Máquina de velocidade

por Blog do Caminhoneiro

Funcionalidade, tecnologia e economia. Essas são as principais características que um caminhão precisa ter para atender com eficácia as exigências dos transportadores brasileiros, sejam eles autonomos ou frotistas. Porém, os caminhões que competem na Fórmula Truck precisam dispor de uma caracteristica principal completamente diferenciada da realidade dos modelos estradeiros, trata-se de velocidade. Durante as corridas, esses veículos chegam a atingir 220km/h e fazem da competição uma das maiores e mais disputadas provas automobilisticas da América Latina.

Atualmente, a Fórmula Truck é dividida em dois campeonatos na mesma temporada: o Sul-Americana e o Brasileiro. Na ponta da tabela internacional está o piloto da equipe RM Competições, Felipe Giaffone. A bordo de um supercaminhão Volkswagen Constellation, Giaffone é bicampeão da competição nacional e está na briga direta por mais uma temporada vitoriosa. O bom desempenho do seu caminhão tem deixado a equipe sempre competitiva e dado esperança de novas conquistas este ano.

Grande parte da excelente performance oferecida pelo caminhão da fabricante alemã ocorre devido a algumas modificações e adaptações feitas pela equipe e que tornam um cavalo-mecânico, originalmente utilizado somente nas estradas para transporte de carga, em uma verdadeira máquina de corrida. Entre os ajustes mais expressivos está o do motor. Fabricado pela Cummins, ele é comercializado com apenas 320cv, porém. após o toque dos mestres da engenharia mecânica da equipe Volkswagen, o propulsor passa a oferecer incríveis 1100cv de potência. “Nós fazemos alterações em praticamente tudo: pistão, regulagem da injeção, cabeçote e diversas outras peças”, diz Franklin Almeida de Macedo, chefe da equipe RM Competições. Com essa motorização, o consumo de combustível do caminhão é de 1km/l.

No entanto, outro atributo dessa superversão da Volkswagen, para alcançar velocidades acima dos 200km/h, está no turbocompressor. Fabricado pela Borg Wagner, o componente recebe um tratamento especial para empurrar uma grande quantidade de ar para o motor. Desenhos diferenciados permitem que essa função seja exercida pelo turbo e que a combustão interna do motor seja eficaz.

A transmissão também conta com um toque especial para garantir a performance do caminhão Volkswagen. Com 6 velocidades, a caixa dispõe de marchas mais longas e que permitem o melhor desenvolvimento da velocidade. A ZF é a responsável pela fabricação da transmissão e, segundo Macedo, a empresa já entrega a caixa de câmbio à equipe totalmente adaptada. “Trata-se de uma transmissão mecânica completamente diferenciada das que são comercializadas para caminhões convencionais, até a alavanca para troca de marchas tem que ser adaptada, para ficar próxima ao piloto e permitir mudanças rápidas”, comenta Macedo.

Por outro lado, a fabricação e adaptação da suspensão fica por conta da própria equipe da Volkswagen. Este é um item fundamental para o bom desempenho do caminhão nas curvas. A estabilidade depende quase que exclusivamente desse componente, assim como o bom desempenho nas pistas. A suspensão, nesse tipo de veículo, não precisa oferecer conforto mas sim o bom equilibrio do caminhão. Quando ajustada corretamente, ela garante que todos os pneus estejam sempre tocando a pista e, consequentemente, que o caminhão alcance maiores velocidades. No entanto, a suspensão não pode deixar o caminhão mais alto, já que, de acordo com as normas da competição, o veículo deve ter no mínimo 2,3 metros de altura.

Diferentemente dos estradeiros, os caminhões da Fórmula Truck dispensam todos os aparatos tecnológicos de última geração. Como se diz na gíria dos pilotos, para dirigir um desse, “é preciso ter braço”. O piloto tem acesso apenas a algumas funções básicas, como ligar e desligar o motor, contato a rádio com a equipe e obter informações sobre a pressão do óleo, velocidade, temperatura do motor, etc. O único lugar onde não se rejeita tecnologia é no sistema de freios, já que chegam a 600ºC e suportam até 4000 kg de frenagem. Além de serem a disco, os freios são equipados com ABS e pastilhas mais resistentes.

Segundo o chefe de equipe da Volkswagen, o caminhão, mesmo não tendo muitos itens tecnológicos, a segurança é prioridade no desenvolvimento dos modelos. A cabine é reforçada e fixada apenas em quatro pontos no chassi. Essa é uma medida de segurança para evitar que, em caso de acidente, o chassi caia sobre a cabine. Em 2010, na etapa de interlagos, os pilotor Diumar Bueno (Volvo) e Bruno Junqueira (Ford) se envolveram em uma forte acidente no final da reta dos boxes, mas a cabine se soltou do chassi e os pilotos sairam ilesos. Fora disso, uma série de barras de segurança reforçam a estrutura da cabine, a chamada gaiola de proteção. Outro detalhe para prevenir acidentes é o tanque de combustível posicionado na parte central da traseira do chassi, para evitar incêncios ou explosões próximas a cabine. Vale ressaltar que o tanque tem a capacidade de 120 litros.

O caminhão é totalmente feito para rodar em alta velocidade e, por mais incrível que pareça, os mecânicos da Volkswagen garantem que só precisam de, no máximo, 20 a 30 dias para transformar um caminhão rodoviário em uma verdadeiro amante da velocidade, pronto para competir na Fórmula Truck.

Fonte: Revista Transporte Mundial

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1 comentário

pichuchevy 18/08/2011 - 08:46

Muy Buena la informcion sobre los Truck!!! tuvieron mucha suerte de salir ilesos los pilotos, muy fuerte el impacto.

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