norma americana SAE, porque pela alemã DIN é de 130 cv. Veja o disparate, a irresponsabilidade de quem redigiu e de quem aprovou o texto. Velocidade até 16% maior. Talvez eles vazios e os caminhões da concorrência carregados, do contrário não. Consumo de combustível até 5,6% menor. Aí talvez sim, realmente os motores Mercedes eram mais econômicos que os Cummins dos VW e dos Ford Cargo.

Capacidade de subida até 20% maior. Estranho, sem nexo e tudo depende das relações de transmissão. Com relações semelhantes, mais uma mentira veiculada. Volume de carga 11% maior? Cargo, VW e Mercedes caras chatas tinham taras muito próximas entre eles, o que resulta na mesma capacidade de carga líquida. Vejam o paradoxo, devemos então crer que o MB 1720 poderia carregar carga útil de 16 mil kg enquanto o VW 16-200 se limitaria a 14.240 kg? Relação potência/peso até 16% maior comparado com qual caminhão? Com os concorrentes VW 16-200 e Ford Cargo C-1622 é que não. Pronto, falei, fica o registro da minha discordância com o entusiasmo juvenil por parte de quem redigiu o texto publicitário. Deixando de lado os exageros da propaganda voltamos a análise conjuntural do período de lançamento dos caras chatas da Mercedes e a conjuntura de mercado que motivou a montadora alemã lançar caminhões de cabina avançada no Brasil.

Tudo começou dois anos antes, em 1996, quando os caminhões Médios e Semipesados com cabine semi-avançada (bicudos) sofreu o seu primeiro “face-lifting” desde que foram lançados em julho de 1989 em substituição a família com cabine tipo AGL, no mercado desde 1964, quando foi lançado o L-1111. No meio do ano de 1989 a Mercedes lançou a cabine tipo HPN (bicudo) e a cabine tipo FPN (cara chata) em agosto de 1991. As cabines FPN complementaram a chamada Série Brasil, lançada para comemorar o 40º aniversário da empresa no Brasil, pois aqui chegou de forma oficial em 1956. Esta nova série apresentou inúmeras mudanças em relação aos caminhões fabricados entre os anos de 1989 e 1996.

Novo para-choque, novos faróis dianteiros, novo painel do motorista, cluster de instrumentos refeito, cabine numa posição mais elevada e que permitiu o rebaixamento do motor, retirando o mesmo de vez do interior da cabine (sua parte traseira), melhorando o espaço interno e ampliando o isolamento termoacústico. Estas eram as novidades mais visíveis da nova cabine HPN da Mercedes. Mas as mudanças foram além do design da cabine e do layout interno, componentes foram redimensionados, maior presença de componentes plásticos e alteração de processos industriais com a participação de fornecedores na montagem dos novos caminhões. A nova linha de caras chatas da montadora surgiu em julho de 1997.

Começou com o Médio 1214 C (City), que tinha substituído o 1214 U (Urbano) de 1996. Este, por sua vez, uma versão do 1214. O City chegou com motor mais potente, intercoolado e 143 cv de potência, além de PBT ampliado de 11,5 para 12,3 toneladas. O 1214 City foi o pontapé inicial para o lançamento dos demais modelos com cabine FPN, 1418 R, 1718 A, 1720 e 1723, cujas potências começavam em 170 e se estendiam até 230 cv. Em 1999 a família FPN foi ampliada mais uma vez, com quatro novas versões: 1215 C, 1718 M (para serviços como coleta de lixo) e 2423 B e K, com tração 6 x 4. Ocorreu ainda neste ano o lançamento do 1718 A, traçado, apresentado em 1997, mas não disponibilizado até então pra venda.

Texto/matéria: Carlos Alberto Ribeiro




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