Mercado de caminhões usados está em queda

Enquanto o mercado de caminhões novos está prestes a fechar 2009 com números superiores aos de 2007, o segmento de usados segue 10% mais tímido que no ano retrasado. As estatísticas da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram uma média mensal de 26.608 veículos usados comercializados em 2007 contra 23.959 neste ano.

A restrição de crédito para aquisição de seminovos é a justificativa dada por representantes de duas transportadoras entrevistados pela Carga Pesada. Segundo eles, neste segmento, o Procaminhoneiro “não existe”. “Coloquei 100 caminhões à venda neste ano e só consegui comercializar 25”, afirma Cláudio Adamucho, presidente do G10, maior grupo graneleiro do País.

“O que mata é a falta de crédito. Nenhum banco está operando Finame, seja PSI ou Procaminhoneiro, para seminovos. Isso não existe”, diz. Ele ressalta que a saída é o financiamento pelo CDC, com juros de 16% a 18%, contra 4,5% do Procaminhoneiro. Adamucho também lamenta a queda no valor dos seminovos, no caso do G10 com idade média de 5 anos. “Houve uma depreciação de 20% no preço desde o início da crise”, alega.

O diretor de Vendas da transportadora Binotto, Rafael Valcanaia, também é taxativo ao afirmar que não há operações para seminovos pelo Procaminhoneiro. “Só existe no folder”, reclama. Mas também ressalta que o problema não é apenas esse. “O preço despencou. Um caminhão que eu vendia há dois anos a R$ 240, hoje vendo a R$ 180.”

Mesmo assim, diz ele, há muitos veículos seminovos parados em lojas, esperando a melhora do mercado. “Mas nós das transportadoras não podemos esperar. Precisamos fazer caixa.” Ele estima ter vendido em 2009 cerca de 500 unidades, entre cavalos e implementos. A idade média é de cinco anos.

Fonte: Revista Carga Pesada