Saiba o que muda com o Proconve P7




Demorou, mas chegou. E agora será para valer. Caminhões zero quilômetro comprados a partir do primeiro dia de abril sairão das revendas com motores bem diferentes daqueles que equipavam os caminhões até agora vendidos. Ainda é possível achar caminhões novos com a motorização anterior a esta em algumas concessionárias. Mas em abril, por imposição legal, só será permitido a venda de caminhões com esta nova configuração de motores que atendem a nova legislação ambiental brasileira para emissões, conhecida como Proconve P7 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores).

O “P7” significa que o programa está em sua sétima fase. E este programa brasileiro é inspirado no mesmo programa instituído na Europa na década de 1980, conhecido como Euro. Lá, por exemplo, está valendo desde 2009 o Euro 5. Muito bem, então, que fique claro: o Proconve P7 é exatamente a mesma coisa que Euro 5. Como o primeiro é um nome grande e com uma pronúncia desagradável muita gente prefere chamar o programa nacional de Euro 5. É a mesma coisa.

Portanto, finalmente, em abril, os caminhões vendidos no Brasil serão idênticos aos vendidos na Europa. E este é um marco importante na indústria automotiva nacional, principalmente porque estes novos veículos movidos a diesel poluirão muito menos. Quem ainda associa caminhões com aquela fedorenta fumaceira preta, esquece. Estes novos caminhões não soltam fumaça e a quantidade de partículas nocivas despejadas no ar foi drasticamente reduzida.

É preciso dizer que as mudanças aconteceram nos motores que ganharam um pouco mais de potência para “queimar” com mais eficiência o combustível. Contudo, todas as fabricantes nacionais aproveitaram a deixa para também oferecer linhas renovadas dando uma mexida no design e melhorando o conforto. Como o motor ganhou uns cavalos a mais, a nomeclatura mudou. Vamos pegar o caminhão mais vendido do Brasil para servir de exemplo: o VW Constellation 24.250 passa a ser conhecido, a partir de abril, como VW Constellation 24.280.

Como tudo tem um preço, os novos caminhões custarão, em média, entre 10% a 15% mais caros que seus antecessores. Mas, em compensação, entregam mais potência, poluem menos e são mais econômicos. Todas as fabricantes garantem que esta nova geração de motores conseguiu a façanha de somar cavalos ao motor e diminuir a sede da tropa por diesel. Na média os motores ficaram entre 3% e 6% mais econômicos.

Mas, para tudo funcionar conforme o planejado, é importante que estes novos motores sejam abastecidos com um diesel de melhor qualidade, conhecido como S-50. A sigla S-50 significa que o combustível possui teor de enxofre máximo de 50 mg/kg. O diesel que o caminhoneiro está habituado a abastecer seu caminhão na estrada é o S-1800 ou, em algumas cidades, o S-500. Ambos, como dá para notar, com alto teor de enxofre e que, por isso mesmo, poluem mais. Consultada, a Petrobras garante que haverá o diesel S-50 por todo território nacional. Inclusive os mais atentos já devem ter notado a campanha publicitária da estatal no horário nobre das emissoras de TV falando sobre o assunto.

Entenda o que é “EGR” e “SCR”

Sistema SCR

O nível de emissão tolerado pelo Euro 5 (P7 no Brasil) pode ser alcançado com dois sistemas diferentes de pós-tratamento de gases: o EGR (Exhaust Gas Recirculation, ou Recirculação de Gases do Escapamento) e o SCR (Selective Catalyst Reduction, ou Catalisador de Redução Seletiva).

Os sistemas são distintos, mas o resultado esperado é o mesmo: poluir menos. O sistema EGR, que faz a recirculação de gases do escapamento até soltá-los mais limpos na atmosfera dispensa a utilização de reagentes no processo. Já o SCR, que faz uso de um catalisador, precisa do reagente Arla 32. E o que é isso? Bem, você não precisa estudar química para saber, basta entender que é uma solução a 32,5% de ureia de alta pureza em água desmineralizada que é transparente, não tóxica e tampouco inflamável.

Sistema EGR

Com exceção da MAN, a demais fabricantes optaram por adotar o sistema EGR em furgões e vans, ou seja, em motores menores. Já a MAN foi a única a adotar este sistema em seu caminhão mais vendido, o semipesado VW Constellation 24.280. Aliás, os caminhões MAN serão encontrados em ambos sistemas. Já Scania, Volvo, Mercedes-Benz, Iveco, Ford, International e Sinotruk optaram por equipar seus caminhões com os motores SCR.

Agora, preste atenção: se você comprar van, furgão ou o VW Constellation 24.280 basta unicamente abastecer seu veículo com o diesel S-50. Não é preciso Arla. Qualquer outro caminhão novo, cujo sistema é o SCR, além do diesel S-50, é mandatório manter o tanque extra sempre abastecido com a solução Arla 32. E não é nenhum bicho de sete cabeças encontrar a solução: qualquer revenda tem e os postos BR também venderão o produto com o nome de Flua. Para seu conhecimento o Arla já está sendo comercializado (normalmente será vendido em galões de 18 litros) e o preço médio será de R$ 4,70 o litro. Mas não se assuste: um litro é suficiente para um caminhão pesado rodar perto de 100 quilômetros.

Sistema eletrônico não permite “descuidos”

Os sistemas SCR e EGR são monitorados pelo OBD (On-board Diagnosis), um sofisticado equipamento eletrônico que faz autodiagnose e tem a função de monitorar constantemente o gás produzido da combustão do motor. Integrado ao computador de bordo, ele faz a verificação do gás e registra se a taxa de poluentes está dentro do permitido.

Se houver algo de errado, como a falta do Arla 32 em motores SCR, o OBD acusa e emite sinais no painel para que o motorista regularize a situação. Com este sistema, transportadoras e órgãos fiscalizadores podem acompanhar se os motoristas estão rodando dentro dos padrões exigidos pelo P7.

De acordo com Alvaro Mariotto, responsável pelo Marketing do Produto da MAN Latin America, essas informações “ficam guardadas por cerca de 400 dias”. Desta maneira, qualquer uso prolongado do veículo sem o Arla 32 ou com diesel diferente do S-50, poluindo acima do permitido, será armazenado na memória do equipamento que pode ser aferido a qualquer momento tanto pelo transportador quanto por uma concessionária da marca do veículo. O mau uso pode acarretar em sérios danos ao motor e, ainda pior, a total perda da garantia do produto.

O Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32) precisa de um tanque próprio, separado do tanque de diesel. Nos caminhões com o sistema SCR, que faz uso do componente, o OBD trabalha em conjunto com uma bomba para saber qual a quantidade da substância que precisa ser jogada junto com os gases do motor para o catalisador. Essa tecnologia permite a redução de aproximadamente 80% de Material Particulado e 60% de Óxido de Nitrogênio (NOx).

Da mesma forma como no painel é indicado o nível de combustível, também será indicado, ao lado, o nível de Arla. Caso o Arla acabe, o OBD dá um sinal no painel de que é necessário reabastecer. O veículo pode rodar por mais 48 horas com o tanque de Arla vazio. Se não for reabastecido, assim que este tempo acabar ou o caminhão for desligado e ligado novamente, o motor perde potência. “Se o motorista ignorar os alertas no painel e não reabastecer o tanque de Arla 32, haverá redução automática do torque em 25% (veículos de PBT menor ou igual a 16 toneladas) ou 40% (veículos de PBT maior que 16 toneladas)”, afirma Gilberto Leal, da Mercedes-Benz. Portanto o aviso é praticamente um ultimato para que seja feito o reabastecimento do tanque de Arla.

Alerta importante aos caminhoneiros: o OBD também identifica substâncias estranhas no tanque de Arla. Se, por acaso, água for misturada ao componente, o mesmo ciclo de 48 horas se inicia, mas desta vez não basta completar o tanque, será preciso esgotá-lo por completo para eliminar material contaminado e substituir por uma porção pura de Arla 32.

Por isso mesmo, com os novos caminhões, é mais aconselhável andar na linha e não tentar nenhuma “gambiarra”. Abasteça com o diesel S-50 (que será apenas alguns poucos centavos mais caro que o diesel comum) e mantenha o tanque de Arla sempre com o produto. Os sistemas eletrônicos, agora mais inteligentes, se encarregam de alertar os motoristas mais desatentos. Pode ter certeza, de agora em diante fazer o certo vai ficar bem mais econômico que qualquer tentativa de apelar para o famigerado “jeitinho”.

Fonte: iCaminhões




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