Melhores a se comprar! [De 50 a 80 mil reais]

Imacon Color Scanner

Recentemente fizemos uma pergunta na pagina do facebook do Blog perguntando qual caminhão você compraria de 50 a 80 mil reais. A ideia é montar uma série de textos com certas faixas de valores e ver qual caminhão o pessoal do trecho gostaria de comprar.

A primeira faixa de valor estipulada foi de 50 a 80 mil reais, que é uma faixa de preço modesta, mas onde se encontra vários caminhões bons, principalmente trucks. E também é um valor que pode facilmente ser levantado para se comprar seu primeiro caminhão.

O post na Fanpage do Blog gerou vários comentários, opiniões entre outros, analisamos todos os comentários, de cada caminhão sugerido, e acima de tudo pesquisamos se realmente há caminhões deste valor no mercado, caminhões de qualidade principalmente. Porque além do entretenimento nos do Blog do Caminhoneiro também temos o papel de ajudar o parceiro da estrada com boas informações. Então vamos listar aqui alguns modelos de caminhões que os leitores sugeriram, ou nos mesmos escolhemos, que realmente estão na faixa de preço de 50 a 80 mil reais, e são dignos de serem adquiridos apontando suas qualidades e possíveis defeitos.

Scania 112hw

scania-t-112-h-4x2-impecavel-empresa-renova-frota-7717-MLB5264499315_102013-F

Uma das melhores escolhas nesta faixa de preço para quem quer um caminhão confiável, econômico, robusto e acima de tudo com  manutenção barata é um 112 hw. Lançado nos anos 80 e fabricado até meados de 1991 o 112 hw é o antecessor do lendário 113 (com quem compartilha algumas peças nos primeiros modelos), é um caminhão excelente, quem teve (eu já tive um) não tem o que reclamar, e é um Scania. O preço desses caminhões variam de 55 para os primeiros até 75, 80 mil para os últimos modelos, se for um Jubileum (serie especial na cor preta) bem conservado, ai o valor histórico fala mais alto, ultrapassando a casa dos 90 mil. Este modelo da foto em questão esta a venda em São Bernardo do campo por 60 mil reais, e ao que parece, esteticamente, é um caminhão muito bem conservado, passou por pequenas reformas mas ainda respeita as origens. Porém no geral é um caminhão antigo, que com certeza já teve o motor retificado, cambio entre outros, então a procedência dessas manutenções são de prima importância. É um caminhão bem antigo, mas para aquele caminhoneiro que tem seu serviço certo, perto, que não exige muito do ano do caminhão e de sua potencia, e um caminhão ótimo para se ganhar o pão de cada dia.

Volvo NL12 340/360

volvo nl

Assim como os que gostam de Scania também tem os que gostam de Volvo, e para estes a melhor escolha será um Volvo NL12. Fabricado entre 90 e 95 foi o Volvo para competir com os Scania 113 e 1935 da época, como podemos notar seus concorrentes da época se encontram num valor mais elevado que ele, mas isto não o deixa para trás. Com a robustez volvo é um caminhão odiado e amado. É um caminhão robusto, aguenta tranco, sobe porém quando começa a ir para oficina, o bolso pesa, assim como todo volvo que se prese. É fácil de se encontrar bons exemplares na faixa de preço entre 55 para os 340 e até 70 mil para os 360, lembrando que não estamos falando do EDC, e sim do teto baixo faixa roxa.

 

   MB 1618

1618

Quem trabalha com caminhões 6×2 e entende diz que o 1618 é o melhor truck a ser adquirido usado. Com manutenção fácil e desempenho que não deixa a desejar perto de nem um truck do seu tempo ou de 10 anos a frente (2004/2005). É o antecessor do clássico 1620, que com certeza estará no próximo texto, o 1618 quando equipado com um bom diferencial e tem boa procedência é a menina dos olhos de muitos verdureiros. Apesar de ser antigo e famoso é um caminhão um tanto raro de se achar a venda, até porque dizem que quem tem um bom não vende. Mas encontramos exemplares de até 80 mil reais na internet, mas se você procura algo especial, a casa dos 95 é ultrapassada com facilidade, custando mais caro que alguns 1620 por ai.

VW 23-210 

caminho-guindaste-munck-volkswagen-23210-com-munck-12000-13104-MLB20073386752_042014-F

Um truck bom de ano e com boa fama é o VW 23-210, com motor MWM era um dos trucks estradeiro mais famoso da época de 2003 a 2005. Com fama de corredor e que não fazia diferença de peso hoje pode fazer a alegria de um autônomo que precisa de um truck confiável e produtivo. Bons exemplares podem custar mais de 90 mil, mas se bem garimpado pode-se achar exemplares confiáveis por 75/80 mil, por serem caminhões “fora de linha” depois da chegada dos constellation, a família “titan” ficou de fora.  Abrindo uma boa oportunidade no mercado de usados.

Ford 2422 MaxTon

ford-cargo-2422-2004-chassi-13009-MLB20069865844_032014-F

Nos anos de 2003 a 2005 a classe dos trucks era dominada por 2 caminhoes, o VW 23-210 (sugestão anterior) e o Cargo 2422. O Ford com motor Cummins e o VW com o MWM deixavam quem queria comprar mais indeciso do que criança escolhendo ovos de pascoa. Hoje em dia é fácil de se encontrar na faixa de 75 a 80 mil reais um Cargo a baixo do ano de 2004 (max ton e não a série E). Que já é um caminhão de confiança e rentável. Se você encontrar um VW e um ford na mesma faixa de preço, se prepare para ficar indeciso!

MB Accelo 915c

accelo-915c-vermelha-2009-carroceria-top-brake-10891-MLB20035702998_012014-F

Não deixando os pequenos de lado, para quem quer escoar uma pequena produção, o MB accelo se encaixa perfeitamente ao trabalho, pequeno e ágil é um caminhão que não perde para seus concorrentes ford e vw, tendo acima de tudo a confiabilidade e historia da marca da estrela de três pontas. Pode ser considerado caro para sua categoria, mas estamos falando de um MB ano de 2007 a 2009, com baixa depreciação e bom comercio. Se precisa de algo ligeiro, essa é uma boa escolha!

International 9800

internacional-9800-6x2-super-caminho-cavalinho-trator-8736-MLB20007770724_112013-F

Mas dai, depois de todas essas escolhas você fala “eu preciso de um caminhão forte, traçado, com ano acima de 2000, e não ligo com falta de peças”. Na faixa de preços de até 80 mil eu lhe indicaria um International 9800. Com todos os seus defeitos de escassez de peças, consumo duvidoso não se esqueça que é um 6×4 com mais de 400 cv com cabine frontal, da pra engatar em um bitrem ou um 9 eixo facilmente dentro da lei. Podem falar “não se acha um desses por menos de 90 mil” mas eu garanto que se você chega com uma proposta de 80 mil a vista para um dono que queira vender, ele te entrega as chaves sem problemas. E dizem por ai que você pode colocar um motor de outro caminhão nele e legalizar facilmente!

Estas foram as escolhas selecionadas de 50 a 80 mil reais. O próximo texto, que sairá em breve, será da faixa de 90 até 140 mil reais. E o circo vai pegar fogo, porque não se esqueçam que ai entram os “últimos dos moicanos” com bombas injetoras (113, EDC, 1935…) e as “armas de fogo” com os primeiros módulos eletrônicos (124 420, 1944, FH12 380). Deixe seu comentário, sua opinião, sua sugestão de tópico!

Abraço, até a próxima!

Mercedes-Benz é atração em exposição de caminhões clássicos na Alemanha

??????????????????A Mercedes-Benz irá proporcionar uma ampla visão do desenvolvimento do setor de distribuição de cargas ao exibir doze exemplares de caminhões históricos e quatro modelos modernos na exposição “Retro Classics” deste ano. O evento será realizado em Stuttgart, na Alemanha, entre os dias 13 e 16 de março.

A estrela da Mercedes-Benz está presente de forma destacada no setor de distribuição nos últimos 118 anos da história dos veículos comerciais. Coincidindo com o início de produção da nova geração do caminhão Atego, os especialistas em veículos comerciais e clássicos da Mercedes-Benz adotaram o slogan “Transporte de distribuição no passado e no presente” para a exposição deste ano.

Os primeiros caminhões – por exemplo, o Daimler 4 HP de 1899 – já eram utilizados para serviços de distribuição em curtos percursos. Entre os modelos em destaque na exposição estão um transportador de carros de corrida da era dos “Flechas de Prata”, baseado no Lo 2750 de 1936, e o primeiro caminhão produzido em Wörth, um LP 608 de 1965.

RenntransporterOs veículos expostos no evento pertencem a colecionadores particulares, à fábrica da Mercedes-Benz de Wörth e ao Mercedes-Benz Classic Center. Para evidenciar o contraste entre o passado e o presente, a unidade de Wörth enviou quatro veículos da atual geração: o mais recente Atego com carroçaria para distribuição de bebidas; o último caminhão pesado SLT baseado no Mercedes-Benz Arocs 4163 8×4, um cavalo mecânico de quatro eixos para trabalho em transporte extremamente pesado, com CMT de até 250 toneladas, que só foi apresentado ao público algumas semanas atrás; um basculante pesado com tração em todas as rodas da série Arocs; e o novo Mercedes-Benz Actros.

Desde 2001, a “Retro Classics” de Stuttgart se estabeleceu como uma das maiores e mais modernas exposições de veículos comerciais clássicos da Europa. No ano passado, 77.000 visitantes compareceram ao evento em Stuttgart.

Veteranos impetuosos e pioneiros da era do diesel

????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Seja admirando os veteranos veículos impetuosos com ignição por tubo incandescente ou os modelos pioneiros da era diesel nos anos 30, é fascinante acompanhar o desenvolvimento dos veículos comerciais desde seu status inicial de “cavalos de carga” até a sofisticação dos dias de hoje do Atego high tech, com sua tecnologia Euro 6, praticamente livre de poluentes.

Por sua vez, o caminhão LP 608 com sua confortável cabina avançada Pullman – o primeiro modelo a sair das linhas de produção da recém concluída fábrica da Mercedes-Benz de Wörth em 1965 – ainda consegue fazer brilhar os olhos dos entusiastas. Estes veículos leves eram muito comuns nas estradas até o início dos anos 80.

Também em exposição no evento, um LP 813 com carroçaria para a distribuição de bebidas e um LK 814, um caminhão leve campeão de vendas no período de 1984 a 1998, ainda podem ser vistos nas estradas em torno de Stuttgart.

Fonte: Mercedes-Benz

MercadoLivre divulga ranking de anúncios e pesquisas de caminhões

MercadoLivreO levantamento sobre marcas e modelos de caminhões, anunciados e procurados, dentro do MercadoLivre Classificados revela alguns dados contrastantes entre oferta e demanda no mercado nos quesitos marca e modelo. Mostra também uma forte procura por caminhões velhos e ultrapassados tecnologicamente.

Ao todo, 161.062 caminhões foram anunciados em 2013 no MercadoLivre, com domínio foi das alemãs Mercedes-Benz e Volkswagen, seguidas por Ford Scania e Volvo, respectivamente. Considerando os cinco modelos mais anunciados, destaque para os caminhões Mercedes-Benz 1113, Volkswagen 8150, MB1620, VW24250 e Iveco Daily Chassi Cabine, nesta ordem.

Considerando os modelos de caminhões mais pesquisados em no ano passado, a Ford está na liderança com a F-4000, que registrou 21,39% das buscas; seguida de perto pelo Scania 113, com 18,84%; pelos modelos Mercedes-Benz 1620 e 1112, com 13,90% e 10,02%, respectivamente; o Scania 112, com 8,66%; Volvo FH12 380, com 7,53%; Scania 124, com 6,13%; MB 608 e 1313, com 5,50% e 5,09%; e, por fim, o Volkswagen com 2,94% das buscas fecha o Top 10 de caminhões mais procurados.

Fonte: Portal Transpo Online

A necessária renovação da frota

Encontro de caminhões FNM - Ponta Grossa-PR (50)Dos caminhões que circulam pelas ruas e estradas do País, nada menos do que 212 mil têm mais de 30 anos de uso. E mais de 400 mil caminhões com capacidade para transportar de 8 a 29 toneladas têm, em média, idade superior a 20 anos. Embora representem apenas 7% da frota total de veículos, os caminhões antigos estão envolvidos em 25% dos acidentes graves ocorridos no País. Além de menos seguros do que os modelos mais novos, os veículos com longo período de utilização quebram com mais frequência, prejudicando o tráfego, poluem mais e consomem mais combustível.

Tudo isso justifica a instituição de políticas públicas que estimulem a renovação da frota de caminhões, de modo a reduzir gradualmente sua idade média até níveis comparáveis com os de países mais desenvolvidos e aumentar a eficiência e a segurança do sistema de transporte rodoviário de carga. Uma sugestão nesse sentido, que resultou de uma inédita ação conjunta de dez entidades vinculadas à questão, foi apresentada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior há algumas semanas.

Essas entidades sabem que não há condições para a renovação rápida da frota. O objetivo da proposta por elas entregue ao governo, que ainda não se manifestou sobre ela, é trocar anualmente 30 mil unidades com mais de 30 anos de uso por veículos novos. Ao longo de uma década, cairia bastante a idade média da frota nacional de caminhões, atualmente estimada em 18 anos pela Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística.

Dados sobre o tamanho e a idade média da frota de caminhões constantemente atualizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e disponíveis na sua página eletrônica, mostram claramente que, no caso dos caminhões leves e simples (com capacidade de 3,5 a 27 toneladas), as unidades mais antigas são as operadas por transportadores autônomos. No caso dos caminhões leves (até 7,99 toneladas), a idade média da frota dos autônomos é de 19,3 anos; no dos caminhões simples (de 8 a 19 toneladas), de 22,8 anos. Os autônomos operam 572 mil caminhões leves e simples.

Eles são forçados a manter os caminhões em operação por mais tempo porque enfrentam dificuldades históricas para financiar a renovação de seu instrumento de trabalho. A linha de financiamento oferecida por cerca de três semanas (até 13 de dezembro) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para a compra de veículos rodoviários com juros de 4% ao ano e recursos do Programa de Sustentação de Investimentos foi destinada a micro, pequenas e médias empresas. Das pessoas físicas interessadas no financiamento foi exigida a comprovação da condição de produtores rurais e do uso dos recursos na agropecuária. Ou seja, essa linha não atendeu os transportadores autônomos.

Programas já lançados por governos estaduais atendem tanto autônomos como empresas transportadoras e cooperativas de transportes. O de São Paulo, anunciado em abril, está sendo operado em caráter inicial no Porto de Santos, por onde circulam diariamente cerca de 6 mil caminhões, dos quais quase metade tem mais de 30 anos ou perto de atingir essa idade. O interessado entrega o caminhão antigo para reciclagem em postos autorizados pela Cetesb e obtém financiamento de até 100% do valor do veículo novo, para pagar em até 96 meses, com 6 meses de carência, sem juro se pagar as prestações em dia ou juro de 0,33% ao mês se atrasar.

Em outubro último, o governo do Estado do Rio anunciou um programa pelo qual o proprietário, frotista ou transportadora entregam o veículo antigo, com mais de 20 anos de uso, para uma empresa recicladora e obtêm um crédito que será utilizado na compra de um caminhão produzido no Estado, com isenção do ICMS, hoje de 12%. Projeto semelhante ao do Rio foi aprovado em outubro pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Para que o estímulo à renovação da frota de caminhões se estenda a todo o País é preciso que haja um programa federal.

Fonte: Estadão

Governo recebe proposta para renovação da frota de veículos

Caminhões AntigosO governo federal recebeu, ontem, proposta unificada para renovação da frota veicular de dez entidades que representam elos da cadeia automotiva. Foi a primeira vez que se chegou a consenso em relação a plano desse tipo, depois de décadas em que são apresentados diversos projetos, com formatos diferentes.

O documento, entregue a representantes da Casa Civil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tem como foco a retirada de circulação de caminhões com mais de 30 anos. Isso por meio de política de incentivo tributário e de financiamento para que os transportadores autônomos (que são os que têm mais dificuldade de acesso a crédito) possam adquirir outro veículo, pelo menos, seminovo, com dez anos de uso. Ao mesmo tempo, haveria a destinação dos caminhões mais velhos para a reciclagem da sucata.

A avaliação contida na proposta é de que, entre um antigo e um moderno, dotado de avançadas tecnologias de controle de poluentes, há uma redução de 87% nas emissões de carbono, 81% de hidrocarbonetos, 86% de óxido nitroso e 95% de materiais particulados.

Além do menor impacto ambiental, outro pilar que norteia o programa é a segurança, já que os caminhões com mais de 30 anos representam 7% da frota e estão envolvidos em 25% dos acidentes graves. Só em 2012, quebras ou acidentes nas estradas geraram custos de R$ 4,9 bilhões ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e ao SUS (Sistema Único de Saúde).

A retirada desses veículos de circulação, por sua vez, traria ainda economia de cerca de R$ 5 bilhões em dez anos, já que os novos – dentro dos padrões de emissões Proconve 7 – consomem aproximadamente 10% menos diesel.

Os representantes dos segmentos que participaram do encontro com o governo em Brasília ficaram animados com as perspectivas de que programa desse tipo saia finalmente do papel. “O governo concordou que está na hora (de colocar um plano de reciclagem em operação)”, afirmou o presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Flavio Meneghetti. Ele destacou que esse seria o primeiro passo; numa segunda fase, incluiria também os ônibus; e, depois, os automóveis.

As expectativas são promissoras, apontam os dirigentes, e, na avaliação do presidente do Inesfa (Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço), Marcos Fonseca, o segmento já está preparado para fazer a reciclagem dos caminhões. A ideia é fazer a retirada desses veículos com mais de 30 anos de forma gradativa, com a substituição de aproximadamente 30 mil unidades por ano, ao longo de dez anos. As entidades voltam a se reunir com o governo para avançar nas discussões sobre o tema no dia 10 de dezembro.

Fonte: Diário do Grande ABC

Veículo velho afeta transporte rodoviário

caminhoes-antigos-porto-de-santosEmbora o Brasil conviva com a predominância do modal rodoviário na matriz de transporte, que passa dos 60% do total da movimentação de carga, os equipamentos utilizados para dar suporte a ele são inadequados, tendo como principal problema a idade avançada. Os caminhões brasileiros têm, na média, 16 anos de uso, o dobro do que é considerado ideal por especialistas. A média aumenta para entre 21 e 22 anos em mais de 60% da frota de veículos comerciais, operados por profissionais autônomos. No detalhamento dos cálculos para chegar à média, observa-se que o Brasil convive, atualmente, com 185 mil caminhões com mais de 30 anos. “Caminhão velho gasta mais combustível, gera mais custo com peças e manutenção, fatura menos e, portanto, tem menor produtividade”, diz Lauro Valdívia Neto, diretor da RLV, consultoria especializada em transporte rodoviário.

O estudo “Caminhoneiros no Brasil”, feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), como parte do Programa Despoluir, calcula que um caminhão com mais de 17 anos roda 24% a menos em relação aos mais novos. Da mesma forma, o faturamento dos antigos é 30% menor em relação a um veículo com um ano de uso. “Na operação urbana, os problemas gerados pela idade da frota são as quebras nas ruas, gerando congestionamentos, e as emissões veiculares”, diz Valdívia Neto.

Ele lembra os transtornos que um caminhão quebrado acarreta em vias de fluxo intenso de veículos, como as marginais da cidade de São Paulo. “Os impactos para a produtividade da atividade são enormes, com atrasos de entrega, reorganização de cronogramas, perda de receita”, diz. Além disso, há o custo social, resultado do trânsito e da poluição, e, ainda, do aumento do número de acidentes, uma vez que não raras vezes os problemas mecânicos dos caminhões velhos têm relação direta com as ocorrências.

“A retirada dos caminhões obsoletos e em más condições de uso e circulação é necessária para reduzir a poluição e também os acidentes de trânsito, que trazem custos humanos e financeiros, para as pessoas e para o país, refletidos nos sistemas previdenciários e de saúde”, diz Bruno Batista, diretor-executivo da CNT. Para ele, a idade avançada da frota rodoviária é um problema social e como tal deve ser tratada. Ele cita casos de países como Espanha, Argentina e México que há anos implementaram programas de retirada de veículos antigos das ruas. Na Espanha, a união entre fabricantes de veículos, poder público e também operadores viabilizou, a partir do ano 2000, um programa para reciclagem dos veículos velhos. Um certificado de despoluição, emitido por órgãos recicladores, foi o pré-requisito para aquisição de um novo veículo em condições vantajosas. Além de atingir a meta de reciclagem, a economia espanhola viu nascer um negócio altamente lucrativo com o mercado de tratamento de veículos.

A experiência argentina mostrou que o primeiro passo para a criação de uma política de reciclagem é acabar com a informalidade ao elaborar leis e intensificar o controle do Estado nas diversas fases do processo de renovação de frota e sucateamento. A motivação principal da Argentina foi reduzir o roubo de carros. A partir de legislação específica, criada em 2003, o governo conseguiu não apenas a redução de 17% do volume de carros roubados, mas também descobriu, como na Espanha, que a reciclagem dá lucro.

Segundo o diretor-executivo da CNT, é necessário que haja celeridade no processo de implementação de medidas de reciclagem e renovação da frota. “É imprescindível o apoio do poder público, para levar todos os agentes envolvidos a decisões convergentes”, diz. Ele afirma que os trabalhos da CNT para implementação de planos de reciclagem e renovação da frota vêm sendo desenvolvidos desde 2009. “Temos contribuído com estudos, negociação com os atores envolvidos, mas falta a adesão dos órgãos institucionais”, finaliza.

Desafios para renovar frota de caminhões

A necessidade de renovação da frota de caminhões no Brasil é indiscutível. Os veículos saídos da fábrica trazem tecnologias de emissões limpas, que vêm sendo incorporadas pelas fabricantes desde o início da década de 90, a partir de exigências do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Feito nos moldes do programa europeu de controle de emissões veiculares, o Proconve para veículos pesados está na fase 7 desde o início de 2012, o que significa que eles emitem 87% menos de monóxido de carbono (CO), o vilão do efeito estufa, além de reduções entre 81% e 95% de outros gases nocivos à saúde.

“Calcula-se que um caminhão de dez anos equivale à poluição de, no mínimo, 20 caminhões”, diz Bruno Batista, diretor executivo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

“O programa federal Pro-Caminhoneiro apresenta problemas que distorcem seu objetivo”, diz Batista. Os autônomos não conseguem atender aos requisitos para a liberação do crédito e, por isso, a maior parte dos recursos vai para as empresas de transporte. Aliado a isso, está a concorrência dos produtos financeiros similares oferecidos pelos bancos privados, que têm custo maior, mas oferecem facilidades para acesso.

Há mais dois programas para renovação da frota, dos governos paulista e fluminense, que também não atendem às necessidades. Ambos têm muitas restrições para o acesso, diz Neuto Gonçalves dos Reis, consultor técnico da NTC&Logística.

Fonte: Valor Econômico

João de Barro dá lugar ao Abençoado de Deus no Porto de Santos

joao de barroDe João de Barro a Abençoado de Deus. A um dia da comemoração do Dia do Carreteiro, o Porto de Santos começa a ter novos protagonistas. Após mais de 30 anos contando histórias, os antigos caminhões do complexo santista estão dando entrada nas suas aposentadorias. Aqueles que viram a Avenida Perimetral nascer darão lugar aos que esperam carregar seus contêineres por uma nova entrada da Cidade.

E entre os que deixam as vias de acesso ao cais santista para entrar na fila do INSS, João de Barro é um dos primeiros. Hoje parado no canto de um estacionamento na Avenida Mário Covas (antiga portuária) – próximo ao canal 6 – o caminhão mais antigo do Porto de Santos aguarda o seu destino. Durante mais de 50 anos ele acompanhou Adalberto Rodrigues de Carvalho, conhecido como Seo Queiroga. Ele viu a concorrência crescer, acompanhou as melhorias nas condições de trabalho e ajudou a criar quatro filhos e a comprar uma casa.

Agora, ele dá lugar a outro veículo que há um mês já começou a carregar contêineres de 20 e 40 pés nas costas. Cinquenta e três anos mais novo, seu substituto atende por Abençoado de Deus e promete protagonizar outras aventuras ao lado do Seo Queiroga. A aquisição do novo caminhão por Adalberto foi possível graças ao programa Renova SP do Governo estadual. Ele incentiva a renovação da frota com mais de 30 anos. Serão disponibilizados R$ 45 milhões para o financiamento das novas carretas, com taxas especiais. Os caminhoneiros podem financiar em até 96 vezes.

Esperei dois anos, nem comprei automóvel para não acumular dívida. Sosseguei e graças a Deus saiu”, afirmou Seo Queiroga. Um dos primeiros a ser contemplado pelo programa, ele não conseguia esconder a satisfação diante da aquisição. Mas, apesar da alegria, o caminhoneiro admite que João de Barro vai deixar saudade. “Criei minha família com ele, a minha casa, mas esse cobre a saudade do outro, me dá menos dor de cabeça”.

Aliás, parece que não é apenas no emprego que o novo caminhão promete ajudar Seo Queiroga. Segundo ele, o ritmo cardíaco melhorou muito desde que João saiu de cena. “Até meu coração está trabalhando com menos batimentos. Antes, quando via o guarda ele já acelerava, agora estou mais sossegado”.

abençoado de deusJá no transporte de caixas metálicas são inúmeras as vantagens, garante Seo Queiroga. Enquanto João trafegava a cerca de 50km/h, o Abençoado pode chegar a 90km/h. Com isso, o número de trabalhos triplicou.

Estou ganhando três vezes mais, tenho muito mais agilidade, vou para o Guarujá (Margem Esquerda do Porto) rapidinho, foi mais vantajoso e atende questões ambientais. O meu estava muito velho, chegava a gastar de R$ 50 a R$ 1 mil por mês de manutenção”, afirmou o motorista, que deverá entregar o antigo caminhão nos próximo dias.

Conforme determinado pelo Renova SP, o veículo antigo deverá ser retirado de circulação e suas peças totalmente inutilizadas e recicladas por empresas especializadas e credenciadas pela Cetesb e participantes do programa. “Tenho que fazer os trâmites”.

A expectativa de Seo Queiroga é de se aposentar ao lado do novo caminhão, que também parece já ter seu destino traçado. A ideia é que ele passe para a outra geração da família. “Vai ficar para os meus filhos. Tenho um que acho que vai pegar sim, ele vai encarar, é o terceiro dos quatro filhos que eu tenho”.

Em meio a essa nova fase, há apenas um cenário, apontou Seo Queiroga, que caminhão nenhum pode mudar: a fila de carretas para entrar em terminais e o trânsito na entrada da Cidade. “Tem vezes que passamos três ou seis horas em algo que poderia ser feito em meia hora, seja com o velho ou com o novo”.

Governo do RJ quer renovar frota de caminhões

MAN TGX cavaloO Governo do Estado do Rio de Janeiro vai conceder isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), hoje de 12%, na compra de caminhões para renovar a frota de veículos. O incentivo fiscal será concedido quando for comprovada a destruição em sucata de um caminhão com idade superior a 20 anos. O objetivo é reduzir a idade média da frota de veículos de 17 anos para 12 anos.

Aprovado pela Alerj (Assembleia Legislativa Rio de Janeiro), o projeto de lei do Programa de Incentivo à Modernização, Renovação e Sustentabilidade da Frota de Caminhões do Estado do Rio segue agora para sanção do governador Sérgio Cabral. A ação, desenvolvida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, faz parte do programa Rio Capital da Energia.

- Queremos que o Estado do Rio se torne um exemplo para o Brasil de sustentabilidade na frota de caminhões que circulam por suas estradas – disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno.

Veículo antigo será comprado

Para participar do programa, o proprietário ou frotista deve entregar o veículo antigo para uma empresa de reciclagem certificada pelo Estado. As siderúrgicas Votorantim e Gerdau já se habilitaram a sucatear os modelos. Além disso, o veículo deve estar regularizado de acordo com as normas vigentes do Detran.

O veículo antigo será comprado por um valor superior ao do mercado. O proprietário poderá, então, optar por receber o valor em dinheiro ou um certificado que o habilita a participar do programa.

Além disso, o governo vai conceder um segundo benefício ao comprador: um crédito dividido em 48 parcelas, equivalente a 12% do valor do caminhão novo, para ser abatido do ICMS a ser pago pelo contribuinte sobre as atividades do caminhão.

Entre os principais benefícios que o estado terá com a adoção do programa está a redução das emissões de gases nocivos à saúde, já que os caminhões zero-quilômetro emitem 20 vezes menos partículas do que os antigos.

Fonte: Diário do Vale