Indústria de equipamentos pesados de SC sofre sem escolta da PRF




A suspensão do serviço de escolta de grandes cargas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), desde julho, tem gerado prejuízos para empresas de Santa Catarina. Em alguns casos, indústrias precisam fazer cortes em peças gigantescas para poder transportá-las. Nesta quinta-feira (17), a PRF anunciou que deve retomar o ritmo normal de monitoramento das estradas federais em todo o país até a próxima segunda (21).

Enquanto a situação não é normalizada, equipamentos milionários estão parados nas fábricas de Santa Catarina, atrasando obras em outras partes do Brasil, como mostrou o NSC Notícias desta quinta.

São turbinas hidráulicas, transformadores, geradores eólicos e caldeiras. Algumas peças chegam a ultrapassar a largura da pista, e nesses casos a lei obriga que haja escolta da PRF. Sem essa possibilidade, as empresas tentam buscar alternativas para não aumentar o prejuízo.

Com os prazos de entrega no limite, uma indústria de Rio do Sul, no Vale do Itajaí, tomou uma medida extrema: decidiu cortar as peças que já estavam prontas pra conseguir fazer o transporte. Menores, as peças não precisam do acompanhamento da polícia.

“Tem toda a mão de obra de ter que cortar essa peça ao meio e fazer dois transportes. E chegar em campo e ter que montar isso de novo. E para montar essa peça de novo, tem que ter mão de obra especializada. E essa mão de obra tive que mandar a campo pra fazer esta montagem de novo. Então, quem é que vai pagar esta despesa? O custo é muito alto “, disse o gerente industrial Adenor Manarin.

Em uma indústria de Joaçaba, no Oeste, três turbinas já deveriam ter sido entregues para o cliente, no interior de Goiás, mas seguem há um mês paradas.

“Nos deparamos com uma limitação de logística. Não conseguimos trafegar com estes equipamentos nas estradas devido à escolta não estar disponível”, disse Clécio Zucco, diretor de logística de uma empresa.

O serviço suspenso da PRF não é gratuito: as empresas pagam pela escolta. Pela escolta até Goiás, o governo receberia cerca de R$ 30 mil. Adriano Fiamoncini, responsável pela comunicação da PRF, explicou que o dinheiro pago pelo empresário não fica com a polícia: “essa taxa vai direto para a conta única do Tesouro Nacional. Ela não fica com a PRF. Pelo contrário, as despesas saem todas da PRF, combustível e diárias”.

O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) não autorizou a contratação de uma escolta privada. Por isso, a empresa entrou com um mandado de segurança para a Justiça obrigar o Dnit a liberar o serviço.

Em outra unidade, 41 geradores eólicos, que já deveriam estar em navios, rumo ao Nordeste, seguiam em Santa Catarina pela mesma razão. Sem o auxílio da PRF, a empresa não tem autorização pra transportar estes equipamentos até o porto. Com isso, corre o risco de perder a venda e ter de pagar multa ao cliente.

“Há uma pressão grande desses clientes para que a gente entregue estes equipamentos. Mas, sem a Polícia Rodoviária Federal, não estamos vendo a possibilidade de tirar os equipamentos da fábrica”, afirma Clécio.

“Toda a cadeia perde”, acredita o gerente de logística Alexandre Bartsch. “Investimos bastante o nosso capital nessas peças, que valem milhões de reais. O cliente com toda uma obra em andamento, onde há colaboradores, funcionários e todo um investimento sendo feito. Às vezes, a energia já está até vendida e como ele não consegue gerar energia, a gente não conseque faturar, toda a cadeia de logística sai perdendo”.

Um mês de crise

A redução no policiamento foi anunciada em 4 de julho. Além dos veículos terrestres, os resgates aéreos da PRF também foram comprometidos. Na época, apenas o Espírito Santo anunciou que manteria o mesmo ritmo de operações.

Veja as atividades que foram afetadas, durante esse tempo:

  • Suspensão dos serviços de escolta de cargas superdimensionadas e escoltas em rodovias federais;
  • Suspensão imediata das atividades aéreas (policiamento e resgate);
  • Redução imediata dos deslocamentos terrestres de viaturas em patrulhamento;
  • Desativação de unidades operacionais;
  • Alteração do horário de funcionamento das unidades administrativas, com priorização de atendimento ao público entre 9h e 13h.

Fonte: G1

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