Parceiros de estradas, caminhoneiros se juntam na hora do jogo e formam torcida

Caminhoneiros - Jogos da Copa do Mundo (1)

Rogério Vicenti queria estar com a família no PR, mas o jeito foi acompanhar o jogo pelo GPS. (Foto: Cleber Gellio)

Se as ruas ficam praticamente vazias na hora do jogo, os postos de combustíveis, nas saídas da cidade, lotam. Caminhoneiros que estão longe de casa e vivem na estrada se juntam e formam verdadeiras torcidas. Se falando em Copa do Mundo, vale tudo para ver a seleção entrar em campo. Vale acompanhar a partida em um televisão minúscula, na boleia do caminhão e até com desconhecidos.

“O negócio é ver o gol”, diz Rogério Vicentini, de 42 anos. Na tarde desta terça-feira (17), ele assistiu o duelo entre Brasil e México pela tela de um GPS, no pátio de um posto localizado na BR-163, saída para São Paulo.

Melhor assim do que ouvir a narração pelo rádio, na estrada. “Parei meio dia. Não fico sem assistir. Também somos brasileiros, comenta. O verde e amarelo estava presente no boné e na camisa.

A concentração maior era dentro da conveniência, mas como a gerência não vende bebidas alcoólicas e proíbe beber dentro do espaço, Rogério preferiu ficar do lado de fora, sozinho, ao lado da latinha de cerveja.

Caminhoneiro há 25 anos, ele acompanhou as últimas Copas assim. Preferia estar com a família, em Guaíra, no Paraná, mas como não é possível, tentou aproveitar da melhor maneira: “Hoje eu fiz costelinha de porco e mandioca no almoço”, conta.

Casal de Minas Gerais, Gleison e Marilda, acompanharam duelo do Brasil com o México pela TV do caminhão. (Foto: Cleber Gellio)

Casal de Minas Gerais, Gleison e Marilda, acompanharam duelo do Brasil com o México pela TV do caminhão. (Foto: Cleber Gellio)

Gleison Francisco dos Reis, 35, também assistiu o jogo no pátio, mas dentro da boleia do caminhão, junto com a esposa, Marilda Aparecida Magalhães, de 34 anos. “Aqui você fica tranquilo. É como se estivesse em casa”, conta o caminhoneiro, que tem 49 anos de profissão.

O casal, de Minas Gerais, está na estrada desde a última sexta-feira (13) e deve seguir viagem na noite desta terça-feira. Gleison gosta de futebol, mas prefere dirigir ao invés de assistir.

“A rodovia fica mais vazia e eu vou ouvindo pelor rádio”, afirma. “Só parei porque tenho que carregar o caminhão”, completa.

Pedro Duarte também assistiu a partida da boléia. (Foto: Cleber Gellio)

Pedro Duarte também assistiu a partida da boléia. (Foto: Cleber Gellio)

O catarinense de Içará, Pedro Duarte, de 65 anos, é torcedor declarado e também é caminhoneiro. “Já passei várias copas na boleia”, relembra. Desta vez, não foi diferente.

A TV de 14 polegadas, de plasma, própria para caminhão, estava ligada, claro, no Mundial. “É a mesma emoção”, garante.

Edson Martins, de 49 anos, comenta a mesma coisa, mas ele preferiu ver o jogo reunido, junto com desconhecidos de estrada. A bagunça é mais emocionante”, diz. É justamente a “bagunça” que incomoda o caminhoneiro Ilissandro de Camargo, que detesta futebol.

“Não posso nem ver. Tenho pavor. Isso aí é a maior perda de tempo. Tenho 1 mil quilômetros para fazer, poderia ter rodado uns 150 já, mas fiquei trancado aqui”, reclamou.

Conveniência do posto ficou lotada de torcedores que pararam para assistir o jogo. (Foto: Cleber Gellio)

Conveniência do posto ficou lotada de torcedores que pararam para assistir o jogo. (Foto: Cleber Gellio)

O caminhão dele no meio dos outros e a maioria dos motoristas acompanhavam a partida da conveniência.

Fonte: Campo Grande News

Falta de profissionais valoriza profissão de motorista

Volvo FH - Cenze (1)Ser motorista de caminhão pode ser o sonho de muitas crianças ao brincarem e ao viajarem pelas estradas, tanto pelo encantamento de dirigir um grande veículo como por conhecer diversas regiões do Brasil e outros países. Mas, segundo um motorista experiente, é preciso paixão. “Para ser motorista, a pessoa tem que gostar porque fica muito tempo fora de casa”, afirma Maurício Célio dos Santos, 60 anos, há 42 na direção.

Mas gostar de ficar fora de casa e ter a experiência de conhecer pessoas e culturas diferentes não são os únicos atrativos. O mercado de trabalho chama bastante a atenção. Como revela Maurício: “graças a Deus, nunca fiquei desempregado. E hoje motorista não fica parado”. O presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transportes de Cargas (Fenatac) e empresário do setor, José Hélio Fernandes, confirma a realidade da profissão. “Para ficar sem trabalhar, só por vontade própria ou por algum impedimento de ordem mais séria”, ressalta.

De acordo com a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, o transporte rodoviário foi o responsável pela geração de mais da metade da receita do seu grupo de atividades. Em 2011, o setor obteve a maior participação na receita líquida, R$ 149,9 bilhões (52,0%), no número de empresas, 114,1 mil (77,6%), na massa salarial, R$ 25,8 bilhões (51,4%), e na quantidade de pessoal ocupado, 1,5 milhão (65,5%).

Se, por um lado, a alta demanda absorve a mão de obra apta e interessada em trabalhar no ramo, por outro, ela deixa buracos nas contratações. Falta pessoal para ocupar todas as vagas que surgem a cada dia. Segundo dados do setor, há uma carência de aproximadamente 100 mil motoristas profissionais. No ano passado, a atividade, fundamental para o desenvolvimento e competitividade do país, empregou cerca de 2,6 milhões de trabalhadores, o que equivale a 20,5% de toda a força de trabalho empregada no setor de serviços privados não financeiros.

Segundo José Hélio, falta mão de obra em todas as regiões do país. Para ele, a Lei do Motorista (Lei 12.619), sancionada em abril de 2012 e que trouxe mudanças para o dia a dia de trabalhadores e empresas, impactou o setor, mas não pode ser apontada com a principal causa. “Ela (a Lei) pode até ter contribuído porque, por exemplo, em alguns lugares, teve que colocar dupla de motoristas para percursos de longa viagem. Mas é também em função do grande número de caminhões que o setor comprou nos últimos cinco a seis anos e não houve novos profissionais entrando no mercado na mesma proporção. Isso acabou gerando essa falta de profissionais. Na verdade, é um conjunto de fatores que levou a essa falta de motoristas no mercado”, explica.

A falta de qualificação, justificada por alguns especialistas, também colabora para as vagas desocupadas no setor. Segundo o empresário, um exemplo são os novos motoristas, que tiram sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e não conseguem, de imediato, ter experiência necessária nas rodovias, principalmente, porque são veículos de grande porte. “Isso exige uma determinada qualificação e uma certa experiência para conduzir e transportar um número elevado de toneladas”, argumenta. Maurício, motorista experiente, confirma a falta de profissionais no setor e avisa: “tem que ter muita qualificação porque os caminhões estão se modernizando demais”.

Salário

Além de emprego garantido, o setor também oferece salários atrativos. De acordo com a PAS 2011, as empresas de transporte foram as que pagaram melhor em 2009, na média, dentro do setor de serviços. Pelo segundo ano seguido, os profissionais das empresas que transportam materiais por tubulações foram os mais bem remunerados. As empresas de transporte dutoviário (que levam gás ou óleo por tubulações) pagaram uma média de 18,2 salários mínimos mensalmente, valor bastante acima dos registrados nos demais segmentos de serviços medidos pelo IBGE. O transporte rodoviário de cargas figurou com um salário médio mensal equivalente a 2,2 salários mínimos, acima dos serviços de alojamento e alimentação.

José Hélio revela que as remunerações pagas pelo setor têm aumentado. Segundo ele, há um grande número de motoristas contratados com base nas convenções trabalhistas e existem empresas pagando de forma diferenciada exatamente para conseguir contratar e manter o seu quadro de motoristas. Não há como falar em valores, pois o salário varia conforme a região, o modal e o segmento do transporte (grãos, carga perigosa, fracionada etc). No entanto, Maurício menciona que o salário médio de um motorista de rodotrem e bitrem (caminhão com duas carretas, sete e nove eixos) gira em torno de R$ 4 a 5 mil. Segundo o empresário, a remuneração vem se tornando cada dia mais atrativa. “A médio prazo, será um fator de atração de motoristas”, assegura José Hélio.

Fonte: Agência CNT de Notícias Texto de Ana Rita Gondim

Estrada do medo – Ford Cargo 6×2

Ford Cargo 6x2 Baú

Não trabalho por esporte,
mas gosto do que faço.
Espero que ninguém se importe,
mas ganho a vida no braço.

Não pensem que sou briguento.
Não apoio a violência.
É na pista de rolamento
que no caminhão despejo potência.

No acelerador, o pé eu meto.
Na banguela eu não largo.
Sigo pelo tapete preto
dirigindo meu Ford Cargo.

Cavalo mecânico imponente.
Dirigi-lo, de alegria é motivo.
Confortável e motor potente.
Sinto-me em um carro esportivo.

Puxando uma carreta baú
meu cavalo mecânico Ford.
Viajo pelo País de norte a sul,
ouvindo do motor suave acorde.

Levo carregamento em pallets.
Equipamentos eletrônicos transporto.
Computadores ou tablets
Seja o que for não me importo.

Fazer qualquer transporte aceito.
Levo carga para todo lado.
Á noite, descanso na cabine leito,
de dia acelero forte o meu trucado.

Rodando em rodovia isolada,
tenho sempre DEUS comigo.
Houve situação inesperada,
que me fez desafiar o perigo.

Aquela rodovia tinha fama,
desaparecimento de caminhoneiros.
Trecho de asfalto, trechos de lama.
Quando chovia, muitos atoleiros.

Centro-oeste do País,
aceitei fazer o transporte.
dirigindo, estava feliz,
subia em direção ao norte.

O frente bem lucrativo
pois a carga era valiosa.
De trabalhar eu não me privo,
Mesmo sendo rota perigosa.

Três eixos no reboque.
Pneumática suspensão.
No câmbio um leve toque,
aumentando a força de tração.

Seguindo por essa estrada,
caía chuva intensa.
A carga com segurança levada.
Entregá-la intacta, a recompensa.

Debaixo daquele temporal
linda mulher pedia carona.
Achei um tanto anormal,
ver ali aquela bela dona.

Desconfiei de emboscada,
ela, como isca para assalto.
Do mato quadrilha armada,
saiu gritando: ” Mãos ao alto “.

Eu não havia ainda parado
apenas reduzira a velocidade.
Acelerei o potente trucado.
Fui pra cima do bando sem piedade.

A quadrilha ficou assustada.
Alguns deles foram ao chão.
Fugi veloz pela estrada.
Bandidos saíram em perseguição.

Carga leve e motor potente.
Eu já ia a cento e quarenta.
O que fazer não tinha em mente.
O temporal virou tormenta.

Os bandidos fizeram disparo.
As balas atingiram o furgão.
Se me pegassem, pagaria caro.
Pé no fundo na aceleração.

O carro dos criminosos
Era mais rápido com certeza.
Grupo de homens maldosos
parecendo lobos atrás da presa.

Vi que um dos marginais
do carro passou para o reboque
Fiz manobra quebrada-de-asa e lá trás
bandido com o chão teve um choque.

Estava inerte seu corpo,
os outros nem pensaram em parar.
Talvez estivesse morto,
mas a quadrilha não iria ajudar.

Intensificou-se o tiroteio.
por nenhuma bala fui atingido.
Mantinha o caminhão no meio.
impedindo passagem do carro bandido.

Mantendo velocidade alucinante
nas retas sem fim do Mato Grosso.
Confiava no meu possante,
e também no braço desse moço.

Pequeno trecho eu via
formava um atoleiro.
Na velocidade que ia
Passei por ele ligeiro.

O carro que vinha logo atrás,
ficou indeciso, perdeu embalo.
Teria algum tempo de paz,
não dei folga para o cavalo.

Sem trégua, a chuva caía.
O Cargo bem firme no asfalto.
No retrovisor, de novo aparecia
bandidos querendo praticar assalto.

Eram jovens rapazes
mas encaminhados para o crime.
De matar seriam capazes.
Nem a prisão os redime.

Vinham mais decididos
A cumprir os objetivos seus.
Ao aproximarem, os bandidos
dispararam contra os pneus.

Ouvi um grande estouro.
desintegrou-se o pneumático
Danificar o bruto, desaforo.
Eu teria de ser mais prático.

Não deixei o carro passar.
Dei nele uma fechada.
O motorista teve de frear.
Mais uma tentativa frustrada.

Investiram em alta velocidade.
Tomei rápida decisão.
parecia uma temeridade.
Freei bruscamente o caminhão.

Os pneus do reboque travados.
O carro não teve tempo de parar.
Bateu na traseira e desgovernado
fora da pista foi parar.

Cena terrível, uma desgraça.
Vi olhando pelo retrovisor.
Do carro saia muita fumaça,
principalmente do motor.

Pareciam desacordados.
Não parei para confirmar.
Afinal estavam armados
fingindo, poderiam estar.

Quando pensei que havia escapado
uma árvore atravessada na pista.
Desviei o caminhão para o lado
em manobra poucas vezes vista.

O conjunto todo derrapando
tentei corrigir e acelerei.
A carreta para o asfalto voltando.
Desta cilada eu escapei.

Vi que não era perseguido.
Queda da árvore talvez fosse acidental.
Mesmo assim mantive alerta o sentido
Poderiam ser ladrões afinal.

Depois de todo esse sufoco
Respirei mais aliviado.
Minha tranquilidade durou pouco
Na estrada fui de novo testado.

Trecho de asfalto bem largo
Dirigia o meu estradeiro.
Com sobra no motor meu Cargo
ia em velocidade de cruzeiro.

Após uma curva, um susto
Dei uma brusca freada.
Homem caído debaixo de arbusto.
Uma carreta estava tombada.

Desci imediatamente,
corri para o homem desmaiado.
Parecia ferido gravemente.
Para hospital tinha de ser levado.

Fui até a carreta tombada
peguei carteira de documentos.
Afinal, ali poderia ser levada,
ampliando do dono sofrimentos.

Hospital mais próximo estava
cem quilômetros distante.
Daí a pouco a bordo o levava,
exigindo velocidade do possante.

Tentei pelo rádio amador
fazer algum contato.
De repente um gemido de dor.
Ainda estava vivo de fato.

Apesar de ser ilegal,
da polícia entrei na frequência.
Expliquei pelo rádio a um policial
e que tivesse do ocorrido ciência.

Carro de bandidos acidentado.
Mais a frente, carreta tombada.
O policial disse-me “obrigado”,
e que providência seria tomada.

Meu Cargo, mesmo carregado,
voava sobre a rodovia.
Após uma hora em ritmo alucinado
no hospital o homem deixaria.

Adentrei a recepção,
disse tratar-se de emergência.
Homem ferido no caminhão,
socorro imediato tinha urgência.

O homem tirado do caminhão
para centro cirúrgico foi levado.
aguardei o final da operação,
Pelo médico fui informado.

Foi um sucesso a cirurgia
mas demorada a recuperação.
Ele certamente sobreviveria
mas necessitaria de atenção.

A chave da carreta deixei.
Carteira de documentos também.
Com policial federal conversei.
Estava feliz pelo homem estar bem.

Seguiria em frente, pois ainda
tinha muita estrada pra rodar.
Boa alimentação era bem-vinda.
Antes de partir fui jantar.

Decidi descansar um pouco
antes da viagem continuar.
Afinal, naquele ritmo louco
sem descanso não iria aguentar.

Bem antes do sol nascer,
par de faróis brilhava na escuridão.
Quando começou o alvorecer
já estava distante meu caminhão.

Meu cavalo Cargo trucado
Cumpriria mais uma missão.
Por tanta dificuldade tinha passado
mas ele não me deixava na mão.

Deixei o reboque para descarga.
Fui cuidar do meu negócio.
Conseguir retornar com uma carga.
Tinha de pagar o consórcio.

Consegui na transportadora
Uma carga para Brasília.
Na recepção uma bela loira.
Se ela quisesse eu a levaria.

Bom de papo, fiz amizade.
Trocamos número do celular.
Confesso, era uma beldade.
Mulher bonita para namorar.

O carregamento para ser feito
Não me deixaria partir naquele dia.
Para mim seria perfeito.
Para jantar, a moça eu convidaria.

Enquanto o reboque era carregado
desatrelei o cavalo mecânico.
Pelas mulheres, com admiração olhado.
Homens da cidade entraram em pânico.

Aquela loira maravilhosa,
aceitou convite para jantar.
Além de bela, era charmosa,
A mulher mais linda do lugar.

Quando um caminhão bonito
parou em frente ao restaurante.
Do lado de fora um agito,
fez-se naquele instante.

Desci do meu caminhão
Abri a porta para ela.
Imaginem a admiração
quando desceu mulher tão bela.

Abriu-se um corredor á frente.
onde passamos de braços dados.
Abri a porta, ela sorriu contente.
Logo á mesa estávamos acomodados

Pessoas que lá estavam para jantar
olhavam para nós o tempo inteiro.
Certamente a se perguntar
o que ela fazia com um forasteiro.

Conversamos mais de uma hora
após o delicioso jantar.
Na saída para irmos embora
Continuavam sobre nós a falar.

No caminhão, subiu os degraus
e sentou-se no banco do carona.
Temperatura subiu alguns graus,
com a presença de tão bela Dona.

Eu já pensava em maravilhosa noite
que ao lado dela iria ter.
Minhas intenções, ela cortou como açoite,
E disse-me que eu deveria entender.

Pensei que fizera algo de grave.
Sua atitude para mim era mistério.
Ela disse-me com voz doce e suave
que queria um relacionamento sério.

Eu sempre fui namorador.
Confesso, fui surpreendido.
Era famoso conquistador.
Ela então fez-me um pedido:

Se fosse apenas brincadeira
ela não queria mais me ver.
Se eu tivesse intenção ordeira
ficar comigo iria querer.

Ela era tão bonita e esperta
ao mesmo tempo desconcertante.
Não sabia qual a decisão certa,
sempre fora caminhoneiro errante.

Olhando aqueles olhos de mel
não sabia explicar isso.
Pedi ajuda a Deus no céu,
pois só poderia ser feitiço.

Deus não mandou a resposta.
Seria minha a decisão.
Ela disse: “se de mim você gosta,
deixe falar seu coração”.

Eu peguei a sua mão
e a beijei suavemente.
A bordo do meu caminhão
espaço para o amor somente.

Despedi-me daquela princesa
prometendo voltar em breve.
Ela me encantara com certeza
pois sentia a alma leve.

Carregado fiz o retorno.
Eu me sentia diferente.
Levava o amor como adorno
E ela na minha mente.

Chegando àquela cidade
que deixei motorista ferido,
Em sinal de amizade,
Visitá-lo e saber do acontecido.

No hospital fui informado
o quarto em que se encontrava.
Eu já tinha sido anunciado.
Cercado pela família ele estava.

Cumprimentei cada familiar,
recebi agradecimento do paciente.
Falei se poderia ajudar,
e o que acontecera infelizmente.

Falou o que se lembrava.
Acontecera uma perseguição.
Como vazio ele estava,
queriam roubar seu caminhão.

No desespero de fugir,
Acabou perdendo a direção.
Após acidente, conseguiu sair
e desmaiara próximo do caminhão.

Vendo o caminhão danificado
os bandidos foram embora.
Quando foi por mim encontrado,
para salvá-lo era uma boa hora.

Subi a bordo e arranquei.
Fazer o frete, necessário.
Dois dias de viagem cheguei.
Entreguei a carga dentro do horário.

No banco o financiamento
naquele mesmo dia venceu.
No prazo, fiz o pagamento.
Mais um mês o caminhão era meu.

Não podia perder tempo
Sentia especial motivação.
A distância tornara-se tormento
Queria ir pra estrada no caminhão.

Para o Estado de Mato Grosso
retornaria sem demora.
Em minha mente um esboço,
dela, minha namorada agora.

Após tudo que me aconteceu
a polícia aumentara a vigilância.
Nenhum caminhoneiro se perdeu.
Coibiu dos bandidos a ganância.

Seguia pela rodovia sossegado.
Ao me ver um menino correu.
Segui em frente despreocupado.
Vejam só o que aconteceu.

Aquele menino recebeu dinheiro
para avisar da minha passagem.
Bandidos esperavam esse caminhoneiro.
Queriam interromper minha viagem.

Um carro se aproximando.
Saiu pra me ultrapassar.
Quando já ia terminando
homem sacou arma para atirar.

Vários disparos efetuados
Freei o bruto bruscamente.
Felizmente todos errados.
Tinha de agir friamente.

Acelerei pra cima do carro.
O homem atirava para trás.
Eu pensava: “Se te agarro
você não atira em ninguém mais”.

Percebendo minha intenção
o carro afastou-se rapidamente.
Mantive do bruto a aceleração.
De raiva, estava doente.

Parados fora da estrada,
esperaram eu passar.
Voltaram em carreira desabalada.
Queriam sem dúvida me pegar.

Em encarniçada perseguição
aproximaram-se rapidamente.
Estrada lateral, desviei o caminhão,
e voltei para pista de repente.

No momento que o carro passava
eu o atingi na sua lateral.
O motorista não esperava
voltei bruscamente á pista principal.

Com o caminhão embalado
apesar da carga que levava
O impacto no carro dado,
na pista ele rodopiava.

Girando descontrolado
em grande árvore bateu.
Ficou ali imobilizado,
Foi assim que aconteceu.

O estrago foi geral.
o carro foi destruído.
Talvez morrera o marginal
e também o outro bandido.

A polícia logo á frente
fazia blitz na estrada.
O que tinha em mente,
contar a eles da cilada.

Parei o Ford Cargo.
Fui conversar com os policiais.
Bandidos tiveram final amargo
e na rodovia haveria paz.

Acelerei meu possante
A carga tinha de entregar.
Seguia, solitário viajante.
queria, ao destino logo chegar.

Alguém a minha espera
Eu estava muito ansioso.
Mãos no volante o pé acelera
O bruto andando gostoso.

Aquela vontade de voltar
para os braços do meu amor,
Servia para me mostrar,
acabara meu lado namorador.

Chegara um momento da vida
de levar um relacionamento sério.
rasgando reta, subida e descida,
a vida, sempre um doce mistério.

Cheguei á transportadora,
ela estava na recepção.
Parecia que a tanto tempo fôra
que não via minha paixão.

Pelas grades do amor preso.
Em breve, aliança no dedo.
Na estrada tirara grande peso,
pois vencera a Estrada do Medo.

Roberto Dias Alvares

Cinco dicas para não cair no sono enquanto dirige

Painel Volvo FHA vida no volante do bruto pode ser boa, mas em toda entrega existem prazos a cumprir. Por causa disso, muitos motoristas acabam estendendo seu tempo na estrada, parando pouco para descansar. Quando isso acontece, uma piscada de olhos pode fazer a diferença e trazer consequências graves.

Segundo estudo do Centro de Estudo Multidisciplinar em Sonolência e Acidentes (Cemsa), cerca de 30% dos acidentes com morte por ano são provocados pelo cansaço e sono dos condutores. Para não fazer parte desta estatística, é bom ficar ligado em cinco dicas para evitar que isso aconteça durante uma viagem longa:

1) Programe suas paradas: Procure fazer pequenas pausas do volante a cada duas horas. Levante-se, faça alongamentos, beba água e coma alguma coisa. Se a sua jornada for de mais de nove horas diárias, tire alguns minutos para um cochilo a cada quatro horas.

2) Durma bem: Se a cabine do seu caminhão possui leito para descanso, o ideal é utilizá-la para isso. Crie um ambiente para que o sono seja profundo, e não superficial. Por isso, dê preferência para estacionar em lugares com pouco barulho e que, no caso de uma pausa diurna, ofereça uma sombra.

3) Durma antes de uma viagem noturna: Se o seu frete começa após o sol se pôr, o mais recomendado é dormir, no mínimo, cinco horas antes, e acordar uma hora antes de cair na estrada para diminuir a fadiga, e é claro, manter as paradas programadas para descanso.

4) Não mascare o sono: Existem alguns “macetes” para driblar o sono, como energéticos, mascar chiclete, fumar, dirigir com som alto, dentre outros. São métodos paliativos: só atrasam a hora de cair na cama.

5) Fique de olho no relógio: segundo o estudo do Cemsa, entre 12h e 14h, e entre 20h e 5h são os horários em que o corpo está com os níveis de alerta mais baixos. O melhor a ser feito é aproveitar estes períodos para descansar, para só depois seguir o seu destino.

Fonte: Volvo

Estrada Assombrada – Mercedes-Benz LS 1929 6×2

MB-LS-1929-1983..

Eram quatro da madrugada
Dirigindo dezoito horas sem parar.
A sua mente não assimilava nada.
Só pensava que tinha de chegar.

Seu velho cavalo mecânico vermelho,
Dezenove vinte nove, barulhento.
Pé colado, no bruto chegando o relho.
O olhar cansado vendo tudo cinzento.

O antigo Mercedes trucado
puxava a carreta com facilidade.
Mais um rebite foi tomado,
Manter-se acordado, a dificuldade.

Na beira da pista uma aparição.
mulher, com roupa resplandecente.
Sentiu gelar seu coração,
viu do caminhão ela entrar na frente.

Seu corpo todo arrepiado.
Fechou os olhos por um instante.
Sentiu, sentada a seu lado,
aquela mulher com roupa brilhante.

Ele não conseguia lembrar
de ter parado seu caminhão
Nem de ter visto ela entrar.
Pensou ser uma assombração.

Em completa letargia
parecia que estava sonhando.
O que fazer não sabia
Ela foi logo falando:

“Você tem trabalhado demais
e sua mulher está preocupada”.
“Seus filhos não o vêem mais,
A caçula está gripada”.

Você precisa ficar mais tempo
junto com sua família.
No trabalho, contratempo
o afasta dos filhos e da filha.

“Você não tem descansado
vai acabar morrendo”.
“Correndo e sempre apressado
seu caminhão acabará batendo”.

Mesmo aterrorizado
pensou no que ela dizia.
Ele realmente estava esgotado
Como de tudo isso sabia?

Ela continuou dando-lhe sermão:
“Drogas não aumentarão sua resistência”.
Terminou fazendo uma afirmação:
“Eu sou a voz da sua consciência”.

Ela não parava de falar
e ele sentido-se culpado.
Finalmente a voz resolveu parar
e ele pensou em olhar de lado.

Não havia mais ninguém.
E ele teve um palpite.
Decidiu não ir além,
Jogou fora o vidro de rebite.

No acostamento parado,
Desligou seu estradeiro.
No sofá-cama deitado.
Dormiu de babar no travesseiro.

Dormiu doze horas seguidas.
Acordou totalmente recuperado.
No seu bruto deu partida,
e foi para o trecho aliviado.

Entregou o frete naquele dia.
Para casa rumou então.
Foi motivo de grande alegria
quando estacionou seu caminhão.

Em cada filho um abraço.
Na esposa apaixonado beijo
A ela deu seu braço,
olhando-a com amor e desejo.

Brincou com cada filho
com a esposa fez amor.
Amanheceu no olhar com um brilho,
e um contentamento avassalador.


Roberto Dias Alvares

Travessia perigosa – MAN 6X4‏

0205cajumanTGX 28_440(1)[1]

Aquela era uma manhã
enevoada e cinzenta.
Dirigindo meu caminhão MAN
vinte seis quatrocentos e quarenta.

A noite fora chuvosa,
saí do Rio Grande do Sul.
Levando carne, carga preciosa,
Dois reboques, carreta baú.

Cavalo mecânico traçado,
carretas protegidas por lacre.
O carregamento seria levado
ao longínquo Estado do Acre.

Passei por Santa Catarina
e a chuva caia persistente.
Ora forte, ora garoa fina,
O caminhão seguia em frente.

A cabine muito espaçosa,
tornava a viagem produtiva.
Mesmo naquela pista chuvosa
fazia uma condução precisa.

Cavalo e carreta, o conjunto
estavam colados no chão.
No PX pondo em dia o assunto,
conversando com colega de profissão.

Passando pelo Paraná,
a chuva continuava sem parar.
No destino, até chegar lá
tinha muito asfalto para rodar.

No PX e pela televisão,
das notícias, a derradeira.
O norte e toda a região,
sofria com enchente do Rio Madeira.

Estradas alagadas
impediam a passagem.
Mesmo não estando interditadas,
não era possível seguir viagem.

Eu seguia esperançoso
que a chuva diminuísse.
Teria de ser corajoso,
se passar eu conseguisse.

Para o Acre, principal ligação,
quatro pontos de alagamento.
Como passaria com caminhão?
Pensava nisso no momento.

Nas paradas para descansar,
conversava com outros caminhoneiros.
Diziam que lá não iria chegar,
Tudo alagado e cheio de atoleiros.

Durante a noite dormia bem
Cabine-leito cinco estrelas.
Conhecia belas mulheres também,
e marcava encontro para revê-las.

A mulher conseguiu emancipação,
também nesta terra brasileira.
Conheço várias que dirigem caminhão.
Tem no sangue a vocação estradeira.

Mantenho com elas contato,
pelas estradas nos encontramos.
Para a conquista talento nato.
Nas paradas, na cabine namoramos.

Apesar da dificuldade,
me divirto trabalhando.
Sou um homem sem vaidade,
pela vida sempre lutando.

Para o Acre a rodovia,
estava alagada de fato.
Mesmo assim, tentaria,
mas não parecia sensato.

Para atingir objetivo proposto
de chegar logo ao Estado Acreano,
completei o tanque no ultimo posto,
e aquela lâmina d’água fui encarando.

Não conseguia ver a pista.
Havia água por todo lado.
Eu já estava pessimista,
de ter a rodovia encarado.

Até onde alcançava a vista
água para todo lado.
Mostrei ser audacioso motorista,
segui firme no cavalo trucado.

Onde não tinha alagamento,
havia sempre atoleiro.
Para trabalhar, um tormento,
dificuldade pra este caminhoneiro.

Outros companheiros da estrada
com seus caminhões atolados.
Carretas só saiam rebocadas,
por tratores caminhões eram puxados.

Apertei apenas um botão.
e deixei o cavalo preparado.
No terceiro eixo a tração.
Acelerei firme o meu pesado.

Para todo lado voou lama.
patinava pneus dos eixos traseiros.
O meu MAN justificou a fama,
arrancando aplausos dos caminhoneiros.

O cavalo MAN mostrou potência,
arrastando os reboques frigoríficos.
Saí de lá com competência.
Meus objetivos eram específicos.

Tinha de chegar rapidamente
Pois o produto era perecível.
Chegar ao destino era urgente.
Não sabia se seria possível.

Saí daquele atoleiro
enfrentando pista alagada.
Era assim o tempo inteiro,
Não enxergava o piso da estrada.

A chuva havia parado
mas o rio Madeira não baixava.
jogando água pra todo lado
rumo ao Acre continuava.

O trecho era vencido
eu já estava animado.
Mas finalmente fui detido
Ponto não podia ser atravessado.

A água cobria a pista logo adiante.
Já ia a quatro metros de altura.
Parei em local isolado e distante
que não tinha nenhuma estrutura.

Esperar a água baixar
era o único remédio.
O tempo demorava passar
Jogava truco pra espantar o tédio.

Improvisamos um banheiro
para conseguir tomar banho.
Passávamos o tempo inteiro,
em uma paciência sem tamanho.

Uma semana ali parado,
de água, um metro e meio.
O piso não fora danificado.
passar logo era meu anseio.

Combustível sendo consumido
para manter a refrigeração.
Finalmente, passar foi conseguido.
Cheguei do outro lado do ribeirão.

Iria chegar bem atrasado.
Naquelas circunstâncias, compreensível.
Rio Branco, capital daquele Estado,
cheguei já quase sem combustível.

Em grande supermercado
A carne seria descarregada.
Mas o local fora inundado,
Não podia ser desembarcada.

Mais dois dias ia esperar
até que o lugar estivesse pronto.
Armazenamento da carne iriam pagar,
e pelo atraso não haveria desconto.

Precisava abastecer o bruto.
A situação era terrível.
No posto, diesel nobre produto
não havia este combustível.

A noite no restaurante
bela garçonete me atendeu.
Mulher de meia idade, elegante.
Que eu a paquerava, percebeu.

Eu já não era nenhum menino.
Com mulher, era uma pessoa esperta.
Ser solteiro, achava, era meu destino,
Talvez não encontrara a pessoa certa.

Nos dedos não tinha aliança.
Ela sorria ao me ver olhar.
Isso deu-me esperança.
quem sabe não acabara de encontrar.

Quando terminei o jantar
Ela veio recolher meu prato.
Falei se com ela poderia conversar.
Um “Sim” respondeu-me no ato.

Quando ela terminou o expediente
eu a esperava do lado de fora.
Ela disse boa noite ao gerente,
E eu a levei embora.

O cavalo desengatado
serviu então de carruagem.
Eu tinha ali ao meu lado,
mulher que parecia uma miragem.

Conversamos sobre tudo
Ela era tão inteligente e bonita.
Tinha uma pele de veludo.
Prestava atenção em cada palavra dita.

Uma hora da madrugada
conversar com ela, tão bom.
No rádio, uma música era tocada.
Me encantava com ela e com aquele som.

Pediu-me para levá-la a sua residência.
Fiquei muito animado,
Não convidou-me a entrar, paciência.
Para o outro dia, encontro marcado.

No outro dia, a espera,
o combustível quase no fim.
A situação que boa não era
ficou mais complicada pra mim.

Dois dias não foram suficientes
para a limpeza do supermercado.
Balcões frigoríficos ineficientes.
Continuaria com a carne carregado.

O caminhão em funcionamento
para ativar a refrigeração.
Não tinha como fazer abastecimento.
Faltava diesel e reinava a confusão.

Aquela bela mulher, reencontrei.
Fomos passear após o jantar.
Falta de combustível com ela comentei.
Problema da cidade iria agravar.

O tanque já na reserva,
poderia perder todo carregamento.
Carne congelada e em conserva.
Era urgente fazer abastecimento.

Ela me disse àquela altura,
que seu pai, um homem incrível,
usava todo o óleo da fritura
e o transformava em biodiesel.

Pedi a ela se poderia
com seu pai conversar.
Respondeu-me que no outro dia
a ele iria me apresentar.

Aquela mulher bela
com olhar cheio de mistério
disse-me com voz singela
que queria compromisso sério.

Fiquei meio assustado
Com aquilo que ela me disse
Eu, um solteiro inveterado,
achava casamento uma tolice.

Mas tenho de confessar
Seu encanto me pegou
Queria ao lado dela ficar
Até parece que me enfeitiçou.

No dia seguinte bem cedo
Ao seu pai ela me levou.
Chamava-se senhor Alfredo.
Minha presença ali ela explicou.

Todo óleo de cozinha usado
em biodiesel ele convertia.
Boa quantidade tinha armazenado.
Perguntei-lhe se me vendia.

Ele disse que para vender
dependeria da minha resposta.
Com a filha dele o que eu ia querer.
Se pedido de namoro era a proposta.

Fiquei bem embaraçado
e ela olhou-me envergonhada.
Disse que gostaria de ser seu namorado
e que ela me acompanhasse na estrada.

Disse-lhe que chegara o momento
de assumir um compromisso.
E pedia a ele o consentimento,
pois sofrera do amor um feitiço.

O pai dela acreditou em mim.
E deu sua permissão.
Vida de solteiro chegava ao fim.
Teria companhia no caminhão.

Comprei todo o estoque
de biodiesel que ele tinha.
Uma parte levaria no reboque.
Dois mil litros de óleo de cozinha.

Fiquei sem dinheiro completamente
Na carteira nenhum tostão.
Mas apesar disso, estava contente,
cheios os tanques do caminhão.

Os reboques descarregados
encontrar carga seria difícil.
Onde fretes podiam ser encontrados
escritório da transportadora em edifício.

A enchente trouxe prejuízo
o comércio paralisado.
Achar carga era preciso,
Só partiria carregado.

Congelada polpa de açaí.
Castanha do Brasil e borracha.
Com esta carga, de lá saí.
Dia seguinte pus-me em marcha.

Não viajava sozinho.
Bela acreana ia a meu lado.
Conversávamos pelo caminho.
Dirigindo meu MAN trucado.

Ia baixando o Rio Madeira
Devagar ia rodando.
mas quedas de barreiras,
faziam-me ir parando.

Ela me dando apoio.
Sentia forças pra prosseguir.
Ponte de madeira sobre arroio
passava o bruto com risco de cair.

Eram tantos buracos
que a viagem não rendia.
Não era lugar para fracos.
Ali, não se sobreviveria.

Já no Centro-oeste
por Mato Grosso passando
Rumando para o Sudeste,
com meu cruzador rodando.

Não fosse da cabine o conforto
seria maior o cansaço.
Faltava muito para chegar ao porto
mas confiava no meu cavalo de aço.

Após viagem cansativa,
a bordo de meu potente dino.
O carregamento da cooperativa,
entregava no destino.

Após um mês viajando,
retornaria para o Norte.
Ela o tempo todo apoiando,
Ao seu lado sentia-me forte.

Sempre que desejava,
Fazia para seu pai ligação.
Em mim ela confiava
Me entregara seu coração.

Acre, retornei àquele Estado.
Viajei com sol brilhante.
Ia muito bem acompanhado.
Levava um raro diamante.

A estrada muito melhor
do que a um mês atrás.
Cada quilômetro conhecia de cor
chegar com rapidez seria capaz.

Quando cheguei em Rio Branco
levei-a até o pai dela.
Pagamento do frete depositei no banco.
Saímos para jantar, eu e ela.

A bordo do meu pesado
Ia feliz como uma criança.
Lá sacramentei nosso noivado.
Pus em seu dedo uma aliança.

Saí para outra jornada
Ela ficou em sua cidade.
Deixei lá minha amada,
razão da minha felicidade.

No meu retorno seria marcado
a data do nosso casamento.
Meu MAN potente e trucado.
soberano na pista de rolamento.

Esta viagem foi pequena.
Retornei logo em seguida.
A travessia perigosa valeu a pena
pois conheci a mulher da minha vida.

Roberto Dias Alvares

Vida na Estrada: Repórter mostra flagrantes de uso de drogas por caminhoneiros

vida na estradaPara reduzir o tempo das viagens, os caminhoneiros abusam das drogas, principalmente cocaína, metanfetamina e rebite. O vício se estende por todas estradas do País e, em alguns casos, é alimentado por esquemas de distribuição em postos de gasolina. Acompanhe os detalhes na reportagem de Eduardo Ribeiro.


Fonte: Jornal da Record

Histórias de um carreteiro 3

MErcedes-Benz LP 331

A chuva cai com intensidade.
Batendo no asfalto, enxurrada.
Caminhão moderando a velocidade,
Puxa sua carga pela estrada.

Belo cavalo mecânico trucado.
Imponente com seus dez pneus.
Mercedes Benz LPS dourado,
levando no reboque os sonhos meus.

A dirigi-lo, me vejo e imagino.
Enfrentando perigos sem medo.
Brincava de carrinho quando menino.
Agora eu dirijo o brinquedo.

Transportando combustível:
Gasolina, querosene ou etanol.
Também pode ser óleo diesel.
Debaixo de chuva ou de sol.

Fazendo transporte de areia
ou até carregando cimento.
Soja, trigo, milho, arroz, aveia.
ou qualquer outro mantimento.

Leva uma carga de madeira,
Entregá-la logo no destino.
Na subida o motor pede primeira.
Dirigi-lo, brincadeira de menino.

A chuva então aumenta.
Mais rápido o vai-e-vem do limpador.
Qualquer carga, meu caminhão aguenta.
Aperto o pedal do acelerador.
A velocidade já passando dos noventa.
Sobe o giro do motor.

Dois escapamentos apontam pra cima.
Joga para o alto a negra fumaça.
Meu caminhão, uma obra prima,
Levando o progresso por onde passa.

Cortando a noite escura,
Ligo também os faróis de milha.
O possante suavemente murmura.
Corrijo o volante, o caminho certo trilha.

Eis que surge de repente
Carro veloz põe-se a meu lado.
Alguém grita insistente,
vejo que está armado.

Homem dentro do carro
uma arma então aponta.
Com o caminhão nele esbarro.
Escapando desta afronta.

Seguro firme o caminhão,
Tentando fugir do perigo.
De repente uma explosão
era o carro do bandido.

No posto policial,
aviso do acontecido.
O motivo porque afinal
no carro havia batido.
Perdeu a vida um marginal,
que tinha me perseguido.

Poema de Roberto Dias Alvares

Uma corrida para o Norte

caminhao_atoladoEnquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) financia a construção de terminais nos portos de Mariel, em Cuba, e Rocha, no Uruguai, a BR-163, que liga Cuiabá-MT a Santarém-PA, virou um lamaçal nesta época de chuvas na Amazônia. Mesmo assim, as empresas nacionais e multinacionais que trabalham com o agronegócio tentam escoar boa parte da supersafra do Centro-Oeste por esse que há muito tempo deveria ser um dos mais importantes corredores logísticos do País, pois inclui o aproveitamento da hidrovia Tapajós-Amazonas.

Se a estrada já tivesse sido asfaltada, os ganhos de frete, tempo e eficiência logística seriam muitos – cerca de 35% – , em comparação com o percurso que a maioria dos caminhões faz em direção aos portos de Santos-SP e Paranaguá-PR, enfrentando o dobro de tempo e rodovias e vias de acesso à zona portuária completamente congestionadas. Em compensação, os caminhões que optam pela direção Norte têm de enfrentar riscos de derrapagens, quebra de peças, atoleiros e ainda o dobro do tempo que a quilometragem exigiria se a viagem fosse feita em asfalto.

É claro que a pavimentação da BR-163 já resolveria grande parte dos problemas, mas o percurso não termina na rodovia de terra batida porque os caminhões precisam seguir até Miritituba, distrito de Itaituba-PA, onde o transbordo da carga é feito para barcaças que descem o rio Tapajós até os portos de Santarém-PA e de Vila do Conde, no município de Barcarena-PA, ou ainda Santana, no Amapá. De terminais, a carga é transferida para navios Panamax que seguem para a Europa e Ásia.

Mesmo sem a contrapartida do governo federal, empresas como a Bunge e a Cargill têm investido em terminais na região. Algumas, é verdade, até congelaram investimentos, já que esperam o asfaltamento da BR-163 há quase duas décadas. Mas, seja como for, levando em conta o potencial dessas multinacionais, com certeza, a médio prazo, o que se prevê é que o escoamento de grãos passará a ser feito majoritariamente pelo Norte do País.

Obviamente, essa seria a solução para os congestionamentos que ocorrem na região Sudeste à época da safra do Centro-Oeste.

Por outro lado, é preciso avaliar bem se os terminais graneleiros que o governo federal pretende licitar na área da Ponta da Praia, no porto de Santos, terão em cinco ou dez anos a demanda dos dias de hoje. Afinal, as previsões indicam que até 2020 o Centro-Oeste deverá estar escoando 40 milhões de toneladas de grãos por ano. E a tendência é que esse escoamento seja feito por modal fluvial. O que é vê hoje é uma preparação para um rush em direção ao Norte, que só não ocorreu ainda por falta de ação do governo federal.

Texto de Mauro Lourenço Dias é engenheiro eletrônico, vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).