MOBILIDADE EM FOCO – HÁ 10 ANOS ERA LANÇADA A SÉRIE ESPECIAL SCANIA SILVER LINE




A Scania é a fabricante de caminhões no Brasil que mais lançou séries especiais ao longo das décadas desde que por aqui resolveu construir sua fábrica no ano de 1957. Em 2007, 10 anos atrás, para comemorar seus 50 anos de Brasil (Bodas de Ouro) e não deixar passar a data em branco lançou a série especial denominada Silver Line, que significa “Linha Prata”. No acumulado em vendas entre os meses de janeiro a junho daquele ano (1º semestre) a Scania ficou em 5º lugar entre os fabricantes de caminhões, atrás da Mercedes-Benz, com 17.964 unidades vendidas; Volkswagen, com 15.431 caminhões vendidos; Ford, com 10.698; Volvo, com 4.199; e Scania, com 3.496. Em relação ao mesmo período, mas do 1º semestre do ano anterior (2006), a Mercedes-Benz vendeu 25,7% menos; a queda nas vendas da Volkswagen foi de 25,2%; da Ford em 31,7%; Volvo com 23,6% e a Scania com declínio de 28,5%.

No segmento dos caminhões Pesados, setor onde a Scania sempre se caracterizou como forte concorrente, em setembro de 2007 o bruto mais vendido foi o Volkswagen 19.320 Titan Tractor; em segundo o Iveco Stralis (sem citação do modelo); em terceiro o MB Axor 2540; na quarta posição o Scania R380 4 x 2; quinta colocação o Volvo FH400 6 x 2; em sexto o Scania R420 4 x 2; na sétima, MB Axor 1933; em oitavo o MB LS 1634; em nono lugar o Volvo VM310 e na 10º posição, Volvo FH440 6 x 2. Mas, se somadas todas as unidades vendidas por cada marca, a liderança foi da Mercedes-Benz, que emplacou 2.420 unidades; Volvo, com 2.045; a Scania comercializou 2.013 caminhões; Volkswagen, na quarta posição, vendeu 1.244 e, por fim, entre os “players”, a Iveco, 1.115 caminhões.

No mercado brasileiro sempre foi praxe que as edições limitadas (séries especiais) repercutissem favoravelmente, agregando vendas e pontos positivos à imagem institucional dos fabricantes de caminhões, eis que a exclusividade em se rodar com um bruto diferente, pintura exclusiva e acessórios as vezes não encontrados nos veículos de produção seriada, sempre fez a diferença e foi chamariz de vendas. O sucesso de mercado das séries especiais anteriores da Scania também se fez presente na série limitada a 400 unidades do Scania Silver Line, pois todos os 400 caminhões desta série foram comercializados rapidamente. Vendido numa única faixa de potência, 420 cv, o R420 foi disponibilizado ao mercado consumidor com três opções de cores da cabine: vermelho-cereja, preto-mágico e azul-mediterrâneo. Na lateral da cabine, lados direito e esquerdo, foi estampada uma faixa decorativa lateral de formato curvo (tipo um “s” alongado), que se estendia da parte frontal, passava pela porta e subia em direção ao teto, já na parte alongada da cabine (dupla).

Esta plotagem de cor prateada recebia ainda o logotipo da Scania na altura da janela da parte lateral do leito da cabine, nada mais nada menos do que a marca registrada da fabricante sueca, o desenho do grifo. Que mais se assemelha a cabeça de um galo, com uma coroa na cabeça, simbolizando a nobreza ou quem é o rei do pedaço. Os Scania R420 foram configurados com duas opções de rodas traseiras: 4 x 2 com suspensão a ar ou com mola; 6 x 2 com suspensão a ar ou mola e 6 x 4, suspensão com mola. Resumindo, sistemas de tração traseira simples, de rodado duplo (4 x 2); cavalinho trucado com um único eixo de tração e o outro de apoio (6 x 2); cavalo mecânico trucado, com dois eixos de tração, traçado (6 x 4). Os preços sugeridos para a série especial Silver Line foram considerados atrativos pelo mercado, adicional de R$ 10 mil em relação ao preço do mesmo modelo normal de linha. E se os itens exclusivos desta versão fossem adquiridos separadamente para equipar outro Scania o custo não sairia por menos de R$ 20 mil, disse na época o diretor de Vendas da Scania do Brasil, Christopher Podgorski.

Segundo o que apurou Edilene Prado, repórter jornalista da revista Transporte Mundial, que redigiu matéria falando sobre o Scania Silver Line, ao ouvir vendedores especializados de caminhões seminovos, multimarcas, os mesmos consideraram que as séries especiais eram bem vistas nas revendas, embora raramente aparecesse este tipo de bruto para venda, devido as poucas unidades fabricadas. A procura era inexistente por caminhão de edição limitada, por ser considerado tipo “mosca branca”. No entanto, se uma unidade estiver no pátio para venda é comercializado facilmente, desde que o preço seja compatível com a realidade de mercado ou com valor pouco acima de outros caminhões do mesmo modelo. O comprador calcula vantagens e desvantagens. E o fato de ser um bruto exclusivo, que quase ninguém tem, verdadeiro cartão de visitas personalizado do seu proprietário, se o preço para aquisição for abusivo fica no pátio. Quem compra caminhão adquire com base na razão e não pela emoção. Outro revendedor consultado pela repórter disse que os clientes habituais de séries especiais não eram os grandes frotistas e sim caminhoneiros autônomos bem sucedidos. Ou então transportadoras de pequeno ou de médio porte.

O preço sugerido para o Scania R420 4 x 2 Silver Line, configuração básica, era de R$ 305.000,00 em 2007. Três anos depois o seu valor médio de mercado, como seminovo, estava taxado em R$ 298.000,00, uma desvalorização pequena, de apenas R$ 7 mil, módicos 2,295%, sinal inequívoco de que este R420 teve boa aceitação de mercado e quem tinha uma unidade estava segurando, não repassando adiante, fator que influenciou na depreciação mínima de mercado. Um excelente negócio para quem comprou o modelo, baixa desvalorização aliado ao excelente custo por km/rodado que sempre foi praxe dos caminhões Scania, resulta em desembolso mínimo na hora de trocar este bruto por outro novo, zerado.

Um R420 4 x 2 normal de linha custava R$ 403.707,00 em 2007. Aqui encontramos um erro, que não é meu e sim de quem redigiu a matéria para a revista Transporte Mundial. Na matéria veiculada na edição nº 89 (páginas 72 e 73), foi mencionado que o R420 Silver Line custava R$ 305.000,00. Se consultarmos a tabela de preços de caminhões novos, da marca Scania, página 72 da edição nº 51 (publicada no mês de setembro de 2007), um R420 4 x 2, normal de linha tinha preço sugerido de R$ 403.707,00, exatos R$ 98.707,00 a mais. Acredito que o preço do R420 Silver Line seria algo em torno de R$ 413.000,00 em 2007, já que na matéria foi dito que ele custava apenas R$ 10 mil a mais que o R420 normal. E aí sim teremos preços de mercado compatíveis com caminhões da concorrência de potência equivalente. Da Scania, pelo preço sugerido como sendo o do R420 Silver Line, somente o P270 4 x 2, com preço de R$ 304.456,00 em 2007, preço absurdamente caro também. Será que era revestido com ouro e pedras preciosas?

O Scania R420 Silver Line tinha os seus atrativos exclusivos. Entre eles, friso prateado na grade frontal, plataforma dupla, iluminação noturna para a quinta roda, calotas de aço inoxidável, buzina a ar cromada no teto da cabine, espelhos retrovisores com ajuste elétrico, hodômetro digital, quebra-sol lateral na janela do motorista (parte interna) e bancos revestidos com couro. Os únicos itens opcionais eram o freio auxiliar hidráulico Retarder e tomada de força. Se voltarmos na linha do tempo do histórico da Scania do Brasil, além da série especial Silver Line lançada em 2007, temos ainda a Jubileum, lançada em 1991; Millenium, no ano 2000; e a Horizontes, em 2001. O maior diferencial de um caminhão de série especial sempre foi a quantidade de equipamentos exclusivos que recebiam como itens de série.

Texto/matéria: Carlos Alberto Ribeiro

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