Balanço do primeiro semestre de 2014 no mercado brasileiro de caminhões e ônibus

Mercedes-Benz Atego 2430 Automatizado (2)O clima de otimismo que contagiava a maior parte das fabricantes de caminhões e ônibus no começo do ano deu lugar a um balanço do primeiro semestre de 2014 pouco entusiasmante. As perdas nas vendas atingem todos os tipos de veículos automotores por aqui. Somando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, as perdas no acumulado de janeiro a junho em comparação com o ano anterior já somam 12,45%, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, a Fenabrave. Quando se separam os caminhões dessa conta, a queda é quase a mesma: 12,2 %. Um número bem diferente da projeção de crescimento entre 5% e 10% que era esperada para este ano. Juntos, ônibus e caminhões caíram 11,96%.

A queda nas vendas de caminhões nesse primeiro semestre é explicada por especialistas em função, principalmente, da demora na oficialização do Programa de Sustentação do Investimento do BNDES e da desaceleração da economia brasileira. Como a liberação do PSI só ocorreu no final de janeiro, segundo o presidente executivo da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, quase dois meses de vendas foram perdidos. Este fato retardou a aprovação dos pedidos de financiamento que estavam acumulados desde dezembro de 2013 e prejudicou o início das vendas no inicio de 2014. Além disso, com a economia em baixa, falta carga para ser transportada. “Havia caminhão, financiamento disponível e comprador em potencial, mas não havia frete. E, sem o frete, a compra não se realiza”, explica.

Outro ponto desfavoreceu a comercialização de caminhões no primeiro trimestre deste ano, como aponta João Herrmann, gerente de Marketing do Produto da MAN Latin America. “A troca do Finame simplificado pelo convencional aumentou a morosidade na aprovação das propostas. O BNDES voltou atrás e no começo de abril o Finame simplificado voltou. As vendas entre janeiro e março ficaram prejudicadas”, avalia.

Dentro do segmento de caminhões, o panorama não se alterou significativamente no que diz respeito à participação de mercado. Os modelos leves caíram cerca de 4%, enquanto os pesados e semi-pesados subiram em torno de 2%. Mas a Scania perdeu o título de fabricante do modelo mais vendido entre todas as divisões de peso. Enquanto em 2013 o pesado R440 liderou os emplacamentos entre os caminhões, nesse primeiro semestre quem ostenta essa posição é o semi-pesado VW Constellation 24.280. O primeiro contabilizou 3.192 unidades comercializadas e o segundo já acumula 3.601 exemplares vendidos. Já o VW Delivery 10.160, lançado em 2012, passou a marcar presença na lista dos dez leves mais vendidos já na quinta posição, com 1.551 unidades. O semi-pesado VW Constellation 26.280 e o pesado Mercedes-Benz Atron 2729 também melhoraram suas vendas. O Volkswagen passou de 1065 unidades emplacadas em 2013 para 1852, passando da oitava para a terceira colocação entre os semi-pesados. Mas a evolução do pesado da Mercedes-Benz impressiona mais: foi de 855 exemplares para 2.805, um crescimento de quase 230%.

Diante da queda geral registrada nesses primeiros seis meses de 2014, novas projeções já são traçadas para o fechamento do ano. A perspectiva da Fenabrave é de que o setor de caminhões contabilize 132.332 unidades emplacadas até dezembro – até junho, esse número ficou em 65.296. Se concretizada, essa previsão representará uma diminuição de 15% na comparação com 2013. E será pior que o total de 2012, período comprometido pela implantação da legislação antipoluição Proconve P7 (Euro 5) no Brasil, quando ocorreram 137.722 emplacamentos de caminhões. “O mercado de caminhões tem potencial elevado no Brasil. Investimentos em infraestrutura devem trazer mais demanda, assim como o agronegócio, a construção civil e os setores atacadista e varejista”, torce Gilson Mansur, diretor de Vendas e Marketing de Caminhões da Mercedes-Benz.

Já o mercado de ônibus, apesar de também estar marcado pela queda, sofrerá menos. Tudo indica que dezembro termine com 32.065 exemplares vendidos, ou seja, menos 10% que no ano passado. Mas esses resultados – ou qualquer mudança nessas previsões – ainda dependem de políticas de incentivo. Seja para ampliação e troca das frotas ou até mesmo para aquecer a economia e, com isso, gerar mais necessidade dos fretes.

Fonte: Auto Press Texto de Márcio Maio

PSI será renovado até final de 2015

Volvo FH 540O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na quarta-feira da semana passada, após reunião do Fórum Nacional da Indústria, a prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) até o fim de 2015. O programa estava previsto para acabar no fim de 2014.

Segundo ele, o governo ainda não definiu o montante de financiamentos que estará disponível na extensão do PSI, mas afirmou que o valor disponibilizado pelo BNDES deverá ser similar ao deste ano, que é de R$ 80 bilhões. “Não falamos em valores, no ano em curso o programa é de R$ 80 bilhões. Não fixamos ainda um valor para o próximo ano, mas provavelmente será similar”, disse Mantega. “O valor vai depender de uma medida provisória que não precisa ser editada agora, será mais para o final do ano”, completou.

O ministro disse não saber quanto do montante de 2014 já foi liberado. “Acredito que já devem ter emprestado entre 40% e 50%, mas tem que perguntar ao BNDES”, afirmou. De acordo com Mantega, o governo ainda não definiu a taxa de juros da extensão do PSI. “É um programa financeiro, com um volume de recursos que o BNDES destina com taxas de juros mais baixas, baseadas mais em TJLP do que em Selic”, disse.

Para Mantega, as medidas anunciadas hoje servem para reforçar a política industrial brasileira. Segundo ele, os empresários fizeram sugestões de medidas complementares àquelas já em andamento e hoje o governo deu um retorno aos executivos. “Na área de crédito, já temos um programa que barateia os investimentos via bancos públicos e BNDES. O PSI é o melhor programa de investimentos que já tivemos no Brasil”, disse Mantega, que lembrou que o programa financia a compra de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e bens de capital, além exportações e inovação tecnológica.

O anúncio do pacote está sendo feito em um púlpito improvisado no saguão do Palácio do Planalto. Em encontros anteriores do Fórum Nacional da Indústria, sempre houve coletiva de imprensa organizada em auditórios.

“Vamos recriar o Reintegra”

Mantega anunciou também que o governo federal vai recriar e tornar permanente o Reintegra, que devolve parte dos impostos pagos por exportadores de manufaturados. A alíquota de devolução vai variar de 0,1% a 3,0%. Para este ano, segundo Mantega, a tarifa será de 0,3%. “A cada ano o governo deverá definir a alíquota”, explicou o ministro.

Nas condições vigentes até o ano passado, o programa devolvia às empresas exportadoras 3% do faturamento com a exportação de produtos industrializados. O governo informou que a validade da recriação do programa depende da data de publicação da medida provisória que tratará do assunto.

Segundo Mantega, a expectativa é que os textos com os assuntos anunciados hoje sejam publicados no Diário Oficial amanhã ou na sexta-feira. “Estaremos estudando a possibilidade de ingresso de outros setores. Por enquanto são os que já tiveram o benefício”, disse o ministro.

Fonte: Diário do Grande ABC

Presidente da MAN defende estímulos adicionais a veículos comerciais

MAN Latin America - Fenatran 2013 (4)O presidente da montadora de caminhões MAN, Roberto Cortes, defendeu nesta segunda-feira a necessidade de estímulos adicionais para reverter a queda de 12% registrada neste ano pelo mercado de veículos comerciais, entre caminhões e ônibus.

Segundo o executivo, um dos caminhos seria reduzir os juros cobrados nos financiamentos a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal motor dessa indústria. “Quanto menor a taxa de juros, melhor a propensão a investir”, disse Cortes, pouco antes de participar de premiação realizada pela revista Exame na capital paulista.

Desde janeiro, os juros do Finame, a linha do BNDES para o financiamento de bens de capital, estão em 6% ao ano, acima dos 4% cobrados no segundo semestre do ano passado.

De acordo com o presidente da MAN, a simplificação nos processos de aprovação de crédito, combinada à melhora nas condições do Finame, ajudou o mercado a reagir no mês passado. Porém, disse, esses estímulos foram insuficientes para reverter a tendência de baixa da indústria de veículos pesados.

A montadora ainda trabalha com a perspectiva de recuo de dois dígitos desse mercado em 2014. Até maio, as vendas de caminhões mostravam queda de 11,3%, enquanto os emplacamentos de ônibus cediam 12,5%.

Para Cortes, incertezas sobre os rumos da economia estão prejudicando as vendas de caminhões, mesmo que os três principais candidatos à presidência não sinalizem “grande alteração” na política econômica. “Muito dessa queda acontece porque as empresas estão esperando para fazer negócio”, disse.

Com a definição das eleições, diminuindo a sensação de incerteza, o executivo espera uma recuperação a partir do ano que vem.

Cortes ainda fez uma avaliação positiva da renovação por mais um ano do acordo automotivo entre Brasil e Argentina, que dá mais tempo para os dois países buscarem um entendimento em busca do livre comércio. “Estávamos preocupados com a possibilidade de não haver nenhum acordo”, comentou.

Fonte: Valor Econômico – Texto de Eduardo Laguna

Caminhões MAN TGX passam a ser 100% financiados pelo Banco Volkswagen

MalagrineConhecida por oferecer taxas e condições atrativas para financiamento, a MAN Latin America, em parceria com o Banco Volkswagen, inova mais uma vez: clientes da marca MAN poderão financiar 100% dos produtos MAN TGX. A outra novidade fica por conta de mais uma conquista no plano de nacionalização das peças. A partir de agora, toda linha TGX está aprovada para venda por meio do BNDES Finame com direito a 80% da regra vigente para o programa Finame PSI. As condições são válidas para os caminhões MAN TGX 28.440 e MAN TGX 29.440.

Em parceria com o Banco Volkswagen, os clientes poderão financiar 100% dos caminhões MAN TGX com taxa promocional de 0,59% ao mês, valor que contempla uma porcentagem subsidiada pela montadora. Em princípio, este plano diferenciado está válido somente para pedidos realizados até 31 de agosto de 2014. Os clientes serão atendidos por profissionais capacitados e treinados em uma das mais de 150 concessionárias espalhadas por todo Brasil e poderão conferir as taxas e condições especiais para esta ação que envolve BNDES Finame 80% e CDC (Crédito Direto ao Consumidor).

A segunda opção é o financiamento do produto por meio do BNDES Finame, subsidiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e também pela montadora, com taxa de 0,49% ao mês. Este é mais um produto desenvolvido em parceria com o Banco Volkswagen e envolve BNDES Finame 80%, CDC para financiamento da parte não contemplada pelo BNDES Finame garantindo a entrada de 10% em cima do valor do produto, isto tudo para que o cliente possa adquirir o TGX nas mesmas condições financeiras dos demais produtos que já possuem direito a 100% da regra do Finame PSI. “Demos um grande passo quanto à nacionalização dos caminhões MAN TGX, fortalecendo, assim, sua competitividade no mercado brasileiro. Este é o reflexo do trabalho árduo de nossa empresa em alcançar cada vez mais as melhores condições de comercialização aos nossos clientes”, reforça Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da MAN Latin America.

Além destas condições de financiamento, os clientes podem optar pela aquisição de cotas de consórcio, que não exige entrada e contempla entregas antecipadas e programadas e está disponível para empresas de todos os portes. Esta ação conta com parceria das administradoras financeiras das empresas Maggi, Gaplan, Tarraf, Apta, Grupo Mônaco e Grupo Servopa. Todas pertencem à consagrada rede de concessionárias da marca Volkswagen.

Fonte: MAN Latin America

Vendas melhoram em abril, mas previsão ainda é de queda no ano

Patio Mercedes-BenzComo resultado da simplificação nas aprovações de financiamento a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as vendas de caminhões começaram a reagir neste mês. Contudo, essa recuperação começou tarde demais e não deve evitar queda nos volumes da indústria de veículos pesados neste ano, segundo estimativas das maiores montadoras.

As projeções delas indicam um declínio na faixa de 5% a 12% das vendas de caminhões em 2014, o que significaria algo entre 136 mil e 147 mil unidades emplacadas até dezembro.

Ainda assim, essa é uma meta ambiciosa porque, tendo em conta a queda de 11% acumulada no primeiro trimestre, o mercado terá que, a partir de agora, avançar a um ritmo próximo de 20% para chegar a essa marca, lembra Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas da MAN, montadora dos caminhões da marca Volkswagen.

O ano do setor começou bem aquém das expectativas por conta do atraso na publicação das novas regras do Finame, a linha do BNDES que oferece as taxas de juros mais baixas para a compra de caminhões – hoje, em 6% ao ano. Depois, houve lentidão na liberação do financiamento devido ao aumento da burocracia para obter o crédito.

No mês passado, o BNDES voltou a simplificar o processo, ao permitir a pré-aprovação do crédito já no agente intermediário do financiamento. Com isso, um grande volume de pedidos que estavam represados começa a ser liberado. De acordo com Alouche, as vendas deste mês estão 50% maiores do que em março.

“Os processos que estavam represados começaram a escoar”, afirma Alcides Cavalcanti, diretor comercial da Iveco, que, junto com Alouche e outros executivos, participou ontem de fórum do setor organizado pela Automotive Business na capital paulista.

Para diretores da indústria de caminhões, a simplificação do Finame foi um primeiro passo para destravar as vendas. A recuperação do mercado, porém, ainda depende de um amplo programa de apoio à renovação de frotas, além da flexibilização das regras de financiamento do Finame.

Com a quebra de confiança nos rumos da economia, as empresas precisam de novos estímulos para renovar a frota, dizem eles. Alouche, da MAN, sugere uma redução na parcela de entrada exigida nos financiamentos do BNDES, que está em 20% do valor do veículo.

Já Gilson Mansur, diretor de vendas da Mercedes-Benz, afirma que será necessário encontrar formas para que o crédito do banco também chegue a caminhoneiros autônomos, e não apenas para grandes transportadoras.

Em virtude da forte queda nas vendas e estoques que chegam a quatro meses, as montadoras de caminhões estão reduzindo a produção e ajustam a mão de obra com medidas como afastamento temporário de operários, programas de demissões voluntárias e antecipação de férias. Executivos do setor falam que, além da burocracia do BNDES, a redução no transporte de cargas industriais compromete os resultados deste ano.

Fonte: Valor Econômico

Vendas de caminhões começam a esboçar reação

Volvo FH 20 AnosAs vendas de caminhões estão mostrando um início de reação na primeira metade de abril. Ainda que a quinzena fatalmente feche em índice inferior ao do mesmo período do ano passado, o resultado será bem superior ao de março, que foi afetado pelo carnaval. Mais importante do que este comparativo, entretanto, é um avanço notável da média diária de comercialização do segmento.

De acordo com dados do Renavam obtidos até a quarta-feira, 9, a média diária de caminhões em abril estava em 517 unidades e até a sexta-feira, 11, saltou a 533 unidades – e neste intervalo de dois dias, isoladamente, foi de quase 590 unidades. Como comparação na primeira quinzena de março o índice foi de 430 caminhões licenciados ao dia, volume que chegou a 462 ao fim do mês passado.

Em volume até a sexta-feira, 11, foram emplacados 4,8 mil caminhões no País. Faltam dois dias úteis para o fechamento da primeira quinzena de abril que, caso mantenha-se o ritmo, será de aproximadamente 5,9 mil – na primeira quinzena de março foram emplacadas 4,7 mil unidades, mas é preciso considerar que nesse período ocorreu o carnaval, que eliminou praticamente uma semana de vendas. O fechamento de março foi de 9,2 mil e para o de abril pode-se projetar volume acima de 11 mil unidades, caso o ritmo da primeira quinzena se confirme – os dois meses terão 20 dias úteis ao todo.

Entretanto os números serão bem inferiores aos de abril de 2013, que encerrou a primeira quinzena com 7 mil unidades e o mês com 14 mil, com auxílio de taxas extremamente convidativas do Finame PSI, de apenas 3% ao ano. Mas os índices deste abril já serão mais próximos aos registrados neste mês em 2012, de 6,1 mil na primeira quinzena e 10,8 mil no fechamento.

O movimento de recuperação está intimamente ligado ao novo método de liberação de recursos do PSI via BNDES aplicado desde o começo deste ano, que exigiu para todo o processo cerca de 60 dias, que se somam ainda ao prazo necessário para instalação de implemento para, só depois, o veículo seguir para emplacamento – e só aí entrar nos cálculos de venda. Assim agora estão sendo revelados índices de negociações efetivadas em janeiro e, no melhor dos casos, fevereiro. Segundo o banco, as liberações do PSI Finame para caminhões no primeiro bimestre subiram 54%, para R$ 6 bilhões, na comparação com os dois primeiros meses de 2013.

A tendência de continuidade de recuperação do mercado de caminhões deve ganhar força com a adoção do PSI simplificado, que deve reduzir o prazo de todo processo para no máximo 30 dias.

Fonte: Portal Autodata Texto de Marcos Rozen e Viviane Biondo

Finame simplificado deve destravar vendas de caminhões

WM14041-088O governo vai alterar o Finame PSI para destravar os financiamentos de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. A linha de crédito subsidiada passará de convencional para simplificada. A Fenabrave, federação dos distribuidores de veículos, garante que a medida foi prometida e deve sair em breve. A entidade estima que a mudança reduzirá o tempo de aprovação do crédito dos atuais 45 a 50 dias para perto de 30 dias.

Pelo Finame PSI simplificado o financiamento é aprovado diretamente pela instituição financeira mediadora da operação e o caminhão pode ser faturado. Já na linha convencional, depois de aprovada pelo banco a documentação é enviada para verificação do BNDES e só então o veículo pode ser efetivamente vendido.

“Houve um represamento das vendas no primeiro trimestre e só agora com essa mudança poderemos regularizar”, explica Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, referindo-se ao atraso na regulamentação das regras do Finame PSI para este ano. A oferta da linha com taxa de 6% ao ano só começou no fim de janeiro e, com o processo mais burocrático para a liberação, as vendas sofreram queda expressiva no início do ano.

Os emplacamentos de veículos pesados diminuíram 10,4% no primeiro trimestre na comparação com igual período do ano passado. Foram licenciados 38,3 mil veículos. O segmento de caminhões foi o mais afetado, acumulando queda de 11,2% para 30,6 mil unidades. As vendas de ônibus caíram 6,9%, para 7,7 mil chassis.

Reunião no MDIC

Meneghetti e a diretoria da Fenabrave participaram de reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) no último dia 31 de março. O presidente da Fenabrave aponta que o objetivo do encontro foi conhecer o novo ministro da pasta, Mauro Borges, e pedir a atenção dele a alguns assuntos. Um deles foi justamente a manutenção da oferta de recursos para o Finame PSI.

“Esse mecanismo é fundamental para garantir um bom volume de vendas e precisamos evitar que aconteça novamente o que vimos no início deste ano”, pede Meneghetti. O executivo também tratou do programa de renovação de frota e pediu a manutenção do grupo de trabalho formado na gestão anterior para buscar uma solução para a questão da reciclagem veicular.

Fonte: Automotive Business – Texto de Giovanna Riato

Ford volta a parar produção de caminhões

m_fabrica_02-linhaA Ford vai parar por mais seis dias a produção de caminhões na fábrica de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. A partir de hoje, 900 operários da linha saem de folga e só retornam no dia 14. Esses dias serão descontados do banco de horas dos empregados.

Outras montadoras de veículos pesados – como a MAN, a Mercedes-Benz e a Scania – também estão ajustando a produção com medidas que vão de paradas de linha a férias coletivas e afastamento temporário de operários. Antes do Carnaval, a Ford já tinha interrompido por cinco dias a produção de caminhões no ABC, em virtude da retração do mercado doméstico e das exportações para a Argentina.

Ontem, a Fenabrave, que representa as concessionárias de veículos, informou que as vendas de caminhões no Brasil caíram 11,2% no primeiro trimestre. Mesmo assim, a entidade das revendas ainda espera uma recuperação do mercado com a simplificação dos processos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em virtude do atraso na definição das novas regras da linha de financiamento para bens de capital do banco, seguida por lentidão nas aprovações de crédito, as vendas de caminhões interromperam a recuperação mostrada no ano passado. Segundo a Fenabrave, as aprovações de financiamento, que costumam levar entre 25 e 30 dias, chegaram a demorar até 50 dias no início do ano. Contudo, o BNDES anunciou às empresas que vai simplificar a tramitação desses processos, o que deve destravar as vendas, informou Flavio Meneghetti, presidente da Fenabrave.

Assim, a entidade segue projetando crescimento de 2% a 6,4% nos emplacamentos de caminhões até o fim deste ano, o que significaria um volume na faixa de 158,8 mil a 165,7 mil unidades.

Números divulgados ontem pela Fenabrave mostraram queda quase generalizada entre os diversos segmentos da indústria automobilística no mês passado. No total, os emplacamentos de veículos – entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus – caíram 15,2% na comparação com o resultado de um ano antes e 7,2% em relação a fevereiro.

Foram licenciadas 240,8 mil unidades em março, no pior resultado em 13 meses. O setor não mostrava volume tão baixo desde fevereiro do ano passado, quando 235,1 mil veículos tinham sido emplacados. Com isso, o mercado, que crescia 4,6% até fevereiro, inverteu a curva e fechou o trimestre acumulando queda de 2,1%, num total de 812,8 mil veículos vendidos nos três meses.

Durante a divulgação dos números, Meneghetti, atribuiu o resultado negativo ao impacto do reajuste de preços – da ordem de 5% – em decorrência da recomposição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e da obrigatoriedade de dois novos equipamentos de segurança nos carros: airbags e freios ABS. Isso, disse ele, se combina ao cenário de escalada dos juros, inflação em alta e seletividade dos bancos na liberação de crédito. “O apetite dos bancos em assumir risco diminuiu consideravelmente”, comentou o executivo em coletiva à imprensa.

Fonte: Valor Econômico

Mercedes é forçada a reduzir sua produção

unidade-da-Mercedes-Benz-de-Sao-Bernardo-do-CampoAs restrições impostas pelo governo argentino para a compra de produtos brasileiros gerou impacto direto na região. A Mercedes-Benz decidiu reduzir a jornada de trabalho de 2.000 funcionários da linha de montagem de caminhões em um dia por semana para ajustar sua produção. A montadora conta hoje com quadro de 12,5 mil empregados na fábrica do Grande ABC.

Há aproximadamente seis meses, como medida para fortalecer a indústria local, o governo argentino tem dificultado a entrada de produtos brasileiros em terras portenhas. Porém, o país vizinho é um dos principais mercados para as montadoras de caminhões.

A Mercedes informou que a medida de redução da jornada de trabalho semanal, de cinco para quatro dias, tem como objetivo “adequar a produção com a situação do mercado, tanto brasileiro quanto argentino”.

A montadora destacou ainda que ambos são muito importantes para a empresa, mas não precisou o percentual de participação no faturamento com a linha de caminhões.

A situação do segmento de veículos com a Argentina é agravante. Neste mês, o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan Yabiku Junior, destacou que o “atual cenário econômico da Argentina teve peso relevante para o desempenho” do setor. As exportações caíram 28%.

Na avaliação do professor de Economia Sandro Maskio, que também é coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, a medida adotada pela Mercedes vai de acordo com o cenário atual de comércio entre Brasil e Argentina. “Principalmente os produtos industrializados têm enfrentado dificuldades para entrar no país.”

Ele acrescentou ainda que a medida, provavelmente, é apoiada em uma análise da montadora sobre o resultado do último trimestre de 2013, levando em consideração apenas as contribuições do mercado argentino na decisão de redução semanal.

“Se os estoques estavam altos o suficiente para reduzir a produção em um dia por semana, a ponto de equilibrar com a demanda, isso seria uma estratégia interessante do ponto de vista financeiro da empresa”, avaliou Maskio.

De acordo com informações do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), São Bernardo exportou 1.302 caminhões para a Argentina no último trimestre de 2013, queda de 14% sobre o acumulado dos três meses anteriores, quando o registro foi de 1.511 unidades.

Para se ter noção da representatividade da Argentina no total de caminhões vendidos a outros países por São Bernardo, o total comercializado de outubro a dezembro aos hermanos equivaleu a 59% do total exportado pelo município. E as principais representantes do segmento são a Mercedes e a Scania, que não respondeu aos questionamentos da equipe do Diário até o fechamento desta edição.

A queda de 3,9% nas vendas totais de caminhões no primeiro bimestre no mercado doméstico, contra o mesmo período do ano anterior, e o anúncio de mudanças nas regras do financiamento subsidiado pelo BNDES/Finame, o PSI (Programa de Sustentação dos Investimentos), apenas no dia 24 de janeiro, são fatores que também têm atingido, negativamente, o setor.

Regras

A jornada de trabalho de 2.000 trabalhadores da Mercedes está reduzida há cerca de um mês, desde a terceira semana de fevereiro. A empresa garantiu que tudo foi negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A entidade destacou que a Scania, também como forma de proteção à queda na demanda, concedeu quatro dias de folga aos funcionários neste mês e mais dois estão previstos para abril.

Os trabalhadores que ficarão em casa um dia por semana não terão seus salários alterados. O período será descontado do banco de horas.

A montadora destaca ainda que não há previsão para o retorno de jornada padrão até que os mercados apresentem normalidade de demanda. As produções de agregados e chassis de ônibus continuam em plena operação.

A empresa não precisou quantos caminhões deixará de produzir por causa da redução.

Fonte: Diário do Grande ABC