A NOITE É TERRITÓRIO DOS BRAVOS – Mercedes Benz LPS 331 Trucado




Vinte três horas, a viagem começa.
Entra na pista, no asfalto agora frio.
A princípio acelera sem muita pressa.
Brilho de outro farol passa rápido, fugidio.

O ronco poderoso e forte
ao silêncio da noite quebra.
Pede a Deus que siga com ele a sorte.
A alegria de estar vivo celebra.

Mercedes Benz trezentos e trinta e um,
cavalo mecânico com muita tradição.
No transporte de cargas não há jejum.
Na estrada, impõe respeito esse caminhão.

Cento e noventa cavalos é sua potência.
Terceiro eixo garante boa capacidade.
Nas subidas, tem de se ter paciência.
Cabine simples atende a necessidade.

Mas nesta noite ninguém dormiria,
afinal a carga não podia esperar.
Tinha de chegar ao amanhecer do dia
Havia muita estrada para rodar.

O velocímetro não passa dos sessenta.
As trocas de marchas se sucedem.
Que ainda tem muito a oferecer aparenta.
Estradeiro dessa estirpe as estradas pedem.

Carros e caminhões seguem com rapidez.
ultrapassam e continuam em frente.
O Mercedes Benz roda mantendo a altivez.
Apesar dos anos, se mostra um valente.

O semirreboque cheio de caixas.
Levando alimentos e insumos.
No verão ou com temperaturas baixas,
Esse carreteiro sabe todos os rumos.

Aquela noite de lua minguante
por potentes faróis era iluminada só.
Gilson, carreteiro e a anos viajante.
Encara asfalto ou terra com muito pó.

É assim o carreteiro Gilson.
Tem a noite como companheira.
Do motor ouvindo potente som.
Subida íngreme engrena primeira.

Gilson já viu coisas demais
nas madrugadas onde o cansaço engana.
Quase nada o perturbava ou tirava a paz.
Não acreditava em histórias de gente insana.

Caminhoneiros falavam em assombrações.
Fantasmas, espíritos e outros vultos.
Ele sabia que muitas dessas aparições,
era invenção de imaginativos adultos.

A estrada estava deserta e escura.
Gilson sem sono, estava alerta.
Viu a sua frente estranha criatura.
Seria uma ilusão de sua mente na certa.

Esfregou os olhos, parou o bruto.
Lá estava aquela criatura de branco.
Baixinho e vinha em sua direção o vulto.
Ao andar coxeando, diria ser manco.

Coxeava em direção à carreta.
Gilson engatou marcha-a-ré.
Quase joga a composição em uma valeta.
Segurando o crucifixo, aflorava sua fé.

Enquanto andava para trás
a criatura vinha em sua direção.
Gilson não sabia o que fazer mais.
Como lidar com uma assombração?

E para piorar a situação,
nem um outro farol aparecia.
Imerso naquela escuridão.
Somente ele e aquela coisa havia.

Parou de andar para trás.
Tomou coragem e desceu da cabina.
Aquela aparição não andava mais.
Aquilo não podia ser obra Divina.

A criatura entrou em um matagal
e Gilson seguiu na perseguição.
Seria fantasma ou um ser real?
O carreteiro levava uma lanterna na mão.

Havia uma mata fechada.
Aquele ser estranho ia em frente.
Gilson seguia aquela criatura desfigurada.
Mistura de sentimentos estava presente.

Havia o medo, mas também curiosidade.
Quem ou o que seria aquele ser?
A lanterna que levava, única claridade.
Chegar ao fim daquilo iria querer.

Chegou a uma imensa clareira
e a criatura parou naquele lugar.
De voltar atrás Gilson não via maneira.
De repente imenso objeto se pôs a brilhar.

Parecia um sol iluminando a floresta.
A criatura andou para o foco brilhante.
Gilson pensou: mas que coisa é esta?
Apareceu então outra criatura, era gigante.

Pelo menos quatro metros de altura.
Aproximou-se daquela outra menor.
Gilson sentia tremer toda sua estrutura.
Já pensava que lhe aconteceria o pior.

Estava bem longe de sua carreta,
e ele pela floresta como pedestre.
Estava diante de seres de outro planeta.
Aquela criatura que via era um extraterrestre.

O pequeno extraterrestre entrou no foco de luz
acompanhado pelo outro gigante.
Gilson, paralisado só conseguiu dizer: “Jesus”.
Elevou-se ao céu o objeto brilhante.

Gilson olhava boquiaberto
desaparecer veloz o disco voador.
Não acreditariam nele, era certo.
De histórias, achariam que era contador.

Com pernas trêmulas voltou à pista.
O velho estradeiro parado, a sua espera.
A coisa mais incrível por ele já vista,
certamente de tudo que presenciou, aquilo era.

Dirigiu até uma parada de caminhoneiros.
Lanchonete funcionava vinte e quatro horas.
Lá encontrou amigos e companheiros.
Alguns acompanhados de suas senhoras.

A xícara de café ainda tremia em sua mão.
Alguém perguntou se estava tudo bem.
Tremendo assim como dirigiria o caminhão?
Sem contar que a noite estava escura também.

Prometeu a si mesmo voto de silêncio.
Afinal, com outros já fora sarcástico.
Mas ele vira aquele ser e o brilho intenso.
Sem contar o pequeno ser fantástico.

Contou a três amigos mais chegados.
Disseram que ele teve uma alucinação.
De repente os quatro olhavam, parados,
o que era dito por apresentador de televisão.

Um objeto voador não identificado
fora visto por passageiros de avião.
O local onde o fenômeno foi observado
era próximo daquela região.

Os homens se entreolharam assustados
Gilson disse que não falara mentira.
Seres de outro mundo sendo avistados.
Disco voador ele também vira.

Após goles de café e conversar,
Gilson voltou a cabine do Mercedes Benz.
Queria estar no destino antes do dia clarear.
Precisava receber pelo trabalho também.

Enquanto rodava por aquela estrada,
viu imensa luz brilhando acima da carreta.
Sentiu ficar com a pele arrepiada.
Era o disco voador vindo de outro planeta.

Quando outro farol vinha em sua direção,
a imensa luz se apagava e desaparecia.
Ia acompanhando devagar seu caminhão.
Gilson não imaginava o que faria.

A imensa nave pairou à frente da carreta
e Gilson parou o Mercedes Benz no ato.
Apertou a buzina, estridente som da corneta.
Sentia-se acuado e indefeso como um rato.

O disco voador se elevou devagar,
e partiu a uma velocidade incrível.
Gilson mal teve tempo de olhar.
Seu brilho já não era mais visível.

Mas daquela viagem jamais esqueceria.
Para ele foi a mais incrível experiência.
Que vida em outros planetas existia.
Não precisava de provas da ciência.

O cavalo Mercedes Benz trucado
levando semirreboque com carga plena
Chegou ao destino conforme combinado.
Aquela viagem, para Gilson valeu a pena.

Gilson tinha expressão serena.
Não estava assustado nem em pânico.
Aquela experiência não foi pequena,
quando dirigiu seu cavalo mecânico.

Viu seres de outro mundo.
Quem sabe mais evoluídos.
Não foi peça de um cérebro fecundo.
Foram momentos apreensivos vividos.

Deste assunto não se omitiria.
De ninguém aceitaria desagravos.
Agora Gilson enfim sabia:
A noite é território dos bravos.

Roberto Dias Alvares




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