A importância da aparência na profissão




Afinal, o que é aparência? Será que ela interfere na hora de contratar um profissional? Para responder essas e as demais perguntas, entrevistamos as transportadoras Cargolift, Coopercarga, Braspress e IBL, seus clientes e caminhoneiros.

Segundo o dicionário Aurélio, a aparência seria o conjunto de aspectos físicos que compõe a apresentação de alguma pessoa, como etnia, cabelo, roupas, corpo, voz e cheiro. O que os nossos sentidos como visão, olfato, audição, podem captar.

Segundo a consultora de imagem da transportadora Cargolift, Emmanuelle Mourão, a nossa imagem chega antes de podermos falar, mesmo antes de sermos avaliados por nossos serviços, somos analisados pela nossa aparência. Por isso, ter uma boa apresentação pessoal é de fundamental importância nas relações comerciais.

Quando estamos com uma imagem adequada, temos chances de sermos vistos como mais competentes e profissionais. “Prezamos pelo asseio pessoal. No caso da Cargolift, solicitamos o uso de camisa branca limpa e bem passada, calça ou bermuda azul marinho no tecido brim, jaqueta em nylon impermeável para o inverno, bota de segurança de borracha e boné são nosso dress code (código de vestimenta) para os motoristas contratados”, diz Emmanuelle ressaltando que o motorista agregado veste uma camisa polo com o nome da empresa gravado e identificado que é agregado.

Emmanuelle explica que quando um caminhoneiro se apresenta de chinelo, a impressão que passa é de ser desleixado e desorganizado. A profissão de motorista deve ser valorizada no Brasil, e a apresentação pessoal é um dos itens mais importantes para valorizá-los.

“Entendemos que o motorista passa muitas horas sentado e que precisa de conforto. No entanto, acreditamos que é possível conciliar conforto e adequação profissional com tecidos de qualidade para todas as estações do ano”, diz Emmanuelle.

O processo de contratação da Cargolift avalia muitos pontos, como imagem, experiência e conhecimentos específicos. “É verdade que a imagem interfere na contratação. Aqui não estamos falando de estética ou beleza, mas de asseio e boa apresentação e isso é fundamental em qualquer profissão”, diz Emmanuelle.

“Nosso motorista é nosso cartão de visita. É através da imagem dele que somos julgados e avaliados como empresa, então, esse tema é de extrema importância para nós”, diz Renata Anile, do Marketing da Cargolift.

Na integração, além de assuntos relacionados a procedimentos de segurança, normas internas e diretrizes da empresa, a Cargolift treina os motoristas para o uso completo do uniforme e mostra a relevância e obrigatoriedade desse uso.

A Cargolift tem em média 500 motoristas contratados e agregados. Este ano realizou uma campanha digital de sensibilização sobre a importância da imagem e comportamento dos profissionais relacionados com o código de Vestimenta e Conduta de todos os profissionais Cargolift, sejam eles motoristas, agregados ou administrativo.

Jerry Adriano Longo, gerente da Frota da Coopercarga também concorda com Emmanuelle e ressalta que a aparência do motorista é  fundamental, pois reflete não só na apresentação do motorista, mas na impressão que ele causa no cliente.

“Felizmente o mundo mudou e a percepção que se tinha do motorista profissional também. Hoje, ter uma postura adequada, uma preocupação com a aparência, é essencial em todas as profissões.

Aqui estamos olhando em especial a figura do motorista, mas isso é válido para qualquer outro ramo de atividade. A responsabilidade de ter uma postura adequada e de se preocupar com a aparência, são de todos enquanto profissionais.”, diz Jerry Longo.

Infelizmente ainda existe muito preconceito em relação à categoria e uma apresentação adequada ajudará muito na quebra deste paradigma e valorização desse grupo de profissionais.

Jerry Adriano Longo acrescenta que o profissional deve observar também a utilização de EPIs (equipamentos de proteção individual) de acordo com a carga a ser transportada e local onde está em processo de carregamento e descarga. “Uma dica ao motorista é que sempre tenha, entre seus acessórios de trabalho, luva e jaleco, pois podem ser necessários no momento em que ele estiver exposto a uma atividade que possa sujar seu uniforme. E, se sujou, trocar de roupa. A sua imagem está em jogo, a empresa está em jogo e a sua categoria profissional também.”

O gerente da Frota da Coopercarga explica que há profissões que exigem roupas específicas, mas, de modo geral, um profissional se apresentar no trabalho, seja homem ou mulher, de bermuda ou chinelo, não é o ideal. O mesmo vale para o motorista. Esse tipo de vestimenta nós deixamos para os momentos de lazer, em nossa casa ou na companhia de amigos e familiares. Os motoristas estão diariamente em contato com clientes, empresas, outros colaboradores, e têm no caminhão o seu “escritório” e no destino da carga um complemento do seu local de trabalho.

Outro ponto a ser considerado em relação ao uso de bermuda e chinelo é que tais vestimentas não protegem adequadamente o motorista e infringem a legislação de trânsito, uma vez que é proibido dirigir de chinelo ou similar.

Para a Coopercarga, a imagem do motorista para a cooperativa é de vital importância, pois, mesmo havendo uma grande equipe operacionalizando todo o processo do transporte, é este profissional que irá representar a empresa perante o cliente. Logo, a imagem que o motorista apresenta reflete não só na visão que as pessoas terão dele, mas na impressão que ele causará no cliente enquanto representante da empresa.

A aparência, o padrão visual e a forma de apresentação dos motoristas são constantemente discutidos dentro da cooperativa. “Tanto na contratação, que é feita diretamente pelos cooperados, quanto nos treinamentos ministrados, esse assunto é amplamente discutido. No próprio Manual de Identidade Visual temos um padrão preestabelecido para esse quesito. Todos os cooperados que atuam na frota padrão tem uma orientação específica a seguir.”, diz Longo. Atualmente, a frota padrão da cooperativa é composta por aproximadamente por 1,9 mil veículos.

A frota da IBL é composta de aproximadamente 440 veículos, sendo que a grande maioria dos caminhoneiros é agregada. “Não é em todas as regiões que os clientes têm a oportunidade de nos visitar, conhecer nossas instalações e procedimentos. Assim, o único fator de contato entre o cliente e a nossa empresa passa a ser o motorista, que assume a posição de ‘cartão de visita’ da empresa. Daí a importância de uma postura adequada aos padrões da empresa e dos clientes atendidos”, diz Paulo Falanga, gerente Administrativo Comercial e Marketing da IBL.

Luiz Carlos Lopes, diretor de Operações da Braspress explica que a bermuda compõe o conjunto de uniformes oferecidos aos profissionais motoristas, especialmente nas regiões caracterizadas por altas temperaturas e litorâneas, porém, o uso de calçados de segurança são obrigatórios e atendem às regras estabelecidas para proteção preventiva.

Segundo Luiz Lopes, os profissionais que se candidatam à ocuparem um posto de motorista na Braspress são avaliados tecnicamente. “Portanto não distinguimos sexo, cor, religião ou o quer que seja, mas somos rigorosos em atrair para dentro do negócio, aqueles que no conjunto, melhor estejam capacitados e que se apresentem com o que de melhor tem a oferecer para o negócio”, explica Lopes. A Braspress tem uma frota própria de composta por 1.850 veículo,  uma frota agregada de 1.600. São 1.200 motoristas próprios e 1.600 terceiros.  A empresa trabalha a conscientização dos caminhoneiros em relação à aparência, pois é uma empresa presente no mercado confeccionista, calçadista, de cosméticos, medicamentos, produtos de informática, entre outros. “Portanto, é natural que devemos cobrar pelo melhor hábito de apresentação e com isso alinhar nossas estratégias com todos que participam da realização do negócio” explica Lopes.

Opinião

Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Sr. Agner, quando abordam um motorista na estrada e ele está uniformizado, demonstra mais conhecimento sobre as leis, são educados e também tem mais zelo pelos caminhões. “Percebemos que são os que menos cometem inflações no trânsito porque nota-se que a empresa é organizada e tem normas internas bem definidas onde ajuda na educação do trânsito, além de passar uma boa impressão pessoal do motorista”, diz Sr. Agner.

O instrutor de motorista Pedro Rezende, da Cargolift, concorda com o inspetor Agner. “Estou há quase 14 anos na empresa, sendo 10 anos atuando como motorista e quatro como instrutor de motorista. “Para mim, faz toda a diferença o uso do uniforme, quando estou no cliente, percebo que tenho mais atenção, pois o meu uniforme passa uma excelente imagem pessoal e da empresa, além das pessoas me chamarem pelo nome que me identifica pelo meu crachá, quando sou abordado em fiscalizações como a PRF, também percebo que os policiais fazem uma abordagem mais tranquila. Tenho 25 anos de  experiência em transporte rodoviário e a Cargolift foi a primeira empresa que determinou o uso de uniforme. Tenho muito orgulho de vestir este uniforme, me sinto bem e sei da importância, porque sou o cartão de visita por onde passo”.

O caminhoneiro Marcio Maestreli também trabalha há três anos na mesma empresa. “Antes de entrar aqui, trabalhava em uma empresa de ônibus de viagens onde já fazia o uso do uniforme e justamente o que me chamou a atenção para entrar na Cargolift foi exatamente isso, o uso do uniforme. Sei o quanto é importante na apresentação e também as pessoas têm mais respeito quando elas me abordam, passo mais confiança e sou bem recepcionado pelos clientes. Tenho certeza de que um motorista uniformizado faz a diferença”.

Segundo Almir Ilmo Kemmer, motorista do cooperado Oeste Cargo Transportes LTDA e atua com a Coopercarga desde 2010, quando usa uniforme ou quando se preocupa com a aparência durante o trabalho, é mais bem visto pelas outras pessoas. “Em um cliente, ao me apresentar uniformizado e seguindo as regras para circular na empresa, fica nítida a diferença até mesmo no tratamento com a gente, pois causamos uma boa impressão” explica Kemmer. “As pessoas vêem que você dá importância para a aparência. Tem gente que pensa que quando está no cliente, eles não estão prestando atenção na gente. Mas já tive muitas provas de que eles estão a todo o momento observando nosso comportamento. Se estamos vestidos de forma adequada, seguindo as normas. Temos que nos preocupar sempre em bem representar a empresa que atuamos”

Outro profissional do volante cooperado é João Moreira da Silva. Ele atua desde 2012 na Coopercarga e é de Abatiá, Paraná. “A aparência do motorista é o cartão postal da empresa para o cliente. E não só a aparência do motorista é importante, mas também do caminhão. Isso representa a impressão que causamos no cliente e mostra a nossa responsabilidade com o nosso trabalho, com a nossa profissão.”

“Nós somos o cartão postal da Braspress, representamos a Organização. A aparência é muito importante ao chegar no cliente. Sempre estou com o uniforme completo e arrumado, barba bem feita e cabelo cortado. Eu me apresento, mas sei que eles reparam se estamos uniformizados adequadamente, então sempre estou”, declara Manoel Bonfim Costa Santos, de 45 anos, e motorista da Organização há 11 anos.

“No meu conceito, a aparência fala por nós, pois existe um ditado que diz que a primeira impressão é a que fica independente da profissão. O uso do uniforme é indispensável, pois além de identificar a empresa, passa a ser também um cartão de visitas”, relatou Solange Voss Emmendorfer, de 51 anos, e motorista da Braspress há 15 anos.

Cosme Francisco Pereira está na IBL desde 2007. “Exerço a profissão de motorista desde os meus 14 anos, conheço 27 estados do Brasil e já rodei quase um milhão de quilômetros, boa parte deles para a IBL Logística. Tenho muito orgulho da minha profissão e sei que a minha família também se orgulha do que eu faço. Sou o principal contato da empresa com o cliente. Minha aparência, portanto, é o cartão de visita da empresa. Além da aparência, a cordialidade e o respeito são qualidades necessárias para meu desempenho junto aos clientes.”

Vicente Viola também trabalha na IBL desde 1970. “O motorista é o representante da empresa junto ao cliente. Atuei em muitos estados do Brasil e mais intensamente no interior e litoral do estado de São Paulo. Nestes 46 anos de trabalho na IBL Logística, sempre tive a minha aparência e relacionamento com os clientes como um ponto muito importante a ser preservado. Talvez isso explica o tempo de casa que acumulei e o número de clientes que cultivei.”

Cliente

Caroline Colin Ietka, do setor de Logistics & Export Manager, da Alltech do Brasil, de Araucária, PR, explicou que existe aquele ditado que “a primeira impressão é a que fica” e foi exatamente através da imagem do motorista uniformizado que transmitiu instantaneamente o profissionalismo da transportadora Cargolift. O motorista foi o primeiro contato pessoal que tivemos com a transportadora, e a imagem de asseio, seriedade e segurança é a que ficou registrada para nós.

Patrícia A Pinheiro, gerente de Abastecimento e Distribuição da Sony Brasil, cliente da empresa IBL Logística explica que a aparência do motorista é muito importante no processo de entrega, pois ele representa nossa marca no momento da entrega junto aos clientes. Motorista uniformizado e educado demonstra organização e desperta confiança no processo de compra.

Fonte: Revista Caminhoneiro

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