Cuidado para não rebaixar demais

Embora sejam mais vistos nas ruas automóveis rebaixados, os caminhões também ganharam versões com esse tipo de modificação. Alterar a altura dos eixos pode comprometer a vida útil de qualquer veículo, mas no caminhão isso vai além, pois pode causar acidentes nas estradas — sem mencionar a possibilidade de danificar toda a carga transportada —, razões de esta ser uma prática não recomendada.

Luso Ventura, sócio da Mobilidade Engenharia e diretor coordenador das Comissões Técnicas da SAE Brasil, alerta: “ao se alterar as propriedades de um caminhão, no caso rebaixando-o, corre-se o risco de quebrar a suspensão, dentre outros problemas estruturais do caminhão”. Normalmente, quando há alguma modificação no veiculo é para aperfeiçoar e melhorar o seu desempenho ou para solucionar problemas aerodinâmicos. Porém, quem faz estas mudanças e pretende continuar com as características originais do caminhão, que é fazer o transporte de carga, precisa ficar atento às consequências. “Parece ser um pecado bem grande”, opina Ventura.

O caminhão passará por uma verdadeira “cirurgia”, para alcançar os parâmetros de rebaixamento. Não são apenas os eixos que são encurtados, mas todo o conjunto de molas, além do cardam, que se altera naturalmente por causa das molas rearranjadas. A parte de escapamento também é atingida. Somando todas as mudanças, temos como resultado um dano estrutural no compartimento de carga do caminhão. “Muito provavelmente será reduzida a capacidade de carga, diminuição dos ângulos de entrada e saída, e a maior dificuldade de manobrabilidade. O caminhão quase se torna um automóvel”.

Apesar de não haver uma estimativa sobre a diminuição da vida útil do caminhão, se o uso contínuo for mantido com o mesmo peso de carga e a mesma velocidade, talvez não chegue do ponto A ao ponto B sem problemas. Se neste caminho houver uma lombada, uma valeta ou qualquer outro tipo de obstáculo típico de estradas, talvez o caminhão não consiga superar a barreira. Na mais suave das hipóteses, pode até mesmo quebrar a suspensão. Na pior, perder o controle da direção.

Como explica Ventura, o caminhão precisa da distância dos eixos e da altura das molas para poder trafegar sem comprometer a carga, o veículo ou o motorista. Com o rebaixamento, uma série de novos cálculos deve ser feito, para garantir que as alterações não afetem o desempenho do caminhão e nem comprometam a segurança no trânsito. O veículo não suportará carregar a mesma quantidade que transporta quando é original de fábrica.

“Não sei até que ponto isso afeta a segurança, mas com certeza o faz. Que carga colocará neste caminhão? A mesma que o veículo transportava quando estava em seu formato original, ou vai diminuir? Se for, diminuirá em quanto? Houve todo este cálculo?”, analisa Ventura.

No geral, tais alterações são muito mais estéticas do que técnicas. E deve-se prestar atenção neste quesito para não se ter dores de cabeça no futuro. Mas se mesmo com todos os alertas, você ainda quer um caminhão rebaixado, use-o como hobby ou vá para as pistas de Trai Racing, onde existe (e é comum) a prática de rebaixar os veículos competidores — nestes, não vão carga. Para o dia a dia, evite alterar radicalmente as propriedades de fábrica do seu caminhão. Isso comprometerá o desempenho, podendo até perder trabalhos por conta disto.

Fonte: Transporte Mundial

Volvo Trucks desenvolve cabina “low entry”

A Volvo Trucks introduziu uma nova variante de cabina na linha Volvo FE, com entrada rebaixada. Denominada Volvo FE LEC (Low Entry Cab) destina-se a aplicações com caminhões de lixo, caminhões de distribuição e outros veículos utilizados em operações que obrigam o motorista a entrar e a sair do caminhão várias vezes por dia. Com função de ajoelhamento lateral, o degrau de entrada fica a apenas a uma altura de 44 centímetros do solo.
O Volvo FE LEC possui piso inteiramente plano e um ângulo de abertura da porta de 90º no lado do passageiro. Em termos de visibilidade, o veículo dispõe de amplos espelhos orientados para a traseira, espelhos de proximidade e uma janela inferior no lado da porta do passageiro, além de espelhos laterais adicionais na parte traseira do veículo.
A nova proposta da Volvo Trucks está disponível com motor diesel de sete litros, com 300 ou 340 cv, acoplado a uma transmissão automática de seis velocidades. A suspensão é pneumática na frente e atrás. O caminhão é comercializado na configuração 4×2 ou 6×2 (esta última com terceiro eixo direcional).

Fonte: Transporte em Revista