Na Europa a alta dos combustíveis e falta de motoristas preocupam transportadores

Caminhao Volvo - EuropaO custo dos combustíveis, a escassez de motoristas e as incertezas sobre as regulamentações europeias para o setor são os principais desafios do transporte rodoviário de mercadorias, de acordo com pesquisa promovida pela Goodyear.

A pesquisa abrangeu cerca de 600 empresários e gestores de frotas, de diferentes dimensões, na Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália, Luxemburgo, Polônia, Reino Unido e Turquia.

O elevado custo do combustível, pelo seu peso na estrutura de custos das empresas transportadoras, é a principal preocupação, seguida da dificuldade em contratar e reter motoristas (uma situação que tenderá a agravar-se à medida que a atividade se desenvolve e os motoristas atuais envelhecem). O enquadramento legal e regulamentar da atividade é outro motivo de dores de cabeça, principalmente para as empresas de menor dimensão.

Quanto às expectativas dos transportadores rodoviários de cargas face à atuação da União Europeia, a maioria dos entrevistados espera/reclama maiores investimentos na manutenção da rede rodoviária, a par de uma harmonização da regulamentação aplicável.

A maioria dos transportadores gostaria de dispor de incentivos à aquisição de veículos e pneus mais eficientes em termos de consumo. E 51% apoia a utilização de caminhões de maiores dimensões nas estradas europeias.

Por questões ambientais e também pelas poupanças que daí decorrem, os transportadores ouvidos na pesquisa disseram investir já em veículos mais eficientes e na formação dos seus motoristas, para reduzirem o consumo e as emissões poluentes.

Os resultados completos desta pesquisa serão publicados no Livro Branco sobre o setor, cuja apresentação a Goodyear anuncia para 14 de Outubro, em Bruxelas.

Fonte: Transportes & Negócios

Falta de profissionais valoriza profissão de motorista

Volvo FH - Cenze (1)Ser motorista de caminhão pode ser o sonho de muitas crianças ao brincarem e ao viajarem pelas estradas, tanto pelo encantamento de dirigir um grande veículo como por conhecer diversas regiões do Brasil e outros países. Mas, segundo um motorista experiente, é preciso paixão. “Para ser motorista, a pessoa tem que gostar porque fica muito tempo fora de casa”, afirma Maurício Célio dos Santos, 60 anos, há 42 na direção.

Mas gostar de ficar fora de casa e ter a experiência de conhecer pessoas e culturas diferentes não são os únicos atrativos. O mercado de trabalho chama bastante a atenção. Como revela Maurício: “graças a Deus, nunca fiquei desempregado. E hoje motorista não fica parado”. O presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transportes de Cargas (Fenatac) e empresário do setor, José Hélio Fernandes, confirma a realidade da profissão. “Para ficar sem trabalhar, só por vontade própria ou por algum impedimento de ordem mais séria”, ressalta.

De acordo com a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, o transporte rodoviário foi o responsável pela geração de mais da metade da receita do seu grupo de atividades. Em 2011, o setor obteve a maior participação na receita líquida, R$ 149,9 bilhões (52,0%), no número de empresas, 114,1 mil (77,6%), na massa salarial, R$ 25,8 bilhões (51,4%), e na quantidade de pessoal ocupado, 1,5 milhão (65,5%).

Se, por um lado, a alta demanda absorve a mão de obra apta e interessada em trabalhar no ramo, por outro, ela deixa buracos nas contratações. Falta pessoal para ocupar todas as vagas que surgem a cada dia. Segundo dados do setor, há uma carência de aproximadamente 100 mil motoristas profissionais. No ano passado, a atividade, fundamental para o desenvolvimento e competitividade do país, empregou cerca de 2,6 milhões de trabalhadores, o que equivale a 20,5% de toda a força de trabalho empregada no setor de serviços privados não financeiros.

Segundo José Hélio, falta mão de obra em todas as regiões do país. Para ele, a Lei do Motorista (Lei 12.619), sancionada em abril de 2012 e que trouxe mudanças para o dia a dia de trabalhadores e empresas, impactou o setor, mas não pode ser apontada com a principal causa. “Ela (a Lei) pode até ter contribuído porque, por exemplo, em alguns lugares, teve que colocar dupla de motoristas para percursos de longa viagem. Mas é também em função do grande número de caminhões que o setor comprou nos últimos cinco a seis anos e não houve novos profissionais entrando no mercado na mesma proporção. Isso acabou gerando essa falta de profissionais. Na verdade, é um conjunto de fatores que levou a essa falta de motoristas no mercado”, explica.

A falta de qualificação, justificada por alguns especialistas, também colabora para as vagas desocupadas no setor. Segundo o empresário, um exemplo são os novos motoristas, que tiram sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e não conseguem, de imediato, ter experiência necessária nas rodovias, principalmente, porque são veículos de grande porte. “Isso exige uma determinada qualificação e uma certa experiência para conduzir e transportar um número elevado de toneladas”, argumenta. Maurício, motorista experiente, confirma a falta de profissionais no setor e avisa: “tem que ter muita qualificação porque os caminhões estão se modernizando demais”.

Salário

Além de emprego garantido, o setor também oferece salários atrativos. De acordo com a PAS 2011, as empresas de transporte foram as que pagaram melhor em 2009, na média, dentro do setor de serviços. Pelo segundo ano seguido, os profissionais das empresas que transportam materiais por tubulações foram os mais bem remunerados. As empresas de transporte dutoviário (que levam gás ou óleo por tubulações) pagaram uma média de 18,2 salários mínimos mensalmente, valor bastante acima dos registrados nos demais segmentos de serviços medidos pelo IBGE. O transporte rodoviário de cargas figurou com um salário médio mensal equivalente a 2,2 salários mínimos, acima dos serviços de alojamento e alimentação.

José Hélio revela que as remunerações pagas pelo setor têm aumentado. Segundo ele, há um grande número de motoristas contratados com base nas convenções trabalhistas e existem empresas pagando de forma diferenciada exatamente para conseguir contratar e manter o seu quadro de motoristas. Não há como falar em valores, pois o salário varia conforme a região, o modal e o segmento do transporte (grãos, carga perigosa, fracionada etc). No entanto, Maurício menciona que o salário médio de um motorista de rodotrem e bitrem (caminhão com duas carretas, sete e nove eixos) gira em torno de R$ 4 a 5 mil. Segundo o empresário, a remuneração vem se tornando cada dia mais atrativa. “A médio prazo, será um fator de atração de motoristas”, assegura José Hélio.

Fonte: Agência CNT de Notícias Texto de Ana Rita Gondim

Precariedade da logística eleva déficit de motoristas em MT

mt_449Dificuldades elevam o déficit de caminhoneiros em Mato Grosso para 5 mil profissionais neste ano. No país, faltam cerca de 140 mil motoristas para atender uma demanda crescente, que é provocada principalmente pelo escoamento da safra de grãos brasileira. Nesta temporada, estima-se que 188 milhões de toneladas de grãos no Brasil sejam escoados. Dessas, 46 milhões de toneladas estão em Mato Grosso, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Mato Grosso (Sindmat), Eleus Vieira de Amorim, há veículos disponíveis para fazer o transporte mas falta mão de obra capacitada para resolver esse impasse. Conforme ele, nesta safra, devido ao aumento da produção de grãos, a situação piorou. “Levamos em conta somente o que está faltando para atender os veículos que estão parados e não do investimento que o empresário pode fazer no setor”, avisa.

Para o empresário do segmento, Otávio Fedrizze, falta interesse do próprio trabalhador. Além disso, destaca que as péssimas condições das rodovias atrapalham a atração de profissionais para o setor. Ele conta que chegou a ter cerca de 200 caminhões parados por falta de motoristas.

O proprietário de uma transportadora em Cuiabá, Rafael Giovelli, acredita que o déficit de mão de obra é resultado da falta de políticas públicas para a categoria. Conforme ele, os problemas da atividade, como a distância da família d os perigos das estradas, fazem com que muitos saiam da profissão até para ganhar menos. “Tem motorista que ganhava até R$ 5 mil por mês, mas largou tudo por um salário de R$ 1,2 mil”, lembra. Ele explica que para impedir que muitos caminhões fiquem parados, a contratação de profissionais excede em quase 4 motoristas por veículo.

Amarildo Varela, que exerceu a atividade de caminhoneiro há 11 anos, decidiu trocar de profissão em função dos riscos. Para ele, a falta de valorização da categoria foi determinante para a escolha de novos rumos. Atualmente atuando como contador, ele diz que o rendimento atual ultrapassa os ganhos como caminhoneiro. “Me sinto mais feliz e respeitado”, diz.

Fonte: Agro Debate

Em MT, cresce a disputa pelo frete no pico da colheita da soja

caminhoes em mato grossoA expectativa de uma safra recorde de soja, em Mato Grosso, fez com que muitas empresas de transporte ampliassem a frota. Os caminhões chegaram e agora faltam motoristas para dirigir os veículos.

Nas rodovias, os caminhões se multiplicam. É época de colheita e toda a produção que sai dos campos é movimentada sobre rodas.
Dos mais de 8 milhões de hectares plantados com soja deve sair uma produção de quase 27 milhões de toneladas.

Para escoar toda a safra, a frota de caminhões em Mato Grosso está sendo ampliada. Em uma única empresa, mais que dobraram as vendas em 2013 — foram 1,2 mil caminhões.

“Nós tivemos um aumento expressivo nas vendas de veículos por vários fatores. Primeiro pela abundância de créditos com juros convidativos. Segundo, pelo aumento da safra, que em Mato Grosso cresce 10% ao ano”, explica Roberto Nunen, gerente de filial.
O aumento no número de caminhões fez crescer a procura por motoristas. O trabalho ficou mais valorizado.

A estimativa da Associação dos Transportadores de Cargas é de que seriam necessários mais 2 mil caminhoneiros para atender à demanda de Mato Grosso.

“A falta de infraestrutura, a questão da jornada de trabalho, que infelizmente ainda não está sendo devidamente fiscalizada e os altos índices de acidentes têm desmotivado muitos profissionais”, diz Miguel Mendes, diretor executivo da Associação dos Transportadores de Cargas/MT.

Como os veículos novos trazem mais tecnologia, os caminhoneiros também precisam estar mais preparados.

“Nós temos buscado parcerias para fazer treinamentos junto até às próprias fábricas de caminhões, que têm nos ajudado. E isso tem feito com que a gente amenize o problema em detrimento a essa tecnologia embarcada nos caminhões”, finaliza Miguel.

Fonte: Globo Rural

Sem caminhoneiros, empresas do PR pensam em importar profissionais

caminhoneiroCom mais de 10 mil empresas de transporte no Paraná, ser motorista de caminhão nunca foi tão valorizado. Atualmente, cinco mil vagas de emprego para motoristas profissionais estão abertas no estado, mas como a procura por essas oportunidades é pequena, as transportadoras estão estudando a possibilidade de trazer motoristas de outros países para suprir a necessidade do mercado.

“Nós estamos pensando em ir atrás de motoristas em países vizinhos, como a Argentina e Paraguai, para suprir a necessidade do setor. Ou fazemos isso ou teremos mais problemas, como prejuízo no escoamento de grãos e falhas na entrega de mercadorias”, prevê o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantu. “É comum ver de 10 a 15 caminhões parados em pátios de empresas grandes porque não há mão de obra, com isso todos os setores da economia são prejudicados”, afirma.

Mesmo com o salário atrativo, que pode variar de R$ 1.500 a R$ 5 mil, o desinteresse, o risco que se corre ao trabalhar com caminhão e a quantidade de dias que o profissional fica longe de casa são apontados, por especialistas do setor, como barreiras para suprir a demanda oferecida. “É uma profissão de risco, as condições das estradas não são as melhores e é preciso conviver com o perigo de roubos e assaltos. A pessoa precisa gostar da profissão e estar consciente que ficará muito tempo longe de casa, isso é um impeditivo”, diz o presidente do Setcepar.

Entretanto, enquanto as empresas batalham para encontrar profissionais, há quem ainda sonhe com a vida na estrada. O cozinheiro Vismar Preste enxergou na carreira de motorista profissional uma oportunidade para melhorar de vida. “Eu quero dar uma vida estável para a minha família, oferecer um estudo melhor para a minha filha e ter uma vida boa”, diz. Já o caminhoneiro Luis Camilo Seguro, que está na estrada há 47 anos, afirma que o trabalho é fascinante e que aprendeu diversas coisas na estrada. “Eu gosto de viajar e por isso não largo nunca do volante. O problema é que agora há muitos carros nas estradas e está muito perigoso ser motorista”, contou o caminhoneiro que foi teve a carga roubada horas antes de parar em um posto de combustíveis para descansar.

Em Londrina, na região norte do Paraná, uma transportadora contabiliza os prejuízos por falta de mão de obra. Todos os dias, duas ou três carretas ficam paradas porque não há motoristas. Já em Paranavaí e Umuarama, na região noroeste do estado, as Agências do Trabalhador das duas cidades estão com mais de 100 vagas abertas para motoristas de carreta. As vagas são de uma única transportadora que tem sede em Maringá, na região norte do estado, e que além dessas também divulga outras 100 vagas em agências de diferentes cidades da região norte do Paraná com o objetivo de preencher o quadro de funcionários.

Já para o presidente da regional do sindicato em Maringá, Jeasi Oliveira de Souza, a falta de profissionais se dá porque a economia brasileira está aquecida e há a necessidade de mão de obra em todas as áreas. “Hoje a pessoa pode escolher onde e com o que quer trabalhar, além de poder optar pelo cargo com melhor salário.

Não é como antigamente que havia poucas oportunidades”, argumenta. Ainda segundo Souza, há alguns anos atrás a profissão era tradição familiar e isso fazia com que os filhos assumissem o volante junto dos pais. “Hoje os filhos dos caminhoneiros têm a disposição centenas de cursos técnicos ou de ensino superior gratuitamente, então eles preferem ficar em casa a correr o risco de enfrentarem qualquer tipo de problema na estrada”, explica.

Profissionalização

Para tentar reverter a situação, o Serviço Social do Transporte (SEST) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT) realizam cursos profissionalizantes para capacitar futuros profissionais. Por meio do Programana Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o Sest/Senat aprimoraram um curso de capacitação voltado para jovens com pouca experiência no volante ou para motoristas com experiência que não conhecem as novas tecnologias inseridas nos veículos. “Preparamos o profissional desde o começo, quando ele ainda está cru e entregamos para a empresa com um nível de conhecimento avançado. O curso tem a duração de quatro meses, é bem completo”, detalha o gerente da unidade Sest/Senat de Maringá, Cláudio Roberto Vieira.

Mas de acordo com o Vieira, nem sempre as transportadoras estão dispostas a esperar. “Muitas vezes temos dificuldade em fechar o curso porque as empresas querem o motorista pronto, com segundo grau completo e que domine as tecnologias embarcadas. Mas, se elas não querem esperar temos mais uma barreira”, argumenta.

A Confederação Nacional do Transporte também lançou um curso para formação de motoristas ainda no ensino médio. A ideia é habilitar jovens que acabaram de completar 18 anos a dirigirem caminhões pequenos para após cinco anos estar apto a dirigir carretas e bitrens.

Fonte: RPC TV

Transportadoras tentam driblar ‘apagão’ de motoristas

Transportadoras tentam driblar ‘apagão’ de motoristasA carência de pessoal ao volante é mais um obstáculo no caminho de desenvolvimento econômico do país, já que 62% do total de cargas são transportadas via rodovias. “Olhando o mercado uns anos atrás, a profissão de motorista era quase uma tradição familiar, passada de pai para filho. Porém, com o crescimento da economia dos últimos 10 anos, os jovens foram buscar outras oportunidades. Com isso, faltam profissionais”, analisa o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, para quem a nova lei agravou a escassez. “Em percursos de longa distância, a empresa tem que colocar mais de um motorista. Se um já está complicado…”, diz.

A estimativa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta para uma carência de aproximadamente 40 mil motoristas de caminhão e carreta em todo o país. O sinal, que já era amarelo, ficou vermelho após a Lei 12.619/12, conhecida como Lei do Motorista, que regulamenta a profissão, jornada de trabalho, tempo de direção e descanso de 11 horas dentro do período de 24 horas.

Apagão

Com o risco iminente de um apagão de mão de obra no setor, a Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de Minas Gerais (Setcemg), o Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) firmaram uma parceria com a Iveco, concessionária Deva e a Mercedes-Benz. Juntas, empresas, autarquias e entidades ministram cursos para formação e aperfeiçoamento de motoristas para o mercado de trabalho atual.

Segundo o dirigente do Sest Senat, José Vicente Pinto Júnior, até agora foram treinados 315 profissionais em caminhão médio e 1.150 alunos nos cursos voltados para carretas. Novas turmas começam em outubro.

Fonte: Hoje em Dia   Colaboração de Juliano Costa

Dificuldades parecidas

econ_germany36__01__630x420Quem pensa que a situação do motorista profissional em países de primeiro mundo é muito diferente dos colegas brasileiros está muito enganado. Na Alemanha, por exemplo, apesar da boa infraestrutura rodoviária existente, o motorista de caminhão tem uma rotina difícil, ao ponto que a falta de profissionais já consiste em uma grande preocupação para o setor no país. Poucos jovens têm disposição para viver da atividade de dirigir caminhão e há previsão de que nos próximos anos mais de 40% dos motoristas da Alemanha (cerca de 250 mil profissionais) vão se aposentar, o que leva a crer que as consequências negativas serão sentidas pelo consumidor final, pois para garantir o atual fluxo de transporte nas estradas será necessário o mesmo número de motoristas existentes hoje no país.

Segundo uma pesquisa feita pelo Sindicato de Serviços Unificados Ver.di (Vereinte Dienstleistungsgewerkschaft e.V), os motoristas alemães trabalham, em média, de 40 a 60 horas por semana, 42 por cento deles têm uma jornada de trabalho que varia de 61 a 80 horas. Isso acontece porque as empresas que executam as viagens, só recebem o valor total quando a mercadoria chega no prazo combinado -geralmente muito curto. Outro problema é a redução dos custos, muitas empresas eliminaram os armazéns, fazendo da carreta um armazém sobre rodas e aumentando a pressão para entregar as mercadorias no prazo.

Quando se tem uma jornada de trabalho extrema, não sobra muito tempo para a família e para diversão. Em muitos casos, a família acaba ficando em segundo plano. O carreteiro Oliver Beimbrink conta que vê sua mulher a cada 15 dias, quando volta para casa. “Ela nunca viajou junto, mas sabe que a minha profissão é assim, se não entendesse, não poderia trabalhar”. Sua queixa em relação à profissão é a falta de estacionamento para caminhões nas rodovias e o pagamento para usar vagas em restaurantes de beira de estrada.

Já o carreteiro Bernd Alles, 67, leva sua mulher para viajar sempre que é possível. Para ele o segredo para um bom relacionamento está na dosagem correta de convivência. Embora fique em casa somente 5 ou 6 vezes por mês ele diz ter um bom relacionamento com sua mulher. “Fizemos 45 anos de casados na semana passada e minha mulher me acompanhou. Ela não vem sempre porque fico muito tempo na estrada e para ela é muito cansativo”. Aposentado, Alles continua dirigindo porque precisa de dinheiro para viver.

O acúmulo de função se desenvolveu nos últimos anos de uma maneira catastrófica. Além de dirigir, o motorista, quando chega a seu destino, ainda tem que ajudar a descarregar a mercadoria. Antigamente, a maioria das empresas tinha funcionários que estavam lá para receber e ajudar os condutores. Mas agora, por motivos financeiros, esse pessoal quase não existe. “Geralmente recebemos uma empilhadeira nas mãos e temos que fazer o serviço sozinho”, exemplifica Beimbrink.

A concorrência desleal, desencadeada pela abertura das fronteiras e pelo cancelamento de um preço fixo, para um determinado volume de remessas, são problemas que vem preocupando os carreteiros na Alemanha. O cancelamento do preço fixo tinha o objetivo de incentivar os transportes ferroviários, o que na prática, acabou gerando uma competição dentro da indústria. “Como os custos com pessoal são muito altos, as empresas começaram a diminuir os salários, saindo do acordo coletivo de tarifas para condutores ou contratando motoristas do Leste europeu”, esclarece Andrea Kocsis, presidente substituta do Sindicato de Serviços Unificados Ver.di.

Após a abolição dos preços fixos, a competição ficou cada vez mais acirrada, o que ocasionou o rebaixamento das taxas, tendo um efeito imediato no salário dos motoristas. Kocsis comenta que muitos condutores não são associados ao sindicato da categoria e muitas empresas são associadas a entidades que não tem vínculo com tarifas coletivas. Outro problema comum é a aparente autonomia, já que muitos motoristas atuam formalmente como autônomos e trabalham somente para uma única empresa. Isso ocorre especialmente em serviços expressos e de entrega de encomendas. No tráfego de veículos pesados, a maioria dos carreteiros é contratada.

Muitos carreteiros do leste europeu trabalham para empresas alemãs com salários mais baixos que os seus colegas alemães. Andrea Kocsis deixa claro que os motoristas são vítimas do sistema. “O problema maior está nas empresas que tiram proveito das diferentes legislações trabalhista e fiscal. As condições de trabalho dos motoristas do Leste Europeu são muito ruins. Seria uma grande ajuda, se as leis da Alemanha pudessem ser aplicadas a esses trabalhadores que exercitam a profissão na Alemanha”, diz.

Com 770.000 motoristas profissionais (550.000 trabalhando em expedições e 220.000 trabalhando diretamente em fábricas) e 80 mil empresas de transportes, os carreteiros da Alemanha têm um salário acordado que varia de € 14,15 e € 9,42 a hora. O rendimento mensal básico fica em torno de € 1800 a € 2.500.

A insegurança também é tema relevante no país, ocasionada, em parte, pela falta de experiência dos novatos que não cumprem as normas de segurança nas rodovias. “Tenho uma carreta muito boa, mas a segurança nas estradas não depende somente de veículos em boas condições, pois ela é ameaçada também por condutores desqualificados” conta o carreteiro Ehard Tepe. Aos 56 anos de idade, e 33 na profissão, ele diz que o valor recebido para as despesas é insuficiente, por isso ele toma o café da manhã no próprio caminhão e apenas janta em algum restaurante de beira de estrada.

Embora o roubo de cargas e de carreta não seja comum nas rodovias alemãs, muitos veículos estão equipados com GPS, para garantir a segurança dos condutores e das mercadorias. Beimbrink conta que já houve roubo de carga na empresa que trabalha, “todos os veículos foram equipados com GPS, para evitar futuros contratempos, mas o problema de roubo de combustível é muito comum, no momento”.

A dificuldade para conseguir vagas para descanso é comum em alguns trechos. Embora o Departamento Federal dos Transportes da Alemanha tenha incluído a construção de novas vagas em sua lista de prioridade, o número de estacionamentos ainda não é suficiente para atender toda a demanda. Em algumas rodovias as vagas são exibidas eletronicamente. Kocsis diz que os motoristas não tem tempo para ficar procurando por vagas. Ela acredita que o problema de falta de estacionamento nas estradas possa ser resolvido com um sistema de pré reserva. “Precisamos de um sistema antecipado de reserva”, sugere.

A falta de organização da categoria também é problema, já que muitos motoristas vivem isolados em sua profissão, devido à estrutura operacional das pequenas empresas. Muitas vezes não há um vínculo do empregado com o empregador, o que dificulta o contato. Kocsis explica que o Ver.di tem o intuito de garantir as normas da categoria, como o combate ao emprego ilegal, e os baixos salários. A saúde é um problema muito sério, imprevistos podem acontecer com qualquer um. Para evitar que os condutores arrisquem sua saúde, existe na Alemanha um serviço chamado DocStop, que dá assistência médica aos condutores em viagem.

Fonte: Revista O Carreteiro

Falta de motorista qualificado obriga empresas de Rio Preto-SP a vender frota

transporteA falta de motoristas qualificados para dirigir caminhões obrigou algumas empresas da região noroeste paulista a vender os veículos para diminuir prejuízos. O pátio de uma empresa de São José do Rio Preto (SP) está cheio de caminhões que deveriam estar rodando nas estradas. O problema é que a transportadora, uma das maiores da cidade, não encontra motoristas para contratar.

Um caminhão parado representa em média para uma transportadora como essa um prejuízo de R$ 50 mil por mês. Depois de seis meses sem preencher as 50 vagas abertas, a solução foi colocar os 50 veículos à venda. “Não tem outra saída, porque você não tem o motorista, você tem o caminhão, mas você tem as despesas dele, financiamento, seguro, parte administrativa correndo todo mês,. Aí você tem que desembolsar, melhor coisa é vender a frota”, afirma o gerente de transporte José Luís Apoloni.

Em outra transportadora, 20 caminhões estão parados no pátio, o que representa 15% da frota, um prejuízo alto no fim do mês. “Hoje o mercado está propício para fazer investimentos devido as taxas atraentes do financiamento do BNDES, mas a empresa pensa duas vezes antes de fazer o investimento porque ela vai comprar, investir, aumentar a sua frota, mas a mão de obra qualificada para estar pegando esses caminhões e saindo para viagem não tem”, diz o gerente geral José Ricardo Magnani.

Um problema que ocorre em todo país. Uma pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística revela que 56% das empresas brasileiras têm hoje veículos parados nos pátios por falta de profissionais.

De acordo com a associação, o Brasil tem hoje 100 mil vagas para motoristas em aberto. A situação que se arrasta há algum tempo piorou este ano com a super safra de grãos e com o início da colheita da cana de açúcar. “Hoje os motoristas têm pouca motivação de estar com essa profissão, devido a própria infraestrutura das rodovias, risco de acidentes que o motorista acaba sofrendo nas estradas, assaltos”, afirma o vice-presidente da Setcarp José Salgueiro.

Uma empresa de bebidas de Potirendaba (SP) investiu em novas máquinas e em tecnologia para crescer, mas teve que pisar no freio por causa da falta de motoristas. Os caminhões parados atrapalham a distribuição das três milhões de caixas de refrigerantes e sucos produzidas por dia. Um prejuízo de R$ 1 milhão. “Estamos com uma estrutura para distribuição, planejamos aumentar a nossa distribuição e estamos tendo dificuldades na contratação dessa mão de obra qualificada, que está em falta”, afirma o empresário José Luiz Franzoti.

A solução foi treinar os ajudantes para virarem motoristas. Além disso, a empresa arca com todos os custos da nova carteira de habilitação. “É um programa onde a gente busca os talentos que a gente já tem dentro da empresa, dentro do setor de distribuição a gente paga os ajudantes de motoristas”, diz o encarregado de RH Flávio Bertolin. O motorista interessado em se qualificar pode procurar o Sest/Senat mais perto de casa.

Fonte: G1

Atividade em risco

Renault Trucks Magnum 3Assim como a tecnologia dos caminhões, os desafios da profissão não param de crescer, mas será que quem está ao volante vem acompanhando esse avanço no mesmo ritmo? Pesquisas realizadas em diversos países do mundo mostram que nem todo o desenvolvimento dos veículos está sendo capaz de pôr um fim aos aspectos negativos da profissão, como longos períodos longe da família e falta de reconhecimento. Além disso, também confirmam que o Brasil ainda tem um longo caminho quando o assunto é profissionalização e atualização. O fato é que outros países também encontram a mesma dificuldade vivida no Brasil da falta de motoristas.

A Alemanha, por exemplo, não é apenas a sede de muitas montadoras, mas graças à sua grande tradição no setor acaba sendo vista como um exemplo a ser seguido. Mas isso não significa que o país não seja afetado por outros problemas vistos no continente europeu, como por exemplo, o déficit de condutores, horas de trabalho, desequilíbrio entre a vida social e profissional do motorista e as novas tecnologias.

Em 2010, o mercado alemão contava com quase 800 mil motoristas de caminhão profissionais, mas quase 40% deles tinham mais de 50 anos e apenas 13% menos de 35 anos. Pelos números muitos se aposentarão em breve (já que a idade média para se aposentar é aos 60 anos), mas não estão sendo substituídos no mesmo ritmo, e, segundo um estudo feito por Tobias Bernecker, na Universidade de Heilbronn, cerca de 24.500 motoristas serão demandados por ano nos próximos 10 anos, isso se o transporte de carga não crescer, senão a demanda seria ainda maior.

Quando perguntados sobre a escolha da profissão, mais de 60% responderam que foram para a atividade por gostar de dirigir. Segundo Bernecker, é um trabalho interessante, dá independência, dinheiro e oportunidade de viajar, lembrando que o salário varia entre cerca de 1.290 a 2.800 euros/mês – equivalente a R$3.350 a R$ 7.280. Já os principais problemas da profissão apontados pelo estudo foram o estresse, a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e baixos salários.

“Eu acredito que salários mais altos são essenciais para a motivação dos motoristas, mas não são o único argumento. O prazer de dirigir e a regulamentação das horas de trabalho são tão importantes quanto o salário”, diz Bernecker. Dentre aqueles que dirigem por longas distâncias, a jornada semanal chega a 60 horas, sendo 41,8 horas ao volante e 15,6 horas carregando e descarregando. Entre os que atuam regionalmente a jornada média é de 52,2 horas por semana e os “locais” trabalham 47,3 horas por semana. Para o especialista, o principal fator que faz com que um motorista fique numa empresa é o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O estudo mostra que 93% dos profissionais que se declararam satisfeitos não pretendem mudar de emprego. Já na Austrália, o transporte rodoviário representa 70% de toda a movimentação de carga feita no país – e o setor é responsável por 2,4% dos empregos, assim como acontece em outras partes do mundo- é formado principalmente por motoristas autônomos. Os carreteiros australianos têm 49 anos de idade, em média, um índice mais alto do que a dos demais trabalhadores do país. Somado à falta de profissionais qualificados e à dificuldade de atrair os jovens, esse número cria um grande déficit de motoristas de caminhão.

Em 2001 havia 154.800 motoristas na Austrália, com a expectativa de que esse número dobrasse até 2015, já que entre 1991 e 2001 o crescimento foi de 23% para motoristas de caminhões e 24% para motorista de caminhões de entrega. Para mudar esse cenário, muitas empresas investem na formação de profissionais. Em 2001, eram cerca de 15.100 estagiários com contrato de formação com um empregador do setor – o que mostra que a iniciativa privada deve investir para obter mão de obra qualificada.

No Canadá, a falta de motoristas profissionais é tão grave que há alguns anos os transportadores “importam” motoristas – especialmente da Europa – para atender à demanda no país. Assim como na Alemanha, há um envelhecimento dos profissionais, cuja idade média é de 44,2 anos, sendo que cerca de 20% dos que estão em atividade já passaram dos 54 anos. Na outra ponta, formada por motoristas com menos de 30 anos, estão apenas 12% dos profissionais.

O país também sofre com a falta de qualificação. “Temos profissionais qualificados no Canadá, mas também temos motoristas que têm apenas a Carteira para dirigir e que não atendem aos requisitos do setor”, explica Linda Gauthier, especialista do segmento e ex-diretora executiva do CTHRC (Conselho de Recursos Humanos do Transporte Rodoviário Canadense, na sigla em inglês).

No país existem mais de 30 mil empresas de transporte rodoviário de carga, sendo mais de 90% delas de pequeno e médio porte. As de grande porte, porém, são responsáveis por mais de 56% dos empregos – que chegam a 307.700 pessoas no total – sendo 174 mil carreteiros. A expectativa é que a demanda por esses profissionais continue crescendo nos próximos anos e que entre 2011 e 2021 deva aumentar 26,6%.

Os jovens canadenses também estão cada vez menos atraídos pela profissão. Linda Gauthier explica que os jovens estão mais interessados em TI, em ganhar dinheiro muito rápido. “Alguns nem sabem o que é trabalhar duro para ganhar dinheiro, é uma coisa cultural. Temos também o problema de que há um grande incentivo para promover profissões como medicina, direito, etc. ao invés de profissões que exigem conhecimento técnico, como mecânico, caminhoneiro, operador de equipamentos pesados”, acrescenta. Ainda de acordo com a especialista, o principal problema no Canadá é que a profissão de motorista não é considerada como um ofício qualificado. Levantamento junto a empresas de transporte rodoviário mostra que somente 17% delas não têm dificuldades em encontrar um caminhoneiro qualificado para contratar.

Nos Estados Unidos, o cenário do setor de transporte rodoviário é preocupante. No final de 2012, o déficit era de 20 a 25 mil profissionais, segundo estimativas da ATA (Associação Americana de Transportadoras) e a previsão é de que a demanda chegue a 239 mil motoristas em 2022. Hoje, cerca de 90% das transportadoras já têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados na hora de contratar, e a situação pode piorar com uma regulamentação (prevista para começar a vigorar este ano) que limita as horas de serviço e ameaça reduzir a produtividade das transportadoras em até 3%.

De acordo com Departamento de Trabalho dos EUA, em 2010 havia no país mais de 1,6 milhão de motoristas de caminhão, com média salarial de US$ 37.770 por ano, o que equivale a R$ 6.295 por mês. Trata-se de um valor mais alto do que a média do que recebe alguém que completou o Ensino Médio e não foi à universidade, caso da maioria dos norte-americanos. Por conta disso, o salário continua sendo um dos principais atrativos para a profissão entre jovens com esse perfil.

Diferente dos mercados estrangeiros já mencionados nesta reportagem, o Brasil é um país onde os autônomos são a maioria, 60%, de acordo com Relatório da CNT. A média de idade também é menor: 42,2 anos, o que nos coloca em uma posição mais confortável, mas expectativas do próprio mercado apontam que há cerca de 40 mil vagas abertas para motoristas de caminhão e ônibus em todo o País, que não conseguem ser preenchidas.

Entre os desafios para que isso aconteça estão a falta de qualificação, de reconhecimento, e também de interesse dos jovens (que se sentem mais atraídos para outras profissões). Segundo o Relatório da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), 62,9% dos motoristas de caminhão entrevistados não trocariam de profissão e mais da metade gosta do que faz e se sente realizada. Porém, 56,1% não a recomendariam para outras pessoas. As razões para isso são, segundo os entrevistados, o perigo (41,5%) (item que não aparece com tanto destaque nos outros países) o desgaste (14,7%) e o comprometimento do convívio familiar (13,9%).

Por outro lado, os pontos positivos são a gratificação financeira (32,5%), a oportunidade de conhecer novas cidades e países (22,4%) e o desafio/ aventura da profissão (14,8%). A renda média líquida mensal do caminhoneiro empregado de frota é de R$ 3.166,20, enquanto a dos autônomos é de R$ 4.902,40, mas os valores variam principalmente de acordo com o tipo de carga. Já um outro estudo, realizado pela organização Childhood, mostra que 82% dos motoristas de caminhão acreditam que as outras pessoas enxergam a profissão de maneira negativa, o que ressalta a necessidade de esclarecimento sobre a importância da profissão para toda a sociedade.

Fonte: Revista O Carreteiro