Custos de frete para o escoamento de grãos dispara

Escoamento da safra de soja por caminhões bitrem - Mato GrossoO forte aumento da demanda em ano de safra recorde, a alta de 5,4% no preço do diesel e os primeiros reflexos da nova “lei dos caminhoneiros”, provocaram uma escalada nos custos de frete para o escoamento de grãos na atual safra.

Em Mato Grosso, que deverá ser responsável por 9% de toda a soja produzida no mundo nessa temporada, o custo do transporte aumentou, em média, 21,6% somente na semana passada.

De Sorriso ao Porto de Paranaguá, o frete chegou a R$ 290 por tonelada, alta de 20,8% em relação aos R$ 240 da semana anterior. De Rondonópolis ao Porto de Santos, o aumento foi ainda maior: 33,3%, de R$ 150 para R$ 200 por tonelada.

Em relação a março do ano passado, o aumento chega a 46,5% para o trecho até Paranaguá e a 34,2%, até Santos. Na mesma comparação, a cotação média da soja em Mato Grosso subiu 20%, de 639,83 para R$ 770,5 por tonelada. Isso significa, que dos R$ 130 que os produtores de Mato Grosso receberam a mais pela soja vendida na semana passada, mais da metade foi para arcar com a elevação do frete.

O aumento do tráfego na estrada úmida piora as condições da rodovia e, consequentemente, dos caminhões, o que colabora para a elevação do frete. A estimativa do Imea (Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária) aponta que cerca de 60% da soja colhida em Mato Grosso chega via ferrovia ao Porto de Santos, 32% seguem por hidrovia para o escoamento pela região Norte do País, enquanto os 8% restantes seguem totalmente por rodovias, para exportação pelos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. Porém, para chegar aos terminais ferroviários, a carga precisa se servir de estradas e, nesses trechos, os fretes subiram até 60%.

Fonte: Guia Marítimo

Defasagem média no preço dos fretes é de 15%

Scania T124 BitremO desequilíbrio no valor dos fretes cobrados no Brasil é um dos principais problemas enfrentados pelos transportadores de carga no país. Segundo a Associação Nacional dos Transportadores de Carga e Logística (NTC), a defasagem média entre o custo e o valor do frete por carreta hoje no Brasil está em 15%. Em algumas rotas, como no trajeto Manaus-São Paulo, que inclui trecho rodo-fluvial e escoa grande parte da produção da Zona Franca de Manuas, essa defasagem chega a 35%. “Isso reduz a rentabilidade das transportadoras. Em média, as 50 maiores do setor têm uma margem de apenas 2% sobre as vendas”, diz Neuto Gonçalves dos Reis, diretor técnico da NTC.

A defasagem acontece apesar do represamento no preço dos combustíveis. “Esse insumo representa 30% do custo do frete. Se o diesel for reajustado em 10%, o impacto no frete é de 3% e o repasse tem de ser imediato”, observa. As expectativas variam. “O setor sucroalcooleiro, por exemplo, espera pagar fretes de 5% a 10% mais altos para transportar açúcar”, diz Newton Gibson, presidente da Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga (ABTC). “Já os produtores rurais do Centro-Oeste trabalham com uma redução média de até 40% no custo do transporte da safra em 2015, em levantamento feito pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), por causa da nova rota de escoamento pelo Pará e da aguardada pavimentação na BR-163 sentido Cuiabá (MT) a Santarém (PA), a ser concluída.”

Para Caio Wagner Couto, professor da pós-graduação de logística do IBMEC-MG, as distorções do frete no Brasil são provocadas pela ineficácia da estrutura dos modais de transporte no país. “Há uma concentração excessiva no modal rodoviário, que responde por cerca de 75% da carga, e sem integração. Uma carga de soja sai de trem no Centro-Oeste, mas tem de fazer transbordo para caminhão para chegar a São Paulo”, diz. Gibson acrescenta que as condições inadequadas de uma rodovia podem até dobrar o valor final do frete. “Além disso, elevam o consumo dos combustíveis com acelerações e frenagens frequentes”, diz.

Gonçalves dos Reis aponta o excesso de concorrência no transporte rodoviário como um dos principais fatores de defasagem no frete. “Há muita oferta e o transportador acaba oferecendo descontos que não deveria”, observa. Ao mesmo tempo, há uma série de fatores que pressionam os custos dos transportadores. “Falta mão de obra qualificada, o tempo de espera nas barreiras fiscais é longo, há perdas causadas pelas restrições de circulação de caminhões em rodovias e nas vias urbanas, onde o motorista tem que ficar parado esperando liberação de tráfego, o que atrasa a entrega, além da Lei do Descanso que aumenta o tempo da viagem e o custo da mão de obra”, enumera Gibson.

Vale notar que, apesar da defasagem, o custo ainda é elevado. No Brasil, o frete médio de uma carga de grãos entre a lavoura e o porto foi de US$ 92 em 2013, contra US$ 23 nos Estados Unidos e US$ 20 na Argentina”, compara Luiz Antônio Fayet, consultor de Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Fayet observa que há um grande desnível regional no frete cobrado no país, devido à má distribuição da infraestrutura. “A fronteira agrícola se expandiu em direção ao Norte do país, sem investimentos em infraestrutura para escoar a produção”, diz.

Fonte: Valor Econômico

Fim de fila no porto de Santos reduz preço de frete

Caminhões - Porto de SantosAlguma organização foi suficiente para que o escoamento da safra agrícola pelo porto de Santos neste ano deixasse de figurar como um problema nacional.

Depois de um 2013 tumultuado, quando a chegada de milhares de caminhões sem nenhum controle parou as estradas de São Paulo, em 2014 não foram registrados problemas significativos nas rodovias de acesso ao porto.

Dados da SEP (Secretaria Especial de Portos) apontam que, mesmo com um volume maior de carga transportada, o tempo de espera dos caminhões diminuiu.

A falta de engarrafamentos e o menor tempo de espera resultaram na redução em 7%, em média, do preço do frete para produtores do Mato Grosso, segundo o Imea (Instituto Matrogrossense de Economia Agropecuária).

Dados do instituto apontam que, em março do ano passado, o transporte da soja da cidade de Sorriso (MT), um dos principais municípios produtores do país, a Santos chegou a bater R$ 320 na tabela. Neste ano, o preço ficou em R$ 300. Mas as negociações, em geral, reduzem esse valor ainda mais.

Os dados da Secretaria de Portos apontam que, em 2014, a quantidade de grãos movimentada por Santos alcançou 12,4 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre do ano, um crescimento de quase 1% em relação ao ano anterior.

Mas a safra foi mais bem distribuída. O número de caminhões usados caiu cerca de 10% na comparação entre os dois quadrimestres, principalmente devido ao uso de equipamentos de maior capacidade.

Mesmo assim, no mês de março -pico das operações- a quantidade de caminhões foi praticamente a mesma nos dois anos. No dia 25 deste ano, o número de caminhões alcançou seu recorde histórico com quase 3.000 veículos.

Mesmo nesse dia, não houve registro de problemas, ao contrário do ano passado, quando os engarrafamentos foram rotineiros entre fevereiro e março.

A melhor organização fez com que o tempo de espera dos caminhões diminuísse. A redução das chuvas neste ano também contribuiu -a chuva restringe o número de horas em que o porto pode embarcar e desembarcar grãos.

Em março de 2013, os caminhões chegavam a perder dez horas no pátio aguardando para descarregar.

Neste ano, o tempo médio em março ficou em 6h20min, caindo para 5h50min no mês seguinte.

Após os problemas apresentados em 2013, o governo anunciou, em dezembro, medidas para diminuir as filas. A principal solução foi o agendamento obrigatório da chegada dos caminhões ao porto, medida que já vinha sendo implementada há quase uma década em outro porto, o de Paranaguá (PR).

Os terminais portuários que recebessem caminhões não agendados foram ameaçados com multas. Uma campanha publicitária informou aos produtores e motoristas sobre o novo sistema. O índice de caminhões agendados chegou alcançar 99% em alguns dias no mês de março, segundo a SEP.

Também foram criadas áreas para que os caminhões possam aguardar pelo agendamento, e obras de pequeno porte nos acessos ajudaram a controlar o fluxo de veículos.14125590

Fonte: Folha

Passado o pico da colheita, preço do frete em MT cai 20% em um mês

Produção recorde de milho derruba os preços e eleva o frete em MTO custo do transporte de grãos caiu em Mato Grosso. Com o fim da colheita da soja, a procura por caminhões diminuiu e o valor do frete teve uma boa redução.

Caminhões carregados de soja cruzam a todo momento as rodovias de Mato Grosso e o escoamento da safra está mais barato no início deste mês. O custo para transportar uma tonelada do grão de Rondonópolis, no sul do estado, para Paranaguá, no Paraná, por exemplo, é de aproximadamente R$ 190, cerca de 20% menos do que o valor cobrado há 30 dias.

A queda está diretamente relacionada com o fim da colheita das lavouras de soja e a explicação é simples. Como a maior parte dos grãos já foi retirada do campo e levada para os armazéns, a demanda por caminhões ficou menor.

A redução era prevista, segundo o diretor de uma transportadora, Nicolau Bissoni , que tem 180 caminhões.

O ritmo mais lento da venda da soja, a contratação antecipada do frete por muitos agricultores e o aumento da frota de algumas transportadoras também influenciaram, mas de acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), apesar da desvalorização, o preço atual ainda pesa no bolso dos agricultores. “Quem paga o frete é o produtor. Para as transportadoras pode estar mais barato, mas para a gente, o valor do frete hoje ainda encarece bastante”, diz Sérgio Mattei, delegado da Aprosoja.

O valor do frete deve sofrer nova alta na época da colheita do algodão e do milho safrinha, previstas para junho.

Fonte: Globo Rural

Defasagem do frete entre Manaus (AM) e São Paulo (SP) é de 34%

iveco stralis bitrem 9 eixosUm estudo do Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos (Decope) da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) aponta que o custo do frete entre Manaus (AM) e São Paulo (SP) acumula uma defasagem de 34,7% para um conjunto cavalo mecânico tracionando uma carreta de três eixos.

Segundo a entidade, a rota rodo-fluvial entre as duas cidades é responsável pela distribuição de grande parte dos produtos fabricados na Zona Franca e na capital paulista. O trajeto tem 2,9 mil km de estradas e, somado ao transporte por balsa, totaliza seis mil km, que exigem quase um mês de viagem.

Os custos relativos aos veículos e à balsa representam 78% do valor total da viagem. O restante equivale a tributos e despesas administrativas.

Conforme o assessor técnico da NTC&Logística, Neuto Gonçalves dos Reis, se a viagem tem custo de R$ 36 mil, os transportadores estão conseguindo cobrar aproximadamente R$ 24 mil. “Com um movimento de renegociação, será possível recuperar até 15% desses valores. Mas é uma situação difícil porque tem linhas que operam neste trajeto que precisam prestar o serviço e acabam oneradas em razão desta defasagem”, explica. No entanto, ele pondera que grandes empresas poderão reduzir os serviços no percurso para reduzir o prejuízo financeiro.

A entidade considera necessária a recomposição dos valores para evitar que o transporte de cargas no percurso fique estagnado e que o serviço seja prestado abaixo do padrão de qualidade.

Fonte: Agência CNT de Notícias

Início da colheita de soja em MT eleva em 35% preço do frete

colheita sojaCom o avanço da colheita da soja em Mato Grosso – que atingiu 36% do total da área plantada – o custo do frete disparou, em média 35% no Estado em um mês, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na cidade de Sorriso, a maior produtora de soja do mundo, o ajuste de preço para o transporte da oleaginosa até o porto de Paranaguá (PR) foi de 31,82% de janeiro para fevereiro.

“Há sempre um aumento nos preços quando a colheita começa, mas este ano foi menos intenso que em 2013”, diz o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Laércio Pedro Lenz. No ano passado, o setor de transportes chegou a reajustar o valor em 60% em razão da entrada em vigor da lei dos caminhoneiros (nº 12.619/12), que regularizou a profissão e reduziu a jornada de trabalho dos motoristas.

De Sorriso à Paranaguá, por exemplo, o transporte de soja custa R$ 290 por tonelada. De Sorriso a Rondonópolis, cidade ao sul do Estado, o valor do frete é de R$ 110 a tonelada, com variação mensal de 30%.

“O aumento só não foi maior porque a colheita está paralisada na última semana em função das chuvas”, diz Lenz. Em Sorriso, 50% da área plantada já foi colhida. “Por enquanto não registramos perdas significativas, mas se as previsões estiverem certas e chover na região até o dia 24, teremos um aumento de ardido nos grãos e isso poderá reduzir nossa lucratividade”, afirma. O presidente do sindicato, porém, acha que é alarmante falar do assunto agora e não faz estimativas de perdas.

A negociação de soja na cidade está, em média, em 50% do total plantado, com preço estável há três semanas em torno de R$ 51 a saca.

Fonte: Valor Econômico

Alta dos combustíveis pode impactar em até 2,3% o custo do frete

abastecendo dieselA partir do reajuste de preço dos combustíveis praticado pela Petrobras desde o último sábado, 30 de novembro, o Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos da NTC&Logística – DECOPE – realizou um estudo para prever o impacto direto no custo operacional dos caminhões. A gasolina e o diesel tiveram aumentos de 4% e 8%, na refinaria, respectivamente.

A análise levou em conta o aumento de 7% na bomba, pois, segundo Neuto Gonçalves dos Reis, diretor técnico da NTC&Logística, o reajuste de 8% é válido apenas para o preço da refinaria e nem todo o aumento chegará às bombas. O cálculo considerou o consumo de combustível de um caminhão trator 4×2 tracionando carreta furgão de três eixos, com capacidade para 26,2 toneladas de carga.

“A previsão é que o custo tenha um aumento médio de 2,05% (distâncias de 800 km), mas o número pode variar para mais ou para menos de acordo com a distância percorrida pelo veículo”, explica Neuto. Para quilometragens longas (2,4 mil km), o aumento pode chegar a 2,24%.

Ainda de acordo com o estudo, o custo do caminhão pesado poderá sofrer um impacto de 0,73% quando o trajeto for de 50 km, 1,83% em um trajeto médio de 400 km e 2,30% quando o trajeto for muito longo. Deve-se levar em consideração que estes valores foram baseados em carga lotação e, dependendo da operação, a representatividade do combustível varia de 15% a 40%.

Em operações urbanas ou rotas curtas, o combustível pode representar entre 15 e 20% do custo de operação. Já em uma operação rodoviária, por exemplo, do agronegócio, onde são utilizados veículos pesados que percorrem grandes distâncias, o peso do combustível pode subir para 40% ou mais.Tabela_precoatualizada

Fonte: NTC&Logística

Produtores de MT temem falta de caminhões para escoar a produção

Scania 113Produtores de Mato Grosso estão preocupados com a falta de caminhões para transportar a produção agrícola da safra atual. Por mais que os trabalhos estejam concentrados nos campos, os agricultores temem prejuízos e gastos extras com a colheita da safra, que deve ocorrer entre janeiro e fevereiro de 2014.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Carlos Fávaro, destaca que a super produção da safra mato-grossense irá contribuir para a demanda aquecida por caminhões. “A nossa safra cresceu de 15 milhões de toneladas para 25 milhões de toneladas nos últimos anos. Só a produção de milho passou de 7 milhões de toneladas para 22 milhões de toneladas em dois anos. Implicando na necessidade de mais veículos para transportar os grãos, levando em conta que temos a rodovia como principal modal utilizado no estado”.

Ele afirma ainda que há uma competição entre os fretes curtos, que é da lavoura até os armazéns, e os fretes longos, dos armazéns aos portos brasileiros. “Entre o frete curto e longo, a prioridade é para o longo. Isso acontece porque não temos integração entre diversos modais de transportes”. Para o representante do setor, a falta de caminhões continuará sendo um problema para os produtores mato-grossenses até o momento em que sejam usado caminhões para o transporte curto da produção, integrando com as barcaças e ferrovias nos trechos mais longos.

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Otávio Celidôneo, acrescenta que a elevação no preço do frete, devido o aumento da demanda, é comum neste período. Ele avisa para os produtores ficarem atentos afim de evitar a alta excessiva dos preços. O gasto para o transporte da produção representa 19% do custo total da soja, por exemplo. Segundo o Imea, entre a safra 12/13 e 13/14 esse desembolso aumentou quase 17%, passando de R$ 44,33 por hectare para R$ 44,33 por hectare.

Fonte: AgroDebate

Governo aperta normas para tentar fazer valer a lei dos caminhoneiros

caminhoes-noiteO governo soltou resolução para apertar a fiscalização da lei dos caminhoneiros. Dados do setor de transporte apontam que uma minoria está cumprindo a legislação, o que leva a risco para motoristas nas estradas e a sonegação de tributos.

Desde 1º de agosto, uma ordem do Confaz, órgão que reúne secretários estaduais de Fazenda de todo o país e o governo federal, determina que as cargas transportadas terão que ter um registro eletrônico, o chamado CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico).

Esse registro vinha sendo implantado aos poucos pelos Estados e era obrigatório para alguns tipos de companhias. Agora será compulsório para todas as empresas, exceto as inscritas no Simples. O CT-e facilita a fiscalização e evita a sonegação de impostos nesse setor, estimada em mais de R$ 70 bilhões ao ano.

Alfredo Peres, presidente da Associação das Administradoras de Meios de Pagamento, diz que atualmente 15 milhões de cargas são registradas mensalmente no país.

Mas, segundo ele, esses números não batem com a quantidade de fretes registrados oficialmente na ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) em outro sistema –2,3 milhões. Mesmo considerando que um frete pode ter diferentes cargas, o número é baixo.

“Acreditamos que menos de 10% dos fretes estão sendo registrados”, afirma Peres.

O registro do frete na ANTT, chamado Ciot, foi implantado em 2011 para dar início a processo de regulação da profissão de caminhoneiros. Com o registro, a empresa que contrata um transportador é obrigada a informar a carga, o custo do frete e o tempo da viagem, entre outros dados.

A intenção do governo era obrigar empresas a pagar os caminhoneiros por um meio oficial, evitando assim a chamada carta-frete. Nesse modelo, que foi proibido, os caminhoneiros recebiam uma ordem de pagamento e descontavam o documento em postos de combustível por produtos.

Havia denúncias de que os trabalhadores pagavam valores mais altos que o normal por produtos e ainda taxas extras para receber em dinheiro. Alfredo, que representa as empresas que fazem o registro eletrônico, diz que a prática da carta-frete ainda não acabou.

A ideia do governo agora é unir as informações dos sistemas fazendário e da ANTT para facilitar a fiscalização. Já nas estradas os fiscais terão a informação do origem e destino da carga e o período em que ela é transportada, servindo de prova em caso de os caminhoneiros serem obrigados a trabalhar mais tempo que a lei determina.

Desde o ano passado, uma lei regulamenta o tempo de jornada dos caminhoneiros. O objetivo é reduzir acidentes. Ela tem apoio do caminhoneiros empregados e de grandes empresas de transporte. Mas a legislação tem sido alvo de críticas do setor produtivo e dos caminhoneiros autônomos pelo aumento de custos e dificuldade para cumprir o tempo de descanso imposto.

CATEGORIA VALOR ANUAL (Em R$ bilhões) PERCENTUAL SOBRE A ESTIMATIVA DO CUSTO NACIONAL DE FRETE (R$ 203 bilhões/ano)
Previdência (mortos e feridos em acidentes) 15,7 8%
Horas extras não pagas 33,6 18%
Impostos sobre horas extras não pagos 10,2 5%
Total 62,5 31%

*Empresas que pagam impostos pelo Simples serão obrigadas a partir de 1º de dezembro

CAMINHONEIROS
Aperto na fiscalização: o governo está criando mecanismos para apertar a fiscalização de cumprimento das leis que regulam a jornada e a forma de trabalhar dos caminhoneiros

REGISTROS ELETRÔNICO DA CARGA
Era necessário apenas para alguns tipos de carga em alguns Estados. Passou a ser obrigatório, desde a semana passada, para todos os tipos de carga*

REGISTRO ELETRÔNICO DO FRETE
Desde 2011, o governo determina que todos os fretes devem ser inscrito num sistema chamado Ciot (Código Identificador de Operação de Transporte), que registra custos e tempo de transporte

COMO SERÁ FEITO
A ideia é cruzar o registro da carga com o do frete para facilitar a fiscalização
Dados da indústria apontam que já há mais de 15 milhões de registros eletrônicos mensais de carga, mas apenas 2,3 milhões de registros de frete por ano
O intuito é ter instrumentos para melhorar a fiscalização dos fretes, evitando sonegação e descumprimento dos tempos de direção e forma de pagamento dos caminhoneiros

PREJUÍZOS
Estudo do procurador do Trabalho Paulo Douglas indica que a sociedade vem pagando anualmente 1/3 dos custos do frete, que deveriam ficar a cargo de quem envia as cargas

Fonte: Folha de São Paulo