Finame para caminhões usados terá juros de 8,7% ao ano

O BNDES promete que, em outubro ou no mais tardar em novembro, já estará disponível nos bancos uma linha para financiar caminhões usados, com juros de 8,7% ao ano. Ela vale para micro, pequenas e médias empresas. As grandes também poderão se beneficiar com juros de 8,8%.

O chefe de Departamento chefe do Departamento de Financiamento a Máquinas e Equipamentos, Paulo Sodré, explicou que este Finame deve valer até setembro de 2013. “Poderão ser financiados caminhões com até cinco anos de fabricação”, ressalta. A linha vai financiar até 80% do bem, em até 60 parcelas, com seis meses de carência.

A ideia é ajudar a renovar a frota brasileira e também, segundo Sodré, colaborar com o mercado de caminhões novos. Os frotistas terão melhores condições de vender seus seminovos e, consequentemente de comprar novos.

Paulo Sodré explica que o Finame para usados, ao contrário do oferecido para novos, tem taxa variável pela TJLP e que, nesses casos, o spread da instituição financeira que irá operá-lo é “a combinar”.

No Finame PSI, que permite a compra de novos, a taxa é fixa (foi baixada para 2,5% ao ano) e o spread bancário vai de 1,7% a 3% dependendo do porte da empresa que faz o financiamento.

Questionado se os bancos se sentirão estimulados a operar a linha de usados, cujo spread é “a combinar”, ele garante que sim. “O que nós procuramos é falar para o banco que nós não competimos com eles. Eles têm produtos que nós não temos. Quando o banco oferece um Finame do BNDES, ele está fidelizando seu cliente, que vai comprar outros produtos dele”, declara.

O financiamento de um caminhão por CDC, com dinheiro dos bancos comerciais, tem juros em torno de 1,8% ao mês.

Fonte: Carga Pesada

Como financiar um caminhão?

Na hora de comprar qualquer bem, produto ou serviço é essencial pesquisar o máximo que puder sobre tudo que está disponível no mercado e encontrar a melhor solução para atender suas necessidades. Isso não deve ser diferente quando se vai comprar o caminhão próprio ou trocar o veículo por outro mais novo e escolher a forma de financiamento mais adequada para cada caso.

Segundo Ponceano Vivas, diretor institucional da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), o consumidor deve se atentar a três fatores na hora de escolher a modalidade de crédito: o valor financiado, o prazo de pagamento e os custos da linha de financiamento. Ainda de acordo com ele, as linhas de crédito disponíveis para profissionais estradeiros autônomos são o Procaminhoneiro, na modalidade repasse ou leasing, CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e Leasing.

Enquanto na primeira opção, Procaminhoneiro via repasse, o cliente pode financiar até 100% do valor no banco, no caso Leasing, o total do financiamento estará limitado a 70% do preço do caminhão.

A forma como funciona o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e o Leasing, seus prazos, taxas e valores concedidos, muda conforme o banco ou a instituição financeira consultada, porém, de acordo com o governo federal, o limite para pagamento do empréstimo é até 60 meses. Entre todas, “a mais indicada para profissionais autônomos é a linha Procaminhoneiro, pois representa menores custos”, defende Ponceano.

Criado em 2006 pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o programa se destina a todos os profissionais do segmento de transporte rodoviário de cargas, e atualmente trabalha com taxas de juros de 5,5% ao ano, possibilidade de financiamento total do veículo – ou seja, sem valor de entrada – além do prazo de até 120 meses para pagar o empréstimo concedido. Mesmo com todas essas características, autônomos reclamam dos requisitos impostos pela linha de crédito para fechar o financiamento e dizem que o sistema beneficia mais empresários do que a categoria independente.

Marcos Fernandes, gerente do departamento de suporte e controle operacional da área de operações indiretas do BNDES, não concorda com o que dizem os carreteiros. Segundo ele, os valores liberados nas vendas realizadas por meio do Procaminhoneiro são, em geral, concedidas na maior parte para micro e pequenas empresas, mas a diferença na comparação dos créditos destinados a pessoas físicas não fica muito atrás.

O relatório de desembolsos concedidos pelo programa mostra que enquanto a liberação para micro e pequenas empresas foi de R$767,7 milhões, em 2011, o valor concedido para pessoas físicas ficou em R$ 657,1 milhões. Já neste ano, os valores liberados até o mês de maio foram de R$ 135,3 milhões para empresários e R$126,3 milhões para autônomos. “O grande diferencial do Procaminhoneiro está no fato dele ser específico para os motoristas de caminhão, mas é preciso comprovar renda para ter acesso ao programa”, explica Marcos Fernandes.

Em relação à melhor modalidade de crédito para empresas, o diretor institucional da ABBC, indica os créditos Finame e Finame Leasing. “Elas representam custos mais baixos, nos dois casos os bancos repassam para as transportadoras até 100% do valor do bem, mas isso é válido apenas para pessoas jurídicas com faturamento anual igual ou equivalente a R$ 90 milhões, superior a isso, as modalidades podem financiar até 90% dos custos de veículos novos”, diz Ponceano.

O especialista explica ainda que, “nas situações de financiamento citadas acima, tanto para autônomos quanto transportadoras, vale ressaltar que o veículo ficará alienado à instituição financeira credora”.

A diferença na prática

Um carreteiro autônomo, com renda líquida mensal média de R$3.500, se fosse financiar um veículo novo no valor de R$ 150 mil pelo Procaminhoneiro, sem entrada e com carência de três meses para iniciar o pagamento, poderia financiar o bem em 120 prestações no valor de R$ 1.674,25. No final do empréstimo, o valor total pago seria de aproximadamente R$196 mil pelo caminhão, sendo cerca de R$ 44 mil de juros. Ao menos é o que aponta uma simulação realizada através de uma ferramenta recém lançada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que possibilita simular o financiamento. A ferramenta está disponível para consulta NESTE LINK.

De acordo com simulações realizadas na ferramenta, um veículo novo do mesmo valor, se fosse financiado por uma linha de crédito disponibilizada por outros bancos comerciais, sairia a 60 parcelas de R$ 4.446,71, com entrada obrigatória de 10% do valor do caminhão, ou seja, R$ 15 mil

Já pelo financiamento feito com bancos de montadoras, seria necessária entrada de R$30 mil e 60 prestações de R$ 3.409,97 para quitar a comprar do veículo novo.

No momento da consulta no simulador da CNT, as únicas informações solicitadas são: se é autônomo ou empresário, se já possui algum financiamento, o que deseja comprar – veículo novo ou usado -, a renda líquida mensal do interessado, o valor do bem a ser financiado e quanto poderá dar de entrada. O sistema também permite a simulação sem o valor de entrada.

Fonte: O Carreteiro

Plano para frota de caminhões fracassa

Em seis anos, o programa de incentivo ao crédito Procaminhoneiro, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), viabilizou a troca de apenas 3% da frota de caminhões, que tem idade avançada.

De 2006, ao ser lançado, até 2011, só 52.097 caminhões foram financiados pelo programa. A frota nacional é de 1,7 milhão de caminhões, com idade média de 13 anos – ou 19, se considerar apenas os transportadores autônomos, donos de 46% dos veículos.

A cada três anos o brasileiro troca de carro de passeio, estima a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). Em 2010, seu melhor ano, o Procaminhoneiro financiou 22% dos veículos vendidos no país. Em 2011, foram só 4%.

Nesta semana, ao anunciar medidas para a economia, o ministro da Guido Mantega aumentou o prazo de financiamento do Procaminhoneiro de 96 para 120 meses. O principal entrave a esse crédito, contudo, não está no prazo nem no juro subsidiado, mantido em 5,5% ao ano.

Os autônomos dizem que não conseguem acessar a linha principalmente por dificuldades na comprovação da renda e no atendimento de outras burocracias exigidas por bancos de varejo que repassam o crédito do BNDES.

Carta-frete

Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicado dos Caminhoneiros de São Paulo, diz que praticamente nenhum autônomo tem comprovante de renda. É que, até o ano passado, os pagamentos dos fretes eram feitos pelas empresas por meio das chamadas cartas-frete.

Trata-se de um crédito que o caminhoneiro recebe das empresas contratantes para trocar por mercadorias, em postos de gasolina e lojas. Nesse sistema sem moeda oficial, os caminhoneiros na prática vivem na informalidade, obrigados a pagar ágios para descontar as cartas. “A renovação da frota é quase impossível para um autônomo”, afirmou Silva.

Dos caminhões financiados pelo Procaminhoneiro, apenas 18.451 foram contratos com pessoas físicas. A carta-frete deveria ter terminado em 2011, proibida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. Mas somente neste mês a ANTT iniciou a fiscalização.

Segundo Marcelo Prado, gerente de fiscalização da ANTT, os caminhoneiros têm de receber em conta bancária ou por meio de cartões de pagamento credenciados. Mas, segundo Silva, os responsáveis pelas cargas não querem fazer o registro na agência, mantendo assim o sistema da carta-frete.

O BNDES, responsável pelo programa, informou que o programa ganhou impulso após 2009, quando passou a ter uma linha garantida pelo governo. A partir daquele ano, foram financiados 46,8 mil caminhões. Para o banco, as medidas do governo podem aumentar a procura.

Fonte: Folha de S.Paulo

Mudanças no PSI beneficiam mercado de implementos

As medidas anunciadas pelo Ministério da Fazenda atendem reivindicações da ANFIR e dos demais segmentos produtivos da sociedade e deverão produzir efeitos positivos após sua efetiva implementação. “Esperamos que as novas medidas consigam reverter a queda nas vendas de implementos rodoviários”, afirmou Rafael Wolf Campos, presidente da ANFIR.

De janeiro a março de 2012 a indústria produtora de implementos rodoviários entregou 41.835 unidades, um resultado 1,9% inferior ao total do primeiro trimestre de 2011 quando o volume foi de 42.645. A maior queda foi registrada no segmento Pesado (Reboques e semirreboques) com resultado negativo de 8,84%. O setor Leve (Carroceria sobre chassis) manteve as vendas com resultado positivo: 1,24%.

Até a apresentação das novas medidas de incentivo a produção industrial, a fatia financiável pelo PSI era de 70% – mudança ocorrida em abril de 2011 quando até aquela ocasião o mercado podia financia 100% do bem. Nesse período, o ritmo de crescimento da indústria foi perdendo força e iniciou 2012 com resultados negativos no primeiro bimestre e no primeiro trimestre.

Pelas medidas apresentadas, o financiamento para a compra de implementos rodoviários no PSI teve suas taxas de juros alteradas. Para os compradores classificados como grandes empresas a taxa passa a ser de 7,3% ao ano (antes era 8,7%) e para a micro, pequenas e médias empresas o patamar será de 5,5% ao ano (antes era 6,5%). A parte máxima financiável pelo PSI ficou em 90% (grandes empresas) e 100% (MPME) sem alteração do prazo máximo: 120 meses.

Procaminhoneiro

O programa Procaminhoneiro do BNDES também deve beneficiar o segmento produtor de implementos rodoviários. Em circular do BNDES ficou estabelecido que a taxa de juros fixa será reduzida dos atuais 7% ao ano para 5,5%. Além disso, o aumento do nível de participação do BNDES nos financiamentos concedidos no âmbito do Produto BNDES Finame passará de até 90% para até 100% (cem por cento). Essas normas devem entrar em vigor no dia 30 de abril, considerando a publicação até essa data no Diário Oficial da União.

O benefício será estendido as pessoas físicas residentes no Brasil e que trabalham com transporte rodoviário de carga, assim como os empresários individuais e as microempresas também estão contemplados na circular do BNDES.

A medida do BNDES também concede as mesmas condições de financiamento aos implementos rodoviários usados, registrados nos órgãos de trânsito competentes e que tenham até 15 anos de idade. A ANFIR compreende que é importante incentivar igualmente o mercado de produtos seminovos e usados mas alerta para a qualidade de conservação desses produtos. “O setor é responsável pelo transporte de 60% da carga brasileira e isso exige muita atenção com a segurança”, diz Mario Rinaldi, diretor Executivo da ANFIR.

A entidade tem, desde sua fundação, trabalhado junto aos órgãos públicos para aumentar cada vez mais a segurança nas estradas. A Comissão Técnica ANFIR (CTA), integrada por representantes das empresas associadas, estuda soluções para a melhoria do transporte de carga e as encaminha ao Comitê Brasileiro de Implementos Rodoviários (ABNT/CB-39), da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Algumas medidas aprovadas e que contaram com a participação decisiva da ANFIR foram a inclusão da proteção lateral em reboques e semirreboques e a obrigatoriedade de uso de freios ABS em implementos rodoviários, entre outras.

Fonte: Frota Online

Comprovação de renda dificulta acesso ao programa Procaminhoneiro

Anunciadas recentemente pela presidente Dilma Rousseff, as medidas do Plano Brasil Maior, tomadas pelo governo para aquecer a indústria e proteger o Brasil da crise econômica internacional, também abrangem o setor de transporte. A principal é a ampliação de benefícios do programa Procaminhoneiro, que reduziu juros e ampliou o financiamento para a compra de caminhões novos e usados.

O setor de cargas aprovou a adoção das ações, mas faz algumas ressalvas. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, essa iniciativa do governo federal é muito importante, desde que seja oferecida a infraestrutura necessária para que os caminhoneiros autônomos consigam utilizar efetivamente o programa.

“Lamentavelmente, continuamos com o mesmo problema: o fato de o profissional autônomo não ter acesso ao Procaminhoneiro se ele não tiver uma comprovação de renda, se não conseguir oferecer uma garantia. Não adianta dar prazo se o interessado não consegue comprovar rendimentos”, destaca Fonseca à Agência CNT de Notícias.

Sobre o fim da carta-frete, que poderia contribuir com a comprovação de renda desses profissionais, Fonseca afirma que a fiscalização da Agência Nacional de Terrestres (ANTT) ainda é precária. “Apesar dos esforços da ANTT, não há gente suficiente e uma infraestrutura adequada para desempenhar esse trabalho. Tudo isso dificulta uma contratação mais regularizada dos caminhoneiros”, explica.

Segundo o dirigente da Abcam, quem consegue realmente renovar a frota e ter acesso ao Procaminhoneiro são as micro e pequenas empresas, que conseguem declarar renda. “A maioria dos caminhoneiros autônomos continua com um caminhão velho, mecânico, sem nada eletrônico. Um veículo que polui mais, gasta mais combustível e não tem manutenção preventiva”, alerta.

De acordo com o pacote anunciado pela presidente, a taxa anual de juros do programa baixou de 7% para 5,5% e o pagamento pode ser feito de duas formas: prestações fixas ou com parcelas decrescentes. Já o prazo máximo para os financiamentos aumentou de 96 meses para 120 meses.

O Procaminhoneiro está disponível para a compra de equipamentos novos como caminhões, chassis, caminhões-tratores, carretas, cavalos-mecânicos, reboques, semi-reboques, tanques e carrocerias para caminhões. Os veículos, que precisam ser registrados no órgão de trânsito competente, podem ser novos ou usados, com até 15 anos de fabricação.

Outro programa, o PSI, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também foi prorrogado para dezembro de 2013. Para a compra de ônibus e caminhões, as taxas caíram de 10% para 7,7% ao ano. O nível máximo de participação do BNDES aumentou de 80% para 100%, para micro, pequenas e médias empresas, e de 70% para 90% para grandes empresas.

Para Fonseca, seria importante que essas medidas realmente chegassem ao setor mais interessado: o dos caminhoneiros autônomos. Uma das principais vantagens, destaca, é a renovação da frota de veículos de carga no país. “Temos quase 330 mil caminhões com mais de 25, 30 anos de uso rodando pelas estradas. Eles precisam ser retirados do mercado e trocados por outros mais novos”, afirma.

Novo regime

Outra medida do Plano Brasil Maior, prevista para o período de 2013 a 2017, é o novo regime automotivo que será implantado no país. As regras valem para as empresas já instaladas no Brasil e para os chamados novos entrantes, em fase de implantação, ou aqueles que anunciarem investimentos futuros.

O decreto publicado no Diário Oficial da União, da última quinta-feira (5), regulamenta que o desconto de até 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será proporcional ao uso de peças e matérias regionais utilizados na fabricação dos veículos – os países do Mercosul estão incluídos no novo regime. Não haverá mais um índice mínimo de conteúdo local a ser cumprido, como é exigido na atual política automotiva em vigor.

Fonte: Agência CNT

Renovação constante

A troca de carro é um sonho almejado por milhares de brasileiros. A aspiração por veículos mais novos também alimenta o dia a dia do caminhoneiro autônomo. De acordo com entidades ligadas ao setor, a busca por um caminhão em melhores condições de uso, com foco na renovação da frota, é uma constante entre os profissionais da categoria. A maioria opta pelos seminovos. Para adquirir um caminhão usado é necessário observar itens importantes, como o modelo adequado ao segmento de carga e a procedência. Dessa maneira, o profissional pode evitar problemas de desgaste e dificuldades com a documentação.

O engenheiro mecânico Antônio Carlos Canale, professor da EESC (Escola de Engenharia de São Carlos), da USP (Universidade de São Paulo), enfatiza que o caminhoneiro precisa se atentar, entre outros itens, para as dimensões do veículo, as configurações dos eixos e de tração, a suspensão, os dispositivos de segurança, os pneus e o chassi. “O caminhoneiro deve avaliar algumas variáveis. Muitas empresas não contratam, por exemplo, veículos que vão transportar produtos perigosos sem determinados dispositivos de segurança, como o ABS. O  transporte de produtos frágeis pode necessitar de um caminhão com uma suspensão a ar. Outros, que serão usados em regiões com declives longos e severos, vão precisar de retardadores e sistemas de tração 6×4. Por isso, adquirir o caminhão adequado ao segmento da carga a ser transportada é imprescindível.” Ele diz que o processo para a compra de um caminhão usado não se difere muito das regras para quem vai adquirir um carro seminovo.

Canale indica consultar um especialista para garantir uma escolha mais apropriada. Segundo ele, apesar de exigir do proprietário uma manutenção maior, o capital investido no usado é menor, o que pode compensar, em parte, o custo para a conservação do caminhão. “O caminhoneiro deve dar especial atenção ao consumo de combustível. Veículos mais novos  consomem menos e isso também pode ser um diferencial importante.”

Na opinião do engenheiro, o caminhão usado não representa perda de segurança para o motorista, se as manutenções preventivas e corretivas forem realizadas. “O veículo é projetado para manter a sua margem de segurança ao longo de sua vida útil. Essa conservação deve ser realizada por profissionais capacitados e credenciados, usando-se, em trocas e reposições, produtos e componentes certificados pelo próprio fabricante do caminhão.”

Luiz Carlos Neves, presidente da Fenacat (Federação Nacional das Associações e Cooperativas de Caminhoneiros e Transportadores), também considera que a segurança não é  comprometida com a aquisição do caminhão usado. “Toda revenda tem que oferecer a garantia do produto vendido por 90 dias. De todo modo, nunca é demais verificar o estado dos itens que podem afetar a segurança do veículo.” Canale afirma que a escolha do caminhão usado deve priorizar, dentro das possibilidades financeiras do caminhoneiro, o veículo mais novo possível e com o maior número de acessórios de segurança. “Os modelos mais recentes, que possuem dispositivos de segurança, abrem possibilidades de novos negócios.”

José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam (Associação Nacional dos Caminhoneiros), afirma que somente a minoria dos autônomos consegue adquirir um veículo zero quilômetro. “O Procaminhoneiro oferece condições de financiamento para um caminhão novo e também financia o usado em até oito anos. O problema é que grande parte dos caminhoneiros, devido às dificuldades inerentes à profissão, não consegue comprovar renda e financiar pelo  programa.”

O Procaminhoneiro, criado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), é um programa de financiamento de caminhões direcionado aos motoristas autônomos e microempresários do setor. O programa oferece taxa fixa de juros anuais a 7%, opção de compra de caminhões usados com idade média de até 15 anos e uma complementação de garantia chamada FGI (Fundo Garantidor para o Investimento). O BNDES, por meio de sua assessoria, diz que a instituição reconhece a dificuldade do autônomo em comprovar sua renda. O banco ressalta que o Procaminhoneiro é um programa indireto, sendo que as exigências para o financiamento são de responsabilidade das 21 instituições financeiras aptas a executá-lo.

Ainda segundo a entidade, o FGI foi uma das ferramentas criadas para auxiliar o caminhoneiro que adquire o veículo por meio do programa. A garantia do BNDES/FGI varia conforme o prazo e o valor garantido, sendo financiado nas mesmas condições do caminhão e, na média, representa um acréscimo no custo efetivo de 0,18% ao mês. De acordo com Lopes, da Abcam, os autônomos estão mais habituados a adquirir o caminhão usado nas revendas. “Antes da troca, os veículos têm média de idade de 23 anos. Para renovar, o motorista busca caminhões de 5 a 6 anos de uso. Muitas vezes, eles não oferecem a tecnologia disponível nos modelos mais novos.”

Fabiano Chinelato, vice-presidente da Abacet (Associação Baiana dos Caminhoneiros e Transportadores), diz que o modelo usado mais procurado pela categoria é o veículo frontal e trucado. Esse tipo de caminhão possui o motor instalado embaixo do assento e tem seu para-brisa rente. Essa versão facilita as manobras e reduz o comprimento do caminhão. Ronildo Silva, gerente de vendas da Carga Pesada, revendedora de caminhões usados, com sedes na capital paulista e em Campinas (SP), afirma que o veículo trucado tem maior capacidade de carga, por isso leva vantagem na escolha dos compradores. “Tanto autônomos quanto empresas de transporte buscam um caminhãoque possa maximizar o volume de carga”. De acordo com Silva, caminhões do tipo custam a partir de R$ 120 mil.

Os valores variam conforme o ano e a marca. Chinelato diz que o caminhoneiro deve considerar a parte de força do veículo (motor e caixa de câmbio) na hora da compra, pois ela é determinante para a vida útil do caminhão. Na opinião do dirigente, a troca de caminhão deve ocorrer quando o veículo atinge seis anos ou 1 milhão de quilômetros rodados. Outra dica de Chinelato é consultar o Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) antes de concluir a compra.

“Por esse cadastro é possível saber se o caminhão tem pendências jurídicas e/ou financeiras. Também indico a consulta de, no mínimo, três agentes financeiros antes de fechar o negócio. Dessa maneira, o motorista terá um comparativo para fazer a melhor escolha.” Essas orientações também são indicadas pelo caminhoneiro Luciano Teixeira, que possui 25 anos de profissão. Ele afirma que o autônomo se sente mais atraído pelo caminhão usado devido às condições financeiras. “Enquanto a prestação de um zero quilômetro pode chegar a R$ 6.000, um usado custa a metade.” De acordo com o caminhoneiro, para verificar as condições do usado pretendido, é fundamental conferir a procedência, o número de proprietários e saber que tipo de serviço e carga o caminhão transportava anteriormente.

Em relação às condições de financiamento, Neves, da Fenacat, afirma que as melhores taxas oferecidas atualmente no mercado são a do Procaminhoneiro; do Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), criado também pelo BNDES, que oferece linhas de financiamento específicas; o leasing (arrendamento mercantil, em que o proprietário do bem negociado o cede a um terceiro, recebendo em troca uma contraprestação); e o CDC (Crédito Direto ao Consumidor). “Entre essas modalidades, o CDC tem a maior taxa de juros. Portanto, cabe verificar qual instituição financeira oferece melhores condições, com valores mais reduzidos.”

Dicas de compra

O que observar na hora de adquirir um caminhão usado

• Escolher o modelo conforme o segmento da carga a ser transportada
• Ouvir especialistas, como engenheiros e mecânicos de confiança, para garantir uma escolha mais adequada
• Dentro do orçamento disponível, priorizar modelos mais novos e com maior número de itens de segurança
• Não adquirir caminhões com mais de 1 milhão de quilômetro rodado. Com tal quilometragem, é provável que o motor já tenha sofrido intervenções mecânicas
• Verificar as condições do motor, da caixa de câmbio, do número de proprietários e que tipo de carga o caminhão transportava anteriormente
• Checar se não há ruído estranho, ou acima do normal. Trocar, preventivamente, o óleo lubrificante
• Quebra ou travamento de um rolamento pode ser muito perigoso e danifica componentes importantes e caros do veículo. Recomenda-se averiguar se há ruídos estranhos com o caminhão desengatado e em movimento, sobre um asfalto em boas condições
• Verificar se não há falta de dispositivos de fixação da suspensão e das molas. A presença de molas quebradas é perigosa e diminui a estabilidade do caminhão
• Inspecionar cuidadosamente os pneus. Pneus com bolhas ou saliências nos flancos (laterais) devem ser trocados. Eles devem ser substituídos quando a banda de rodagem estiver descolando ou desgastada
• Verificar se a luz de advertência de mau funcionamento do ABS no painel do veículo está ativada. Se estiver acesa, uma manutenção nesse sistema será necessária
• Todo o circuito de freio deve ser inspecionado, assim como a instalação elétrica e todos os componentes do sistema de direção
• Consultar o Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) do caminhão, antes de concluir a compra

Fonte: Revista CNT Transporte Atual

Aos três anos, e crescendo!

Jovem como a própria marca Iveco é no Brasil, o braço financeiro da fabricante de caminhões está desfilando dados impactantes. Ao completar três anos de atividades, a Iveco Capital teve um crescimento de 1.300%, o que representa 7.800 contratos ativos. Só no primeiro semestre de 2011, a carteira de clientes cresceu 42%. A Iveco Capital atua no financiamento de veículos comerciais da marca aos clientes finais no varejo e na rede de concessionárias, no atacado.

A Iveco Capital responde atualmente por 26,06% das vendas totais da fabricante. Nos primeiros seis meses de 2011 o volume financiado foi 42,13% maior que no mesmo período de 2010, o que representa um carteira de R$ 316 milhões, ante os R$ 222,3 milhões do ano anterior. Isso significa que foram financiadas 1.528 unidades, com destaque para as linha de pesado Stralis e de semipesados Tector.

O Finame é o principal produto do banco, uma vez que possui as menores taxas de mercado. Segundo Jucivaldo Feitosa, diretor da Divisão Iveco Capital, “neste mercado de veículos comerciais a maioria dos negócios são realizados via financiamento”. Os transportadores autônomos são atendidos através ProCaminhoneiro.

Fonte: Transpoonline

BNDES suspende Finame PSI, mas mantém Procaminhoneiro

O BNDES suspendeu todas as operações de financiamento de caminhões, ônibus e maquinários pelo Finame PSI, mantendo apenas as do Procaminhoneiro. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, com medo do aumento das taxas – previsto para 31 de março -, as empresas apresentaram um volume enorme de novos pedidos nas últimas semanas.

O BNDES acredita na possibilidade de esses novos pedidos extrapolarem o orçamento de R$ 134 bilhões, estabelecido para o PSI em junho de 2009.

A expectativa do mercado é que as taxas subam no segundo trimestre deste ano, inclusive as do Procaminhoneiro. Atualmente, elas são de 4,5% para esta linha, que é voltada aos motoristas autônomos e às microempresas. Já o Finame PSI, destinado a médios e grandes transportadores, tem taxa anual de 8%.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) divulgou nota dizendo-se muito preocupada com a notícia. “No dia 22 de fevereiro, durante coletiva realizada pela nossa entidade, dissemos que teríamos um crescimento em 2011 da ordem de 4,5% sobre o ano passado. Infelizmente com as novas notícias, já teríamos uma mudança de cenário de crescimento para queda aproximada de 20%, desde que esta suspensão não seja longa e que as novas regras atendam os anseios do mercado, pois, caso contrário, teremos um resultado muito pior”, disse o presidente da Anfir, Rafael Wolf Campos.

Fonte: Revista Carga Pesada