Uma adaptação bastante procurada

O 2º eixo dianteiro dirigível propicia além do aumento de carga transportada pelo veículo, uma dirigibilidade mais segura

Uma correta análise de distribuição de cargas e do entre-eixos, permite um carregamento certo, possibilitando um ganho na carga líquida em cerca de 30%, em média. Instalado em um caminhão, o 2º eixo dianteiro dirigível já é amplamente comercializado, principalmente, na Europa e a partir de 2004 começou a despertar maior interesse ao transportador brasileiro.

Desde então, segundo Daniel Holz, gerente Comercial da empresa Posto de Molas Erechim, sua aceitação só tem aumentado em função de ter uma ótima relação custo/benefício.

Paulo Machado, diretor da MM Componentes para Implementos Rodoviarios Ltda, concorda e enfatiza que “gradativamente observa-se uma aceitação crescente dessa adaptação no mercado”.

Segundo Holz, isso tudo porque a principal função é alterar o PBT (Peso Bruto Total) do veículo de 23.000 kg para 29.000 kg, proporcionando um considerável aumento na capacidade de carga do caminhão, em média, 5.000 kg de carga líquida.

Esse tipo de alteração tem se destacado em caminhões que trabalham em mineração, construção civil, transportes de combustíveis, grãos, carga seca e na agroindústria para o transporte de carga viva e resfriada. “Enfim, está sendo bem aceito para o transporte de todos os tipos de carga”, diz Holz.

O 2º eixo dianteiro dirigível propicia além do aumento de capacidade de carga transportada pelo veículo, uma dirigibilidade mais segura e maior estabilidade. Além disso, não danifica a pavimentação de ruas e rodovias, pois mantém uma equilibrada distribuição de carga por eixo e possibilita, também, um melhor aproveitamento do CMT (Capacidade Máxima de Tração do Veículo).

Cuidados Necessários

A manutenção do 2º eixo dianteiro é semelhante ao do 1º dianteiro, mesmo período de lubrificação, alinhamento, reaperto de feixes de molas, regulagem de freios, quando estes não forem automáticos. Sua vida útil varia muito em função da qualidade do material empregado na sua montagem, correta manutenção, condições das estradas e se o veículo trabalha ou não dentro da Lei da Balança, sem excesso de peso.

Para fazer a sua instalação, o caminhoneiro deve observar se existe um ambiente de trabalho organizado, com pessoal realmente competente, responsável, comprometido, com ferramental e instalações adequadas e com um projeto de mecanismo de direção que realmente irá funcionar no veículo. “O intuito é trazer bons resultados ao cliente e não apenas problemas futuros”, diz Holz.

Segundo Paulo Machado, é inadmissível que qualquer oficina faça a instalação do 2º eixo direcional. A colocação do 2º eixo não se trata simplesmente da instalação de equipamento tipo truck (3º eixo) onde até um simples “serralheiro” constrói as peças e instala no veículo. Para cada modelo entre-eixos, bem como a posição de instalação do 2º eixo direcional, há uma regulagem específica dos braços de direção para que as rodas/pneus, ao fazer uma curva, obedeçam aos ângulos da trajetória correta, ou seja, obedeçam a geometria de Ackerman. Este cálculo somente é possível se a empresa que constrói e instala o 2º eixo direcional tenha pessoal técnico altamente capacitado, por exemplo, engenheiros com conhecimentos em sistemas de direção veicular.

Outra empresa tradicional na instalação do 2º eixo direcional é a Germani Equipamentos. Segundo seu, diretor Comercial, Guilherme Novakowski, toda transportadora que faz conta, hoje, está entrando no mercado, seja fazendo teste em um veículo, ou existem casos onde toda a renovação da frota já acontece com o 2º eixo direcional.

“Com o aumento de carga útil transportada, na faixa de 33%, o caminhão passa a apresentar uma melhor proporção de rendimento para o dono, quando comparado com o três eixos. Com o eixo direcional você, também, passa a ter mais estabilidade com o caminhão e melhor distribuição de carga”, diz Novakowski.

A manutenção é simples. No conjunto direcional é preciso avaliar o nível de óleo na caixa de direção, engraxar periodicamente os braços de ligação e conferir os apertos das barras de direção. “Desde que bem conservado, o equipamento terá uma vida tranquila de 10 anos para mais”, diz Novakowski.

Paulo Machado, diretor da MM Componentes para Implementos, salienta que a frequência de manutenção deve obedecer aos mesmos períodos de outros componentes do veículo, no caso direção, suspensão dianteira e eixo dianteiro. Podem ser efetuados na própria rede de concessionárias da marca, na própria oficina ou ainda em oficinas especializadas. “O sistema de direção, pelo fato de ser item de segurança e requerer uma geometria adequada para cada modelo de veículo, e o alinhamento de direção devem ser feitos periodicamente (recomendado entre 10.000 e 15.000 km), com pessoal especializado e treinado.

Quando o assunto é vantagem, Machado aponta a amortização do investimento a curto prazo, portanto maior rentabilidade no frete. Já como desvantagem ele menciona o caso do usuário não fazer as devidas manutenções e alinhamentos. Isso ocasiona, por exemplo, um aumento no consumo de pneus.

Fonte: Revista Caminhoneiro