Caminhoneiros e Terminal de Libra fecham acordo em Santos-SP

caminhoneiros parados - santos spCom a reserva de mil contêineres vazios transportados pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e do Vale do Ribeira (Sindicam) por mês, chega ao fim a disputa entre a categoria e a Libra Terminais Santos.

O pagamento de estadias, outro pleito dos profissionais, também foi acertado, desde que a empresa seja a única responsável pelo atraso da operação.

O acordo entre o Sindicam e a Libra Terminais Santos foi firmado no início da noite da última segunda-feira, após uma reunião que durou cerca de três horas e aconteceu na sede da Secretaria de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos.

As decisões passaram a valer ontem. Imediatamente, os caminhoneiros desfizeram a tenda que estava armada na Bacia do Mercado, no Canal 4, onde estavam reunidos desde a última quarta-feira.

A lista de reivindicações do Sindicam tem dois pontos principais. O primeiro é a reserva de mercado para o transporte dos contêineres vazios operados na instalação. Para a empresa, atender a esta demanda significava um prejuízo nas operações.

O acordo prevê que, por mês, mil caixas metálicas deverão ser reservadas para o transporte do Sindicam. Também foi acertado qeue a Libra só aceitará veículos que estiverem em plenas condições de trafegar no costado e efetuar carga e descarga através de portêineres (equipamentos que transportam contêineres entre o navio e o cais). O estado de conservação dos caminhões foi criticado pela empresa.

Sobre o pagamento da estadia, o acordo diz que, se o caminhoneiro permanecer por mais de duas horas no terminal, será cobrado 1/6 do valor do frete. No entanto, a Libra só se compromete a pagar se for comprovada sua responsabilidade no atraso.

O diretor financeiro do Sindicam, Alexssandro Vasconcelos Freitas, classificou o acordo como “produtivo”. Segundo ele, as decisões não prejudicam nenhuma das partes. “Bom não está, mas também não está ruim. Para quem não tinha nada, agora temos uma boa condição. Os itens mais polêmicos foram atendidos e, para nós, isso foi muito bom”, explicou.

O acordo só valerá caso não haja novos movimentos de caminhoneiros autônomos contra a empresa. A ideia é impedir novas paralisações nas operações da Libra Terminais.

Por este motivo, os processos judiciais, que estavam em andamento desde que as manifestações começaram, foram encerrados. Um deles estabelecia a multa diária de R$ 150 mil em caso de bloqueio da entrada da instalação. A mesma liminar também mantinha bloqueadas as contas do Sindicam.

Fonte: Jornal A Tribuna

Greve: Caminhoneiros param e BR-101 tem filas de cinco quilômetros nos dois sentidos em Tubarão-SC

PARALISACAO-10-DEZUma paralisação dos caminhoneiros autônomos do país deixa o trânsito complicado no trecho Sul da BR-101 na manhã desta terça-feira. Por volta de 9h, as filas já chegam aos cinco quilômetros nos dois sentidos na região de Tubarão.

O protesto, nacional, teve início às 6h30min, quando dois caminhões se atravessaram na pista, bloqueando a estrada na altura do Morro do Formigão, que está em obras para a construção de um túnel de duplicação. Quem conhece o trecho consegue pegar o desvio nos acessos à Tubarão, e buscam os caminhos alternativos por dentro da cidade. Mas o trânsito também já é complicado por lá.

Os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) já iniciaram uma negociação com os líderes do movimento, já que não há previsão de liberação da rodovia.

A paralisação nacional faz parte do Dia do Freio de Mão Puxado, de iniciativa do Movimento Carga Pesada, que ganhou força nas redes sociais nos últimos dias. A categoria quer chamar a atenção para as dificuldades encontradas pelos transportadores rodoviários de cargas na condução dos seus negócios.

São sete reivindicações, que vão desde subsídio no óleo diesel, renovação de programas de financiamento de dívidas no BNDES, revisão da conhecida Lei do Descanso (Lei 12.619/12),padronização de pesagem de cargas, alteração da forma de cobrança de pedágios, fim da carta frete, até a criação de uma Tabela Nacional de Referência de Frete, para regular os negócios no setor”.

O protesto ocorre em vários estados, mas o trecho Sul da BR-101 é o único em Santa Catarina – foi em Tubarão que o movimento nasceu.

Reivindicações

1 – RENOVAÇÃO DO PROGRAMA DE REFINANCIAMENTO DO BNDES

Em 2012, o BNDES anunciou uma ajuda ao setor de transporte rodoviário de cargas e chegou a lançar as resoluções SUP/AC 019/2012 e SUP/AOI 242/2012, que instituíram o Programa BNDES Especial de Refinanciamento para os Setores de Bens de Capital e de Transporte Rodoviário de Carga. O programa previa carência de 12 meses para os contratos de Finame, com renegociação de até 4 parcelas vencidas, e prolongamento do prazo em até 24 meses. No entanto, essa resolução excluiu de sua abrangência, contratos de Finame com juros pré-fixados, modalidade na qual enquadra-se 90% dos contratos. No fim das contas, uma parcela ínfima de contratos foram beneficiados.

REIVINDICAMOS A RENOVAÇÃO DO PROGRAMA DO BNDES COM CONCESSÃO DE CARÊNCIA DE 18 MESES, RENEGOCIAÇÃO DE ATÉ 6 PARCELAS VENCIDAS E PROLONGAMENTO DE ATÉ 24 MESES, PARA TODOS OS CONTRATOS FINAME, INCLUSIVE O PROCAMINHONEIRO.

2 – REVISÃO DA LEI 12.619/2012 A LEI DO DESCANSO

A classe dos transportadores rodoviários de cargas não é contra ao que objetiva a Lei 12.619/2012, muito pelo contrário. A questão é que, na forma como a Lei está atualmente editada, fica impossível seu cumprimento pela maioria das empresas de transporte, principalmente no que tange ao controle da jornada externa de trabalho do motorista.

Assim, unimo-nos a ANTC – Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logísticas e pleiteamos a alteração da Lei observando os 10 itens que seguem:

ESTABELECER IGUALDADE DE TRATAMENTO ENTRE MOTORISTA EMPREGADO E TRANSPORTADOR AUTÔNOMO;

FLEXIBILIZAR O DESCANSO DIÁRIO DO MOTORISTA EM OITO HORAS CONTÍNUAS, MAIS TRÊS HORAS DURANTE O MESMO DIA;

PERMITIR AO MOTORISTA EMPREGADO TRABALHAR QUATRO HORAS EXTRAORDINÁRIAS NUM MESMO DIA;

FLEXIBILIZAR O DESCANSO SEMANAL PERMITINDO SUA ACUMULAÇÃO POR TRÊS SEMANAS;

PERMITIR AO MOTORISTA PEQUENAS MOVIMENTAÇÕES DURANTE O TEMPO DE ESPERA;

PERMITIR AO MOTORISTA EM DUPLA O DESCANSO NO PRÓPRIO VEÍCULO E O DESCANSO COM VEÍCULO PARADO POR SEIS HORAS A CADA TRÊS DIAS;

O CADASTRAMENTO DOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS DAS RODOVIAS DE TODO O PAÍS EM CENTO E OITENTA DIAS E A VIGÊNCIA DA LEI APÓS ESSE PRAZO;

FISCALIZAÇÃO EDUCATIVA NOS PRIMEIROS CENTO E OITENTA DIAS DE VIGÊNCIA DA LEI;

REGRA DE TRANSIÇÃO PARA OS TRECHOS DE RODOVIA EM QUE NÃO EXISTAM PONTOS DE PARADA A CADA 150 QUILÔMETROS, PERMITINDO A DIREÇÃO ATÉ CHEGAR AO PONTO EXISTENTE OU OUTRO LOCAL DE DESCANSO.

3 –  PADRONIZAÇÃO DA PESAGEM DE CARGA

As balanças são importantes instrumentos de controle e conservação das rodovias brasileiras. Mas a regulamentação dessa obrigatoriedade tem atrapalhado a atividade dos transportadores, visto que há uma disparidade entre a prática comum do setor e o que se exige nos postos de fiscalização, quanto a pesagem por eixo.

CONSIDERANDO QUE DIVERSAS CARGAS NÃO POSSIBILITAM A DIVISÃO DA PESAGEM POR EIXO, REIVINDICAMOS A ALTERAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO, PARA QUE SEJA CONSIDERADA SOMENTE A PESAGEM TOTAL DO VEÍCULO E CARGA.

4 – FIM DA RESOLUÇÃO 3.658 DA ANTT (CARTA FRETE ELETRÔNICA), EM SUBSTITUIÇÃO AO MDF-E (MANIFESTO ELETRÔNICO DE DOCUMENTOS FISCAIS)

A resolução 3.658/11, impõe a forma de pagamento do frete, estabelecendo apenas duas opções: Cartão Eletrônico Pré-pago de operadoras homologadas pela ANTT, ou depósito em conta corrente do contratado. A resolução ainda prevê a declaração da operação de frete através do CIOT, Código Identificador da Operação de Transporte, gerados por tais operadoras. O Setor que culturalmente sempre trabalhou com a Carta Frete em papel, sem nenhuma regulamentação nesse sentido, vem criando objeções ao uso dos Cartões, além da burocratização do processo para geração do CIOT, que interfere diretamente na livre iniciativa de contratação, no que tocante a forma de pagamento.

REIVINDICAMOS QUE COM O ADVENTO DO MDF-E (MANIFESTO ELETRÔNICO DE DOCUMENTOS FISCAIS), QUE VAI DAR VALIDADE FISCAL A TRADICIONAL CARTA DE FRETE E REPASSAR AO FISCO TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS, A RESOLUÇÃO 3.658 DA ANTT SEJA EXTINTA, NÃO INTERFERINDO ASSIM NA FORMA DE PAGAMENTO E EVITANDO A DUPLICIDADE DE INFORMAÇÕES E MAIS BUROCRACIA.

5 – REVOGAÇÃO DA COBRANÇA DE PEDÁGIO COM EIXO SUSPENSO

Para os transportadores que trafegam com o caminhão vazio, com um ou dois eixos suspensos, sem tocar o asfalto da rodovia, o pagamento integral do pedágio torna-se absurdo, onerando ainda mais o custo do transporte. Pensamos  ser lógico que se o caminhão não tem o peso suficiente para justificar o uso de todos os eixos, certamente deveria pagar apenas sobre os eixos utilizados, o que na realidade não vem sendo praticado.

REIVINDICAMOS A IMEDIATA SUSPENSÃO DA COBRANÇA DESSA MODALIDADE DE PEDÁGIO EM TODAS AS RODOVIAS DO BRASIL.

6 – SUBSÍDIO NO PREÇO DO ÓLEO DIESEL

O aumento do preço do principal custo de nossa atividade, o óleo diesel, não tem acompanhado a valorização do frete. Precisamos urgentemente de um subsídio governamental na compra do combustível. Uma classe que utiliza bem menos o óleo diesel, como a dos pescadores, já conseguiu tal benefício, através da Lei nº 9.445/1997 e suas regulamentações.

REIVINDICAMOS A CONCESSÃO PARA OS TRANSPORTADORES RODOVIÁRIOS DE CARGAS, DE SUBSÍDIO NO PREÇO DO ÓLEO DIESEL PARA VEÍCULOS DE TRANSPORTE, A FIM DE MINIMIZAR NOSSOS CUSTOS E CONSEQUENTEMENTE AUMENTAR A COMPETITIVIDADE E RENTABILIDADE DE NOSSAS ATIVIDADES NAS ESTRADAS BRASILEIRAS.

7 – FIXAÇÃO DE VALOR MÍNIMO DE FRETE DE ACORDO COM UMA TABELA DE REFERÊNCIA

REIVINDICAMOS A CRIAÇÃO DE UMA TABELA DE REFERÊNCIA PARA O VALOR DO FRETE NO BRASIL.

Sugerimos:

Que tal instrumento estabeleça o custo de tarifa básica mínima para a remuneração do serviço, cobrindo o percurso de ida e volta;

Que para se chegar a esse valor mínimo sejam consideradas diversos fatores, tais como:

- Tabela de referência apresentada por fabricantes de veículos de acordo com sua capacidade de carga, recomendações de manutenções periódicas e sistemáticas exigidas por  seus fabricantes por hora trabalhada ou quilômetro rodado;

- Despesas fixas da atividade como pneus, insumos operacionais, tributos federais, tributos estaduais, custos sociais, seguros, pedágio e combustível, com possibilidade de reajustes inflacionais;

- Tal instrumento poderia ser passível de fiscalização, inclusive on-line, utilizando informações do CT-e e MDF-e, pela Secretaria da Fazenda ou a ANTT, que poderiam regulamentar a exigência da prática dos preços bases.

Fonte: Diário Catarinense

Greve: Caminhoneiros fizeram 92 bloqueios de estradas em quatro dias

greve 03-07-2013 caminhoneiro (16)A greve dos caminhoneiros, entre os dias 1º e 4, resultou em 92 interdições em rodovias federais e estaduais em dez estados, segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Vinte e sete pessoas foram presas durantes as manifestações. No Rio Grande do Sul (RS), um dos estados mais atingidos pelas paralisações, a PRF contabilizou 35 bloqueios em sete rodovias, como a BR-101, a BR-116 e a BR-392.

A assessoria da PRF do Rio Grande do Sul informou que 50 caminhões e duas viaturas da polícia rodoviária foram apedrejados e dez manifestantes foram presos por desobediência e formação de quadrilha. Um caminhoneiro de 44 anos foi morto na noite de quarta-feira (3) ao ser atingido por uma pedra que atravessou o para-brisa do veículo que dirigia depois de passar por um bloqueio na BR-116, na altura do município de Cristal.

Em Minas Gerais, de acordo com a assessoria de imprensa da PRF, ocorreram 17 interdições nas rodovias federais BR-381, BR-040, BR-116 e BR-251, sem registro de prisões de manifestantes.

A categoria reivindica redução nos custos dos transportes, com subsídio no preço do óleo diesel, isenção do pagamento de pedágios para caminhões e a criação da Secretaria do Transporte Rodoviário de Cargas, vinculada à Presidência da República. Os caminhoneiros também pleiteiam a votação e sanção do projeto de lei que modifica a Lei 12.619/12 (Lei do Motorista).

Na quarta-feira (3), uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que altera a Lei do Motorista. Pela proposta, o motorista pode dirigir durante seis horas consecutivas. A legislação atual obriga o motorista a fazer uma pausa de, pelo menos, 30 minutos a cada quatro horas na direção.

Fonte: Agência Brasil

Governo não ficará ‘quieto’ diante de interrupção de rodovias, diz Dilma

greve 03-07-2013 caminhoneiro (7)A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (3) que o governo não ficará “quieto” diante de interrupções de rodovias. Nos últimos dias, manifestações de caminhoneiros bloquearam trecho de rodovias em estados do país. Segundo a presidente, “ordem signfica democracia, mas também significa respeito à produção, à circulação”.

“É fundamental para o país que estradas não sejam interrompidas e o meu governo não ficará quieto diante de processos de interrupção de rodovias, porque também na nossa bandeira tem a palavra ordem. Ordem signfica democracia, mas também significa respeito à produção, à circulação, e da vida da população brasileira. Então não tenham dúvidas, o governo não negocia isso. Não concordamos com processos que levem a qualquer turbulência nas atividades produtivas e na vida das pessoas”, afirmou a presidente.

Dilma discursou no Palácio do Planalto, durante anúncio de autorização para 50 terminais portuários privados, com previsão de investimentos particulares de R$ 11 bilhões.

“Não concordamos com protestos que levem a qualquer turbulência nas atividades produtivas e na vida das pessoas. Uma coisa são manifestações pacíficas que muito engrandecem o país. Outra coisa completamente diferente é acreditar que o país possa viver sem normalidade e estabilidade”, afirmou Dilma.

Para a presidente, a democracia, a economia e a população do país precisam de “ordem”. “O Brasil precisa de ordem tanto para a democracia, quanto para a sua economia, quanto para a vida de cada um dos brasileiros e das brasileiras. Por isso eu retomo e acrescento a democracia como uma questão pétrea do nosso país. A nossa bandeira expressa também o sentido de que os nossos fundadores republicanos deram para o nosso país que é ordem e progresso”, concluiu.

Portos

A presidente Dilma Rousseff elogiou a celeridade com que a nova lei dos portos será aplicada e disse que, com os 50 terminais iniciais, o país está completando a “nova abertura dos portos brasileiros”. “Os ministros do governo agiram de forma bastante acelerada para garantir que esse projeto tivesse resultado o mais rápido possível dada a urgência do setor”, disse durante cerimônia no Palácio do Planalto.

Dilma disse que a nova lei, “se executada com eficiência, ouvindo o setor e garantindo um fluxo constante de autorizações, não só vai ampliar a concorrência entre os prestadores de serviços portuários, como vai aumentar também oportunidades”.

A simplificação do processo para a construção de novos terminais, de acordo com a presidente, garante mais oportunidade a todos os empresários interessados.

“Com esse anúncio, nós abrimos, então, a etapa em que a gente diz: ‘quem quer construir?’ Nós temos aqui 50 interessados. Se alguém além dos 50 interessados quiser, terá a oportunidade de participar de um processo simplificado de licitação. Mas se não aparecer nenhum interessado em trinta dias, está autorizado o funcionamento do terminal de uso privado”, afirmou.

A presidente agradeceu “calorosamente” ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pela aprovação da lei, que foi objeto de discórdia entre o Planalto e parlamentares. Dilma vetou dez pontos do texto. “Ambos foram decisivos nesse processo mediando um conflito do qual emergiu esse projeto que é a Lei dos Portos”, disse.

“Os senhores deputados e senadores são os atores junto com o governo federal desse processo de construção que foi melhorando e criando o arcabouço legal no qual nós nos respaldamos para lançar o decreto”, afirmou a presidente.

Fonte: Globo

Greve – Líder de caminhoneiros diz que governo o faz de ‘bode expiatório’

Nelio BotelhoO presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), Nélio Botelho, afirmou nesta quarta-feira (3) que o governo o trata como “bode expiatório” em razão dos protestos que bloqueiam rodovias de todo o país nos últimos dias.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar suspeitas de locaute (greve patrocinada por empresários) por parte de Botelho. O ministro dos Transportes, César Borges, disse que, “como empresário”, Botelho “engendrou” paralisações. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou que Botelho tem 39 contratos com a Petrobras que somam R$ 4 milhões mensais.

Botelho afirmou que não é empresário, mas sim presidente de uma cooperativa de motoristas, a Cooperativa Brasileira dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Cobrascam).

Ele confirmou que a entidade tem contratos com a Petrobras, embora não saiba o valor exato e nem o número, mas que disse se trata de uma cooperativa de caminhoneiros sem fins lucrativos. Ele negou a prática de locaute.

“Em função da gravidade da situação nas rodovias, o governo está querendo pegar alguém como bode expiatório. Sou transportador autônomo, proprietário de um único veículo, membro da diretoria de uma coopertativa de transporte de carga. É uma empresa comercial, mas sem fins lucrativos. Essa informação de que estou comentendo locaute é absurda. Estão querendo um bode expiatório, dizendo que sou empresário”, disse Nélio Botelho.

Botelho disse ter sido informado nesta quarta sobre decisão da Justiça Federal do Rio que bloqueou seus bens e os do Movimento União Brasil Caminhoneiro em razão do descumprimento judicial à decisão que ordenou o não bloqueio de estradas. Ele classificou a decisão como “medida absurda”.

“Tomei conhecimento extraoficial de que na sede do MUBC chegou uma medida judicial aplicando multa de R$ 6 milhões e mandando bloquear os bens do movimento e os do presidente. O movimento não tem nenhuma receita, vive de doaçóes. O presidente, que sou eu, é um caminhoneiro, pagando prestação de um único caminhão, ainda nem está no meu nome. Onde vamos arrumar esse dinheiro?”

Ele informou que, após ser notificado oficialmente, procurará advogados da entidade para apresentação de recurso.

Nélio Botelho negou ser líder das manifestações de protesto nas estradas. Ele afirmou que, como presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, coordena ações. A entidade reivindica, disse, redução no preço do diesel e de pedágios.

“Essa greve foi proposta e programada pela absoluta maioria dos caminhoneiros em todo o território nacional. Eles [governo] elegeram o Movimento União Brasil Caminhoneiro como ponto central da organização. Mas o governo está achando que sou líder, que sou Deus. Como presidente do movimento, supervisiono, coordeno, mas as decisões partem da maioria.”

Botelho diz ainda que o governo está negociando com entidades que não fazem parte da paralisação e que empresários do setor estão tentando “tumultuar”.

“Há empresários que estão tentando sentar na mesa do governo para tumultuar tudo. Isso é esperado, é natural que aconteça. Só quero destacar que o MUBC não tem envolvimento político com quem quer que seja.”

Fonte: G1

Polícia Federal investiga participação de patrões em protestos de caminhoneiros

greve 03-07-2013 caminhoneiro (16)A Polícia Federal vai investigar a ocorrência de locaute – paralisação de serviços coordenada pelo setor patronal – nos protestos de caminhoneiros que provocam, desde segunda-feira (1º), bloqueios em várias estradas do país. Eles reivindicam principalmente redução nos preços do óleo diesel e dos pedágios. A prática, conforme ressaltou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é considerada crime pela legislação brasileira.

De acordo com Cardozo, as suspeitas foram apresentadas pelo ministro dos Transportes, César Borges, que lhe enviou um ofício solicitando “a adoção das providências cabíveis para apuração de eventual ilícito penal praticado”. Ele garantiu que o governo vai agir com “o máximo rigor” e que os indícios dessa prática são “fortes”.

“Não vamos transigir com quem pratica crimes, com quem transgride a lei. O locaute é proibido no Brasil, portanto se alguém espera algum tipo de negociação, se equivoca. Prática de crime não se tolera, ilícitos não se se toleram e vamos ser muito rigorosos nisso”, disse, durante entrevista coletiva hoje (3), no Ministério da Justiça.

“As narrativas feitas pelo ministro César Borges e pelo advogado-geral da União, ministro Luís Inácio Adams, trazem indícios fortes de que interesses de grupos econômicos ou empresas podem estar por trás disso [dos atos] e há suspeitas de que crimes decorram dessa prática de locaute. Todos eles serão apurados”, acrescentou.

O ministro dos Transportes destacou que apenas o representante do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), apontada como responsável pela convocação da paralisação geral da categoria, Nélio Botelho, tem insistido na mobilização com o objetivo de provocar desabastecimento no país. De acordo com o ministro Adams, Botelho é dirigente de uma cooperativa de autônomos e mantém contratos com entidades estatais, particularmente com a Petrobras. Ressaltou que já foi orientado a iniciar um procedimento de averiguação desses contratos e de possível rescisão contratual.

O ministro César Borges enfatizou que se reuniu, ontem (2), em Brasília, com representantes de vários setores do ramo dos transportes, entre eles os ligados aos transportadores autônomos e aos motoristas: verificou que nenhum deles tinha intenção de levar adiante o movimento, até se posicionando contrários ao enfrentamento.

“Apenas o Movimento União Brasil Caminhoneiro insistiu nessa posição. Vimos, sem sombra de dúvidas, a procura de benefícios próprios às suas organizações. Por isso, solicitamos que o Ministério da Justiça levasse avante investigações para verificar o que está por trás dessa movimentação, que é de um setor minoritário na representação e, também, entre todos que fazem o transporte de cargas no Brasil”, disse.

Fonte: Agência Brasil

É justo protestar!

Greve de caminhoneiros - Brasil 2013 (39)Texto de: Jaime Alves – Repórter Pé na Estrada

No meu trabalho eu procuro ser imparcial, mas é evidente que faço uma defesa pelos direitos dos bons caminhoneiros, dos profissionais de verdade. Eu entrevisto caminhoneiros há dez anos. Já vi motorista chorar jogado à beira do acostamento com a carreta quebrada, sem nenhuma assistência da rodovia que cobra pedágio caro. Liguei para a Concessionária e em quinze minutos chegou um guincho para rebocar o caminhão e levar a um local seguro. Eu fiquei indignado com esse descaso da Concessionária, que só prestou o serviço por que um repórter ligou.

Esse descaso está em muitos lugares. A vida na estrada é cruel. Assalto, corrupção, acidente, restrição à circulação, caminhão feito de armazém, longas horas de espera, falta de estrutura para receber a esposa e o filho que acompanham o caminhoneiro, semanas sem ver a família, sem acompanhar o crescimento dos filhos de perto… E tudo isso para ganhar pouco, trabalhar muito e deixar o dinheiro no pedágio.

É preciso por um basta nisso. Pra mim a Lei do Descanso é o caminho para mudar essa situação. Sobre fazer protesto, sou a favor. É legítimo reivindicar. Sobre fechar rodovia, é outra história, porque distancia ainda mais a sociedade de uma causa legítima. Acho que o correto seria ficar em casa com a família.

Escrevo isso, por que hoje algumas pessoas imaginaram que eu critiquei as manifestações dos caminhoneiros em editorial do jornal O Estado de S.Paulo. Quem escreve é algum diretor ou articulista no espaço destinado a dar a opinião do jornal.

Eu nem trabalho no Estadão. Só leio. E como o Estadão é um importante formador de opinião, eu compartilhei com vocês o artigo “Locaute dos caminhoneiros”(Para ver a matéria original CLIQUE AQUI). Trata-se de uma crítica às manifestações. O jornal tem liberdade para criticar o que quiser, mas me pareceu bastante simbólico, pois é uma demonstração de como os caminhoneiros estão isolados neste protesto.

Alguns me cobraram por que eu não faço alguma coisa. Acontece que não sou representante dos caminhoneiros. Sou repórter. O que faço é dar voz aos caminhoneiros. Observe o trabalho que a gente faz no Pé na Estrada e me responda: algum setor da imprensa dá mais espaço para os caminhoneiros falarem do que a gente?

Domingo que vem vai entrar matéria minha sobre os protestos na Castelo Branco. Ao mostrar o lado do caminhoneiro, quem sabe a sociedade começa a entender como este profissional está cansado de ser humilhado?
Abraço a todos.
Texto de: Jaime Alves – Repórter Pé na Estrada

Greve: Locaute dos caminhoneiros

castello_protesto_caminhoneirosO recente fechamento de pelo menos 22 rodovias em 9 Estados brasileiros não se insere no panorama de manifestações populares nas ruas das grandes cidades nas quais a cidadania manifesta sua indignação contra a péssima gestão pública, a inflação, a corrupção e outras mazelas da vida nacional. Não se trata de uma mobilização de natureza política, mas, sim, de um movimento de pressão econômica, um locaute, ou seja, o equivalente dos patrões à greve de operários.

Os caminhoneiros que bloquearam trechos de estradas fundamentais para o tráfego de mercadorias e passageiros, tais como a Dutra, que liga o Rio a São Paulo, e as estaduais Castelo Branco, para o interior paulista (por 15 horas a fio) e a Anchieta, que dá acesso ao Porto de Santos, lutam por interesses específicos de sua categoria. Muitas vezes sem razão. Reclamam, por exemplo, do preço do óleo diesel, cujo reajuste foi feito muito abaixo do que a Petrobrás precisava para repor as perdas que sofreu por causa da decisão do governo de manter os combustíveis no mesmo valor, sem levar em conta o aumento do petróleo cru no mercado internacional.

Os militantes do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), um dos sindicatos da categoria, pretendem obter do governo subsídio para baratear o custo do combustível. Ou seja, que parte do custo de sua atividade seja financiada por contribuintes que nada têm que ver com o negócio deles.

Outra reivindicação injustificável é a redução (ou isenção) de cobrança de pedágios para caminhões, que são remunerados com fretes para transportar carga e devem arcar com as despesas de manutenção das estradas como quaisquer usuários.

No caso específico de São Paulo, o governo do Estado suspendeu o reajuste do pedágio nas estradas estaduais privatizadas. E, pressionado pelos bloqueios rodoviários, desistiu de cobrar desde o dia 1.º de julho pelos eixos suspensos, que caracterizam o deslocamento do caminhão sem carga.

Esses bloqueios em estradas paulistas também tentam, pela segunda vez, levar a Prefeitura da capital a recuar de sua decisão de não permitir a passagem de caminhões pelas avenidas marginais nos horários de pico. Neste caso, os caminhoneiros autônomos (empresários), liderados há 14 anos por Nélio Botelho, querem que a autoridade municipal paulistana submeta a prerrogativa coletiva dos usuários de transporte na maior cidade do País a seus interesses corporativos. Da primeira vez em que tentaram, o ex-prefeito Gilberto Kassab não cedeu. Seu sucessor, Fernando Haddad, ainda não deu sinais de que pretenda fazê-lo.

Os bloqueios também fazem eco às pressões de empresários para que se flexibilize a Lei do Descanso, aprovada no ano passado e que define carga horária para o trabalho dos condutores de caminhões nas estradas. O MUBC, representantes de pequenas empresas de transporte e grandes companhias de carga querem forçar o Congresso a reduzir o horário de descanso previsto na lei para os caminhoneiros. Outra entidade sindical ligada aos autônomos, a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), é contrária à mudança do dispositivo legal e também à paralisação. “O Nélio representa grandes empresários do agronegócio. Ele mesmo é um empresário e não defende interesses dos trabalhadores”, acusou José Araújo China, seu presidente. A exemplo dele, o presidente do Setcesp, sindicato das transportadoras, se posicionou contra os protestos. “Temos que garantir o abastecimento dos supermercados, padarias, lojas e postos de combustíveis”, argumentou.

Além desse problema citado, os bloqueios das estradas chamam a atenção para a insuficiência e a péssima manutenção da malha rodoviária brasileira, que oneram mais a atividade dos caminhoneiros do que outros itens dos quais eles reclamam. Cabe à autoridade desobstruir as estradas para garantir o direito de ir e vir dos usuários e a normalidade do abastecimento, proteger a vida dos motoristas e evitar prejuízos econômicos. Os caminhoneiros não estão acima da lei.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Greve de caminhoneiros faz Aurora paralisar ou diminuir produção

295937-970x600-1A Coopercentral Aurora Alimentos, com sede em Chapecó (SC), vai paralisar ou reduzir as atividades de cinco unidades a partir de amanhã em consequência da greve dos caminhoneiros em várias regiões do país, informou hoje a assessoria de comunicação da central. Por conta disso, pelo menos 2.000 trabalhadores da Aurora serão dispensados do trabalho nesta terça-feira.

De acordo com comunicado da Aurora, “os caminhões que levam rações para as propriedades rurais e os caminhões de transporte de aves, de suínos e de leite in natura que buscam a produção pecuária em mais de 5.000 propriedades rurais estão sendo retidos em dezenas de barreiras levantadas pelos grevistas”. Dessa forma, as unidades industriais não estão recebendo matéria-prima para processar.

A coopercentral informou que o frigorífico de São Miguel do Oeste reduzirá abate diário de suínos à metade, para 950 animais/dia. Já a unidade de aves de Maravilha suspenderá totalmente o abate e processamento de 145.000 frangos por dia.

Além disso, as três unidades da Aurora em Chapecó terão diminuição de 30% nas áreas de presuntaria, salsicharia e lingüiça, segundo o comunicado.

A empresa informou que a distribuição de ração para as 20 milhões de aves e 800 mil suínos alojados a campo está prejudicada desde hoje e centenas de criadores têm apenas a ração que já estava nos silo para alimentar os animais.

Fonte: Suinocultura Industrial