De carona no trio elétrico




Fernando Musse Ferreira, de 48 anos, trabalha como caminhoneiro há 30 anos, 28 deles dedicados aos trios elétricos. Quando não sai dirigindo trio elétrico, vem logo atrás, no caminhão de apoio, como nesta Carnaval.

“Aqui a gente tem posto médico, bar, banheiros e camarote”, revela sobre o espaço que serve de apoio ao trio do Timbalada.

Para sentir na pele a emoção de acompanhar a folia do ponto de vista dele me convidei para uma carona no Circuito Barra/Ondina.

Na cabine, que ele chama de cavalo mecânico ou cavalinho, me surpreendi com o conforto. “Já sofri muito nos caminhões antigos, hoje em dia não quero mais isso não”.

O caminhão possui duas camas, um frigobar, ar condicionado, banco a ar, direção hidráulica e embreagem automática, além, é claro, de uma rede, coisa que Fernando não dispensa. “O espaço é pequeno, mas tudo se encaixa perfeitamente. Prefiro dormir na rede porque na cama acordo com dor nas costas”, diz.

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Resolvi experimentar o colchão e posso garantir que passaria dias ali sem problema algum.

O motorista leva de 5 a 8 horas, dependendo da posição de desfile do trio, para atravessar todo o percurso que, em dias normais, levaria no máximo 10 minutos. “Quanto mais tarde sai o trio, mais demorado é o caminho porque vai tudo se aglomerando”, explica.

Fernando também já puxou trio de artistas famosos como o Expresso 2222, de Gilberto Gil. “Não temos contato com eles, mas dá para se divertir. Vejo muita coisa engraçada daqui de cima”, comenta ele que passa os seis dias de folia morando, literalmente, no caminhão. “Chego para a concentração às 7h da manhã e fico esperando o trio sair. Depois faço todo o percurso e quando chega ao final, em Ondina, encosto e fico por ali mesmo até amanhecer. A gente só volta para a concentração depois de toda a limpeza do circuito”, conta.

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Para tomar banho, ele usa o banheiro do próprio caminhão. “A água sai de uma mangueira. Apesar de ser fria, dá uma refrescada”.

Quando perguntei para Fernando o segredo para ser um bom condutor de trio ou carro de apoio, ele é taxativo. “Ter paciência, muita paciência”, diz sorrindo enquanto dirige a 2 km por hora e balançado no ritmo das batidas e dos pulos dos foliões que ficam em cima da carroceria.

Texto por Tatiane Moreno, de Salvador

Fonte: Bandfolia




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