Scania confirma produção de novo modelo no Brasil até 2020




Ao completar 60 anos de operações no Brasil, sendo 55 deles em São Bernardo, a montadora sueca celebra os resultados e planeja vida longa à planta da região – tanto que está investindo nela R$ 2,6 bilhões pelos próximos quatro anos. Parte desses recursos será alocada para a confecção de novo modelo de caminhão.

Conforme revelou o diretor de assuntos governamentais e institucionais da companhia, Rogério Rezende, com exclusividade, sem abrir o nome do modelo, o veículo em questão já está em circulação na Europa desde agosto de 2016. “Não sabemos exatamente o momento em que isso vai acontecer, a única certeza é que ele (novo veículo) irá substituir um que estamos fabricando atualmente”, comentou, ao garantir que a novidade virá ao Grande ABC até 2020.

Embora a Scania esteja celebrando 60 anos de atuação no País, a instalação da primeira unidade da fabricante na região só veio a ocorrer cinco anos depois, em 1962, na Vila Euro, em São Bernardo. A unidade é a primeira da marca fora da Suécia e a única, além da planta de Södertälje, no país-sede, a conceber o processo completo de construção e montagem de caminhões e ônibus – leia mais abaixo.

Hoje, 70% do volume produzido pela fábrica do Grande ABC é destinado ao mercado externo. Na avaliação de Rezende, o percentual pode aumentar caso os cenários político e econômico brasileiros se tornem mais grave. E, se houver maior demanda por parte de outros países, o executivo não descarta a geração de mais emprego no futuro. “Tudo depende desses desdobramentos, mas acredito que essa crise vai acabar uma hora. Vai demorar mais um pouco, mas acredito em melhora para o nosso setor.”

O panorama político, já complicado, foi ainda mais abalado a partir do depoimento de um dos proprietários do frigorífico JBS, Joesley Batista, vazado à imprensa no dia 17 de maio, no qual o presidente Michel Temer (PMDB) foi denunciado por dar aval à compra do silêncio do ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), atualmente preso em Curitiba, no Paraná.

Para Rezende, esse pode ter sido um dos fatores de atraso na retomada do crescimento da economia como um todo no segundo semestre. “(A recuperação) Ficou para o ano que vem”, assinalou o executivo. Em 2015, cerca de 58% do volume produzido pela planta de São Bernardo era voltado ao Exterior. Já em 2016, o percentual subiu para 67%.

A planta são-bernardense é a maior plataforma de exportação da marca, fato que contribui para que a fabricante siga na contramão do setor automotivo. Atualmente, a maioria dos veículos confeccionados no Grande ABC é embarcada para 30 países da América Latina, do Oriente Médio, da África e da Ásia. De acordo com a companhia, os principais clientes são Argentina, África do Sul, Chile, Peru e México.

Outro ponto que faz com que a montadora sueca fique à margem da crise é sua característica de trabalhar só por encomenda, e não ter estoque. Adicionalmente, dado que evidencia a fase diferenciada da fabricante é a contratação de 500 colaboradores, anunciada em maio, com o objetivo de atender demanda do Exterior, o que significou ampliação em 15,6% do efetivo da fábrica na região, composto, agora, por 3.700 trabalhadores. “A Scania não é uma empresa aventureira, viemos para ficar (no País)”, garantiu Rezende.

Fábrica completa 55 anos em São Bernardo

Em 1957, antes de chegar à região, a Scania abriu escritórios no bairro do Ipiranga, em São Paulo. À época, o setor automobilístico brasileiro começava a ser idealizado pelo então presidente Juscelino Kubitschek, que havia determinado um grupo de trabalho que, em 30 dias, deveria viabilizar plano para que o Brasil tivesse a sua própria indústria do ramo. Dos primeiros projetos apresentados ao grupo, 17 tiveram aprovação e 12 foram concretizados, dentre eles, o da Scania-Vabis do Brasil. JK, como era conhecido o presidente, tinha o ambicioso plano de construir o Brasil sob o slogan de “50 anos em 5”.

No período em que decidiu vir para o País, a montadora sueca alcançava o índice de 43,7% de exportação – característica sempre presente. A fabricante se estabeleceu na Av. José Odorizzi, Vila Euro, em 1962, num momento em que mal havia estradas e ruas devidamente pavimentadas. E, no ano seguinte, começou a produzir veículos. Entre 1963 e 2016, de acordo com dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a unidade de São Bernardo fabricou 405.928 caminhões e ônibus.

Brasil no comando

No ano em que completa seis décadas de operações no Brasil, a Scania anuncia a chegada de Christopher Podgorski ao cargo de presidente da segunda maior operação industrial da empresa sueca no mundo. Trata-se do primeiro brasileiro no comando da Scania Latin America. “Estou muito feliz por estar de volta, e honrado pela responsabilidade que me foi confiada”, disse Podgorski, que atua na montadora há 20 anos e passou os últimos cinco na Suécia. Em sua trajetória na companhia ele já ocupou, entre outros, os cargos de diretor-geral da Scania no Brasil e vice-presidente sênior global para vendas e marketing de caminhões.

Também para comemorar os 60 anos, no início do mês a marca expôs na planta da região dez de seus modelos mais expressivos ao longo de sua história.

Fonte: Diário do Grande ABC

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