Adeus para o Ford F4000 e Mercedes-Benz 710




Nem todos vão se lembrar e muito menos estarão ligados nisso, mas quando soaram as badaladas do “Adeus Ano Velho. Feliz Ano Novo”, à meia noite do sábado, não existirá ano novo para dois mitos do transporte urbano no Brasil. Com a chegada do padrão Euro V a partir do dia primeiro de janeiro, Ford F-4000 e Mercedes-Benz 710 estarão oficialmente fora das linhas de produção. A Ford não fez nenhum anúncio sobre a descontinuação da famosa e lendária linha Série F, já a Mercedes divulgou vasto material contando a história industrial do Lázaro, apelido carinhoso do Mercedinho 710

Retirar do mercado um caminhão como o F-4000 que, apesar da idade tem seu público cativo, é uma decisão corajosa, mas a equação era mesmo econômica, por conta dos custos muito altos de produção de sua última geração. Com a saída do modelo, a empresa, além de perder vendas, abriria de graça espaço para os concorrentes, justamente em momento em que a concorrência se arma com muitas novidades.

História

A linha F nasceu no Brasil em 1957 com o modelo F-600, um caminhão tipicamente estradeiro para a época e que foi muito usado na construção de Brasília, puxando carga de São Paulo. O motor era um V8 a gasolina, de 4,5 litros, que foi usado nos caminhões da marca até 1977.

Em 1971, a Ford já comemorava a produção de 200 mil unidades do modelo. A linha vinha crescendo com a picape F-100 e a F-350, mas a grade novidade veio em 1975, com o lançamento dos caminhões médios F-400 e F-4000, de maior capacidade, maior plataforma de carga e suspensão dianteira independente, do tipo Twin-I-Beam. O motor, um MWM D-226-4 a diesel.

A linha F começou a ficar mais profissional e “estradeira” a partir de 1977, com a chegada dos modelos F-7000 e FT-7000, este último com terceiro eixo de fábrica. A família também contava com os modelos F-8000 e FT-8000, além do cavalo mecânico F-8500, capacitado para 30,5 toneladas de peso bruto total combinado. O motor era um Detroit Diesel 6V. Um ano depois, veio o motor MWM, que passa a puxar também os modelos da linha 7000.

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A história da linha F sempre foi marcada pelo lançamento e descontinuação de modelos intermediários. Um deles foi o F-2000, com motor Diesel MWM D-299-4, freios dianteiros a disco, e capacidade para duas toneladas de carga útil e opção de direção hidráulica. Com o lançamento do modelo Cargo em 1985, a linha F ficou para segundo plano mas, apesar da sua cabine ultrapassada, sempre teve sua fatia de mercado no transporte urbano.

Em sua fase final, os médios da série F tiveram um design tão estranho que acabou rendendo o apelido de sapão. Mas o F-16000 sumiu rápido, logo seguido pelo F-12000 e F-14000, em 2006. Sobravam os pequenos. Até agora. O F-4000, particularmente, deixa uma história com mais de 150 mil unidades vendidas. Ao longo de sua história, a linha F acumulou aproximadamente 570 mil unidades produzidas.

A história do Mercedinho tipicamente urbano começou em 1972, com o 608D, o primeiro modelo na categoria dos leves da Mercedes-Benz. Na época, o modelo chegou trazendo inovações, como a cabine semi-avançada, o que ampliava a plataforma de carga. Essa era uma vantagem considerável, pois os concorrentes eram quase todos derivados de picapes que usavam cabines convencionais.

Em toda a sua história de vida o modelo passou por quatro atualizações. A primeira veio em 1987, quando teve sua capacidade de carga ampliada e o nome subiu para 708 E. Um ano depois, a cabine foi reestilizada, ganhando a aparência que mantém até hoje e também foram incorporados melhoramentos como o freio a disco nas rodas dianteiras. O 708 E também foi base para um modelo ligeiramente maior, o 914,que inaugurou o segmento de nove toneladas.

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Concorrendo sempre na faixa de entrada, quase nada mudou no desenho da cabine, mas o urbano da Mercedes ganhou inovações tecnológicas, como o motor com intercooler em 1992. O aumento de potência para 120 cv elevou o nome para MB 712. Quatro anos mais tarde voltou a se chamar 710, por conta do motor turboalimentado. Com as vendas em queda, o modelo chegou a ser retirado da linha de produção em 1998, mas voltou um ano depois por exigência do mercado. Após essa recaída, recebeu melhoramentos como sistema de freios pneumáticos (2002) e a adequação para atender a legislação do CONAMA P5 (Euro III), em 2006.

O Mercedinho foi, por vários anos seguidos, o caminhão mais vendido do Brasil e, somando todas as suas versões, encerra seus 40 anos de história totalizando 183.626 unidades vendidas. “O Mercedinho é dinheiro em caixa e pau para toda obra”, diziam seus usuários.O espaço deixado pelo MB 710 será preenchido pelo modelo Acello 815. Lançado em 2003, o produto novo (então chamado 715) chegou a provocar a suspensão da produção do Mercedinho por uns três meses.

Sua missão, a médio prazo, era exatamente substituir o 710, mas o tiro saiu pela culatra e, como as vendas não decolaram, sua produção desde 2009 passou a ser feita apenas sob encomenda. Com a terceira aposentadoria do 710, agora definitiva pela impossibilidade técnica de adaptação ao padrão Euro 5, o Acello volta à tona. A geração do 710 encerra sua carreira com 183.626 unidades vendidas. O 608 D representou o maior volume – 82.551 unidades.

Fonte: Transpoonline




28 comentários em “Adeus para o Ford F4000 e Mercedes-Benz 710

  • 03/05/2014 em 15:15
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    Pensei em comprar um 608, saiu de linha a algum tempo, agora que vou comprar um 710 plus, tiram de linha. Venho acompanhando o parecer de outras marcas médias coreanas e etc. A Mercedes e a Ford estão se arriscando com algo que já estava consolidado; estes tem como adequar os seu motores a não poluição.

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  • 12/04/2014 em 14:47
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    Volto novamente a fazer comentários sobre o fim da produção do Mercedes 710 plus, comprei um usado, porque não encontrei novo. Este é o carro do pobre trabalhar, econômico, não quebra, grande valor de revenda, estabilidade carregado devido a grande largura entre as rodas dianteira e cabine, curta, espaçoso e tudo mais. Na minha região quem tem um ACCELO está arrependido e quem não tem não quer, pois este carro é muito feito, quebrador, ruim de comércio e desvaloriza muito. Isso tudo sem falar no ARLA e no S10 e baixíssima quilometragem por litro. Tenho certeza que um dia voltará a nova Mercedes 710, isso só depende de cada um de nós brasileiros.
    ACCELO, Deus me livre dessa praga ruim que a Mercedes colocou no mercado.
    Estamos sem opção de médios:
    ACCELO – uma merda.
    CARGO 816 – Bom de peso, ruim de manutenção, valorização e revenda.
    Volks – Delivery – uma praga ruim.
    Iveco – Uma doença.

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  • 08/02/2014 em 20:03
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    acho um absurso, deixa de fabrica a f400 sao carros tão bons, o Brasileiro nunca vai deixa de gosta da merceidinha e f4000, A ford nao sabe o que vai perder, Principalmente a mercedes bens …..

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  • 13/12/2013 em 05:39
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    Sobre a questão da saída do ford f-4000 já tá mesmo na hora de sair de linha, é um carro bom, mais com um valor auto de mercado e hoje no mercado competitivo temos caminhões melhores, com capacidade maior e preço bem relativo ao do f-4000, ele já é um carro ultrapassado, eu mesmo não deixo de possuir um caminhão 3/4 pra possuir um f-4000. Sobre o 710 é um carro muito bom não é quebrador é econômico e bem melhor de comercio em relação ao acelo 815 mais por outro lado o 710 tem suas desvantagens é fraco de potência. As vezes as pessoas acham q não vai dar certo esse novo mercado de caminhões, que vão substituir esses modelos que estão se aposentando, se for olhar o passado o caminhão MB 1113, foi um dos caminhões mais vendidos da historia do transporte de carga, por ser um carro bom, de baixo custo, ajudou muito no crescimento do Brasil e ainda continua fazendo parte da historia, só q parou de fabricar esses carros, e ai vem outro bem melhores e substituir esses antigos, a questão é o mercado de transporte crescer a cada dia e as exigências também não adianta parar no tempo, tem mesmo que evoluir.

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  • 12/12/2013 em 23:19
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    eu amo o 710 e na minha opinião ele é muito melhor que o Accelo, tudo bem que o motor do accelo é mais potente, mas ele é muito feio… o f4000 eu também gostava muito e era um dos meus sonhos de consumo junto do 710… fico chateado ao saber que parará a produção..

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  • 12/12/2013 em 22:24
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    Cadê o 912 que foi lançado em 1989?, ele tinha a mesma capacidade de carga do 914 porém não era interculado,e tinha 5 marchas a frente (diferentemente do 914 que tinha 6). Porém em termos de manutenção dá um banho no 914, a caixa nunca deu problema, conheço gente que trocou 914, pelo 912 e não se arrependeu.
    Falando do 710, você sabia que a base dele foi o 912? É a mesma mecânica, porém a quinta marcha é um pouco mais alongada. Em termos de aparencia não tem pra bater, esses cabine meia-lua desses accelo é muito feio, assim como aquela do 914 eletronico.

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  • 07/12/2013 em 13:17
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    As inovações , tem sim sua razão de ser ,mas retirar sumariamente ícones da estrada ,é um absurdo , trata-se do capitalismo selvagem que quer vender novas plantas de fábricas , tecnologias a serem experimentadas etc. Vai chegar sim um dia em um carro muito bom acredito , mas quem comprar primeiro será cobaia sem dúvida nenhuma .
    A Respeito das Mercedinhas durinhas sem conforto nenhum, mas com boa mecânica e mais barata digo: Que pena .E o conforto expertesa da F4000 mesmo com aquele cabinão todo é sem dúvida alguma a caminhonete dos meus sonhos pois dá até para passear com a bixona , ar condicionado e aquele motorzão Cummins é o bicho anda muito igual a caminhonete mesmo , só não gosto mesmo é da frente com aquelas grandes aberturas dos para lamas dianteiros.
    Em resumo: “Pena” a fábrica e os clientes cobaias mas depois virá a recompensa é só esperar.

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