Motorista flagrado com “rebite” pode ser indiciado por tráfico de drogas

???????????????????????????????A Polícia Rodoviária Federal (PRF) promete agir com mais rigor para tirar de circulação os motoristas que dirigem usando misturas para combater o sono. Os caminhoneiros admitem que usam os chamados rebites para seguir viagem, mas alguns tipos dessas substâncias são proibidas pelo Ministério de Saúde e se flagrado o motorista poderá reponder por tráfico.

Um caminhoneiro, que prefere não se identificar, revela que faz o uso da substância. “Se não chegarmos pontualmente com a carga, há vários descontos. Então o jeito, é tomar esses remédios para conseguir dirigir por mais tempo e entregar a carga. Principalmente as cargas com verduras, tem que ser entregue de forma mais rápida”, disse o caminhoneiro.

De acordo com a PRF existe uma rede organizada de comercialização deste tipo de substância e os principais distribuidores são os próprios motoristas. Mas, a pessoa que for flagrada pode responder criminalmente.

“O motorista que for flagrado utilizando terá a carteira apreendida e responderá na área criminal. Podendo até ser preso por tráfico de entorpecentes, já que alguns desses medicamentos constam na lista do Ministério da Saúde, como substâncias proibidas”, informou o chefe de policiamento da PRF, inspetor Tony Carlos.

O neurologista Sabry Batista explica os riscos à saúde e a segurança de quem usa as substâncias. “Além do risco eminente de infarto, há um grande risco de acidente, porque essas substâncias causam episódios de micro sono, que duram segundos. Esses ataques de sono são suficientes para proporcionar um acidente se o condutor estiver, por exemplo, em uma curva ou realizando uma ultrapassagem”, disse Sabry Batista.

O caminhoneiro Antônio de Sousa Santos revela que já fez o uso desse tipo de droga, mas parou há alguns anos. “Sentia o coração palpitar mais forte, ficava agitado e com a pressão alta”, conta Antônio.

Fonte: G1

Conheça os efeitos e danos do rebite, muito utilizado por caminhoneiros

rebiteO rebite ou bolinha, muito utilizado por caminhoneiros para ficarem “acesos”, são drogas sintéticas classificadas como anfetaminas e seus derivados. Essas drogas atuam no Sistema Nervoso Central, estimulando-o a trabalhar em um ritmo mais acelerado. Assim, a pessoa consegue efetuar atividades, como dirigir, por mais tempo que o normal, sem se cansar.

Após algumas horas, o efeito passa e outra dose é necessária para se continuar os afazeres. Contudo, a cada efeito que se esgota, uma dose maior é necessária, pois o organismo já está cansado e fraco, e uma dose igual a anterior já não fará o mesmo efeito.

Assim, o indivíduo entra no ciclo dependente e crescente das anfetaminas, com doses iniciais de 1-2 comprimidos e que podem chegar a casos com mais de 20 comprimidos por dia, para se chegar ao efeito desejado.

Dentre os efeitos observados nos usuários de rebite, temos tanto alterações fisiológicas, como comportamentais. Em baixas doses, a pessoa apresenta um quadro de insônia, perda de apetite, fala rápida, taquicardia e dilatação dos olhos (este efeito é prejudicial para os motoristas, pois à noite sua visão pode ficar mais ofuscada pelos faróis dos carros em direção contrária). Contudo, com o aumento da dose surgem efeitos como aumento da pressão arterial, impotência sexual, diminuição do desejo sexual (libido), distúrbios gastrintestinais, agressão, irritabilidade, síndrome de perseguição, paranoia e alucinações.

Em indivíduos que tomam frequentemente essas drogas as consequências chegam a ser extremamente graves, pois além dos problemas cardiovasculares, células do cérebro sofrem danos permanentes, causando problemas psicológicos e neurológicos irreversíveis.

O tratamento de usuários de anfetamina é um pouco complexo e envolve uma equipe multidisciplinar (médico, psicólogo e farmacêutico, por ex.), pois esse tipo de substância causa dependência, e o usuário sofre com a Síndrome de abstinência, entrando em um estado de depressão ao suspender o uso da droga.

Por fim, analisemos a situação. Alguns caminhoneiros relatam que o pouco tempo lhes dado para a entrega da carga, seria o grande fator para que os mesmos utilizassem os rebites. Contudo, após a conclusão de que os mesmos não estão sob condições psicológicas ideais no uso da droga, poderíamos classificar o caminhão como uma arma na mão desse usuário? E os efeitos e danos irreversíveis em seu organismo, poderíamos classifica-lo como um suicida em longo prazo? E por último, por ser o rebite proibido em farmácias no Brasil inteiro, a relação entre o vendedor clandestino e o comprador poderia ser classificada como um tráfico de drogas ilícitas? E você o que acha? Opine abaixo.

Texto de: Jeferson Machado Santos
CRF-SE: 658.
Farmacêutico pela Universidade Federal de Sergipe – UFS.
Habilitação em Bioquímica Clínica pela Universidade Federal de Sergipe – UFS.
Especialista em Administração de Empresas pela FIJ-RJ.
Especialista em Farmacologia e Interações Medicamentosas pela Uninter-IBPEX.

Exame que identifica uso de drogas por motoristas passa ser obrigatório em julho

uso de rebiteO Detran-MT está partindo na frente quanto as novas exigência do Contran para renovação e primeira habilitação de motoristas profissionais.  O órgão e seus semelhantes tem até primeiro de julho para implantar o exame toxicológico exigido para motoristas que estão dentro das categorias C (para dirigir caminhões pequenos), D (para ônibus) e E (para carretas). Serão 180 dias para a Autarquia se adequar à resolução 460 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Na próxima quarta-feira, dia 29, o médico credenciado do Detran-MT e presidente da Associação regional de Medicina de Tráfego (Abramet-MT), Napoleão João da Silva e a coordenadora de Exames do Detran-MT, Rosane Suzin, viajarão para São Paulo, onde uma comissão científica da Abramet nacional dará as orientações para o cumprimento da resolução.

Em 27 de março, o Detran-MT e a Abramet regional reunirá os médicos para definir o novo trabalho, bem como como realizar a qualificação anual aos credenciados do Detran-MT, que realizam os exames em todo Estado. “Nós participamos de todos os congressos e cursos para que nossos médicos estejam sempre atualizados, inclusive participaremos em São Paulo, nesta viagem da próxima semana, dos estudos da resolução 425 de 2012 do Contran, que vai exigir médicos especialistas para o trânsito”, disse a coordenadora de Exames do Detran.

A nova exigência, que entrou em vigor neste mês, é de um exame feito com fio de cabelo ou com a unha, para detectar substâncias como cocaína, maconha, ópio, codeína, morfina, heroína, ectstasy, anfetamina e a metanfetamina, popularmente conhecida por “rebite”, que tira o sono e proporciona mais horas ao volante, causando acidentes em função da droga. O exame toxicológico deve custar em torno de R$ 290,00 nos laboratórios que vão ser credenciados pelo Detran-MT.

Só farão os exames, os motoristas que vão fazer a primeira habilitação nas categorias citadas. Os que já têm Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vão ser obrigados a fazer o exame a partir da renovação do documento. “Por isso não teremos tumulto, cada motorista fará o exame no seu tempo previsto na CNH”, finaliza Rosane.

Fonte: Portal Estradas

No trânsito, drogas também podem matar

caminhoneiro-uso-de-rebiteDesde a criação da Lei Seca, há cinco anos, o número de mortes no trânsito vem diminuindo gradualmente. De janeiro a setembro de 2007, quando foi lançada, 301 pessoas foram vítimas de acidentes fatais no DF. No mesmo período de 2013, foram 271. Ainda pequena, sem chegar a 10%, a redução mostra a necessidade de investimento em novas estratégias contra a impunidade. O problema é que muitos não dirigem apenas sob o efeito de álcool. Drogas ilícitas também estão por trás dos volantes. Por isso, alertam especialistas: o desafio agora é outro.

“O uso de entorpecentes ou até mesmo de medicamentos receitados, dependendo da química deles, afeta completamente a percepção do indivíduo. É claro que cada pessoa tem a sua reação, mas o normal é a redução da capacidade de avaliar vários fatores necessários para dirigir, como o reflexo. A maconha, por exemplo, inibe a agilidade da reação”, aponta a psiquiatra e presidente do Instituto Nacional de Política Sobre Drogas (Inpad), Ana Cecília Marques.

Por isso, sugere a especialista, “se existe uma lei para coibir a ingestão de álcool, deveria ter uma para inibir o uso de drogas antes de dirigir”. Contudo, opina, a discussão esbarra em aspectos sociais e políticos. “O consumo de drogas aumenta em todo o mundo. O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de cocaína, por exemplo. É muito claro para a gente que isso esbarra nos números de violência no trânsito. Quem cheira fica eufórico, pode perder a noção de perigo”.

Medicamentos

Além das substâncias ilícitas, outro aspecto preocupa os especialistas: o uso de remédios como antidepressivos e emagrecedores.

“Vários medicamentos criam restrições à pessoa poder dirigir. Muitos tiram a capacidade de moderação, o reflexo, causam sonolência. E, mesmo assim, elas dirigem. Esse fato é conhecido pelas autoridades”, diz o especialista em trânsito Carlos Penna.

Segundo o pesquisador, não existem pesquisas que digam o número de acidentes fatais envolvendo o uso de drogas. Informação essa que considera “importante e relevante para dar rumo às novas campanhas e ações de trânsito”. Para Penna, o debate é complexo, levando-se em conta as limitações da atual legislação. “A pessoa não é obrigada a produzir provas contra si, certo? Já temos o primeiro entrave. E existe ainda a coisa da privacidade do indivíduo. É complicado mesmo”, analisa.

Entre os moradores do DF que usam drogas e dirigem está Roberto (nome fictício), 37 anos. Promotor de festas, ele reconhece seu vício em maconha e afirma: “Fumo várias vezes por dia. Dirijo, trabalho, faço tudo normalmente”. Para ele, o entorpecente não tira sua percepção ao volante, por isso, não representa perigo. “A única coisa alterada é a minha percepção mental das coisas, mas fisicamente não muda nada”, diz.

Questionado sobre a possibilidade de ser flagrado em uma blitz, ele responde: “Não tenho medo. Não faço mal a ninguém”.

Campanhas para alertar a população

Para o especialista em trânsito Paulo César Marques, o ideal para diminuir o uso de drogas entre motoristas seria aumentar o número e a qualidade das campanhas de trânsito, hoje focadas apenas no perigo do álcool.

“Quando o indivíduo cheira cocaína, por exemplo, pode ficar mais agressivo. A pessoa fica mais excitada e pode querer dirigir com mais velocidade. O perigo existe e é legalmente condenável, mas acredito nas campanhas educativas”, ressalta.

Nos bares e boates, o tema provoca discussões e revela a insegurança de quem diz não usar nenhum tipo de droga. “Acho a ideia de um drogômetro super-válida. Porque eu posso ser vítima de alguém que dirige sob o efeito de drogas. É perigoso, é irresponsável”, diz a cantora Ana Carolina Nóbrega, 33.

Acostumado a ver a movimentação dos jovens à noite, o segurança Francisco (nome fictício), que trabalha em uma boate, diz que o problema aumenta a cada dia. “Tem uns que não estão em condição alguma de dirigir. Eles chegam a se encostar na porta do veículo para descansar. Imagina como uma pessoa assim consegue se responsabilizar pela direção de um carro?!”.

Problema nas estradas

Nas rodovias do País, o problema chegou a tal ponto que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou, a partir de 2014, a obrigatoriedade do exame toxicológico para renovação da carteira entre motoristas profissionais das categorias C (carga superior a 3 mil quilos), D (mais de oito passageiros) e E. A medida tem o objetivo de reduzir o número de mortes nas estradas brasileiras, que chega a 43 mil pessoas por ano.

De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, o uso de drogas estimulantes, como o crack e a cocaína, é comum entre caminhoneiros que dirigem mais de oito horas seguidas.

Os testes, que serão feitos no ato de tirar ou renovar a carteira, deverão identificar o uso de drogas nos últimos 90 dias. Se o resultado acusar o uso de algum tipo de entorpecentes, o motorista pode fazer uma contraprova até 90 dias depois do exame. Nas estradas, porém, a ideia é reprovada até por quem diz não fazer uso de tais substâncias.

“Se a pessoa pode fazer uma contraprova, o que me parece? Que o governo quer arrecadar com a sobrecarga de trabalho dos caminhoneiros e com o problema do vício. Não é assim que se resolve a coisa”, diz Dejivan (nome fictício), condutor de um caminhão de cargas.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a quantidade de drogas apreendidas nas estradas aumentou até setembro de 2013 em comparação a todo o ano de 2012. Até dezembro de 2012, haviam sido recolhidos 248 quilos de maconha, e em 2013 o número passou para 632 quilos, um aumento de 154%. Já a apreensão de cocaína triplicou, passando de 60 quilos para 180. “Muita gente usa mesmo, mas tem condutor que carrega produto perecível e não pode parar. Não é fácil julgar e querer condenar”, argumenta ainda Dejivan.

Já para Joel (nome fictício), também caminhoneiro, apesar de o problema ter como pano de fundo a exigência de entrega em determinado tempo, o drogômetro pode diminuir o número de acidentes. “Eu já vi gente usando cocaína na minha frente, uma cena horrorosa. E não é pouca gente que usa não. Por isso, o aparelho vem para ajudar. Mas, claro, tem que ter uma discussão maior. Não é só o caminhoneiro o responsável por isso”, aponta.

Fonte: Jornal de Brasília

22% dos caminhoneiros assumem tomar medicamento proibido

PRFA Polícia Rodoviária Federal, juntamente com o SEST/SENAT e outras instituições públicas e privadas sediadas em Parnaíba, realizou a Operação Comando de Saúde nas Rodovias para avaliar as condições de trabalho dos motoristas profissionais.

Durante a ação preventiva, foi realizada uma avaliação que comprovou o descuido dos motoristas profissionais com a saúde. Um total de 114 motoristas de caminhão e ônibus coletivo de passageiros se submeteram aos exames.

Questionados sobre medicamentos para prolongar as horas trabalhadas, 22% assumiram fazer uso dos remédios, o que pode ser influência da carga horária excessiva, realidade para 26% dos profissionais. Além disso, 18% já haviam se envolvido em acidente de trânsito.

Ao final da avaliação ficou demonstrado que 88% dos motoristas estão acima do peso; 71% têm circunferência abdominal além do normal; 63% apresentam gordura corporal acima do padrão; 61% estão com elevada pressão arterial; 53% têm dificuldade na visão e 25% apresentaram açúcar no sangue elevado.

Dados da PRF dão conta de que 35% dos acidentes de trânsito nas rodovias federais envolvem diretamente motoristas de caminhões e ônibus. Muitos dos acidentes estão relacionados à condição de trabalho. Seja por descuido com a saúde, seja pelo uso de artifícios para prolongar as horas trabalhadas.

Na avaliação e saúde, os profissionais puderam verificar a pressão arterial, o açúcar no sangue e a gordura corporal. Tiveram acesso a testes para análise da capacidade visual e auditiva, bem como da força mecânica em ambos os membros superiores.

Fonte: Portal O Dia

Cocaína e crack entram na rota dos caminhoneiros

caminhoneiro ao volanteO consumo de cocaína e crack por caminhoneiros tornou-se um fenômeno preocupante na BR-050. Comerciantes instalados na rodovia entre os bairros São Cristóvão e Maracanã revelam que frequentemente é possível observar caminhoneiros estacionarem no acostamento para comprar drogas.

Um comerciante disse que o risco está em ocorrer acidente, pois os caminhoneiros saem após utilizar drogas e seguem viagem pela rodovia. “É uma questão difícil, mas o risco que os motoristas que trafegam pela rodovia estão correndo é enorme, pois os caminhoneiros compram as drogas, usam ali mesmo e vão embora dirigindo pela rodovia, colocando a sua vida em risco e a dos outros condutores de veículos”, alerta.

O comerciante conta que neste local havia um barraco improvisado de madeirite onde a movimentação começava ao meio-dia e se estendia até a madrugada, tirando o sossego dos empresários com várias brigas e atos de vandalismo.

A Polícia Militar retirou o barraco, mas os usuários continuam nas margens da rodovia. “Quem trafega pelo trecho da construção das marginais da BR-050, a qualquer hora do dia, observa que o local tornou-se reduto para usuários e traficantes de crack. Próximo à rua Arlindo de Melo está virando um lixão, sendo que sujeiras são despejadas pelos usuários de crack constantemente, além de fazerem as necessidades na via”, revela um comerciante que prefere ficar no anonimato, por medo de represálias.

Fonte: Jornal de Uberada

Apressando a morte

É cada vez mais comum flagrantes de motoristas de caminhão consumindo drogas, principalmente as anfetaminas – popularmente conhecidas como rebites, e que faz o cérebro trabalhar mais depressa causando a impressão de diminuição da fadiga. A principal justificativa é de poder passar mais tempo ao volante sem fazer paradas para descanso, ignorando, porém, que o consumo pode causar danos irreversíveis na saúde e até levar o usuário à morte.

Pesquisa realizada pela faculdade de medicina da USP mostrou que parte dos carreteiros que passam por São Paulo consomem drogas como anfetamina, cocaína e maconha. Durante as operações de saúde promovidas pela Polícia Rodoviária Federal, entre o final de 2008 e 2011, foram coletadas urina de 1.009 motoristas e nas amostras de 90 (8,9%) havia resíduo das drogas. A maior presença era de anfetamina, estimulante do sistema nervoso central, que faz o cérebro trabalhar mais depressa.

Entre os efeitos provocados pelo consumo do rebite estão dilatação das pupilas e dos brônquios, dor de cabeça, tontura, aumento de batimento cardíaco e de pressão arterial, AVC fatal, nariz e boca ressecados, perda de peso, desnutrição, ansiedade, problemas gástricos, inquietação motora, sensações de pânico, lesões irreversíveis no cérebro, visão desfocada, confusão de pensamento etc.

Após consumir a droga de modo exagerado o usuário pode ficar irritado, mais agressivo e com depressão, desorientação e descoordenação e ter delírios persecutórios (achar que os outros estão tramando contra ele). Além disso, esses medicamentos podem causar dependência depois da segunda caixa, com danos irreversíveis à saúde. É importante ressaltar que as anfetaminas são medicamentos com “tarja preta” e só podem ser vendidos sob prescrição médica e retenção da receita.

Fonte: O Carreteiro

Caminhoneiros admitem uso de droga e criticam lei que obriga pausa

Na estrada há 23 anos, Valdecir Florencio, 47, diz já ter visto de tudo um pouco e se acostumou a uma rotina que intercala oito, nove, até dez horas dirigindo direto com duas a três horas de sono

Ao menos três vezes por semana Valdecir Florencio, 47, carrega o seu caminhão com bananas na cidade de Registro, na fronteira de São Paulo com o Paraná, e parte em busca de compradores. O destino mais comum é o Ceasa do Rio de Janeiro, a cerca de 650 km. Na estrada há 23 anos, ele diz já ter visto de tudo um pouco e se acostumou a uma rotina que intercala oito, nove, até dez horas dirigindo direto com duas a três horas de sono.

Carga entregue, ele tira o atraso do travesseiro e retorna para casa. Para ele e outros caminhoneiros que descarregavam no Ceasa nesta quarta-feira as alterações trazidas pela Lei 12.619, que exige, entre outros pontos, descanso obrigatório de 11h por dia e 30 minutos de pausa a cada quatro horas trabalhadas, significam exatamente 50% a menos de dinheiro no bolso no fim do mês.

“Parando a cada quatro horas uma viagem de um dia dura dois e você não chega a tempo de fazer a outra carga”, diz Florencio, calculando uma redução de três para um frete por semana. “Se isso acontecer largo o caminhão e fico em casa. Já basta o horário de São Paulo, em que a gente não pode cruzar a cidade entre 17h e 22h.”

A favor da greve caso o governo não volte atrás, Florencio começou a dirigir por causa do pai, também caminhoneiro, mas diz que a profissão foi muito desvalorizada. “Meu pai fazia uma carga por semana e ganhava mais do que eu. Às vezes a gente mal vence o mês”, diz. Descontando gastos com a manutenção do caminhão, pneus e diesel, ele estima que sobram cerca de R$ 4 mil, gastos no sustento dos filhos de nove e 17 anos.

“A mais velha vai entrar na faculdade agora. Se essa lei pega como vou pagar? Como vou dizer para a minha filha que ela não pode estudar?”, questiona.

Perto do caminhão de Florencio, José Benedito Gonçalves, 47, esperava pela sua vez de estacionar e descarregar a carga de arames que trouxe de Holambra (SP), a cerca de 550 km do Rio. Como saiu na terça à noite, não pegou a paralisação, que terminou na madrugada desta quarta-feira com a suspensão da fiscalização por um mês.

Para ele, que chega dirigir até 12h “conforme a necessidade”, a medida não vai funcionar. “Esse negócio de parar não vai dar em nada. Quem é a favor é o colega assalariado, que não depende de frete, não pensa nos outros”, diz Gonçalves, que completa 27 anos de profissão esse ano. “Tem cargas que não podem esperar.”

Quando precisa o caminhoneiro diz tomar “um rebitinho para adiantar o serviço”, ou rebite, forma como são chamadas as anfetaminas usadas por muitos caminhoneiros para se manter acordados. “Quem fala que toca duas noites só na raça e não toma nada mente”, afirma Gonçalves.

Florencio, por sua vez, conta que já tomou rebite para chegar em casa a tempo de comer a ceia de Natal com a família ou em momentos de muita pressa, mas que hoje prefere viajar sem nada. “Já perdi amigos por isso. Você toma um rebite, toma um café, deita meia hora e quando levanta enxerga até formiga na estrada”, diz.

Além do rebite, o caminhoneiro de Registro afirma que a cocaína também está tomando conta das estradas. “Hoje o uso de cocaína virou uma rotina para muitos colegas. Tenho amigo que se não tiver cocaína, não tiver rebite, não viaja até a esquina”, conta.

Para Gonçalves a droga, e não o rebite, é a responsável pelo grande número de acidentes com veículos de carga nas estradas. “A molecada tá cheirando direto, é o que está dando a maior parte dos problemas”, afirma. Os dois contam que é muito fácil encontrar a droga em postos de gasolina, mas preferem não comentar mais por medo de retaliações.

Do outro lado da polêmica, o caminhoneiro Sidnei Santos Silva, 35, se diz a favor das pausas propostas pela nova lei e vê com maus olhos as atitudes dos colegas que usam drogas para encarar a estrada. “Eles querem fazer dinheiro, mas não pensam na segurança, na saúde deles. Rebite, café com cachaça, energético…uma hora o corpo cobra a conta e aí como que fica?”, questiona.

Contratado de uma empresa de alimentos, Silva faz fretes apenas dentro da cidade do Rio de Janeiro e nos arredores. Florencio admite que já se envolveu em um acidente por causa do sono há cerca de 20 anos, mas ainda assim é contra a nova regra. Com dores no antebraço e cabelos brancos antecipados, ele planeja se aposentar em breve e seguir se dedicando as bananas, dessa vez apenas como produtor. “Estou envelhecendo, não vejo meus filhos crescerem. Quero comprar um caminhão novo, colocar alguém para dirigir para mim, e cuidar da plantação no meu sítio. Mas até lá a gente tem que trabalhar.”

Entenda

Perto do caminhão de Florencio, José Benedito Gonçalves, 47, esperava pela sua vez de estacionar e descarregar a carga de arames que trouxe de Holambra (SP), a cerca de 550 km do Rio. Como saiu na terça à noite, não pegou a paralisação, que terminou na madrugada desta quarta-feira com a suspensão da fiscalização por um mês

A greve dos caminhoneiros autônomos foi iniciada no dia 25 de julho. Organizada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), a paralisação protesta contra a lei 12.619/2012, que limita a jornada de trabalho dos motoristas e, e contra o uso de cartão-frete, entre outros pontos.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) é contra a greve, e, assim como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT) afirma que há interesses patronais por trás da paralisação, e que a greve tem participação de empresas de transporte – o que caracteriza locaute (ou greve patronal), o que é proibido por lei. “A paralisação em curso de caminhoneiros no território brasileiro é uma ação promovida pelos empresários do setor que querem suspender os efeitos da Lei 12.619/2012″, diz trecho de ofício enviado pela CNTT a órgãos governamentais e de fiscalização.

Devido às paralisações, o custo de alguns alimentos chegou a subir 150% no Rio de Janeiro. Uma pessoa morreu durante um bloqueio no interior do Paraná. A vítima teria arremessado um cone de sinalização no meio da rodovia, com o objetivo de tentar parar o ônibus, que, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), estava em alta velocidade. O veículo atingiu o manifestante, que morreu no local.

Reivindicações

Do outro lado da polêmica, o caminhoneiro Sidnei Santos Silva, 35, se diz a favor das pausas propostas pela nova lei e vê com maus olhos as atitudes dos colegas que usam drogas para encarar a estrada

- Pela nova legislação do setor, os motoristas devem fazer uma jornada de trabalho de oito horas diárias, com no máximo duas horas extras, além de pausa de 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas
- O Movimento União Brasil Caminhoneiro quer o adiamento por um ano da vigência dessa lei alegando que as exigências impostas são “inviáveis por falta de infraestrutura nas estradas”
- A nova regra também determina descanso sem interrupção de 11h a cada dois dias trabalhados
- Porém, os caminhoneiros argumentam que as rodovias brasileiras não têm infraestrutura adequada para cumprir a norma
- Outra reclamação envolve a entrada de mais de 600 mil veículos no setor, “levando à concorrência desleal que jogou o frete rodoviário a valores que não cobrem as despesas”, dizem os manifestantes
- O cartão-frete é alvo de outra reivindicação por impedir o recebimento de dinheiro ou de cheque

Fonte: Economia TERRA

Estudo em MS aponta que 13% dos caminhoneiros consomem drogas

Um estudo feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Mato Grosso do Sul apontou que 13% dos caminhoneiros consomem algum tipo de droga para cumprir as extensas jornadas de trabalho. A amostragem foi obtida por meio de exame de urina de 102 motoristas de caminhão. Em 61% das amostras que deram positivo, foi encontrada cocaína.

O superintendente da PRF no estado, Ciro Ferreira, alerta que o condutor usa as substâncias ilegais quando passa a ter os seus reflexos diminuídos por conta do tempo execessivo na direção. “Ele vai forçando a jornada e acaba tendo que tomar um medicamento ou fazer o uso de drogas e isso vai prejudicando a saúde do caminhoneiro e contribui também para os acidentes de trânsito”, enfatizou o superintendente.

Por amostragem, a polícia acredita que dos mais de 5 mil caminhoneiros que circulam por dia pela BR-163 em Mato Grosso do Sul, cerca de 600 rodam sob efeito de drogas. Roberto Sinai, membro do Sindicargas, destaca que o índice é alto e preocupante.

“O sindicato vai estar buscando, junto ao Ministério do Trabalho e aos policiais que fiscalizam a rodovia, soluções para o combate deste tipo de consumo. Não é interessante para o empresário, nem para o autônomo e muito menos para o trabalhador que se faça uso dessas anfetaminas que podem causar acidentes no trânsito”, afirmou Sinai.

O neurologista Marcílio Delmondes Gomes vai além, afirmando que a combinação drogas e volante pode acabar em morte. “Na fase inicial, a pessoa tem uma sensação de bem star e de euforia, mas com o aumento do uso isso pode gerar alterações da percepção e alucinações visuais. Quando vai tendo queda do nível de ação cerebral, a pessoa vai experimentando padrões de depressão e apatia. Os efeitos colaterais são os riscos de derrame e infarto”, explicou.

Um bitrem carregado pode pesar até 100 toneladas. De acordo com a PRF, qualquer acidente que um veículo como este esteja envolvido é grave. As estatísticas mostram que é grande o número de caminhoneiros que se envolvem em acidentes que terminam em morte.

Dados da PRF revelam que, nos sete primeiros meses deste ano, os caminhoneiros se envolveram em 678 acidentes. Destes, 13 morreram e 124 ficaram feridos. O levantamento dos inspetores da PRF concluiu ainda que 60 caminhoneiros dormiram ao volante.

Para o presidente da comissão dos advogados criminalistas da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul, Luís Carlos Saldanha Júnior, os caminhoneiros são vítimas de um sistema trabalhista imposto pela logística arcaica do país.

“É necessário que haja um controle efetivo por parte do governo do estado. Há vários países onde fazem um controle mensal e até anual destes motoristas. Eles se submetem a exames periódicos que vão indicar o uso de drogas. Se for detectado, eles são encaminhados para tratamento”, explicou.

Vídeo:

Fonte: TV Morena