O MERCEDES NEGRO – Mercedes Benz LPS 331 6×2




No Sul, cortando os Pampas
Geraldo, carreteiro integro,
por retas ou íngremes rampas
com seu Mercedes negro.

No teto, defletor de ar.
Escapamentos e grade cromada.
Em todos os pneus, Rodoar.
Atrás da cabine uma escada.

O Mercedes oferece o contraste
opondo a sua negra pintura.
Ressalta em verdadeiro destaque
brilho dos cromados de grande alvura.

Dirigindo esta máquina imponente
em qualquer estrada chama atenção.
Geraldo e seu cavalo valente
Tem o bruto firme em sua mão.

Seu Mercedes Benz cara chata
é antigo só na aparência.
Em qualquer estrada se destaca
pelos acessórios e pela potência.

Este Mercedes Benz fantástico
é caminhão para todos os trechos.
Calçado por dez pneumáticos.
Apoiado em seus três eixos.

Levando semirreboque tanque
com dois eixos para combustível,
No trabalho diário dando o sangue.
Nesta viagem levava óleo diesel.

Seguia dirigindo seu cavalo
Um carro veloz vinha dando sinal.
Viu linda menina a guiá-lo.
Dirigia-se no sentido a capital.

Saía do escapamento
fumaça esbranquiçada.
Motor com mau funcionamento.
O carro ficaria pela estrada.

Ele viu em uma longa reta
o carro parado a beira da pista.
Para o acostamento deu seta.
Geraldo era homem altruísta.

Como a rodovia era movimentada
carreteiro não temeu assalto.
A jovem estava desconsolada.
Saia, blusa e em cima do salto.

Do capô saía muita fumaça.
Provavelmente fundiu o motor.
A jovem com ar sem graça,
Pediu a ele um favor:

Se ele a poderia levar
ao próximo posto de gasolina.
Geraldo disse que iria ajudar
e levaria aquela menina.

Pelo rádio amador
reboque foi chamado.
Geraldo fez este favor.
O carro ali não podia ser deixado.

O motor estava fundido
e demoraria o conserto.
Ela não teria conseguido.
Aceitar ajuda dele um acerto.

Geraldo pegou as malas da moça
e colocou a bordo do caminhão.
O rosto dela, parecia feito de louça.
O carreteiro sentiu leve o coração.

Ela chamava-se Malvina,
e viajava para cidade do interior.
Acabara de formar-se em medicina.
Começar a clinicar um grande ardor.

Admirando o interior, olhou em volta.
A cabine era muito confortável.
Pelo acontecido não houve revolta.
Ainda por cima, um homem amável.

Geraldo tinha total comando
e o bruto rodava com maciez.
Durante a viagem iam conversando.
Ele a achou linda por sua vez.

A viagem transcorria bem
mas ocorreu fato inusitado.
Geraldo da velocidade não ia além,
por policial rodoviário foi parado.

Apresentou os documentos
e a carteira de habilitação.
O policial pediu nesse momento
que ele descesse do caminhão.

Desceu do cavalo Geraldo
Dentro do bruto o policial inspecionou.
Consciência tranquila, tinha respaldo.
Á Doutora Malvina ele cumprimentou.

Geraldo percebeu que Malvina
sentiu repulsa pelo policial.
Ele chamou pelo nome a menina.
Será que se conheciam afinal?

Geraldo perguntou se estava tudo certo
e o policial começou a enrolar.
Havia algo errado, Geraldo era esperto.
Pediu para o homem da lei explicar.

O policial disse que a médica
com ele não seguiria em frente.
Geraldo olhou aquela figura tétrica.
O que o policial tinha em mente?

Mandou Malvina descer do caminhão
e disse que ela não seguiria com ele
O carreteiro não arrumaria confusão.
Afinal não era problema dele.

Mas vendo o rosto da jovem aflito
Geraldo tomou sua decisão.
Ao policial por ele foi dito
que a jovem estava sob sua proteção.

Malvina mostrou-se assustada
colocando-se ao lado do rapaz.
Via-se que estava preocupada.
Seu coração perdera a paz.

Geraldo não aceitou a proposta.
A jovem iria com ele ao destino.
O policial não gostou da resposta.
Via-se nele desequilíbrio e desatino.

O policial fez ameaça
disse que poderia pô-lo na prisão.
Geraldo apesar de boa praça
insistiu dentro da sua razão.

Eles não tinham argumento
e a jovem não cometera crime.
Malvina naquele momento
lançou lhe um olhar sublime.

Ela entrou no caminhão
e Geraldo disse na hora,
para devolverem a documentação
e que ele iria embora.

Entrou e fechou a porta do bruto,
deu partida pôs-se em movimento.
O policial olhou-o resoluto.
Para prendê-lo não tinha argumento.

Malvina olhou-o com admiração,
agradecendo por tê-la defendido.
“Não fiz mais que minha obrigação”.
Por Geraldo isso foi respondido.

Ele não perguntou nada
e ela o olhava de lado.
Malvina sentiu-se intimidada.
“Aquele policial foi meu namorado”.

Quando ela disse isso
Geraldo entendeu o acontecido.
Fora parado por causa disso.
Talvez fosse até perseguido.

Mas também pensou assim:
Não tinha razão o policial.
Tentara intimida-lo com o fim
de resolver caso passional.

Geraldo ao volante do caminhão,
puxando de diesel, trinta mil litros.
pelo retrovisor viu aproximação
carro policial dois faróis sinistros.

Um daqueles homens de farda
era o ex-namorado enlouquecido.
Tinha o rosto coberto de sardas.
Policial, mas com jeito de bandido.

Geraldo gritou pela janela
que nada atrapalharia sua viagem.
O policial não tinha mais nada com ela.
Demonstrou ousadia e coragem.

Dentro do carro ocorria discussão.
Policiais não entraram em consenso.
Um deles tinha revólver na mão.
Perdera totalmente o bom senso.

Se atirasse na carreta carregada
verdadeira bomba ambulante.
Seria uma tragédia consumada.
Causaria explosão retumbante.

O policial estava descontrolado
e Malvina pediu para ele parar.
Geraldo segurou seu trucado.
A beira da pista teve de encostar.

O policial de arma em punho
apontava para ela ensandecido.
Geraldo, frio como o mês de junho,
pôs-se a frente dela destemido.

O outro policial que era parceiro
tentando demovê-lo da loucura.
Aproximou-se para impedir entrevero.
Tentava livrá-lo daquela agrura.

Em um momento de distração
Geraldo em rápido movimento.
Do policial tirou a arma da mão.
Disparo causou-lhe ferimento.

Tiro pegou de raspão.
Geraldo teve sorte.
Em meio aquela confusão
mostrou ter caráter forte.

O parceiro do policial então
tomou decisão corajosa.
Deu ao amigo voz de prisão.
Foi uma postura espantosa.

O policial que o acompanhava
disse que ele passou dos limites.
Na sua autoridade exagerava.
Inventou até falsas blitz.

O policial disse ao carreteiro
que ele poderia prestar queixa.
Geraldo mostra ser ordeiro.
Disse ao policial: “Com isso não mexa”.

Só queria seguir seu caminho
sem ser por eles incomodado.
Mas não iria partir sozinho,
pois Malvina iria a seu lado.

O policial deu-lhe garantia
que o outro não o seguiria mais.
Geraldo disse que acreditaria.
Só queria trabalhar em paz.

Misturando-se com a noite escura
Um Mercedes Benz negro trucado
encarando viagem bem dura.
Geraldo estava cansado.

A viagem durante aquele dia
foi várias vezes interrompida.
À noite, tempo perdido recuperaria.
Para o carreteiro era única saída.

Após tantos acontecimentos
Geraldo tinha no braço um curativo.
Enfrentara do policial muitos tormentos.
Agradeceu a DEUS por ainda estar vivo.

Malvina dormia sono tranquilo
embalada pelas ondulações da pista.
Desgastada depois de tudo aquilo.
Fora salva pela coragem do motorista.

Geraldo viu o sol nascendo
anunciar chegada de um novo dia.
O sono, forte nele ia batendo.
Mais um pouco e ele chegaria.

Parou em uma lanchonete
Malvina dormia, um deleite.
Acordou-a suavemente.
Tomar um café com leite.

Abasteceu o bruto no posto
digno representante do transporte.
Foi ao banheiro, lavou o rosto.
Pediu um café bem forte.

Chegou á transportadora
deixou a carreta para descarregar.
Geraldo, homem de alma protetora
disse que até o destino a iria levar.

Com o cavalo desatrelado
vinte quilômetros á frente,
Geraldo, homem honrado
Conduziu-a calmamente.

Chegou á pequena cidade
e Malvina não sabia como agradecer
toda a ajuda diante da dificuldade.
Ela não sabia o que dizer.

Antes de ir embora
ele abraçou-a com afeição.
Ela o surpreendeu àquela hora.
Beijo ardente com gosto de paixão.

Enquanto Malvina acenava
ele olhava pelo retrovisor.
O Mercedes Benz se afastava
Deixando potente ronco do motor.

A bordo do cavalo mecânico
Geraldo um verdadeiro herói.
Carreteiro corajoso e dinâmico
que o progresso do País constrói.

Levava um número de celular
da jovem médica Malvina.
Para ela não deixaria de ligar.
Encantara-se por aquela menina.

Roberto Dias Alvares




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