Investimento da Petrobras em diesel “limpo” é de US$ 12 bi




A Petrobras reservou US$ 12,6 bilhões de seu plano de negócios entre 2011 e 2015 para investir na melhoria da qualidade do óleo diesel mais limpo, o S-50, com 50 partes de enxofre por milhão e que começa a ser comercializado a partir de janeiro de 2012. Já a partir de 2013 a empresa promete entregar o S-10, com 10 partes de enxofre por milhão e menos poluente em todo o País, conforme acordo que a estatal fechou com a associação das montadoras (Anfavea) e órgãos do governo em 2009, acordo este resultado do atraso no programa de melhoria do combustível e dos motores para menor nível de emissões. A estimativa da estatal é de importar cerca de 38% da demanda inicial pelo combustível e a totalidade da produção em território brasileiro deverá ocorrer em 2015.

O anúncio foi feito a 20 dias da virada do ano, em função da entrada em vigor da nova norma de emissão de poluentes. A Proconve 7 obrigará a Petrobras a fornecer o óleo diesel com menor teor de enxofre, ao mesmo nível da legislação vigente na Europa e nos Estados Unidos. De acordo com o diretor de abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa, para atender a demanda a empresa está modernizando e construindo novas unidades de processamento do combustível. A partir de 2013 o Brasil passará a ter apenas dois tipos de diesel, o S-500 (500 ppm), além do S-10.

A Petrobras estima que o consumo inicial será de 5 milhões de metros cúbicos de S-50 em todo o Brasil, e por isso deverá colocar escalonadamente as unidades de processamento, conhecidas como HDT (hidrotratamento). De acordo com o cronograma da estatal, a primeira que entrará em operação está na Repar (PR), ainda este ano. Em 2012, estão previstas as unidades em Capuava (SP) e Regap (MG). Para 2013 a estatal planeja iniciar a operação de uma segunda unidade em Minas Gerais e na Replan (Paulínia, SP). No ano seguinte será a vez da Refap (RS), Presidente Bernardes (Cubatão, SP) e outra na Reduc (Duque de Caxias, RJ). Segundo Costa, cada unidade de hidrotratamento custa entre US$ 500 milhões e US$ 700 milhões. Atualmente o S-50 é produzido na Replan e Revap, na Reduc e na Regap. A refinaria Abreu e Lima (PE) será a primeira a ser inaugurada já com a capacidade de produção do diesel S-10.

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“Nossa meta até 2020 é de ter 60% de todo o diesel comercializado no Brasil com 10 ppm e os 40% restantes com 500 ppm”, apontou o executivo da estatal. “Para atender a esse objetivo, estamos investindo em nosso plano de 2011 a 2015 cerca US$ 70,6 bilhões em novas refinarias e nas existentes, se focarmos apenas no diesel apenas, são US$ 12,6 bilhões até 2015”, completou. Segundo o executivo, as vendas de S-50 representam apenas 6% do que é vendido de S-500, o mais usado no País e custará cerca de R$ 0,06 a mais por litro em comparação com o combustível comercializado atualmente.

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Capilaridade

A Petrobras colocará cerca de 900 postos em todo o Brasil com o diesel S-50 a partir do próximo mês. A meta da empresa é de o motorista ter a possibilidade de encontrar o novo combustível a, no máximo, cada 400 quilômetros de distância entre os pontos de abastecimento. Nesses mesmos locais a companhia planeja disponibilizar o Arla 32 que está sendo produzido na fábrica de fertilizantes da empresa no Polo de Camaçari, na Bahia.

De acordo com o presidente da BR Distribuidora, José Lima Neto, a empresa poderá aumentar o número de postos com o combustível mais limpo em decorrência da expectativa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que informou em circular que a expectativa inicial era de o País contar com pelo menos 3 mil postos de abastecimento com o S-50.

Além do diesel mais limpo, para que os motores com o novo padrão de emissões funcione, há a necessidade de outro produto, conhecido como Arla 32, feito a partir de ureia. Esse produto deverá ter um preço entre R$ 2 e R$ 3 por litro, sendo que a recomendação de uso é de 5 litros de Arla 32 para cada 100 litros de diesel. O Arla 32, a ser comercializado pela Petrobras com a marca Flua, mas há outros concorrentes nesse mercado, inclusive a Vale.

Fonte: Diário do Comércio, Indústria e Serviços




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