Sono causou 315 batidas em BR




Segundo Autopista Fernão Dias, acidentes por cansaço ocorrem principalmente durante a noite.

Na madrugada do dia 20 de janeiro deste ano, o advogado Maurílio Andrade, 58, cochilou ao volante quando voltava do casamento da irmã e bateu na traseira de uma carreta na BR–381, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele teve ferimentos na cabeça. “Aprendi a lição. Desde então, eu não volto de viagens no mesmo dia. Sempre durmo antes de dirigir para evitar esse tipo de batida novamente”, disse.

Andrade virou estatística. O que aconteceu com ele faz parte dos 315 acidentes causados pelo sono, de janeiro a agosto deste ano, na BR–381, segundo dados da Autopista Fernão Dias. De acordo com a concessionária, cerca de 180 das batidas causadas por sonolência são colisões traseiras, o que corresponde a 19,5% dos acidentes.

O vendedor Leandro Sena, 34, também faz parte desses números. Enquanto voltava de uma festa com a família em São Paulo, ele acabou dormindo e bateu no canteiro central. “Como era de madrugada e todos no carro estavam dormindo, eu peguei no sono. Acordei com o barulho do carro no canteiro. Por sorte, não foi algo pior”, disse.

Segundo o diretor da Arteris Fernão Dias, Helvécio Tamm, o levantamento do número de acidentes envolvendo sonolência dos motoristas foi feito a partir de boletins de ocorrência, análises da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e depoimentos dos condutores. “Percebemos a frequência de acidentes noturnos, em que o motorista, em pista reta, simplesmente sai da estrada. Fizemos levantamentos e conversamos com condutores que assumiram ter dormindo”, disse.

Campanha. Para tentar diminuir os números, Tamm explica que a Autopista Fernão Dias está realizando uma campanha, batizada de Acorda, Motorista, para alertar os condutores sobre os riscos de dirigir cansados ou com sono. O trabalho está sendo realizado nas praças de pedágio da rodovia.

“O objetivo da campanha é conscientizar os motoristas sobre o risco de transitar pela rodovia em jornadas longas, respeitando assim os limites de velocidade e as pausas e intervalos para descanso, para reduzir o número dos acidentes desse tipo”, afirmou o diretor.

Equipamento. Em abril deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) testaram, na BR–381, o sonômetro, que mede fadiga e risco de acidentes nos motoristas.

Dado. A Arteris ouviu 5.000 caminhoneiros, entre agosto de 2015 e agosto de 2016. Cerca de 10% dos motoristas que rodam pelas rodovias administradas pela empresa dirigem com sono e 8% dos caminhoneiros usam anfetaminas.

Estudo. Segundo a Arteris, são mais propensos a dirigir sonolentos os motoristas profissionais adultos de 18 a 29 anos (71%), os adultos com crianças em casa (59%) e os trabalhadores de
turnos (36%).

Pista também pode prejudicar

Segundo o professor do Departamento de Engenharia de Transporte da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dimas Alberto Gazolla, existe um mito de que em 90% dos acidentes a culpa é do condutor. “É mais cômodo colocar a responsabilidade toda no condutor em todos os incidentes. Há estudos que comprovaram que, em 50% dos acidentes, a culpa é do motorista. Os outros 50% são por problemas na pista, como falta de sinalização, má iluminação e falta de conservação do pavimento. Os responsáveis pelas vias também precisam de conscientização”, explicou.

Mesmo assim, Gazolla afirmou que a sonolência pode ser um dos fatores que contribuem para acidentes nas BRs. “Muitos motoristas transitam a trabalho pela rodovia em jornadas longas, e muitas vezes o intervalo de descanso não é respeitado”, disse.

Segundo o diretor da Arteris Fernão Dias, Helvécio Tamm, durante ações de conscientização os motoristas são informados sobre os riscos de dirigir por longo tempo sem descanso. “Priorizamos que eles trafeguem mais ou menos em torno de quatro horas e tenham 30 minutos de descanso. Isso é o ideal”, explica.

Fonte: O Tempo

Inscreva-se




Deixe sua opinião sobre o assunto!